
Lucia Fora de Lisboa
Conto erótico de viagem de negóciosEscritório12 min de leitura
Um conto de Lucia Vargas
Lucia Vargas, 21, viaja com um colega para reuniões no Porto. Depois do jantar com o cliente, o quarto de hotel deixa de ser só cama e mala. Ele trata dela de um modo que o escritório nunca tratou.
O elevador do hotel cheirava a alcatifa húmida e a chuva de Outono quando subimos do átrio, ainda com o gosto do vinho do jantar na boca. Lucia Vargas tinha vinte e um anos e caminhava ao meu lado com o casaco abotoado até ao pescoço, os cabelos escuros presos de um modo que não era o dela, e aos trinta e dois eu já tinha aprendido a reconhecer quando uma mulher saía de uma reunião ainda a trabalhar com a cara. O cliente da Ribeira falara de prazos e de fotografias até às dez, e ela rira na altura certa, inclinara a cabeça na altura certa, e agora, no corredor do quarto andar, aquela mesma boca entreaberta continuava ali, como se o ecrã da campanha não se tivesse desligado.
Parei à porta do quarto dela e ela olhou para a chave na minha mão como se não tivesse a certeza de a querer. Abri mesmo assim, porque a educação ainda servia para alguma coisa, e ela entrou à minha frente, o casaco a escorrer um pouco na ombreira. As janelas davam para um prédio antigo do centro, com salões acesos e silhuetas a mover-se atrás dos vidros, e as cortinas estavam puxadas para os lados. Lucia foi até lá, pousou o saco na mala aberta, e não as fechou. Fiquei no umbral a ver-lhe as costas e o modo como os ombros não desciam.
«Não as fechas?» perguntei, e a voz saiu-me mais baixa do que o corredor pedia. Ela virou-se com um sorriso pequeno, aquele que usava quando queria parecer leve, e disse, sem subir o tom, «Se as fechar, fico outra vez sozinha com a cara que eles querem. Deixa-as. Quero que fique luz.» Fechei a porta com o ombro e deixei a pasta cair sobre a cadeira. O quarto cheirava a lençóis novos e a chuva que não acabava de cair sobre o granito. Ela desabotoou o casaco com calma demais para quem tinha acabado de vender sorrisos a um homem de fato, e por baixo vinha o vestido preto da reunião, justo na cintura, a saia a bater-lhe a meio da coxa.
Cheguei-me e pus-lhe as mãos na cara com o cuidado de quem não queria assustar uma coisa ainda ligada ao trabalho. Os ossos da face estavam quentes. Os olhos, escuros, deixaram de fazer o que a campanha pedia e ficaram só nela. Beijei-lhe a boca e ela abriu-a de imediato, a língua doce de vinho, os dentes a apanharem-me o lábio com uma pressa que o jantar não tinha tido. A mão direita desceu-lhe pelas costas, encontrou o fecho, e puxei-o até à cintura enquanto a beijava. O vestido afrouxou. Os peitos, sem sutiã, pousaram-me contra a camisa, os mamilos já duros, e eu apertei-lhe um entre o polegar e o indicador até ela gemer dentro do beijo.
«Tomás», disse ela contra a boca, o nome a sair-lhe inteiro, e as mãos dela foram-me ao cinto sem pedir licença. Tirei-lhe o vestido pelos ombros e deixei-o cair. Ficou de cuecas pretas, estreitas, já escuras no meio, e eu meti a mão por dentro do tecido e encontrei-a molhada, a cona quente, os lábios inchados. Dois dedos escorregaram-lhe para dentro com facilidade e ela segurou-me o pulso, não para me parar, mas para me mandar mais fundo. Do outro lado da rua um homem atravessou um salão iluminado e parou na janela, talvez a olhar, talvez não, e Lucia viu-o por cima do meu ombro e não afastou a anca. Empurrou-se contra os dedos e beijou-me outra vez, mais suja, a língua a pedir o que a reunião lhe tinha negado.
