
Lucia Fecha a Agenda
Conto erótico de chefe e secretáriaEscritório12 min de leitura
Um conto de Lucia Vargas
Lucia Vargas, 21, entra como secretária do diretor duma agência em Lisboa. A meio da tarde ele manda fechar a porta. O que se passa naquela secretária não vai para lado nenhum da campanha.
A tarde de Outubro caía cedo sobre Lisboa e o gabinete no quarto andar da agência já tinha aquela luz amarela que os estores não conseguiam filtrar. Mandei chamar Lucia Vargas pouco depois das três, quando o corredor recuperava o ruído miúdo das pessoas de volta do almoço. Tinha vinte e um anos e aquele era o primeiro dia dela à secretária da porta. Aos trinta e nove, eu conhecia o peso de uma mulher nova naquele espaço melhor do que o cargo pedia.
Ela entrou com a agenda preta premida contra o peito e o cabelo preso dum modo prático que as fotografias nunca mostravam. O vestido cinzento era de escritório. O sorriso, porém, já o tinha visto dezenas de vezes no ecrã, sempre pronto, sempre oferecido a quem estivesse do outro lado.
«Precisas de mim para alguma coisa, Duarte?»
A frase veio quente, com o português ainda mole nas vogais, e fechou a porta atrás de si sem que eu o tivesse pedido. Os storyboards da campanha de Inverno cobriam o tampo da secretária, três versões da mesma promessa, nenhuma delas verdadeira o bastante. Fechei o portátil e olhei-a com o tempo que o lugar me dava.
«Tranca.»
Lucia virou-se, rodou o ferrolho e ficou de costas contra a madeira durante um segundo a mais, como se o clique lhe tivesse mudado o sangue. Quando se voltou, o sorriso ainda estava lá, aquele que servia para uma câmara. Aproximei-me até lhe sentir o cheiro da pele, um vestígio de sabão e de rua fria, e pus-lhe a mão na nuca com uma lentidão que a fez erguer os olhos.
«Isto não vai para a campanha. Nada do que se passa nesta secretária sai daqui.»
Ela não recuou. A língua passou-lhe pelos lábios e a agenda escorregou para o chão com um som mole. As mãos dela subiram-me ao peito, não para me afastar, e o corpo aproximou-se até a saia me tocar nos quadris. Beijei-a com a boca já aberta, apanhando-lhe o ar quente, e ela correspondeu com uma fome que o primeiro dia de trabalho não explicava. Os dentes bateram. O gosto dela era a café e a batom apagado. Apertei-lhe o rabo por cima do tecido e ela empurrou-se contra a palma, um movimento curto e decidido, que me encheu a piça de imediato.
«Ajoelha-te.»
Abaixou-se sem teatro, o joelho a marcar-se no tapete, e as mãos foram-me ao cinto com uma certeza que me tirou o ar. Abriu o fecho, puxou-me as calças e as boxer até meio da coxa e ficou a olhar para a piça, já pesada, a uns centímetros da boca. O hálito dela bateu-me na pele. Levantou os olhos uma última vez e meteu-me a cabeça na boca com um calor molhado que me fechou a garganta.
O calor da boca dela era imediato e sem cerimónia, a língua larga por baixo, os lábios apertados no caule como se soubesse exactamente o que me ia desarmar. Peguei-lhe no cabelo preso e puxei o bastante para lhe mandar o ritmo, não para a magoar, e Lucia abriu mais a boca e deixou-me ir fundo até sentir o fundo mole da garganta a ceder. Saliva escorreu-lhe do canto dos lábios e caiu-lhe no colo do vestido. Os olhos marejaram sem que ela recuasse. Respirei pela boca e fodi-lhe a boca com passadas curtas, ouvindo o som húmido que a agência lá fora nunca poderia imaginar.
