
Delfina no Palácio Fechado
Conto de terror eróticoTerror Erótico13 min de leitura
Um conto de Delfina García
Delfina García fica só com o fotógrafo depois de um ensaio noturno num palácio de Sintra já fechado ao público. O edifício tem fama de não estar vazio. Ela decide não ir embora.
O palácio fechara as portas ao público há mais de uma hora e o eco dos nossos passos no mármore soava largo demais para duas pessoas. Delfina García, com vinte e dois anos, ainda usava o conjunto de treino da campanha, o tecido escuro colado às coxas pelo suor que o frio de Sintra ia secando. Aos trinta e quatro anos, já fotografara dezenas de corpos em sítios que fingiam estar mortos, e mesmo assim aquele salão, com o tecto alto e as janelas voltadas à serra, fazia-me sentir que alguém escutava por detrás da pedra.
Ela não se mexeu para ir buscar o casaco. Ficou no centro do tapete gasto, as mãos nos quadris, a respiração ainda por acalmar do último conjunto de poses, e olhou para mim como se o ensaio não tivesse acabado.
«Não vou embora», disse ela, e a frase veio curta, ritmada, antes de um silêncio que me obrigou a olhar para a boca. «Podes guardar as máquinas. Eu fico. Se este sítio tem fama de não estar vazio, quero ver o que faz a um corpo quando já não há gente a fingir que não ouve.»
O segurança saíra pela porta das cozinhas e o relógio da parede marcou a ausência com um tic demasiado limpo. Cheirava a cera antiga, a musgo, a folha molhada que o outono empurrava contra os vidros. Delfina aproximou-se sem pressa e tirou-me a correia da máquina do ombro com dois dedos, como quem desfaz um nó que já não serve.
«Tomás», chamou, e o nome soou-me mais íntimo do que o salão merecia. «Olhas para mim há três horas como se o trabalho fosse uma desculpa. Cansa-me. Mostra o que farias se ninguém pagasse o teu olhar.»
Beijei-a e a boca abriu-se-lhe de imediato, quente, com um gosto a hortelã e a esforço, enquanto as mãos lhe subiam à cara com uma força que não pedia licença. Empurrei-a contra a parede de azulejo frio e ela riu para dentro do beijo, um som baixo que me bateu no peito. O top saiu-lhe pela cabeça num só puxão. Os peitos, duros do treino, cabiam-me nas palmas, os mamilos já erguidos com o frio e comigo, e fechei a boca num deles até ela arquear as costas e cravar as unhas na minha nuca.
Desci-lhe os calções com as cuecas ao mesmo tempo. A cona estava molhada de um modo que o ensaio não explicava, os lábios inchados, o cheiro a pele quente a misturar-se com a pedra. Ajoelhei-me no mármore, abri-lhe as coxas com as mãos e lambei-a de baixo para cima, devagar no princípio, a língua larga sobre o clitóris, e Delfina segurou-me pelo cabelo e puxou-me contra ela como se o meu rosto fosse mais um aparelho que ela já soubesse usar.
Ela gemeu alto quando meti a língua dentro da cona, o som a espalhar-se pelo salão vazio, e as pernas tremeram-lhe contra as minhas orelhas. Chupei-lhe o clitóris com os lábios apertados, dois dedos a entrar-lhe até ao fundo, o polegar a abrir-lhe os lábios para a ter mais à mostra. Delfina fodia-me a cara. Movia os quadris com aquela teimosia de quem treina até doer, e a humidade escorria-me pelo queixo e caía no chão em fios quentes.
«Mais fundo», pediu, e a voz saiu-lhe já rouca. «Não me trates como se eu fosse partir. Mete a língua. Assim. Fica.»
Obedeci-lhe sem hesitar, e os dedos faziam um som molhado cada vez que saíam e voltavam, até ela me apertar a cabeça com as coxas e me faltar o ar. Quando senti o corpo a fechar-se-lhe à volta dos meus dedos, uma vaga longa, suja, que lhe desceu pela barriga em arripios, mantive a língua nela enquanto o tremor lhe durava, e só parei quando me puxou pelos cabelos para cima, a boca aberta, os olhos escuros de um prazer que ainda não tinha chegado ao fim.