Pus-na na cama sem cerimónia, as pernas para fora da orla, e puxei-lhe as cuecas pelos tornozelos. A cona ficou à mostra, escura, brilhante, o clitóris já inchado entre os lábios, e o cheiro dela subiu-me à cara ainda antes de me ajoelhar. Lucia tentou erguer-se sobre os cotovelos, a boca outra vez naquela meia abertura de fotografia, e eu parei, a palma no ventre dela, e disse-lhe para não fazer aquilo. «Não me dês a cara do cartaz. Quero-te aqui.» Ela riu baixo, um riso verdadeiro pela primeira vez desde o Porto, e deixou a cabeça cair no almofadão. As coxas abriram-se sozinhas.
Lambi-lhe a cona de baixo para cima, devagar, a língua larga a abrir-lhe os lábios, e o gosto dela encheu-me a boca, salgado e doce ao mesmo tempo. Chupei-lhe o clitóris entre os lábios e ela arqueou as costas, um gemido alto demais para um quarto de hotel com as janelas sem cortina. Meta-lhe dois dedos outra vez, curvei-os, e lambi ao mesmo tempo, o nariz premido contra o pêlo curto, a outra mão a prender-lhe a anca para que não fugisse. Lucia puxou-me o cabelo e empurrou-me a cara contra a cona como se tivesse deixado de negociar o ângulo. Do prédio em frente a luz continuava acesa e eu não me importei, e ela menos, porque quando levantei os olhos ela estava a olhar para a janela e a morder o lábio, molhada a escorrer-me pelo queixo.
«Assim», pediu, e a palavra veio-lhe inteira, sem o restolho da campanha. Acelerei a língua, os dedos a foder-lhe a cona com um ritmo curto, e senti-a a apertar, as coxas a tremerem-me nas orelhas, a voz a partir-se num gemido que já não era elegante. Veio-se na minha boca com o corpo inteiro, a cona a pulsar à volta dos dedos, o clitóris a bater-me contra a língua, e continuei a lamber enquanto ela puxava o lençol e dizia o meu nome outra vez, mais baixo, como se o quarto pudesse guardar aquilo melhor do que o gabinete alguma vez guardaria. Só parei quando ela me afastou a cabeça com a palma, a respiração desfeita, as pernas ainda abertas para a luz da rua.
Levantei-me, tirei a camisa e as calças, e a pila doía-me de tão dura, a cabeça já molhada. Lucia olhou para mim de baixo, os olhos húmidos, e abriu a boca sem eu pedir. Não a deixei chupar ainda. Deitei-me entre as pernas dela e esfreguei-lhe o caralho nos lábios da cona, de cima a baixo, até ela tentar enfiá-lo com a anca. «Comeste no jantar?» perguntei, a boca no ouvido dela, e ela riu contra o meu pescoço, um riso cansado e quente, e disse que sim, que o peixe era bom, que o cliente falava demais. «Queres isto?» A resposta não veio em palavras. As pernas fecharam-se nas minhas costas e a cona engoliu-me a cabeça numa só subida de anca.
Enfiei-me nela devagar, até ao fundo, e fiquei quieto um segundo para a sentir a apertar-me o caralho todo, quente, escorregadia, ainda a tremer do que a boca lhe tinha feito. Lucia exalou contra a minha boca e beijou-me, e eu comecei a foder-a com passadas longas, quase preguiçosas, a sair até à cabeça e a voltar a meter até os ovos lhe baterem no rabo. A cama rangia. A janela deitava luz amarela sobre as mamas dela, os mamilos escuros, e eu chupei um enquanto a fodia, os dentes a roçarem o tecido sensível até ela me agarrar a nuca. Do outro lado da rua a silhueta tinha desaparecido, ou talvez se tivesse chegado mais ao vidro, e a ideia de sermos vistos fazia-lhe a cona apertar-me de cada vez que eu ia fundo.
«Mais», disse ela, e as unhas cravaram-se-me nos ombros. Aceitei o pedido sem discurso. Segurei-lhe as coxas, abri-as mais, e fodi-a com força, o som da pele molhada a encher o quarto, a cabeceira a bater na parede num ritmo que já não era discreto. A cona dela fazia um ruído obsceno a cada estocada, a trepar-me o caralho, e eu olhei-lhe para a cara para ter a certeza de que ainda era ela e não o cartaz. Estava. A boca aberta de verdade, os olhos em mim, uma gota de suor a escorrer-lhe da clavícula para o peito.
