
Aylin no Estúdio Fechado
Conto erótico sexo a trêsGrupo12 min de leitura
Um conto de Aylin Yildiz
Aylin fica no estúdio de Lisboa depois de apagarem as luzes, só com o fotógrafo e o modelo. Ninguém nomeia o que vai acontecer. Os três já se tocam entre os fundos.
O último refletor apagou com um estalo seco e o estúdio de Lisboa ficou entregue à penumbra que vinha do corredor, aquela faixa amarela por baixo da porta que não serve para retrato nenhum. Cheirava a café frio, a spray de cabelo e à primavera úmida que subia do Tejo mesmo com as janelas fechadas. Aylin Yildiz ainda tinha no cabelo o penteado da campanha, o castanho intenso agora solto sobre os ombros, e Kerem, o modelo de vinte e sete anos que eu tinha colocado ao lado dela o dia inteiro, desabotoava a camisa como se o trabalho tivesse guardado uma página a mais. Eu girei a chave na porta da rua duas vezes. Ela tinha vinte e quatro anos e não perguntou se podia ficar. Eu também não ofereci nenhuma explicação.
Ninguém deu nome ao que vinha. Aylin passou os dedos no peito nu de Kerem com a mesma calma com que tinha segurado o produto nas fotos, e ele prendeu o pulso dela só para puxá-la mais para perto. Eu fiquei atrás, as mãos na cintura dela por cima da camisa que ela tinha pego no cabide sem licença, e senti o corpo esguio ceder um milímetro, o bastante para eu entender que a recusa não estava na sala. Ela virou o rosto e os olhos cor de mel acharam a minha boca no escuro, sem pressa, como quem ainda mede a luz.
«Duarte, você ainda está vendo alguma coisa que a câmera não pegou?», perguntou ela, a voz baixa e brincalhona, e a pergunta veio macia o suficiente para eu sentir o gosto dela antes do beijo. Eu encostei a boca no canto da boca dela ao mesmo tempo em que Kerem beijava o outro lado, e o riso dela saiu quente contra os dois rostos. As mãos dela já desciam pelos nossos cintos. Os joelhos tocaram o cimento frio entre os nossos pés, e o som dessa queda pequena foi o único contrato que a noite pediu. Ela abriu o meu cinto e o dele quase no mesmo movimento, puxou os paus para fora já duros, e olhou para cima como quem confere um enquadramento. A língua passou primeiro na cabeça do meu pau, lenta, molhada, e depois foi direto para o de Kerem, engolindo até o meio sem ensaio nenhum.
Ela trocava de pau na boca com uma regularidade que me deixava tonto, e cada troca era uma decisão dela, não um favor. Num minuto eu sentia a garganta apertar a cabeça do meu pau, no seguinte eu via os lábios vermelhos esticados em volta do pau de Kerem, saliva escorrendo até o saco, os olhos abertos para que a gente não perdesse nada. Kerem gemeu alto demais para um prédio de estúdios, e ela tirou a boca só para rir, o fio de saliva ainda ligando o lábio inferior ao pau dele, sem nenhum constrangimento de estar de joelhos entre dois homens que tinham passado o dia vendendo a imagem dela.
«Ele faz mais barulho que você», disse ela para mim, desviando o peso da frase com aquele jeito quente de quem prefere olhar o outro. Eu encostei o meu pau na bochecha quente dela e ela virou a cabeça e me engoliu inteiro de uma vez, o nariz colado na minha barriga, enquanto a mão direita masturbava Kerem no mesmo ritmo molhado. O poder naquela sala estava todo torto. Eu tinha fechado a porta, eu tinha apagado as luzes, eu tinha fotografado aquele corpo o dia inteiro, e mesmo assim era ela de joelhos decidindo quem entrava na boca e quando saía.
Eu avisei que ia gozar e ela não recuou. Abriu a boca e deixou a língua de fora, os olhos nos meus, e eu gozei pesado sobre aquela língua quente, jatos brancos que ela segurou sem engolir ainda, o queixo brilhando. Kerem puxou o cabelo dela com mais urgência e ela virou o rosto para ele com a minha porra ainda na boca, e ele gozou também, misturando tudo na mesma língua, no mesmo queixo. Ela mostrou para a gente, a boca escancarada, o excesso escorrendo para os peitos, e só então engoliu uma parte e deixou o resto brilhar na pele como se aquilo também fosse para ser visto.
Não parou quando os paus amoleceram. A boca voltou com uma paciência suja, lambendo, chupando sem pressa de resultado, até eu sentir o sangue voltar e o pau endurecer de novo contra a língua dela. Kerem já estava duro outra vez quando ela se levantou, a camisa aberta, os peitos pequenos e firmes à mostra, a buceta nua porque a calcinha tinha ficado em algum lugar entre os fundos de papel cinza.