Beijou-me e lambeu-se a si própria da minha boca. Depois empurrou-me para o banco de veludo encostado à parede e abriu-me os botões das calças com uma pressa que já não tinha nada de ensaio. A piça saltou-lhe para a mão, dura, a glande já molhada, e Delfina olhou para cima uma vez só, um sorriso curto, antes de me meter o caralho na boca até ao fundo.
A garganta fechou-se-lhe à minha volta. Engoliu, recuou, voltou a descer, a saliva a escorrer-lhe pelos cantos da boca e a cair-lhe nos peitos. Segurei-lhe o cabelo sem puxar de verdade e ela fez um som de satisfação comigo lá dentro, o nariz contra a barriga, as mãos nas minhas ancas a mandar o ritmo. Chupava com uma fome limpa, sem cerimónia, a língua a premir a veia de baixo cada vez que subia, e quando puxei para fora um fio de saliva uniu a boca dela à minha glande durante um segundo ridículo e perfeito.
«Vou-te foder a boca até me cansar», disse-lhe, e ela abriu os lábios outra vez, a oferecer a língua, e deixou que eu lhe fodesse a garganta com pancadas curtas, o som húmido a bater no tecto. As lágrimas vieram-lhe aos olhos e não pediu para parar. Apertou-me os tomates com a mão esquerda e levou o polegar direito à própria cona, a tocar-se enquanto me mamava, e aquele espectáculo no salão morto tirou-me o juízo de um modo que nenhuma objectiva me tinha preparado.
Tirei-me da boca dela antes de me vir. Ela lambeu os lábios, ofegante, e puxou-me pelo cinto para o chão.
Deitei-a sobre o tapete, o veludo a marcar-lhe as omoplatas, abri-lhe as pernas com os joelhos e enfiei o caralho de um só fôlego até ao fundo, na cona aberta, brilhante, que já não pedia mais nada. Delfina arqueou e cravou as unhas nas minhas nádegas, a puxar-me ainda mais para dentro, e o calor dela apertou-me com uma força que me fez fechar os olhos. Fodi-a assim, fundo, o púbis a bater-lhe no clitóris a cada estocada, e o salão encheu-se do som da pele molhada.
«Olha para mim», mandou ela. «Quero ver-te a perder essa cara de quem mede a luz.»
Olhei-a de frente, como ela mandava. O rosto estava-lhe vermelho, uma gota de suor a descer-lhe da têmpora para a orelha, e cada vez que lhe dava com tudo ela mostrava os dentes como se o prazer fosse uma briga que estava a ganhar. Acelerei o ritmo até a cona lhe fazer um barulho obsceno, a escorrer-lhe para o rabo, e as mamas abanavam-lhe ao compasso, os mamilos escuros a apontar para o tecto pintado de anjos que já não serviam para nada.
Mudei de ângulo, levantei-lhe uma perna ao ombro e entrei mais fundo. Delfina soltou um gemido que quase foi um grito e segurou-me o pulso, não para me afastar, para me mandar continuar exactamente ali. Fodi-a até a sentir a tremer outra vez, a cona a puxar-me em espasmos, e quando ela se veio apertou-me tanto que tive de morder o interior da boca para não a seguir.
Ainda não chegava. Baixei a cabeça e mordi-lhe a anca, do lado esquerdo, onde o osso faz uma curva limpa de tanto treino. Os dentes fecharam-se na carne. Delfina arqueou com um som que misturava dor e fome, as mãos a prender-me a cabeça contra a pele, e voltei a cravar os dentes com mais força até me chegar o gosto a ferro. A pele rompeu e o sangue veio quente, pouco no princípio, depois um fio escuro que me escorreu para o queixo.
Lambei. O sal e o ferro misturaram-se com o cheiro da cona dela, e Delfina puxou-me os cabelos para eu não sair dali.
«Continua», pediu, a voz já sem aquele jogo curto do princípio, uma frase inteira a cair-me em cima. «Morde outra vez. Fode-me enquanto sangro. Não me trates como se isto fosse um limite. Quero o ritmo que me cansa de verdade, Tomás, e ainda não chegámos lá.»
Voltei ao mesmo sítio com os dentes e o sangue pintou-lhe a anca numa mancha irregular. Continuei a foder-lhe a cona com o sabor dela na boca, as estocadas mais lentas agora, mais profundas, a ferida a abrir-se um pouco mais cada vez que a boca regressava à carne. Ela chorava sem parar, lágrimas limpas, e ria ao mesmo tempo, um riso partido que me desgraçou. O medo passou-lhe pelos olhos e ficou, e mesmo assim ela abriu mais as pernas e segurou-me as nádegas para eu não fugir.
