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Aylin Yildiz

Aylin Depois do Expediente

Conto erótico de ménageGrupo12 min de leitura

Um conto de Aylin Yildiz

Aylin fica no escritório da agência depois da reunião de fecho. Duarte e o diretor criativo não se vão embora. A mesa da sala de reuniões fica entre eles.

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A sala de reuniões da agência, no Chiado, ainda cheirava a café frio e a papel quente quando o último assistente fechou a porta do corredor. Lisboa, naquela noite de primavera, mandava ar húmido pelas janelas altas, um sopro lento que mexia nas cortinas sem as abrir de todo. Aylin Yildiz, que tinha vinte e quatro anos, não se tinha levantado da cadeira. Os stills da campanha, aquelas provas fotográficas mate, cobriam a mesa de carvalho e repetiam-lhe a cara em dezenas de ângulos, e o telemóvel descansava de ecrã para baixo junto a um canto da madeira. O corpo que a praia lhe tinha deixado, tostado e largo de ancas, não cabia naquela cadeira de reunião.

Nuno, com os seus trinta e oito anos, desapertou o colarinho com o ar de quem já tinha mandado toda a gente para casa. Fiquei de pé junto à parede de vidro, as mãos nos bolsos, a olhar para ela em vez de olhar para as provas.

Ela olhou primeiro para ele, depois para mim, a verificar se estávamos a ouvir de verdade, se o silêncio da sala já nos pertencia.

«Vocês não se vão embora», disse, a voz baixa, sem pressa, e o olhar demorou-se em mim. «Tu também não, Duarte. E tu, Nuno, estás aí como se a reunião pudesse recomeçar.»

Nuno riu pela narina, um som curto, e puxou a cadeira para o lado em vez de a empurrar para trás. Aylin levantou-se então, lenta, e as palmas pousaram na madeira entre as provas. Os olhos cor de mel aguentaram o silêncio até ele se tornar uma decisão. Descalçou os sapatos com o pé, um depois do outro, e o som do salto a bater no soalho fez-me fechar a porta da sala por dentro.

«Se ficamos», continuou ela, já a desfazer o botão da blusa, «não é para falarmos de entrega.»

A blusa abriu-se sobre um sutiã claro, os peitos firmes a marcarem o tecido, e ela não pediu ajuda. Tirou o sutiã sem se apressar. Pousou-o em cima de uma prova onde a própria boca sorria para a câmara, o tecido claro a tapar-lhe o sorriso impresso, e ficou nua da cintura para cima sob as luzes frias da agência. Nuno passou-lhe os polegares pelos mamilos e ela arqueou-se contra a palma dele, um suspiro baixo, quase uma gargalhada engolida. Aproximei-me pelas costas, o nariz no cabelo dela, e as mãos desceram-lhe pelas ancas até às calças. Desapertou-as ela própria, sem pedir a ninguém que o fizesse. Empurrou as calças para baixo juntamente com as cuecas, o tecido a cair-lhe pelos tornozelos, e só então se sentou na borda da mesa, as coxas abertas para nós dois. A cona já lhe brilhava sob a luz, e o cheiro dela misturava-se com o cheiro acre do toner das impressões.

Nuno beijou-lhe a boca com uma demora que não era de director, e ela puxou-lhe o cinto. Tirei a camisa sem pressa e deixei-a cair sobre o encosto de uma cadeira. O cinto veio a seguir, a fivela a bater de leve, e o pau já me doía contra o tecido das calças quando ela se virou para o ter de frente, os lábios húmidos, a respiração quente.


Aylin puxou Nuno pela camisa até o ter entre os joelhos. Só então lhe abriu as calças, os dedos firmes na braguilha. Tirou-lhe o pau, grosso, já duro, e passou a língua pela cabeça com uma lentidão provocadora, a olhar para cima, a ver se ele aguentava. Nuno agarrou-lhe o cabelo sem puxar de verdade, e ela meteu-o na boca até à garganta. Um som molhado encheu a sala, e a saliva escorreu-lhe para o queixo.

Fiquei-lhe atrás, as mãos nas ancas nuas, e esfreguei-lhe o pau pela cona aberta. Ela recuou da boca do Nuno só o tempo de dizer o meu nome, baixo, quase dentro da garganta, e enterrei-me nela de um só impulso. A cona apertou-me logo, quente, escorregadia, e ela gemeu com o pau do outro ainda nos lábios, o som partido, as unhas cravadas na madeira.

