
Lucia no Piso Vazio
Conto erótico de sexo entre colegasEscritório11 min de leitura
Um conto de Lucia Vargas
Lucia Vargas, 21, e um designer ficam sozinhos no piso quando o expediente acaba. Ele não foi à viagem. O que não disseram no open space resolve-se em cima das mesas.
O outono entra em Lisboa pelos vidros altos da agência, uma humidade fria que cola a camisa às costas e deixa a avenida lá em baixo com um brilho de chuva antiga. O open space esvaziou-se por volta das oito, cadeiras encostadas, ecrãs pretos, o zumbido da climatização a ocupar o sítio das vozes. Fiquei na secretária do fundo, com vinte e sete anos e um ficheiro de grelhas que o cliente queria revisto antes de segunda, porque não tinha ido na viagem e alguém tinha de ficar com o piso. Lucia Vargas, com vinte e um anos, também não se levantou quando os outros se meteram no elevador. Ficou do lado da janela, o casaco preto nas costas da cadeira, o telemóvel pousado ao lado do bloco, a olhar para o ecrã como se ainda houvesse uma linha de trabalho que justificasse a hora.
O silêncio entre as secretárias tinha um peso diferente daquele que sobra no fim de um dia normal. Ela mexeu no cabelo, prendeu-o com um elástico que tirou do pulso, e só depois atravessou o corredor de tapete gasto até à minha mesa, sem pedir licença, como quem já tinha decidido o caminho. O pullover cinzento subia-lhe um pouco nas costas quando se inclinou para ver o ecrã, e o cheiro dela misturou-se com o café frio do copo.
«Ficaste sozinho o tempo todo», disse, e a frase veio completa, sem ser pergunta. Olhei-lhe para a boca e depois para as mãos, que já não estavam no bolso. Ela tocou-me no ombro com os dedos quentes e deixou a palma descer pela manga até ao pulso, como se estivesse a confirmar que o corpo ainda estava ali, na cadeira, àquela hora. «Não gosto quando deixam uma pessoa de fora e depois fingem que o trabalho chega.»
O piso inteiro era nosso e as luzes da rua riscavam o vidro. Ela não sorriu daquela maneira que usa para as pessoas da casa e para a câmara. Aproximou a cadeira, sentou-se na beira da secretária, a saia a subir-lhe um pouco nas coxas, e puxou-me pelo cinto com uma decisão quieta que não precisava de mais palavras.
Ajoelhou-se entre as duas secretárias, o joelho direito no tapete, o outro dobrado, e abriu-me o cinto com os dois polegares. A braguilha cedeu, a pila saiu-me já dura contra o pulso dela, e Lucia olhou para cima uma vez, só para ver se eu estava a olhar, antes de meter a cabeça. A boca era quente e húmida, os lábios apertados logo abaixo da glande, e a língua deu a volta com uma lentidão que me tirou o ar. Agarrei-lhe o cabelo com uma mão, não para a guiar, mas porque as pernas já não me obedeciam bem, e ela fez um som baixo na garganta que senti mais do que ouvi.
Chupava com a boca inteira, descendo até onde conseguia, a saliva a brilhar-lhe no canto dos lábios, a mão esquerda a fechar-se no que sobrava. O ecrã ainda estava ligado atrás dela, os rectângulos da grelha a tremerem fora de foco, e eu via o tecto do piso, as luzes, o vazio das outras mesas, enquanto ela me trabalhava a pila com uma fome que não pedia desculpa. Quando puxou a cabeça para trás, um fio de saliva unia-lhe o lábio inferior à glande, e ela limpou-o com o polegar, meteu o polegar na boca, e voltou a descer.
«Tu gostas disto assim, no sítio onde toda a gente passa de dia», murmurou contra a pele, a voz um pouco rouca, e a frase ficou ali entre nós sem precisar de resposta. Voltei a sentir-lhe a língua na fenda, depois as bolas na palma quente, e o tesão subia-me pelas costas com uma urgência que me fazia fechar os dentes. Ela chupava mais fundo agora, o nariz quase a tocar-me o ventre, os olhos húmidos, e eu dizia-lhe o nome baixo, uma vez e outra, enquanto as ancas me escapavam para a frente. A saia tinha-se-lhe amontoado nas coxas. Por baixo não trazia nada, e quando ela abriu um pouco os joelhos vi-lhe a cona já brilhante, escura, e o impulso de a puxar para cima quase me tirou do sítio.
Tirei-lhe a boca com cuidado, o polegar no queixo dela, e ela deixou-se levantar, os lábios inchados, a respiração curta. Beijei-a ali, de pé entre as secretárias, com o gosto da minha pila na língua dela, e as mãos foram-lhe para o rabo por baixo da saia, a palma inteira na carne nua, os dedos a escorregarem para a fenda molhada. Lucia arqueou-se contra a mão e mordeu-me o lábio inferior, não como quem representa, mas como quem já não está a pensar no ecrã de ninguém.
