
Delfina à Meia-Noite na Igreja
Conto erótico succubus à noiteTerror Erótico11 min de leitura
Um conto de Delfina García
Delfina entra de noite numa igreja vazia de Lisboa, acordada pela marca na anca. Um homem ficou a fechar o templo. Ela avisa-o de que o vai comer e ele não sai.
A nave cheirava a cera fria e a pedra húmida quando comecei a apagar as últimas velas, e Lisboa estava lá fora, uma noite de outubro a bater chuva miúda no adro, enquanto a igreja tinha ficado vazia depois da bênção final. Fechei a porta da sacristia com a chave antiga, conferi o sagrário e caminhei entre os bancos com o hábito de quem, aos trinta e um anos, já conhecia cada rangido da madeira. O silêncio pesava de um modo que me agradava, e era o meu trabalho mais quieto, aquele fecho tardio em que o templo parecia respirar sozinho.
A porta principal abriu-se então com um queixume longo, o ferro molhado a queixar-se contra a pedra.
Ela entrou sem se benzer e sem pedir licença ao espaço sagrado. O casaco negro brilhava de chuva, colado a um corpo de linhas duras, claramente moldado por treino pesado, e avançou pelo corredor central com a quietude de quem escolhe cada passo. Vi-lhe a anca esquerda sob o tecido, uma marca escura a pulsar como se a tivesse acordado e mandado para a rua, e ela pousou os dedos ali durante um instante, a escutar o que a pele lhe dizia, antes de levantar o rosto.
«Delfina García.» O nome saiu-lhe curto, quase um desafio, e acrescentou a idade como quem deita uma carta na mesa, vinte e dois anos ditos sem cerimónia, os olhos cravados nos meus. «Vou comer-te.»
A chave escorregou-me entre os dedos e caiu no banco com um som pequeno demais para aquela vastidão. Ela aproximou-se até o calor da pele molhada me atravessar a camisa, e o sorriso, que tinha sido breve, abriu-se numa frase inteira, lenta, feita para me deixar sem chão.
«Vou tirar-te o sémen e o fôlego, Nuno. Podes ir-te agora, fechar a porta e fingir que não me viste. Se ficares, quero-te a pedir que continue, mesmo quando o ar te faltar.»
O meu nome soou alto demais na nave vazia. Não saí daquele sítio; olhei para a porta aberta, para a chuva, para a boca dela, e deixei a chave onde tinha caído. Delfina riu-se baixo, um som que as pedras devolveram com atraso, e puxou-me pela gola até os lábios me encontrarem o pescoço. Os dentes fecharam-se na pele com uma voracidade que não era metáfora, e gemi contra o cabelo húmido enquanto as mãos dela me procuravam a cintura. Trabalhou-me primeiro o cinto, desapertou-o com uma certeza fria, e só depois se ocupou do botão e do fecho, até me tirar a piça para o ar frio da igreja. Os dedos fecharam-se em volta com uma firmeza de quem sabe o que quer. Puxou-me a pele para trás, olhou para o que tinha na mão e cuspiu na palma antes de me masturbar ali, de pé, entre os bancos, com o altar às costas dela.
A pila endureceu-me depressa, pesada, a latejar contra aqueles dedos treinados, e Delfina não desviou o olhar. Apertou mais, rodou o pulso, e o prazer subiu-me pelas pernas com uma violência que me flectiu os joelhos.
«Ficas.» A palavra foi curta. Depois, enquanto a mão não parava, a frase alongou-se outra vez: «Tira a camisa e deita-te no chão da nave. Quero sentar-me na tua cara até me vir com o teu nome pregado na cona.»