Fodi-a assim, fundo, o ritmo a fazer tremer a mesa e os papéis. A cada estocada ela chupava o Nuno com mais fome, os peitos a balançarem sobre as provas. Via-lhe o rabo a bater-me na barriga e via o director criativo da campanha com a cabeça deitada para trás, a respirar pela boca, as mãos perdidas no cabelo dela. Aylin não fechava os olhos. Olhava para ele enquanto o chupava e, quando lhe acertava no sítio certo, os olhos marejavam sem ela deixar de trabalhar a boca.

«Mais fundo», pediu ela, a afastar-se só um instante, a voz rouca, e voltou a meter o pau do Nuno até ao fundo da garganta. A mesa de carvalho rangia debaixo do peso e do ritmo, a madeira a protestar sem que ninguém abrandasse. Uma das provas escorregou para o chão e ficou ali, virada, e ninguém se baixou a apanhá-la. Ela molhava-me até às tomates, a cona a puxar-me para dentro a cada recuo.

Nuno gemeu o nome dela e ela riu com a boca cheia e empurrou o rabo contra mim para eu não abrandar. Fodi-a até sentir as paredes dela a tremerem, até ela se despegar da boca do outro com um fio de saliva a ligá-los, a respiração desfeita.

«Troca», disse ela, e não era um pedido tímido. Era ela a mandar naquela mesa.


Sentei-me na cadeira de Nuno, o pau erecto e molhado dela, e Aylin virou-se, passou-me uma perna por cima e segurou-me pela base. Desceu sobre mim com uma lentidão cruel, a cona a abrir-se à volta do meu pau centímetro a centímetro. Quando me teve todo dentro ficou quieta um segundo, a respirar contra a minha boca. Beijei-a. O beijo soube a ele e a ela, e ela começou a mexer-se, a subir e a descer com as coxas tensas.

Nuno ficou de pé ao lado da mesa, o pau à altura da boca dela. Ela virou a cabeça e engoliu-o outra vez sem deixar de se foder em mim. Via-lhe o perfil, os lábios esticados à volta dele, as pestanas baixas, e as ancas dela a trabalharem o meu pau. Segurei-lhe a cintura para a ajudar a descer mais fundo e ela gemeu no pau do Nuno.

«Olha para ele», disse-me ela, a afastar-se da boca do outro só o bastante para falar, a voz húmida. «Está a ver-te. Não finjas que não gostas.»

Olhei. Nuno tinha a mandíbula cerrada, uma mão no cabelo dela, a outra a apoiar-se na mesa entre as provas, e o pau a desaparecer-lhe na boca até ela quase engasgar. Aylin cavalgou-me com mais força, a cona a fazer um som molhado e obsceno cada vez que me engolia até ao fundo, e meti-lhe o polegar no sítio onde estávamos juntos, a esfregar-lhe o clitóris enquanto ela chupava. O corpo dela tremeu. As coxas apertaram-me. Ela não parou a boca.

Nuno avisou-a com um som baixo, e ela segurou-lhe as nádegas e manteve-o lá dentro. Ele veio-se-lhe na boca com um gemido longo, o corpo a dobrar-se sobre ela, e ela engoliu o que pôde, o resto a escorrer-lhe pelo canto dos lábios até ao queixo. Continuou a chupá-lo enquanto ele se esvaziava, lenta, a limpá-lo com a língua, e a cona apertou-me numa vaga que me tirou o ar. Veio-se em mim com a boca ainda no pau mole do outro, um gemido abafado, as unhas no meu ombro, o interior a puxar-me em contrações quentes, até se despegar dos dois com um fio de leite a ligar-lhe os lábios ao pau do Nuno.

Respirou contra a minha boca. Riu, baixa, passou o polegar pelo queixo para apanhar o que tinha escapado, e chupou o polegar a olhar para mim.

«Ainda não acabámos», disse. «A mesa aguenta.»