Aylin se virou de quatro sobre o colchão de pose que ainda cheirava a algodão de set, o rabo empinado, as coxas abertas o bastante para Kerem ver tudo o que a gente tinha passado a tarde escondendo em ângulos comerciais. Ele se ajoelhou atrás dela e passou a cabeça do pau na fenda molhada, para cima e para baixo, e ela empurrou para trás pedindo sem transformar o pedido em palavra. Quando ele enterrou o pau na buceta dela de um golpe só, o gemido que saiu foi baixo e comprido, e ela abriu a boca na mesma hora para me receber na frente, como se as duas coisas tivessem sido combinadas no corpo e não na fala.
Eu fiquei de joelhos no colchão, o pau na boca dela outra vez, e cada estocada que Kerem dava mandava ela contra mim, a garganta engolindo mais fundo sem ela ter escolhido o ritmo. Eu via o rosto dela de cima, os olhos marejados de prazer, a saliva, a porra seca no queixo, e via também o corpo inteiro que eu tinha enquadrado o dia todo: a linha das costas, a cintura estreita, o jeito como a buceta engolia o pau de outro homem enquanto ela me chupava com uma fome que não cabia em campanha. Kerem segurou os quadris dela e fodeu com força, a pele batendo, e ela gemeu no meu pau com a boca ocupada demais para transformar aquilo em frase.
«Olha para mim», eu disse, e ela obedeceu, os olhos subindo até a minha cara. Eu via ela ser comida. Ela me via olhar. Kerem via os dois e acelerava. A buceta dela fazia um som molhado a cada entrada, e eu sentia o cheiro dela subir entre nós, vivo, longe da imagem retocada que eu ia entregar na segunda. Ela tirou a boca do meu pau só o bastante para falar, a voz já rouca de tanto uso.
«Você gosta de ver o que fotografou, não gosta?» A pergunta veio de lado, nomeando a coisa sem pôr o dedo em cima, e eu senti o pau latejar na língua dela quando voltei a entrar. Encostei o polegar no lábio inferior e ela aceitou o pau de novo, chupando com mais fome, a mão livre apertando meu saco enquanto Kerem a fodia fundo e sem nenhuma pressa de acabar, os dois usando o corpo que o contrato tinha chamado de imagem.
Trocamos sem combinado falado. Kerem saiu dela com o pau brilhando e veio para a frente, e eu me posicionei atrás, a cabeça do meu pau abrindo a buceta já quente e usada pelo pau dele. Enterrei até o fundo e fiquei parado um segundo só para sentir o aperto, o calor, o jeito como ela empurrou o rabo contra mim pedindo mais mesmo com a boca já ocupada outra vez. Kerem ajoelhou na frente e ela pegou o pau dele com as duas mãos e com a boca, os peitos pendendo, e ele passou o pau no meio deles, apertando a carne com as palmas, fodendo o vão enquanto ela lambia a cabeça sempre que alcançava.
Eu fodia ela fundo, as mãos na cintura, olhando para baixo para ver o meu pau sumir na buceta que eu tinha passado horas transformando em anúncio. Kerem falou baixo, quase para si, quase para mim, a voz roçando o cabelo dela.
«Esse corpo aqui não é o das fotos.» Eu respondi que nas fotos ela não tremia assim, e Aylin riu com a boca cheia, o riso vibrando no pau dele como um convite para continuarmos falando. Ela deixou os dois olharem. Afastei um pouco para ele ver a buceta aberta em volta da minha pica, o clitóris inchado, a umidade escorrendo na raiz da coxa, e ela não fechou as pernas. Ficou ali, de quatro, oferecida ao comentário, e o poder torto da noite ficou ainda mais claro. A gente falava do produto. Ela gozava sendo o produto e sendo outra coisa ao mesmo tempo, uma coisa que não tinha nome no contrato e que mesmo assim pedia para ser vista.
«Fala do meu corpo», ela pediu, virando o queixo para Kerem, e eu entendi que ela queria ouvir o próprio corpo descrito por quem tinha acabado de fotografá-lo. Kerem descreveu a buceta apertada, os peitos, o jeito como a boca dela não cansava, e eu descrevi o que via de trás, a contração em volta da minha pica, a pele suada, o cabelo castanho colado na nuca. Ela se molhava mais a cada frase, a buceta puxando, e eu acelerei as estocadas até senti-la começar a tremer. Tirei o pau antes que ela gozasse, e o som que ela fez foi de fome, não de recuo, os joelhos ainda abertos no colchão manchado.
A cadeira do set ainda tinha o fundo cinza pendurado atrás, aquele papel infinito que tinha fingido ser parede o dia inteiro. Aylin puxou Kerem pela camisa, sentou-o na cadeira e, de pernas abertas, encaixou o pau dele na buceta, descendo devagar até sentar inteira, a boca aberta num suspiro que encheu o estúdio. Eu fiquei de pé ao lado da cadeira e ela virou o rosto e me engoliu, uma mão na minha base, a outra descendo para o clitóris com os dedos já especialistas no próprio prazer. Kerem fodia de baixo, as mãos nos peitos dela, e eu fodia a boca, e ela estava no meio dos dois como tinha pedido com o corpo desde o primeiro joelho no chão.
