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Christine Flores

Christine Depois do Casamento

Romance erótico após o casamentoRomance10 min de leitura

Um conto de Christine Flores

Christine vai ao casamento de dois colegas de ofício na quinta, com a peça ainda inacabada no corpo. Depois da cerimónia já não consegue ir só como designer.

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A quinta em Sintra recebia o casamento de dois ourives num jardim de lanternas baixas, e o verão ainda pesava nas pedras quando eu acompanhei Christine Flores até as cadeiras da cerimônia. Ela tinha vindo como designer da peça inacabada que pendia no colo, pérolas de família que o noivo encomendara e que ela ainda não tinha fechado, e eu estava ao lado dela sabendo que a pose pública era o que ela tinha prometido guardar. Os noivos eram adultos do mesmo ofício, os convidados também, e a noite inteira se desenrolava entre gente que já tinha idade para jurar e para pecar. Christine segurou o programa de papel entre os dedos e não me olhou enquanto as alianças passavam, mas o tecido do vestido subia pela coxa cada vez que ela cruzava as pernas, e eu senti o calor dela mesmo sem tocar.

Ela tinha dito que iria ao casamento como designer, não como a minha mulher, e eu respeitei a frase até o último aplauso. Um ourives conhecido passou por nós com uma taça e disse, sem baixar a voz, que Vicente Rocha tinha sorte de acompanhar quem fazia a encomenda, e Christine sorriu o sorriso que ela usa quando não quer que o elogio assente. Depois da cerimônia a festa se espalhou pelos salões abertos, o jasmim subia dos muros, e ela dançou uma vez com a noiva por cortesia, o corpo composto, a postura de quem cresceu em palco sem nunca se oferecer de graça. Eu a observei do batente da porta e vi o colar tremer no oco da garganta cada vez que ela ria. Quando voltou para mim, o vestido já estava um pouco amassado na cintura, e os olhos dela não pediam permissão.

«Se a gente ficar aqui», disse ela, rodeando o que queria sem nomear o quarto, «eu vou fingir que a peça é só trabalho.» Eu não respondi com discurso. Peguei a mão dela e atravessamos o corredor dos hóspedes, a música da festa ficando para trás como um rumor que já não nos pertencia. O quarto era pequeno, com janela para o pomar e uma cama de linho claro, e ela fechou a porta com as duas mãos, encostando a testa na madeira um segundo, como se o gesto lhe custasse mais do que admitia. Quando se virou, o colar inacabado batia no peito e o vestido de convidada ainda a vestia inteira, e eu a encostei na porta sem pedir, a boca na boca dela, a língua já procurando o gosto de vinho e de nervoso.


Ela gemeu contra os meus dentes e eu a levantei um pouco, a coxa dela abrindo sobre a minha, o tecido fino subindo até a virilha. Eu desci de joelhos no chão frio e meti a cabeça por baixo da saia, o cheiro dela me acertando antes mesmo de eu tocar, quente, já molhada, a calcinha estreita colada na fenda. Puxei o tecido para o lado com os dedos e lambi a buceta dela com a língua larga, devagar no começo, sentindo os lábios incharem contra a minha boca. Christine segurou meu cabelo através do vestido e abriu mais as pernas, o salto raspando o chão, e eu chupei o clitóris com a pressão que ela gosta, sem pressa de chegar, só de ouvir o som que ela fazia quando a pose caía.

O vestido abafava os gemidos, mas eu sentia o corpo inteiro tremer contra a porta. Lambi de baixo para cima, entrei com a língua, voltei ao clitóris e fiquei ali, o queixo molhado, as mãos segurando as coxas dela por baixo do tecido. Ela tentou falar e a frase saiu quebrada, um pedido e uma recusa no mesmo fôlego, e eu não parei. Continuei chupando até as pernas dela fraquejarem, até o gosto ficar mais grosso, até ela puxar meu cabelo com força demais para ser só carinho. Quando gozou, gozou em silêncio primeiro, a barriga contraindo, a buceta latejando na minha boca, e só depois soltou um choro curto que não era só prazer. Eu bebi aquilo. Fiquei de joelhos até o tremor passar, a saia caindo de volta sobre a minha cabeça, o colar dela tilintando em algum lugar acima de mim.