Deitei-me na pedra fria com a camisa aberta sobre o peito, as calças presas nos tornozelos e a piça a bater-me na barriga, a latejar contra o ar da nave. Delfina despiu-se sem pressa de teatro, peça a peça, e o corpo que apareceu não pedia elogios: ombros largos de quem levanta ferro, ventre marcado, ancas firmes, mamas altas que se moveram pouco quando se inclinou. As cuecas pretas desceram pelas coxas e ela ficou nua debaixo da abóbada, a cona já luzidia, o clitóris inchado entre os lábios escuros. Ajoelhou-se por cima da minha cara e o cheiro dela, salgado e quente, encheu-me o nariz antes mesmo de a boca me tocar.
«Abre.»
Abri a boca como ela pedia, e a cona pousou-me inteira nos lábios e no queixo, pesada, molhada, enquanto começava a lamber-lhe o meio com a língua larga, a procurar o ponto que a fizesse tremer. Delfina segurou-me o cabelo com as duas mãos e sentou-se de verdade, o rabo a tapar-me o mundo, as coxas a fecharem-se contra as orelhas. O ar ficou estreito de imediato. Lambia-lhe a fenda, chupava-lhe o clitóris, metia a língua o mais fundo que conseguia, e ela rebolava a anca com uma precisão cruel, a usar-me a boca como se fosse um banco de exercício. Cada vez que puxava ar, as coxas apertavam mais. A vista tremeu-me nos cantos e o peito ardeu.
Soltei um som abafado contra a cona, um pedido sem palavras, e ela inclinou-se para me ver os olhos.
«Continuas?» A pergunta veio-lhe baixa, quase terna, enquanto o corpo não aliviava. «Diz que queres o ar a faltar. Diz, Nuno.»
«Continua.» A palavra saiu-me esmagada, húmida, ridícula de tão honesta. «Não pares. Senta-te. Tira-me o ar.»
Delfina gemeu, um som grave que me vibrou na cara, e as coxas fecharam-se de vez. O mundo reduziu-se ao gosto dela, ao calor, à falta. A língua ainda trabalhava, desesperada, e ela fodia-me a boca com a cona, curta e rápida, até a humidade me escorrer pelo pescoço abaixo e me ensopar a camisa. Quando o peito já doía de verdade, quando os pulmões pediam socorro, ela levantou-se um palmo, deixou-me engolir um gole de ar frio da nave, e voltou a sentar-se com mais peso. As lágrimas subiram-me aos olhos sem vergonha. Não era só falta de ar. Era o modo como ela me olhava de cima, intensa, quase assustada com a própria vontade, e mesmo assim não saía.
«Outra.» A voz dela partiu-se. «Outra vez. Quero-te assim.»
Pedi. Pedi com a boca cheia dela, pedi quando ela me deu dois segundos de oxigénio, pedi quando as coxas me esmagaram de novo a cabeça contra a pedra. O clitóris latejava-me contra o nariz. Lambia, chupava, engolia o que ela me dava, e Delfina veio-se a primeira vez assim, com um grito curto que as abóbadas engoliram, a cona a contrair-se-me na língua, o líquido quente a escorrer-me pelo queixo. As pernas tremeram-lhe em volta da minha cara e, mesmo no meio daquele tremor, ela não abriu as coxas até eu voltar a bater-lhe no rabo com a palma, a pedir ar. Só então se levantou, ofegante, os olhos húmidos, e passou-me o polegar pelos lábios molhados.
Fiquei deitado, a pila tão dura que doía, o peito a tremer, a boca a saber só a ela. Delfina desceu-me o corpo, beijou-me o peito, a barriga, o caminho do pêlo, e riu-se quando a piça lhe bateu no queixo.
«Isto é trabalho», murmurou, quando a minha mão lhe percorreu o ombro marcado pelo esforço. «Não é enfeite.» Depois calou-se e abriu a boca.
A língua dela deu-me a volta à cabeça, lenta, e os lábios fecharam-se a meio do pau, quentes, molhados da própria cona. Desceu. Subiu. Desceu mais. A garganta acomodou-me com uma disciplina que me tirou um gemido alto demais para uma igreja. Uma mão segurou-me os tomates, a outra foi-me à base, e Delfina chupou-me com a mesma intensidade com que se tinha sentado na cara, o olhar preso no meu, a saliva a escorrer-lhe pelo queixo até ao peito. Quando a cabeça da piça lhe bateu fundo, ela não recuou. Engoliu, segurou, deixou-me sentir o aperto da garganta, e só então subiu, um fio de saliva a unir-nos.
