
Delfina no Asilo Abandonado
Terror erótico no asiloTerror Erótico12 min de leitura
Um conto de Delfina García
Delfina vai de propósito a um asilo abandonado nos arredores do Porto porque o nome lhe veio no orgasmo. Lá dentro já está um homem a filmar as ruínas. Os dois decidem usar o sítio para o que ela já não faz numa cama normal.
O asilo abandonado ficava nos arredores do Porto, para lá da última rotunda, entre um pinhal negro e um muro que o outono tinha coberto de folha molhada. Cheguei ao fim da tarde com a câmara ao ombro e o cheiro a cal desfeita subiu-me à garganta assim que empurrei a porta de serviço. Tinha trinta e três anos e filmava ruínas porque o silêncio dos sítios mortos me dava mais do que qualquer estúdio. O corredor principal ainda conservava azulejos azuis até meio da parede e a luz, já baixa, fazia das poeiras um ouro sujo.
Ela apareceu no patamar quando eu enquadrava o poço do elevador. Delfina García, vinte e dois anos, o casaco aberto sobre um corpo de ginásio que o frio não conseguia imobilizar. Parou dois degraus acima de mim e olhou a câmara como se fosse só mais um aparelho de trabalho.
«Não precisas de me vender o sítio», disse ela, o ritmo curto, quase a brincar. «Já o trago na boca.» A frase seguinte veio mais longa e o olhar mediu-me de alto a baixo para ver se eu acompanhava o esforço. «Estou aqui por causa da imagem. Esta luz, estas paredes, isto vende. Filma o que quiseres. O dormitório do segundo andar é para uma coisa que uma cama normal já não me chega.»
Não perguntei de onde lhe vinha o nome do asilo. Uma igreja, um orgasmo, e o resto ela não ia explicar. Desci a câmara e deixei-a pousada no parapeito. Ela desceu os dois degraus, parou perto demais, e o cheiro da pele lavada cortou o mofo. Levantei a mão e toquei-lhe no maxilar. Delfina não recuou. Abriu a boca contra os meus dedos como quem testa o gosto de uma ordem.
Perguntou-me o nome no meio daquele silêncio e eu disse-lho, só o nome, sem ofício nem história. Ela repetiu-o baixo, a provar a sílaba, e as mãos dela desceram-me o fecho das calças com uma precisão de quem treina todos os dias para não tremer. Beijei-a com força. A língua entrou-me na boca com uma fome que não era de primeira vez e o corpo dela já avançava contra o cinto, as ancas a procurar o que eu tinha ali, duro, a bater-lhe na palma.
«Quero-te na boca ainda com luz», murmurou contra os meus dentes. «Depois quero que me fodes neste chão até eu deixar de fingir o resto.»
Ajoelhou-se no cimento frio, as palmas abertas nas minhas coxas, e tirou-me a piça para o ar do corredor com uma lentidão que me fez fechar os olhos. Estava dura, a pulsar contra o frio, uma veia saliente que ela seguiu com o polegar antes de chegar com a língua. Delfina olhou para cima, a boca já entreaberta, um fio de saliva a brilhar-lhe no lábio inferior, e o olhar tinha aquela intensidade de quem não pede licença para o que vai fazer.
Passou a língua de baixo até à cabeça, lenta, a molhar-me toda a extensão, e depois abriu a boca e engoliu-me de um só movimento até eu bater-lhe no fundo da garganta. O calor húmido apertou-me com uma força que me tirou o ar do peito. Recuou só o suficiente para respirar, um fio grosso a ligar-me aos lábios dela, e voltou a descer, desta vez a deixar-me foder-lhe a boca de verdade. Envolvi-lhe o cabelo com os dedos e empurrei. A garganta cedeu com um som molhado, o nariz dela bateu-me na barriga a cada estocada, e as lágrimas subiram-lhe aos olhos sem ela parar. Continuei. Sentia-lhe a língua por baixo, a trabalhar, a pedir mais fundo, e cada vez que puxava para fora ela puxava-me de volta pela anca, as unhas cravadas no tecido das calças.