Ela agarrou-me as coxas para se firmar e, em vez de se limitar a receber, chupou com vontade, as faces escavadas, a língua a trabalhar-me a veia até me doer o baixo-ventre. O sorriso da câmara tinha desaparecido por completo. Havia só aquela mulher de joelhos, a babar-se na minha piça, a olhar para cima como se o resto do escritório tivesse deixado de existir. Empurrei até ao fundo e segurei-a lá um instante, sentindo-lhe a garganta a convulsionar à volta da cabeça, e quando recuei ela puxou o ar com um ruído feio e belo e voltou a meter-me tudo, mais fundo ainda, como se a decisão fosse dela.
«Assim. Não tires a boca.»
A obediência dela veio misturada com um gemido que me vibrava na piça. Apertei-lhe a nuca e comecei a foder-lhe a boca a sério, o tampo da secretária a bater-me nas coxas sempre que avançava, os storyboards a tremerem ao lado. Lucia deixou as mãos irem-me ao rabo e puxou-me contra a cara, pedindo mais do único modo que lhe restava. A saliva fazia um fio entre os lábios e os meus colhões. O calor subiu-me pelas costas com uma violência que já não controlava. Avisei-a duma forma rouca, quase sem palavras, e ela não se afastou. Vim-me-lhe na boca com a piça enterrada, aos solavancos, enchendo-lhe a língua e a garganta enquanto ela engolia o que podia e deixava o resto escorrer-lhe pelo queixo abaixo, brilhante, até ao colo. Ficou de joelhos a respirar contra a minha barriga, a limpar o canto da boca com o dorso da mão, e o olhar que me levantou já não pedia desculpa por nada.
Puxeia-a de pé pela axila e virei-a contra a secretária antes que o silêncio tivesse tempo de nos devolver ao escritório. Os papéis da campanha amarrotaram-se debaixo das mãos dela. Levantei-lhe o vestido até à cinta e encontrei as cuecas já escuras no meio, coladas à cona. Puxei-lhas pelo rabo abaixo até aos joelhos e deixei-as ali, um obstáculo inútil. A cona estava inchada e brilhante, os lábios abertos, e o cheiro dela subiu-me à cabeça com uma crueza que o almoço e o Outono não anunciavam. Passei-lhe dois dedos pelo meio, sentindo o molhado até à palma, e ela arqueou as costas e abriu mais as pernas contra a madeira.
«Fode-me. Quero-te agora.»
A frase veio baixa, dita contra os storyboards, e não era um pedido ensaiado. Encostei-lhe a cabeça da piça, ainda húmida da boca dela, e enfiei-me duma vez até ao fundo. A cona apertou-me toda, quente, a puxar. Lucia soltou um som abafado contra o papel e as unhas arranharam o tampo. Segurei-lhe os quadris e comecei a foder por trás com passadas fundas, o rabo dela a bater-me na barriga, a saia amontoada na cinta. Cada vez que ia até ao fim ela fechava-se à minha volta e o tampo da secretária rangia. Os desenhos da campanha saíam do sítio. Uma caneta caiu no tapete.
Fodi-a com a força que o gabinete trancado me permitia, a palma aberta no fundo das costas para a manter dobrada, e ela empurrou para trás no mesmo ritmo, o rabo redondo a oferecer-se. Meti-lhe o polegar entre as nádegas, sem entrar, só a premir, e o gemido dela mudou de tom. A cona pingava-me nos colhões. Ocheiro a sexo cobriu o do papel e do café frio. Inclinei-me sobre as costas dela e mordi-lhe o ombro por cima do tecido, e Lucia virou o rosto o bastante para que eu lhe visse a boca aberta e os olhos fechados, já sem nenhum vestígio daquela simpatia que punha nos vídeos.
O aperto dela ficou irregular, a tremer, e percebi que estava perto sem que o pedisse por palavras. Segurei-lhe o cabelo e puxei a cabeça para trás enquanto lhe fodia a cona até ao fundo, e ela veio-se com um grito curto que morreu no dente contra o lábio, as pernas a falharem, o corpo a sacudir-se debaixo do meu. O aperto mil vezes mais estreito puxou-me a porra para fora. Vim-me-lhe dentro, fundo, a bombear-lhe o sémen contra o colo do útero, preso às ancas dela até o último sobressalto me atravessar os rins. Ficámos assim, eu ainda dentro, a respirar-lhe o cabelo, a campanha amarrotada debaixo das mãos dela como se nunca tivesse servido para outra coisa.