«Podes vir-te assim se precisares», disse, a voz rouca, as palavras agora mais longas, sem aquele ritmo partido. «Mas quero-te ainda cheio quando te cavalgar. Quero sentir-te a tremer por dentro.»
Agarrei-lhe o cabelo, não para a guiar, só para não desaparecer. Ela deixou. Chupou-me o pau até as faces se lhe encovarem, até eu lhe bater no fundo da garganta outra vez e outra, e o prazer acumulou-se-me na virilha com uma urgência feia. O altar ficava ao fundo, as velas mortas, o Cristo no escuro, e só via a boca dela a trabalhar-me, o rabo no ar, a cona ainda a brilhar entre as coxas. Quando senti o sémen a subir, apertei-lhe o ombro.
«Delfina. Se continuas assim, esvazio-me.»
Ela tirou-me a piça da boca com um estalo húmido, beijou-me a cabeça inchada, e passou a língua pelo risco como quem prova. O sorriso voltou, pequeno.
«Então aguenta. Quero-te a pedir outra vez.»
Puxou-me para me sentar contra a base de um banco, as costas na madeira lavrada, e atravessou-me as pernas. A cona, ainda escorrida, alinhou-se com a piça e ela desceu de um só movimento, até eu lhe desaparecer por completo lá dentro. O calor fechou-se em volta, apertado, molhado, e um gemido saiu-nos aos dois, o dela mais feroz. Delfina começou a cavalgar-me com o corpo inteiro, as coxas a trabalharem, o ventre a contrair-se, as mamas a moverem-se ao ritmo. As mãos foram-me ao pescoço.
Os polegares acharam-me a garganta com uma precisão que me gelou e me acendeu ao mesmo tempo. Não apertou de imediato. Olhou-me. Esperou.
«Diz.»
«Aperta.» A voz saiu-me já falha. «Fode-me e aperta. Quero. Continua mesmo que eu... continua.»
Os dedos fecharam-se. O ar estreito outra vez, desta feita pela frente, e Delfina subia e descia no meu pau com uma força que fazia o banco ranger. Cada descida mandava-me a cabeça da piça contra um sítio fundo nela, cada subida puxava-me a pele, e o pescoço ardia-me debaixo daquelas palmas treinadas. A vista voltou a tremer-me nos cantos. O medo chegou, nítido, misturado com um desejo tão sujo que me envergonhava e me durava. As lágrimas voltaram. Ela viu-as e não aliviou. Cavalgou mais depressa, o rabo a bater-me nas coxas, a cona a chupar-me o pau, e o aperto no pescoço seguia o ritmo, a largar só o suficiente para eu não desmaiar, a fechar outra vez quando o ar me voltava.
«Estás aqui», sussurrou, a voz a quebrar-se-lhe no meio da fúria. «Não és só isto. Não quero que sejas só isto. Mas tenho de te comer, Nuno, tenho, e dói-me que me saibas assim tão bem.»
O peito doeu-me por ela e por mim. Tentei responder e só saiu um som rouco. Ela beijou-me a boca aberta, o hálito a misturar-se com a falta, e fodeu-me mais fundo, o clitóris a esfregar-se-me contra o púbis a cada descida. O banco batia na pedra. Alguém, na rua, podia ter ouvido. Não me importava. As mãos dela no meu pescoço eram a única lei daquela nave.