Deitei-a de costas sobre as provas. O papel amarfanhou-se debaixo dos ombros dela, a cara impressa a sorrir ao lado da boca verdadeira, e ela abriu as pernas para mim. Entrei-lhe outra vez, fundo, e fodi-a assim, de frente, a ver-lhe os peitos a tremerem. Nuno recuperava ao lado, a mão no pau, a ficar duro outra vez só de a olhar. Ela estendeu-lhe o braço e puxou-o pela anca até ter o pau dele outra vez à boca. Chupou-o já meio erecto, sem pressa, enquanto eu lhe fodia a cona com estocadas longas.

Troquei com ele. Saí de dentro dela, o pau a latejar, brilhante do que ela me tinha dado, e recuei só o bastante para lhe ceder o sítio. Nuno meteu-se-lhe entre as pernas e enterrou-se de um jacto, um gemido fundo a sair-lhe do peito. Aylin arqueou as costas, os calcanhares na borda da mesa, e pus-lhe o pau nos lábios. Ela abriu a boca e deixou-me foder-lhe a garganta no mesmo ritmo em que ele lhe fodia a cona. Uma prova ficou-lhe colada a um peito, a própria boca impressa sobre o mamilo, e ela riu no meu pau, um riso partido que me fez meter mais fundo.

Nuno fodeu-a até ela voltar a tremer, até as coxas lhe baterem nas ancas dele, e eu sentia-lhe a garganta a fechar-se à volta de mim cada vez que ela chegava perto. Saí-lhe da boca para a deixar respirar e ela pediu, clara, sem vergonha:

«Os dois. Quero os dois.»

Virei-a de lado na mesa. Entrei-lhe na cona por trás, fundo, e Nuno ajoelhou-se na madeira e meteu-lhe o pau outra vez na boca. Fodemo-la assim, um em cada extremo, o corpo dela estendido entre os papéis da campanha, e ela aguentou-nos com uma fome que já não tinha briefing nenhum, nenhum guião de reunião a cumprir. Fodi-a até não aguentar. Vim-me dentro dela com um gemido contra a nuca, o pau a pulsar-lhe no fundo, o leite a encher-lhe a cona enquanto ela gemia no pau do Nuno. Ele tirou-se-lhe da boca, passou-lhe a mão pelo ventre e veio-se-lhe em cima, o leite branco a cair-lhe no ventre liso, a escorrer para o umbigo, a pingar sobre uma prova onde a cara dela olhava para a câmara com a boca fechada.

Ficámos assim durante um tempo que ninguém mediu. O sémen misturava-se-lhe na pele com o suor e escorria-lhe da cona para a mesa. Aylin passou dois dedos pelo ventre, apanhou o que ele lhe tinha deixado, e meteu os dedos na boca a olhar para os dois, sem pressa, como se ainda estivesse a decidir se aquilo lhe chegava.


Ninguém falou durante um minuto inteiro, o suficiente para o silêncio se instalar de outro modo. O ar da primavera entrava quente e o cheiro a sexo tinha ganho à agência. Aylin não se levantou. Ficou deitada de lado entre as provas, uma perna ainda aberta, o leite a brilhar-lhe na pele, e passou a palma pela madeira.

«Não finjam que isto é trabalho», disse, a voz mais baixa. Olhou para Nuno primeiro, depois para mim, e o olhar demorou-se. «Não tratem a mesa como um sítio onde se grava. Não há câmara. Não há entrega. Se ficam, ficam porque querem foder-me. Só isso.»

Nuno passou-lhe os dedos pelo cabelo e não foi buscar a camisa. Também não fui buscar a minha. Aylin sorriu de lado, cansada e quente, e puxou-me pela mão até eu voltar a sentar-me na cadeira. Não se vestiu. Não tapou os peitos. O sémen secava-lhe no ventre e ela deixou-o lá, como se a prova daquilo fosse o contrário de um still.

«Tu», disse ela, virada para mim, a palma no meu joelho. «Estás a olhar para os papéis. Olha para mim.»

Olhei. Os olhos cor de mel estavam húmidos, não de choro, de esforço e de prazer, e a boca estava inchada de nos ter chupado. Havia uma marca da borda da mesa na coxa. Havia a mulher, não a cara da campanha, sentada nua numa sala onde de manhã se falava de prazos.

Nuno riu baixinho.

«A campanha fica nas paredes», disse ele. «Nós não.»