Não saí logo. Lucia virou a cara contra o braço e riu-se dum riso baixo, cansado, que não tinha nada da leveza com que falava no corredor. A piça amolecia-lhe dentro da cona e o sémen começou a escorrer-lhe pela coxa abaixo, lento, até ao joelho. Ela não se mexeu para o tapar.
«Comeste alguma coisa ao almoço, ou foste só a olhar para os papéis?»
A pergunta veio com aquele calor que ela punha nas coisas miúdas, como se o facto de eu ainda lhe estar dentro não lhe tivesse tirado o hábito de ver se alguém tinha sido tratado. Passei-lhe a mão pelas costas, por cima do vestido, e senti-lhe a respiração a acalmar.
«Fiquei. Não precisas de ir buscar água nem de fingir que isto foi um engano.»
Ela endireitou-se devagar, o vestido a cair-lhe pelas coxas, as cuecas ainda presas num tornozelo, e sentou-se na beira da secretária com as pernas abertas para mim. O sémen brilhava-lhe entre os lábios da cona. Olhou-me sem o sorriso e, pela primeira vez desde que tinha entrado, pareceu decidir alguma coisa só para si.
«Então fico. Mas não me peças a cara que ponho quando filmo. Essa não te dou.»
Abaixei-me entre as pernas dela antes que a frase tivesse tempo de se tornar uma negociação. O gosto dela misturado com o meu encheu-me a boca, salgado e espesso, e lambi-lhe a cona com a língua larga, de baixo para cima, apanhando o que lhe escorria. Lucia segurou-me na cabeça e abriu mais os joelhos, o calcanhar a premir-me as costas. O clitóris estava duro e escorregadio. Fechei os lábios à volta e chupei com vagar, os dedos a abrir-lhe os lábios para chegar onde ela tremia. Ela gemeu contra os dentes e o som saiu baixo, privado, sem nenhuma daquela projecção que eu lhe conhecia dos vídeos.
Lambi-a até a ter outra vez na ponta dos dedos, a cona a pulsar-me contra a boca, as coxas a fecharem-se-me nas orelhas. Meti-lhe dois dedos e curvei-os enquanto a língua trabalhava, e Lucia veio-se outra vez com o corpo a dobrar-se para a frente, as mãos no meu cabelo, um soluço húmido que lhe nasceu no peito. Segurei-a pelos quadris para que não escorregasse da secretária e continuei a lamber-lhe o orgasmo até ela me puxar a cabeça para trás, já a rir e a tremer ao mesmo tempo, a boca vermelha, o vestido torcido.
«Chega. Vem cá cima. Quero-te na cadeira.»
Sentei-me na cadeira de director, as calças ainda pelas coxas, a piça outra vez dura só de a ter visto vir-se contra a minha boca. Lucia atravessou o tampo, deixou as cuecas no chão e veio a cavalo, o vestido subido até à cinta, e segurou-me a piça para se enfiar nela com uma lentidão que me fez cravar os dedos nos braços da cadeira. A cona, já largamente usada, desceu até me engolir tudo, e o sémen de há pouco fez o caminho ainda mais fácil, um calor lamacento que nos uniu até à raiz. Ela começou a mexer-se com as mãos nos meus ombros, o rabo a bater-me nas pernas, os peitos a abanarem por baixo do tecido cinzento.
Durante uns instantes o sorriso voltou-lhe à boca, aquele automatismo largo e luminoso que ela punha para quem a via de fora, e foi exactamente isso que me tirou do sítio. Segurei-lhe os quadris com força e fodi-a de baixo para cima com uma violência nova, a cadeira a ranger contra o soalho, e o sorriso caiu-lhe da cara como um objecto. Ficou só a boca aberta e os olhos escuros, presos nos meus, sem oferecer nada ao corredor. Fodi-a mais fundo por causa disso, cada estocada a fazê-la soltar um som curto, verdadeiro, e ela segurou-me a cara com as duas mãos para eu não desviar o olhar.