O sofá da espera ficava junto ao elevador, de costas para as plantas mortas do outono, e era o único sítio do piso com uma lâmpada amarela que não doía nos olhos. Levei-a para lá sem falar, e ela foi à minha frente, a saia ainda subida, e sentou-se de pernas abertas sobre o meu colo quando eu caí no assento. A cona encontrou a pila molhada da boca dela e ela desceu de um fôlego, até eu estar dentro até ao fundo, e o som que lhe saiu do peito encheu o corredor vazio.
Fodia-a devagar no início, as mãos-lhe na cintura por baixo do pullover, a sentir-lhe as costelas, os peitos soltos contra o peito, porque o sutiã tinha ficado não sabia bem onde. Ela movia as ancas em círculos curtos, a cona a apertar-me a cada descida, e olhava-me nos olhos com uma insistência que não pedia que eu dissesse nada bonito. O sofá rangia. Lá fora um autocarro passou na avenida e a luz amarela varreu o tecto. Lucia riu-se baixinho contra a minha boca, um riso curto, quente, e depois mordeu-me o ombro por cima da camisa.
«Mais fundo», pediu, e a palavra veio inteira, sem enfeite. Apertei-lhe o rabo com as duas mãos e meti-a com mais força, a pila a sair quase toda e a voltar a entrar num só movimento, e ela gemeu contra o meu pescoço, as unhas nas minhas costas. Estava tão molhada que o movimento fazia um som húmido, obsceno, que o piso vazio devolvia. Beijei-lhe o peito, a boca num mamilo, os dentes de leve, e ela segurou-me a cabeça ali, a respiração a falhar-lhe quando eu lhe apertei o outro peito com a mão.
Fodemo-nos assim um longo bocado, o pullover dela subido até às axilas, a saia um anel de tecido na cintura, e eu sentia-lhe o clitóris a esfregar-se contra o osso quando ela se inclinava para a frente. O tesão dela não era um espectáculo. Era uma coisa concentrada, quase séria, e isso excitava-me mais do que qualquer pose. Quando abrandei, ela segurou-me a cara com as duas mãos e beijou-me com a boca aberta, a língua lenta, e nesse beijo havia uma ternura que o resto do piso não merecia ver.
«A sala de reuniões», disse ela depois, a voz baixa, as testas encostadas. «O vidro dá para o corredor. Quero que me fodes lá.» Não era um pedido ensaiado. Veio do corpo, do modo como ainda estava sentada em mim, cheia, a pulsar. Levantei-a nos braços e ela riu-se outra vez, um som pequeno, e apertou as pernas à minha cintura enquanto atravessávamos o open space com a pila ainda dura entre nós, a deixar um rasto húmido na camisa.
A sala de reuniões tinha a mesa comprida, as cadeiras pretas, e o vidro do chão ao tecto virado ao corredor das secretárias. As estores estavam recolhidas. Qualquer pessoa que saísse do elevador veria tudo. Lucia pousou as palmas no vidro, de frente para o corredor vazio, e olhou por cima do ombro, o cabelo solto outra vez, a saia na cintura. Encostei-me-lhe por trás, abri-lhe as pernas com o joelho, e meti a pila de um fôlego na cona quente. Ela arqueou as costas e o peito bateu no vidro, os mamilos a achatarem-se contra a superfície fria, e um gemido longo saiu-lhe da garganta.
Fodia-a contra o vidro com a regularidade de quem já não está a pensar em ser apanhado, as mãos-lhe nas ancas, os polegares a marcarem-lhe a carne do rabo. Cada estocada fazia-lhe os peitos saltarem contra o vidro, e ela olhava para o reflexo, para a minha cara atrás da dela, para o corredor às escuras onde as secretárias dormiam. A cona apertava-me, molhada até às bolas, e o som da pele contra a pele enchia o vidro. Inclinei-me, a boca-lhe na orelha, e perguntei-lhe se queria a porta aberta. Ela acenou, o queixo contra o ombro, e a voz saiu-lhe entrecortada.
«Deixa. Se vier alguém, deixa.» A frase ficou no vidro embaçado da respiração dela. Empurrei a porta com o pé até ficar entreaberta, o corredor a entrar-nos pelo canto do olho, e voltei a foder. Agora ela gemia mais alto, sem cuidado, a testa no vidro, uma mão a descer pelo ventre até aos lábios da cona, a esfregar-se enquanto eu a atravessava por trás. Vi-lhe os dedos a trabalharem o clitóris com pressa, os olhos semicerrados, e o corpo dela a tremer num ritmo que já não era só o meu.
A exposição não era um acidente. Ela abria mais as pernas, empurrava o rabo para trás, e olhava o corredor como quem oferece o que está a acontecer. Isso levava-me ao limite. Segurei-lhe os pulsos e cruzei-lhos nas costas, não com força que magoasse, só o bastante para ela ficar presa ao vidro pelo peito e pela cara, e fodi-a assim, fundo, até ela dizer o meu nome de uma maneira que o piso nunca tinha ouvido. A pila saía-lhe brilhante e voltava a desaparecer, e as coxas dela tremiam contra as minhas.