«Agarra-me a cabeça», pediu, a voz já rouca, a saliva a escorrer-lhe pelo queixo até ao casaco. «Fode-me a garganta como se eu não tivesse outro uso.»
Fiz o que ela mandou. As estocadas tornaram-se ritmadas, profundas, e o som da garganta dela a receber-me encheu o corredor melhor do que qualquer eco de capela. Quando senti os ovos a apertar, puxei para fora e deixei a cabeça da piça bater-lhe nos lábios, a pré-porra a misturar-se com a saliva. Delfina riu, um sopro curto, e limpou a boca com as costas da mão sem deixar de me olhar.
Puxei-a para cima e virei-a contra a parede de azulejo. Baixei-lhe as cuecas até meio das coxas, o tecido já escuro no meio, e meti dois dedos na cona dela de um jacto. Estava encharcada, quente, a abrir-se em volta dos nós dos dedos com uma facilidade que me fez gemer contra a nuca dela. Tirei os dedos, chupei-os, e o gosto dela era a ferro e a sal. Agarreí-lhe um joelho, abri-a, e enterrei-lhe a piça até ao fundo num único empurrão. Delfina arqueou as costas e um grito baixo bateu no azulejo. Fodi-a ali, de pé, as botas dela a escorregar no pó, a cona a sugar-me a cada saída como se não quisesse devolver-me. A palma da mão esquerda desceu-lhe ao ventre e o dedo médio encontrou o clitóris, inchado, escorregadio, e esfreguei em círculos curtos enquanto a fodia com força. Ela veio-se a primeira vez assim, de pé, a tremer contra a parede, a cona a apertar-me em vagas que me obrigaram a parar no fundo para não me vir também. Continuei na mesma, mais lento, a sentir cada contração, e o suor dela já me molhava os lábios quando beijei o ombro nu.
Subimos ao segundo andar quando a luz lá fora já era só um rasto vermelho por cima dos pinheiros. O dormitório era uma fila de camas de ferro, colchões rasgados, ferrugem nas grades como sangue velho. Delfina andou entre os catres com as cuecas ainda torcidas num tornozelo e o casaco aberto, os peitos a subir depressa. Parou junto à cama do canto, a que tinha as grades mais altas, e passou a mão pelo ferro frio.
«Quero que me ates aqui», disse, e desta vez não havia brincadeira no ritmo. «Com o que houver. Panos, lençóis, o cinto. Os pulsos. Posso mandar-te parar. Quero mesmo assim, Rui. Quero que me fodes sem eu poder usar as mãos para fingir que controlo a fotografia.»
Procurei na arrecadação ao lado um lençol podre e rasguei-o em tiras. O tecido cheirava a mofo e a lixívia antiga. Ela deitou-se de barriga para cima, os braços acima da cabeça, e eu atei-lhe os pulsos à grade com nós que apertavam se ela puxasse e cediam se eu quisesse. Experimentou a amarração, os músculos dos braços a marcar-se, e um sorriso curto passou-lhe pela boca quando percebeu que não saía dali sozinha. Ajoelhei-me entre as coxas dela e puxei-lhe as cuecas de vez. A cona estava vermelha, aberta, a brilhar, e a marca escura na anca esquerda pulsava debaixo da pele como se tivesse um coração próprio. Lambei-a de baixo até ao clitóris, devagar, a língua larga, e ela puxou as amarras com um gemido que veio do fundo do peito. Continuei a lamber, a meter a língua dentro, a chupar-lhe os lábios da cona até ela tentar fechar as pernas e não conseguir porque eu lhas tinha abertas com os ombros.
«Mais», pediu. «Mete. Quero-te dentro outra vez, agora que não posso tocar-te.»
Ergui-me, alinha-me, e voltei a foder-lhe a cona com estocadas longas que faziam a cama ranger contra o soalho. Cada vez que eu saía quase toda e voltava a enterrar, o corpo dela subia ao encontro, as ancas a trabalhar mesmo presa. Olhei-a. Os olhos estavam húmidos, a boca aberta, e havia uma angústia ali que não era medo de mim, era medo do que ela própria estava a pedir. Beijei-lhe o peito, mordei-lhe um mamilo com cuidado, e senti o coração dela a disparar contra os lábios. A ferrugem da grade já lhe manchava os pulsos. Fodi-a assim durante muito tempo, a suar, o som da piça a entrar e a sair da cona molhada a encher a enfermaria, e ela falava aos solavancos, frases partidas, o meu nome, a palavra mais, a palavra assim.