«Então não pões o relógio», respondeu ela. «Se alguém vier, eu não me levanto.»

Aproximei-lhe a cadeira. Beijei-lhe o joelho, onde a pele ainda tremia, e ela abriu-se outra vez, lenta, sem a urgência de há pouco. Nuno sentou-se do outro lado da mesa, nu, a mão no pau já a endurecer de novo, e Aylin estendeu-lhe a outra mão. Ficámos os três assim, sem relógio, a porta fechada, Lisboa a respirar nas janelas, e ela no meio, nua, a decidir que a noite ainda não tinha acabado.


Beijei-lhe a cona com calma, a língua no clitóris, o gosto dela misturado comigo, e ela segurou-me pelo cabelo sem puxar, só para eu não ir embora. Nuno beijou-lhe a boca e os mamilos já sensíveis, e ela gemeu para dentro do beijo dele enquanto eu a lambia. Quando as ancas começaram a procurar a minha boca, levantei-me e entrou-me outra vez, devagar, até ao fundo, e fiquei quieto dentro dela para ela sentir o tamanho, o pulso.

Ela olhou-me nos olhos. Mexeu as ancas. Pediu mais com o corpo, não com a voz. Fodi-a assim, lento, cada estocada completa, a sair quase todo e a voltar a enchê-la, e Nuno pôs-lhe o pau na mão. Ela masturbou-o contra a boca, a língua a sair para lhe tocar a cabeça, sem a fome de há pouco. A mesa, desta vez, já não rangia. O único som era a pele, a respiração, o húmido dela a receber-me.

«Mais», sussurrou. «Devagar, mas mais fundo.»

Afundei. As coxas dela fecharam-se-me nas ancas e a cona puxou-me numa vaga longa, e ela veio-se outra vez com um gemido baixo, os olhos abertos, a olhar para mim como se quisesse que eu visse. As contrações apertaram-me até não aguentar a lentidão. Vim-me dentro dela outra vez, a pulsar-lhe no fundo, a enchê-la, a fronte contra a dela. Nuno veio-se-lhe na palma e no ventre, menos, um fio quente a juntar-se ao que já lá estava, e ela passou a mão suja pelo meu peito, deixou a marca, e riu um riso cansado, verdadeiro.

Ficámos dentro daquilo. Ainda dentro dela, ele deitado ao lado sobre os papéis estragados, ela no meio connosco, a respiração a acalmar de verdade. Aylin passou-me os dedos pelo cabelo da nuca e ficou assim, nua, a deixar que a noite da agência fosse só aquilo: três corpos, uma mesa.


Vestimo-nos tarde, sem pressa de parecer outra coisa. Aylin apanhou a blusa do chão, passou os braços pelas mangas sem abotoar logo, e as cuecas ficaram-lhe nas mãos um segundo a mais, como se o tecido fosse uma decisão. Nuno atou a gravata mal, um nó torto, e riu do próprio gesto. Fechei o cinto e não desliguei as luzes. As provas continuavam nas paredes e na mesa, algumas rasgadas, uma manchada, a cara dela a sorrir.

Ela parou diante da maior prova e olhou para a própria boca impressa como se não a reconhecesse de todo. O telemóvel continuava de ecrã para baixo. Quando o virou, a luz do ecrã iluminou-lhe o queixo e vi o bilhete, a hora, o nome do aeroporto. Não disse o destino em voz alta. Passou o polegar pelo vidro, pousou o aparelho outra vez, e abotoou a blusa até cima, lenta, a cobrir as marcas que a mesa lhe tinha deixado na pele.

«Esta é a cara que vocês compraram», disse, sem se virar logo, a voz baixa. Olhou-me por cima do ombro, depois a Nuno, e o olhar desceu da prova para o próprio corpo, ainda quente, ainda sujo por baixo da roupa. «Não sei qual das duas vai no avião.»

Ficou mais um instante com a mão na prova, os dedos na boca de papel, e vi o desajuste: a mulher que Lisboa tinha escolhido para as paredes e a que se tinha recusado a levantar da mesa. Aylin apanhou os sapatos, passou ao lado de mim, e o cheiro dela ficou na sala com o toner e com a primavera a entrar. Na parede, a campanha continuava a sorrir com a boca fechada.