Foi no meio de uma estocada que o frio me entrou pela espinha. Não veio da janela. Veio de dentro, uma pressão na base do crânio, uma segunda respiração a acomodar-se no meu peito como se alguém tivesse sentado do lado de dentro das costelas. As mãos ficaram mais fortes sem eu as mandar. A boca, ainda suja do sangue dela, sorriu contra a anca ferida com uma crueldade que reconheci tarde demais.
Delfina viu. Os olhos alargaram-se-lhe, a focagem a mudar, e sei o que ela viu porque o senti a acontecer: a cor a ir-se-me do olhar, o calor humano a ceder a uma escuridão que o salão já conhecia. O corpo pesou diferente. A piça, ainda dentro dela, pareceu crescer-lhe contra o colo, mais dura, mais impiedosa, e a voz que me saiu da garganta não era só a minha.
«Não pares», disse ela, e as mãos, em vez de me empurrarem o peito, puxaram-me para dentro, as unhas a abrir-me os ombros. «Estou a ver. Não me importo. Entra.»
A outra coisa que me habitava gostou daquele convite. Fodi-a com uma violência que já não media, o caralho a sair quase todo e a voltar até ela soluçar, e o sangue da anca escorria-lhe para o tapete num fio fino que o veludo bebia. Delfina não fechou os olhos. Olhou para o que eu já não era só eu, e o terror misturou-se-lhe ao prazer duma forma que a fez molhar ainda mais, a cona a bater-me em espasmos curtos, descontrolados.
Virei-a de barriga para baixo. O rabo dela, firme, marcado pelo treino, ergueu-se quando a puxei pelas ancas, e a ferida da esquerda ficou-me à boca outra vez. Lambei o sangue enquanto lhe abria o cu com o polegar, a saliva e o ferro a servir de tudo o que havia. Delfina gemeu para o tapete, as mãos fechadas no tecido, e empurrou-se para trás contra o meu dedo como quem decide.
«Mete», mandou. «Quero-te no cu. Agora.»
A glande premou o anel apertado. Entrei devagar no princípio, o cu dela a recusar e a pedir ao mesmo tempo, e quando a cabeça passou o músculo Delfina soltou um som agudo que ecoou nas salas seguintes. Esperei que o corpo se lhe abrisse, ela respirou fundo, uma, duas vezes, e depois empurrou-se para trás até me levar mais um pedaço. O calor era outro, mais estreito, mais honesto, e a presença dentro de mim riu baixo, um som que me veio da garganta sem eu o ter escolhido.
Fodi-lhe o cu com o sangue da anca a untar-me o púbis. As estocadas foram curtas no começo, a deixar o músculo habituar-se, e depois mais longas, mais fundas, até as nádegas dela baterem contra mim com um estalido húmido. Delfina chorava de boca aberta, a baba a unir-lhe o lábio ao tapete, e cada vez que eu saía quase todo ela puxava-me de volta com uma mão atrás, nos meus tomates, a recusar o vazio.
«Mais», pediu, a palavra partida. «Dói. Quero que doa. Não sais.»
A outra coisa usou a minha boca para lhe morder o ombro, sem romper, e as mãos para lhe abrir as nádegas e ver o caralho a desaparecer-lhe no cu. O espectáculo era sujo de um modo que o palácio parecia ter esperado. Meti-lhe dois dedos na cona ao mesmo tempo, o polegar no clitóris, e Delfina veio-se comigo no cu, um orgasmo que lhe fechou a garganta e lhe mandou um fio de líquido quente pelos meus dedos abaixo, a escorrer-lhe até ao sítio onde eu a fodia.
Não abrandei sequer. Continuei a foder-lhe o cu naquele aperto, o corpo dela a abanar, as coxas a tremerem sem ritmo, e a ferida da anca rasgou-se mais quando a puxei contra mim. O sangue já não era só um fio. Pintava-lhe a pele numa flor irregular, escura, e a presença lambeu-o com a minha língua como se aquele gosto fosse o contrato.
Delfina virou a cara, uma bochecha no tapete, e olhou-me por cima do ombro. Havia medo verdadeiro naquele olhar, o tipo que aperta o peito, e havia também uma fome que o medo não apagava. Estendeu a mão para trás e tocou-me a cara, os dedos no meu queixo sujo, e puxou-me para um beijo torto, desajeitado, enquanto eu lhe fodia o cu até ao fundo.