Quando lhe virei o corpo, as amarras torceram-se e os pulsos ficaram cruzados acima da cabeça. Delfina deixou-se pôr de joelhos na cama, o rabo alto, a cara de lado no colchão sujo. Abri-lhe as nádegas com as palmas e olhei o cu, apertado, escuro, já húmido do que lhe escorria da cona. Cuspi para o buraco e espalhei a saliva com o polegar. Ela empurrou para trás, a pedir, e o polegar entrou até ao nó. O calor ali dentro era outro, mais fechado, e ela gemeu contra o colchão com um som que me tremeu nos ovos.
Tirei o polegar, pus a cabeça da piça contra o cu, e entrei devagar, milímetro a milímetro, a sentir o anel a ceder e a fechar-se em volta de mim. Delfina respirou fundo, uma vez, duas, e depois disse para eu continuar. Enterrei até ao fundo. Fiquei quieto, a pulsar lá dentro, as mãos-lhe nas ancas, e foi então que a marca escura se abriu. O sangue veio primeiro quase negro, um fio fino a escorrer da mancha na anca esquerda até à dobra da virilha, e depois vermelho vivo contra a ferrugem do colchão. O cheiro misturou-se com o sexo, a ferro, a sal, a algo antigo que o asilo já tinha nas paredes. Olhei. O coração bateu-me demasiado depressa.
Delfina virou a cara o suficiente para ver o rasto. Os olhos brilharam. Em vez de recuar, empurrou o rabo contra mim com mais força, a engolir-me o cu até eu lhe bater com a barriga nas nádegas.
«Olha para isso», disse, a voz estrangulada, o ritmo outra vez curto. Depois a frase comprida, a pôr-me fora de equilíbrio. «Olha para o sangue e fode-me o cu na mesma, Rui, porque se parares agora fico sozinha com isto e não quero estar sozinha com isto.»
Fodi-lhe o cu. As estocadas começaram lentas e foram ganhando fundo, a piça a sair quase toda e a voltar a desaparecer naquele aperto quente, e o sangue da marca escorria-lhe pela anca abaixo, a manchar-me os dedos, a manchar o ferro da cama. Ela gemia a cada entrada, um som baixo e contínuo, e as amarras rangiam. A angústia no rosto dela misturava-se com um prazer tão aberto que me doía olhar. Continuei. O cu dela abria-se cada vez melhor, a receber-me até aos ovos, e eu sentia-lhe a cona a pingar no colchão, ignorada, a pedir a vez. Meteram-se-me os dedos nela por baixo, dois, três, a foder-lhe os dois buracos ao mesmo tempo, e Delfina puxou as tiras com toda a força dos braços treinados, o corpo inteiro a tremer, a marca a pulsar e a sangrar como se o sítio lhe tivesse acordado uma boca na pele.
Não parei. Ela não mandou parar. O sangue era pouco e teimoso, um fio que não fechava, e os dois olhámos para ele como se fizesse parte do acordo. A cama batia na parede. Lá fora o pinhal já estava negro.
Tirei-me dela com um som húmido e virei-a outra vez de barriga para cima, as amarras ainda a segurá-la. O sangue da anca tinha-lhe chegado à coxa. A cona estava aberta, vermelha, a pulsar no vazio. Entreí nela de frente, fundo, e fodi-a devagar, a olhar-lhe os olhos, a palma da mão suja de sangue pousada ao lado da cabeça dela no colchão. Delfina respirou contra a minha boca. Havia uma fissura no olhar, uma coisa que ela tentava ainda tapar com o ofício.
«Diz», pedi, a enterrar-me até ao fundo e a ficar. «Diz o que estás aqui a fazer.»