Levantei o rosto ainda molhado e vi os olhos dela vermelhos no canto, não de arrependimento, de uma coisa mais antiga que ela não publica. «Não para», disse ela, e a voz veio baixa, genuína, sem a volta elegante com que ela costuma desviar o que sente. Eu beijei a coxa por dentro, o tecido ainda no caminho, e subi o corpo colado ao dela até a boca alcançar a boca. Ela lambeu o próprio gosto nos meus lábios e isso a fez fechar os olhos com uma dor que os dois queríamos ali, àquela hora, naquela porta fechada.


Christine deslizou para o chão com o vestido ainda no lugar e abriu meu cinto com as duas mãos, o colar batendo no peito cada vez que ela se inclinava. Tirou o pau para fora já duro e passou a língua na cabeça com uma demora que era provocação e também decisão, olhando para cima para ver se eu acompanhava o que ela não dizia. Eu segurei o batente da porta e deixei ela trabalhar. Ela me meteu na boca fundo, a garganta cedendo, a saliva escorrendo pelo queixo, e chupou com um ritmo sujo, sem a graça de vitrine, só a fome de quem tinha esperado a cerimônia inteira para ajoelhar.

A cada descida eu sentia o fundo da garganta dela e puxava o ar pelos dentes. Ela usou a mão na base, torceu, chupou só a cabeça com os lábios apertados e depois engoliu de novo até o nariz encostar no meu ventre. O vestido abria no decote quando ela se inclinava, as pérolas inacabadas oscilando, e eu meti os dedos no cabelo dela sem guiar demais, só para sentir o movimento. Christine puxou o pau da boca, ofegante, um fio de saliva ligando os lábios à cabeça, e disse que queria isso sem lente, sem ângulo, sem a mentira de que era só ofício. Depois voltou a chupar como se a frase tivesse soltado alguma trava, mais fundo, mais molhado, os olhos marejados de esforço e de uma angústia que ela não escondia.

Eu avisei que ia gozar se ela continuasse daquele jeito, e ela não se afastou. Apertou as mãos nas minhas coxas e me recebeu na garganta até eu transbordar, o gosto salgado enchendo a boca dela, um pouco escorrendo pelo canto dos lábios e caindo no decote. Ela engoliu o que pôde e passou a língua no que restou, o queixo brilhando, a respiração irregular. Ficou de joelhos um instante a mais, a testa encostada na minha barriga, e eu senti o choro dela sem lágrima grande, só aquele aperto no peito de quem tinha cruzado uma linha que o trabalho não cobre. Eu a levantei pelos braços e beijei a boca amarga, e ela retribuiu com língua e dente, ainda vestida de convidada, ainda com a encomenda no colo, já outra.


Virei Christine contra a parede ao lado da cama e ergui o vestido até a cintura, a calcinha já deslocada, a buceta escorrendo na coxa. Encostei o pau ainda molhado da boca dela na entrada e entrei de um empurrão só, fundo, o gemido dela batendo na parede. Fodi de pé, as mãos na bunda dela, o salto dela arranhando o chão, o colar tilintando a cada estocada. Ela empurrava para trás para me receber inteiro, a testa na parede, a voz pedindo mais sem floreio. O quarto cheirava a jasmim que entrava pela janela e a sexo, e a festa continuava longe, inútil.

Tirei o pau, virei ela e a levei até a cama, deitei Christine de bruços com o vestido amontoado nas costas e entrei de novo por trás, mais fundo nessa posição, as mãos agarrando o quadril. Ela enterrou o rosto no linho e gemeu com a boca aberta, a buceta apertando a cada investida, molhada demais, quente demais. Fodi com força sem machucar, o corpo batendo no corpo, a palma da mão descendo na nádega só o bastante para o som, e ela pediu outra, pediu para eu não suavizar. Virei ela de frente, puxei o decote para baixo, a boca num peito, o pau voltando para dentro, e fiquei olhando o rosto dela enquanto metia. Os olhos estavam cheios. Não de recusa. De uma coisa que doía e que ela queria sentir até o fim.