«Foi isto. Foi sempre isto.»
A voz saiu-me rouca, contra a boca dela. Lucia não perguntou o quê. Mexia-se sobre a minha piça com o corpo inteiro, os mamilos duros a rasparem-me o peito por baixo da camisa, a cona a chupar-me a cada subida. Apertei-lhe o rabo e abri-lhe as nádegas com os polegares enquanto ela cavalgava, e o gemido dela ficou mais grave. O gabinete cheirava a sexo e a papel. Lá fora alguém riu no corredor e nenhum de nós abrandou.
«Contratei-te depois de meses a ver-te nos vídeos. Não foi o currículo que me trouxe aqui esta tarde.»
Ela ouviu e não parou. O que passou pelo olhar dela não era surpresa, era uma conta que estava a fazer em silêncio, e mesmo assim desceu até ao fundo e ficou lá, a pulsar, a decidir ficar outra vez. Beijei-a com os dentes e fodi-a até sentir o orgasmo a subir-me outra vez, mais lento, mais pesado. Lucia veio-se primeiro, a cona a apertar-me em vagas, a testa colada à minha, um «Duarte» dito contra a boca como se o nome lhe servisse de sítio onde se agarrar. Vim-me-lhe dentro pela segunda vez, ainda mais fundo, agarrado ao rabo dela, a encher-lhe a cona enquanto a cadeira dava o último ranger. Ficámos presos um ao outro, a suar, o vestido dela um farrapo elegante entre nós, e durante um minuto inteiro não houve campanha nem porta nem Lisboa do lado de fora.
Lucia levantou-se com um movimento cuidadoso e o sémen escorreu-lhe pela coxa dentro, um fio claro que ela não limpou. Puxou o vestido para baixo, passou os dedos pelo cabelo e apanhou as cuecas do tapete sem as vestir, metendo-as no bolso da agenda como quem guarda um papel. Olhou para os storyboards amarrotados, alisou um canto com o indicador e riu-se baixinho, só para o tampo.
«A campanha sobrevive. Eu também.»
Ajeitei as calças e fiquei de pé, ainda a sentir-lhe o cheiro nas mãos. Ela já tinha a agenda contra o peito outra vez, a mesma postura com que tinha entrado, só que agora a boca estava inchada e havia uma mancha escura no forro da saia que o cinzento não tapava de todo. Cruzei o gabinete e abri a porta com o mesmo gesto com que a mandara trancar. O ruído da agência entrou de imediato, inofensivo, alheio.
«Amanhã cedo há comboio para o Porto. Reunião com o cliente das nove. Faz a mala.»
Lucia parou no limiar, a mão na gola, e olhou-me durante um tempo que o corredor não justificava. Não perguntou se ia como secretária. Não perguntou o que o contrato de três meses cobria. O que passou no rosto dela foi só essa hesitação breve de quem ainda tem o sémen a escorrer-lhe entre as pernas e a agenda na mão, e não sabe a que título a vão pôr no lugar do lado.
«Às sete estou cá. Queres que leve a pasta da campanha ou só o que estiver na secretária?»
«Leva o que estiver em cima da secretária. O resto decide-se lá.»
Ela acenou, um gesto pequeno, e saiu. Através do vidro vi-a atravessar o espaço aberto com o passo composto de quem fosse só buscar um papel, sentar-se no lugar da porta e pousar a agenda. Tirou o telemóvel do fundo da gaveta, escreveu qualquer coisa com o polegar, leu, e apagou sem levantar a cabeça. Do gabinete ainda se lhe via a mancha na saia quando se inclinou para a frente. O Outono batia nos estores. O contrato continuava em cima da secretária, por assinar na última folha, e o cheiro dela não tinha saído da cadeira.