Ela calou-se um segundo, os pulsos a lutar contra o pano, e as lágrimas que não eram da garganta subiram-lhe sem cair. O corpo dela, porém, não mentia. As pernas fecharam-se nas minhas costas e as ancas subiram, a foder-se em mim, a marca a esmagar-se contra a minha pele.
«Não estou aqui a trabalhar», disse por fim, a voz baixa e clara. «Não vim por causa da imagem. Não há fotografia que chegue para isto. Vim porque tenho fome e o sexo de cama limpa já não me fecha e eu já não sei fingir que sou só o que treino para os outros verem.»
Veio-se nessa frase. A cona apertou-me numa vaga longa, tão forte que me cegou por um instante, e o grito dela saiu inteiro, sem vergonha, a enfermaria a comê-lo. Continuei a foder enquanto ela se vinha, cada estocada a prolongar-lhe o tremor, o clitóris a bater-me na pélvis, e a confissão ainda lhe tremia na boca quando os olhos se fecharam. A segunda vaga veio logo a seguir, mais funda, e dessa vez ela chorou de verdade, a rir por baixo do choro, a puxar-me para dentro com os calcanhares. Vim-me eu também, enterrado até ao fundo da cona, a porra a sair em puxões quentes que ela recebeu com a boca aberta contra o meu ombro, a morder-me a camisa. Fiquei lá dentro a pulsar, a respiração dos dois desencontrada, o sangue da marca a colar-nos a pele.
Desatei-lhe os pulsos com cuidado. Os panos tinham-lhe deixado sulcos fundos, vermelhos, e beijei-lhe a parte de dentro de cada pulso, a gosto de ferro e de pele. Delfina deixou os braços cair e puxou-me para cima dela, o peito a tremer ainda. Ficámos assim, quietos, o colchão a afundar-se connosco, e o asilo inteiro parecia ter deixado de ranger. Passei-lhe o polegar pelo canto da boca. Ela não afastou a mão. Houve um instante em que só existia o calor entre as barrigas e o cheiro a sexo e a sangue velho, e nesse instante ela já não tentava vender-me luz nem parede.
«Custou», murmurou contra o meu pescoço. Não explicou o quê. Não precisava. A última versão pública dela tinha ficado atada àquela grade, e o que restava era uma mulher nua, suja, a deixar-se aquecer.
Levantámo-nos quando o frio da madrugada começou a entrar pelas janelas sem vidro. Ela vestiu o casaco por cima do corpo nu e eu apanhei a câmara, que tinha ficado no parapeito a filmar um corredor vazio. Antes de sair do piso, atravessámos o refeitório antigo, onde as mesas ainda estavam aparafusadas ao chão. Foi Delfina quem parou primeiro. Na parede do fundo, por baixo da tinta a saltar em placas, alguém tinha riscado um mapa tosco a carvão e a algo mais escuro, talvez sangue seco, talvez ferrugem molhada. Linhas de costa. Uma seta. Palavras em letra irregular que eu li em voz alta para ela, a lanterna do telemóvel a tremer-me na mão.
Havia uma gruta desenhada com mais cuidado do que o resto, virada a um mar que o traço fazia estreito e violento. Ao lado, a palavra Alentejo, e por baixo, repetida duas vezes, uma delas a vermelho que o tempo não tinha comido, a palavra demónio. Instruções curtas, quase uma receita: o sítio na costa, a hora da maré, o que levar, o que dizer, o pacto. Delfina passou os dedos sobre o traço vermelho e a marca da anca, já em crosta escura, deu um pulso visível debaixo do casaco. Olhámos os dois para a parede durante muito tempo, o vento de outubro a entrar pelo refeitório, e o desenho da gruta parecia mais fundo do que o reboco.
Saímos antes de o céu clarear. No pátio, entre os pinheiros, ela já não negava a fome. Caminhou à minha frente com o passo firme de sempre, o casaco apertado, o sangue seco a puxar-lhe a pele da anca a cada passada, e quando se virou para mim à porta do muro o olhar não tinha desculpa nenhuma. Atrás de nós, no refeitório, as indicações continuavam na parede, a seta a apontar para a costa, o pacto escrito duas vezes, a gruta à espera de quem lesse até ao fim.