Ouvi o elevador antes de ver a luz do patamar. O ding cortou o ar e Lucia não fechou as pernas. Não pediu que parássemos. Continuou de peito no vidro, a cona a puxar-me, e quando a porta do elevador se abriu no fundo do corredor um homem da produção, o Miguel, parou com o saco do portátil a meio do ombro. Ficámos os três naquele segundo alongado em que ninguém finge que não viu. Ele não recuou. Eu não saí de dentro dela. Lucia virou a cara no vidro, encontrou-lhe os olhos, e em vez do sorriso que usa para a casa e para o ecrã teve só a boca aberta e a respiração desfeita.
Miguel ficou na porta da sala, uma mão no batente, a olhar. Não falou. Lucia empurrou o rabo para trás contra mim, um convite claro, e eu voltei a foder, mais lento agora, para que se visse tudo: a pila a entrar, os lábios da cona a abrirem-se, o rabo a bater-me na barriga. Ela gemeu de propósito, alto, e os olhos não saíram do homem na porta. O tesão que isso me deu foi quase violento. Segurei-lhe a anca com uma mão e com a outra rodeei-lhe o ventre, os dedos no clitóris, e ela veio-se assim, contra o vidro, a cona a pulsar-me em volta da pila, as pernas a falharem, um som rouco que o corredor engoliu.
Não aguentei mais. Saí de dentro dela no último instante, virei-a de frente, e vim-me-lhe na barriga, o esperma quente a sair em pulsos pesados sobre a pele lisa, a escorrer-lhe para o umbigo e para o pêlo escuro. Lucia olhou para baixo, depois para mim, depois outra vez para a porta. Pegou-me na mão e levou-ma à cona, os meus dedos ainda húmidos dela, e esfregou-se contra a palma com uma urgência crua, o esperma a barrar-se-lhe entre os peitos e o ventre. Os olhos fecharam-se. O queixo subiu. Veio-se outra vez na minha mão, mais fundo, as pernas a cederem, e eu segurei-a contra o vidro para não cair, dois dedos dentro, o polegar no clitóris, até o tremor lhe passar e ela pousar a testa no meu ombro.
Miguel fechou a porta do elevador atrás de si sem ter ido buscar o que vinha buscar, ou talvez tivesse visto o suficiente. O saco do portátil desapareceu com ele. Ficámos os dois no vidro embaciado, a respiração a acalmar, o esperma a esfriar-lhe na pele. Lucia não se tapou. Limpou a barriga com a palma, olhou para a mão, e riu-se um riso pequeno, cansado, que não pedia desculpa a ninguém.
Ajudá-la a descer a saia foi um gesto lento, quase doméstico, no meio daquela sala que de dia serve para calendários e clientes. Ela meteu o pullover para baixo, passou os dedos pelo cabelo, e o rosto que ficou não era o que a agência conhecia. Sem aquele sorriso aberto, a boca parecia mais verdadeira, e os olhos tinham uma gravidade que o piso inteiro, se soubesse, não ia conseguir tapar com uma anedota no café.
Sentámo-nos um instante na beira da mesa comprida, as coxas a tocarem-se, e ela tirou o telemóvel do bolso da saia. Escreveu qualquer coisa com o polegar, uma linha, talvez duas, o ecrã a alumiar-lhe o queixo. Vi-lhe o polegar pairar sobre o botão. Depois apagou tudo de um deslize, bloqueou o telefone, e pousou-o virado para baixo, como quem fecha uma gaveta. Não me mostrou o texto. Não precisava. O gesto bastava para eu perceber que aquilo ia viver só aqui, entre o vidro, o sofá e as secretárias, até alguém abrir a boca.
«Vais-te embora agora», disse ela, e não era ordem, era o modo prático de quem já pensou no que o piso vai parecer amanhã. «Eu fico mais um bocado e saio depois. Se nos cruzarmos no elevador, parece extra.» Acenei. Beijei-lhe a boca uma última vez, um beijo lento, com gosto de sal e de café frio, e ela segurou-me a camisa junto às costelas como se ainda quisesse mais um minuto e soubesse que o minuto já tinha acabado.
No corredor, ao passar pela minha secretária, o ecrã ainda mostrava o convite da festa da empresa, marcado para o sábado, duas noites à frente, o salão alugado junto ao rio, o contrato dos três meses a fechar nessa mesma noite. O nome do Duarte vinha no topo, como vinha sempre. O do Tomás estava na lista dos que tinham confirmado a viagem e o regresso. O meu estava ali também, uma linha cinzenta entre os outros. Lucia ficou à porta da sala de reuniões, a luz amarela nas costas, e não disse nada quando olhei para ela. Só segurou o telemóvel contra o peito, o ecrã preto, e o sorriso que eu conhecia da casa e da câmara não voltou à cara. Saí primeiro, o casaco ao ombro, as grelhas por gravar, e o elevador desceu com o cheiro dela ainda nas mãos.