O celular dela estava na mesa de apoio, a tela acesa com alguma notificação inútil. Aylin esticou o braço sem tirar a boca do meu pau, pegou o aparelho, desbloqueou com o polegar, e por um segundo a câmera traseira apontou para nós, para a cadeira, para o pau dentro dela, para o meu pau na boca. Depois ela virou o celular de tela para baixo, pousou na madeira com um cuidado que não combinava com a cena, e puxou meus quadris para mais perto, a decisão inteira nas mãos dela.
«A boca e a buceta. Os dois. Agora.» Kerem empurrou mais fundo e eu senti a garganta dela abrir, e os dedos dela no clitóris trabalhavam rápido, molhados, sem vergonha de se tocar enquanto dois homens a usavam. Ela gozou primeiro, o corpo inteiro arqueando na cadeira, a buceta apertando o pau de Kerem em ondas que eu via no rosto dele, um gemido longo que vazou em volta do meu pau e encheu a sala. Os olhos dela encheram de água e ela não desviou. Deixou a gente ver o gozo até o fim, as coxas tremendo, a mão ainda no clitóris mesmo depois do pico, como se não quisesse descer daquilo e também não quisesse transformar aquilo em arquivo.
Kerem segurou os quadris dela e gozou dentro, fundo, com um grunhido preso nos dentes, e eu senti o corpo dela receber, quente, cheio, a buceta pulsando em volta dele. Tirei o pau da boca dela e gozei nos peitos, no pescoço, um pouco no lábio inferior, e ela pôs a língua para fora outra vez por reflexo, pegando o que alcançava, os olhos ainda molhados de prazer. A cadeira ficou manchada. O papel cinza atrás continuava limpo e mentiroso. Ninguém disse se a gente tinha fodido Aylin ou a imagem que a campanha ia vender naquela semana. O celular continuava de tela para baixo, sem gravar nada, e o silêncio em volta disso pesava mais do que qualquer clique.
Ela ficou sentada mais um pouco, o sêmen escorrendo da buceta para o assento, o meu secando nos peitos, a respiração voltando aos poucos para um ritmo que cabia em conversa. Kerem beijou a boca dela com uma ternura que não combinava com o que a gente tinha acabado de fazer, e ela retribuiu, os dedos no cabelo dele, quente mesmo ali, ainda dona do tom da sala. Eu trouxe uma toalha do banheiro do estúdio e ela pegou, limpou o que quis limpar, e deixou o resto no pescoço e na raiz das coxas como se fosse um lembrete privado. Vestiu a calcinha por cima da buceta ainda molhada, puxou a saia, abotoou a camisa que era minha até o meio do peito, e não perguntou se podia levar. Não perguntou nada. Recompôs-se sozinha no meio do nosso silêncio.
Eu olhei o celular na mesa. Ela também olhou. Nenhum de nós virou a tela. Aylin passou a mão no próprio pescoço, sentiu o que eu tinha deixado, e a dúvida passou no rosto dela rápido demais para virar conversa. Se gravasse, continuava sendo produto. Se não gravasse, talvez descobrisse que sem lente não ficava ninguém. Ela escolheu o vazio e guardou o aparelho na bolsa sem abrir a galeria, o fecho soando pequeno demais para o tamanho da escolha.
«Vocês dois estão quietos demais para quem acabou de usar a boca», disse ela, e o tom era leve, um convite a não transformar o silêncio em vergonha. Kerem riu e foi atrás da própria camisa, os ombros ainda marcados pelo suor. Eu fiquei olhando ela se recompor no espelho do camarim improvisado, inteira naquela recusa de pedir autorização para ir embora, a camisa minha aberta o bastante para o pescoço ainda brilhar.
Saímos pela porta dos fundos porque a da rua dava para uma calçada com gente demais mesmo àquela hora. A noite de Lisboa estava amena, a primavera grudada nas pedras, e Aylin caminhou meio passo à frente com o sêmen ainda no corpo, nenhum arquivo no celular, a campanha inteira reduzida a um cheiro que só os três conhecíamos. Eu via no jeito como ela apertava a alça da bolsa que aquilo lhe custava de um jeito que a boca dela não ia confessar: não ter prova de que tinha acontecido, e de que tinha sido ela, e não o anúncio, e não o corpo que a gente tinha vendido sob luz fria.
Kerem se despediu no cruzamento com um beijo no canto da boca dela e um aperto no meu ombro, e foi embora na direção do metrô, a camisa mal abotoada, o passo já de quem volta para o próprio nome. Ficamos os dois sob a luz amarela de um poste que não perdoava nada. Eu podia ter dito qualquer coisa profissional, um horário de prova, um envio de arquivos, o tipo de frase que devolve as pessoas para o trabalho. Em vez disso falei da quinta, a voz baixa o bastante para caber entre o farol distante e o nosso silêncio.
«Amanhã tem uma festa numa quinta, fora da cidade. Mais gente. Nenhuma câmera.» Aylin olhou para mim, os olhos escuros na rua, e não recusou. Só ajeitou a alça da bolsa e perguntou que horas, a voz macia, já puxando a conversa para o caminho, como se o sim estivesse no fato de ela ainda estar parada ali comigo, com o gosto da noite inteira na boca e nenhuma foto para provar que tinha sido ela.