«Quem estás a ser», perguntou contra a minha boca, e não esperou resposta. «Fica. Se vais mudar, muda dentro de mim.»
A frase desgraçou-me. A presença e eu, se ainda éramos dois, fodemo-la com tudo o que o corpo tinha, o caralho a abrir-lhe o cu numa cadência que já não pedia desculpa, os dedos outra vez na cona, o polegar a esmagar-lhe o clitóris. Delfina veio-se outra vez, mais fundo, um soluço que lhe durou várias estocadas, e o cu apertou-me em anéis tão fortes que vi estrelas. O salão inteiro cheirava a sexo, a ferro, a cera e a folha molhada, e o retrato na parede, um homem de casaca com os olhos demasiado vivos, parecia ter-se inclinado um palmo.
Senti o orgasmo a subir-me das coxas, uma pressão suja, inevitável, e não tirei. Enterrei-me no cu dela até ao fundo e vim-me assim, aos jorros, o esperma a encher-lhe o interior num calor que ela recebeu com um gemido longo, as unhas cravadas no tapete. Continuei a tremer contra ela, a despejar, a presença a usar o meu corpo até à última gota, e Delfina segurou-me as ancas para eu não sair enquanto o leite lhe escorria já, branco contra o vermelho da ferida, a descer-lhe a coxa.
Foi então que a marca nasceu. A ferida da anca, ainda aberta, escureceu para além do sangue. Uma mancha densa, quase negra, alastrou-se sob a pele como tinta debaixo de vidro, do tamanho da minha boca, e pulsou uma vez, visível, um movimento pequeno e errado. Delfina olhou para baixo, ofegante, e tocou naquilo com dois dedos. Não gritou. Acariciou a borda escura como quem reconhece um trabalho acabado.
A presença saiu-me de um fôlego só. O frio abandonou a espinha e deixou-me oco, de joelhos sobre ela, a piça a amolecer-lhe no cu, a boca a saber a ferro sem eu saber porquê. Pisquei e o salão voltou ao tamanho certo, o retrato outra vez direito. Delfina mexeu-se debaixo de mim e saí dela devagar, atordoado, o esperma a ligar-nos ainda por um fio que se partiu.
Sentei-me no tapete sem perceber o intervalo. Tinha o gosto a sangue na língua e não me lembrava de ter mordido. Delfina vestia o top com as mãos ainda a tremer, os calções puxados até meio da coxa, a mancha escura a arder-lhe na anca esquerda como se tivesse idade. Olhei para as minhas mãos. Estavam limpas a mais e sujas a mais. A boca doía-me. O corpo doía-me duma fadiga que três horas de ensaio não explicavam.
«O que foi isto», perguntei, e a voz saiu-me arranhada, minha outra vez, pequena no salão.
Delfina abotoou o casaco por cima do conjunto de treino e passou a mão pela anca, por cima do tecido. Vi-lhe os dedos a parar. Por baixo da fazenda a marca deu um pulso, um movimento curto que o pano não escondeu de todo, e ela cerrou os dentes como quem sente uma boca do lado de dentro da pele. O olhar que me deitou já não tinha o jogo do princípio. Tinha fome, uma fome que o sexo que eu julgava ter acontecido não tinha fechado, e tinha também uma tristeza limpa, a de quem acaba de perceber que o desejo nunca tinha sido só o de um homem.
«Não te lembras», disse, e não era pergunta. Aproximou-se, beijou-me a boca uma última vez, um beijo breve que soube a hortelã e a ferro, e afastou-se para a porta das cozinhas, a mesma por onde o segurança saíra. «A marca já está a pulsar, Tomás. Sinto-a debaixo da pele como um segundo coração. De noite isto não me vai deixar em paz.»
Abriu a porta. O ar de outono entrou, húmido, cheio de folha e de serra, e Delfina saiu a pé pelo pátio de pedra, o casaco apertado, a mão outra vez na anca como se aquela fome nova já a estivesse a puxar para a escuridão entre os plátanos. Fiquei no salão com o gosto dela na boca e um buraco na memória do tamanho do palácio, a ver a porta a fechar-se, a marca a pulsar-lhe sob os dedos até o escuro a comer.