Perguntei-lhe se queria que me viesse dentro, a frase dita contra a boca, o ritmo a falhar-me de tão perto que eu estava. Lucia não respondeu com um sim. Cruzou os tornozelos nas minhas costas, puxou-me o rabo com as duas mãos e enfiou-me até ao fundo, a cona a milímetros de me ordenhar, e ficou assim, a olhar-me, a anca a trabalhar por baixo para me guardar. Entendi. Fodi-a ainda mais fundo, curto e duro, e vim-me dentro dela com um gemido que não consegui calar, o caralho a pulsar, o esperma a encher-lhe a cona aos poucos, quente, enquanto ela me beijava os dentes e se vinha outra vez à minha volta, apertada, molhada da mistura dos dois. Fiquei em cima dela a tremer, ainda dentro, e ela passou-me os dedos pelo cabelo com uma ternura que o resto da noite ainda não tinha tido.
«Estás bem?» perguntei, a boca no ombro dela. Ela acenou, o sorriso pequeno a voltar, e disse que sim, que estava, que a cama era melhor do que a secretária de qualquer sítio. A frase ficou no ar sem eu a puxar. Saí dela devagar e o esperma escorreu-lhe pela cona abaixo, branco contra a pele morena, até ao lençol. Lucia olhou para baixo, viu o rasto, e não tapou nada. A janela continuava aberta de cortina, o prédio em frente agora mais escuro, e ela estendeu o braço para a mesa de cabeceira, pegou no telemóvel, escreveu duas linhas com o polegar rápido e apagou-as antes de eu conseguir ler. O ecrã apagou-se contra o peito nu.
Levei-a à casa de banho pela mão, os dois ainda a pingar um do outro, e abri a água quente do chuveiro até o espelho embaciar. Lucia entrou primeiro, o cabelo solto agora, e deixou o jacto cair-lhe nos peitos e escorrer-lhe pela barriga até à cona, onde o meu esperma ainda saía em fios claros. Encostei-me às costas dela, a pila outra vez a endurecer contra o rabo, e lavei-lhe os ombros com as duas mãos, os polegares a descerem-lhe a coluna. Ela recostou a cabeça no meu ombro e perguntou, a voz quase brincalhona, se eu tinha comido à vontade no jantar ou se tinha passado o peixe a fingir que ouvia o cliente. Ria-se pouco, mas ria.
«Comi. E tu queres continuar, ou queres dormir?» A resposta veio outra vez pelo corpo. Lucia virou-se dentro dos meus braços, desceu pelas minhas pernas até ficar de joelhos no chão molhado do prato, e meteu-me o caralho na boca de um só movimento, até a cabeça lhe bater no fundo da garganta. O calor da boca dela, depois da cona, fez-me gemer alto contra o azulejo. Ela chupou-me com uma fome limpa, a língua a trabalhar por baixo, a mão a apertar-me os ovos, os olhos levantados para mim enquanto a água lhe corria pela cara. Agarreu-me as nádegas e mandou-me foder-lhe a boca, e eu fiz, devagar primeiro, depois com mais vontade, a pila a sair-lhe dos lábios brilhante e a voltar a meter-se até ela babar para o chão do chuveiro.
A garganta dela apertava-me a cabeça a cada estocada e eu avisei-a, a voz rouca, que se ela continuasse daquele modo me ia vir outra vez. Lucia não recuou. Segurou-me os ovos, chupou mais fundo, e eu vim-me-lhe na boca com as mãos nos cabelos molhados, o esperma a encher-lhe a língua, e ela engoliu o que pôde e deixou o resto escorrer-lhe do canto da boca até ao peito. Levantou-se, beijou-me com o gosto de mim ainda nos lábios, e encostou a testa à minha. «Agora estou bem», disse, e a frase tinha o peso de quem mede o cuidado pelo que o corpo recebeu, não pelo que o contrato prometeu.