O coração falhou-me um tempo, nítido, um buraco no peito, um silêncio interior de meio segundo em que o corpo não soube se continuava. Delfina sentiu-o debaixo dela, o pau ainda a latejar-lhe dentro, o peito a hesitar, e os olhos encheram-se-lhe de um pânico que não pediu explicação. Não saiu. Não parou. Inclinou-se e beijou-me a boca com uma doçura que não combinava com as ancas, que continuavam a foder-me, curtas, fundas, molhadas. O beijo era um pedido e uma desculpa. O corpo dela não pedia desculpa nenhuma.
«Fica», murmurou contra os meus lábios, enquanto o coração voltava a bater, irregular, assustado, duro como nunca. «Fica comigo. Não te vais. Eu paro se disseres, juro, mas se não disseres eu continuo, Nuno, continuo até te esvaziar.»
Não disse para parar. Agarrei-lhe o rabo com as duas mãos e puxei-a contra mim, a meter-lhe a piça até ao fundo, e o coração retomou o ritmo num tropeção doloroso. Ela chorava sem ruído, as lágrimas a caírem-me na cara, e ao mesmo tempo gemia, a cona a apertar-me em vagas, o pescoço ainda sob os dedos dela, mais leves agora, como se o susto a tivesse ensinado a dose. Fodia-me com o corpo todo, o treino inteiro posto naquela cama de pedra, e sentia-lhe a necessidade a trabalhar por baixo do carinho, uma coisa antiga que o sexo comum não fechava. Cada estocada puxava-me o sémen para a ponta. Cada beijo pedia-me que não morresse.
«Quase», disse ela, a voz destruída. «Estás quase vazio e eu ainda não acabei. Perdoa-me. Não pares de me foder por baixo. Sobe. Dá-me.»
Obedeci. Empurrei para cima, o rabo a erguer-se da pedra, e meti-lhe o pau com tudo o que restava. Delfina arqueou-se, as mamas no meu peito, a boca aberta no meu ombro, e veio-se outra vez, longa, a cona a mil, a apertar-me tanto que me doeu o prazer. No meio desse aperto, as palavras saíram-lhe sem destino, um sopro quente contra a minha pele, um nome de sítio que a marca parecia ditar-lhe mais do que a boca: um asilo abandonado no Porto, dito inteiro, claro, como se a nave o tivesse de guardar.
O meu orgasmo veio logo a seguir, puxado pelo dela, e esvaziei-me dentro daquela cona com um gemido que não consegui calar. O sémen saiu em vagas espessas, uma atrás da outra, até os tomates me doerem, até a piça latejar vazia e ainda assim ela não parou de se mover, a ordenhar-me os últimos fios, a beijar-me a boca enquanto me vinha, a engolir-me os sons. O corpo inteiro tremeu. A vista esvaiu-se-me num branco cego. Senti-lhe as mãos no pescoço a abrirem de vez, a palma agora no peito, a contar-me as batidas como quem conta contas.
Parou a tempo, e desceu de mim com um cuidado que me partiu, o pau a sair-lhe escorrido, branco, a pingar-lhe na coxa e no chão da nave. Deitou-se ao meu lado, nua sobre a pedra, e puxou-me contra o peito dela, o abraço forte, o queixo no meu cabelo. O coração ia-me ainda às cambalhotas. Respirava. Vivia. Ela passou-me os dedos pela garganta, onde os polegares tinham estado, e beijou-me ali, leve.
«Gosto do teu gosto», disse, muito baixo, e a frase não era mansa, doía-lhe. «Gosto, e isso não me torna outra coisa.»
A marca na anca esquerda pulsou outra vez, visível, escura, recusando-se a fechar. Vi-lhe os olhos a perderem-se um instante para além do tecto da igreja, como se o nome daquele asilo no Porto ainda lhe corresse por baixo da pele, um caminho aceso no meio da vontade que o meu corpo não tinha bastado para calar. Apertei-a contra mim, esgotado, vivo, a boca ainda a saber a ela, e Delfina ficou quieta só o tempo de uma respiração longa. A chuva batia no adro. A nave cheirava a cera, a sexo, a pedra. Debaixo da minha mão pousada na anca, aquilo que a trazia ali continuava a latejar.