Saímos, embrulhámo-nos nos roupões do hotel, e voltei a puxar as cortinas só o suficiente para a luz da rua continuar a entrar. Ela reparou e não protestou. Deitámo-nos por cima do lençol manchado, as pernas cruzadas, e durante um bocado não houve mais nada senão a chuva no vidro e o calor da coxa dela contra a minha.
Lucia pegou outra vez no telemóvel, o ecrã a alumiar-lhe o queixo, e eu vi-lhe os polegares a escreverem uma frase, a apagarem, a escreverem outra. Não li por cima. Perguntei-lhe só se estava a trabalhar ou a fugir do quarto, e ela pousou o aparelho de bruços, o sorriso a meio, e disse que às vezes escrevia coisas para ninguém, legendas que não serviam para a campanha nem para as pessoas que a seguiam, e que depois as apagava porque publicar aquilo seria vestir outra vez a cara que eu lhe tinha pedido para tirar. Estendi-lhe a mão e ela entrelaçou os dedos nos meus, os pulsos ainda húmidos do banho.
Falámos baixo, como se o prédio em frente pudesse ouvir conversas além dos corpos. Ela perguntou-me pelo designer que tinha ficado em Lisboa, se a viagem tinha sido sempre para dois ou se alguém tinha saído da lista à última hora, e a pergunta veio-lhe sem encenação, com aquele modo de não deixar gente de fora sem ao menos nomear a ausência. Respondi que a conta pedia presença comercial e o rosto da campanha, e que o estúdio ficara com o resto. Lucia acenou, guardou a informação, e passou-me o polegar pelo interior do pulso. «Ele repara quando o deixam de lado», disse, e eu não soube se falava do designer ou de si.
A pila acordou-me outra vez contra a anca dela, lenta, e ela riu para o teto, um riso cansado e consentido, e virou-se de barriga para baixo. Puxei-lhe o roupão para cima das costas, o rabo redondo à luz amarela, e lambi-lhe a cona por trás, de baixo, até ela abrir os joelhos no colchão. O meu esperma da primeira vez ainda lhe doçava os lábios e eu lambi-o também, sem nojo, e ela gemeu para o almofadão. Enfiei-me nela naquela posição, fundo, as mãos-lhe nas ancas, e fodi-a com um ritmo mais preguiçoso, quase conversado, parando de vez em quando para lhe beijar as omoplatas e perguntar se doía, se queria mais devagar, se queria que parasse. «Não pares», pediu, a voz abafada, e eu não parei até ela se vir outra vez, o rabo a tremer-me contra a barriga, a cona a puxar-me o caralho num espasmo longo. Saí antes de me vir, porque o corpo já não tinha tanto para dar, e deitei-me ao lado dela a acariciar-lhe as costas até a respiração assentar.
Amanheceu cinzento sobre o centro, a chuva reduzida a um fio nos vidros, e a reunião das nove esperava-nos no mesmo edifício de escritórios onde o cliente nos tinha recebido na véspera. Acordei com a mão dela na minha pila, preguiçosa, quase distraída, e fodi-a de lado, uma perna dela erguida, o caralho a entrar-lhe molhado do sono, até os dois chegarmos baixo, a boca um no ombro do outro para não acordar o corredor. Depois disso houve café da máquina, a camisa de ontem, o vestido sacudido, e a cara da campanha a regressar-lhe aos poucos enquanto ela prendia o cabelo ao espelho. Não falei nisso. Ela também não.
No átrio, entre o cheiro a chão lavado e o vaivém das malas, voltámos a ser colegas de viagem. Entreguei a chave na recepção, ela puxou o casaco, e o elevador das reuniões abriu-se com um dinging discreto. Antes de entrarmos, Lucia tirou o telemóvel do saco e o ecrã acendeu-se o tempo suficiente para eu ver uma conversa aberta, o nome do designer no topo, e por baixo, mais abaixo no histórico, uma linha de Lisboa que ela não chegou a abrir. Guardou o aparelho, endireitou o ombro, e sorriu para mim como se o quarto do quarto andar tivesse ficado no andar certo. O cliente esperava-nos no décimo. O comboio para Lisboa era à tarde, e ela olhou uma vez para a porta da rua, o telemóvel ainda quente na palma, como quem ainda não sabia que cara havia de levar para o gabinete.