«Goza dentro», disse ela, e não rodeou. A frase saiu clara, adulta, sem virar decisão de bancada. «Eu quero ser escolhida no ofício e no corpo, Vicente, sem câmara.» Eu segurei o rosto dela com uma mão e fodi mais fundo, mais curto, o baixo ventre colado no dela, e senti o orgasmo subir pelas coxas. Ela gozou primeiro, a buceta pulsando em volta do pau, um choro solto no pescoço, as unhas nas minhas costas, e eu despejei dentro logo depois, quente, grosso, enchendo ela enquanto ela pedia para eu não sair. Ficamos assim, eu ainda duro por dentro, o sêmen vazando um pouco quando eu me mexi, o vestido de convidada destruído na cintura, as pérolas tortas no colo. Christine passou a mão no meu cabelo e riu um riso quebrado, o tipo de riso que vem depois de admitir demais, e eu beijei o canto molhado do olho dela porque os dois queríamos aquela dor à mostra.


Mais tarde o vestido estava no chão e o colar fora do pescoço, as pérolas espalhadas sobre a mesa como um trabalho que tinha mudado de dono sem papel. Christine ficou nua na cama, a pele marcada da roupa e das minhas mãos, e eu a cobri com o corpo devagar, a boca no peito, na barriga, de novo na buceta já sensível, lambendo o que tinha escorrido de nós dois. Ela abriu as pernas sem pressa e me puxou para cima, me guiou para dentro outra vez, e dessa vez foi lento, fundo, cada entrada um reconhecimento. Eu sentia o próprio gozo anterior escorregadio, a carne dela inchada, o jeito como ela prendia a respiração quando eu encostava no ponto certo.

Fodemos assim por um tempo que a festa lá fora não media. Ela falou baixo, perto da minha orelha, e pela segunda vez na noite rodeou o que sentia falando do ofício, do que tinha herdado em filigrana e do que recusava copiar, e disse que a peça agora carregava os dois e que isso não se vendia. Ofereceu o colar como coisa que não ia para as redes, não ia para vitrine, não ia para a pose que sustentava a marca. Eu entrei até o fim e fiquei, rebolando curto, a boca na boca, e ela chorou de verdade dessa vez, um choro quieto de alívio e de medo, e me pediu para não parar. Gozei outra vez dentro, menos fúria, mais peso, e ela recebeu com as pernas cruzadas nas minhas costas, o corpo inteiro dizendo sim para uma coisa que ia custar a pose.

Ficamos deitados depois, o suor esfriando, o jasmim ainda entrando pela janela. Christine pegou uma pérola da mesa e a rolou entre os dedos, o olhar longe, e eu não enchi o silêncio com elogio porque ela nunca deixa o elogio assentar. Só encostei a boca no ombro dela e senti o ofício mudar de lugar, do peito dela para um sítio que não tem legenda.


Voltamos um instante à festa porque sair sem aparecer teria sido outra mentira, e o salão ainda estava cheio de taças e de gente do metal. Christine tinha o vestido ajeitado o bastante, o colar de novo no colo, agora com um sentido que ninguém ali lia, e eu caminhei ao lado dela sem encostar demais. A noiva beijou o rosto de Christine e falou da encomenda como se ainda fosse só joia, e Christine agradeceu com a compostura antiga, aquela que a dança e as reuniões de família lhe ensinaram a vestir. Por baixo da compostura eu via o tremor na mão, o sêmen ainda nela, a decisão já tomada de não publicar o que o corpo tinha feito.

Dançamos metade de uma música por dever, o jardim de Sintra piscando ao fundo, o verão grudado na pele. Ela encostou a boca no meu ouvido e disse que o próximo trabalho já ia levar aquilo lá dentro, e que não sabia mais fazer só o que decidia com a cabeça. A frase doeu nela e doeu em mim, e os dois seguramos a dor como se fosse parte do contrato íntimo, não um acidente. Quando a música mudou, saímos juntos pela alameda de pedra, a quinta ficando para trás com as lanternas e os ourives e a festa que não pedia mais a nossa pose.


No carro, Christine segurou o colar contra o peito e olhou a estrada de Sintra sem falar por um trecho longo. Eu dirigi com a mão no joelho dela, sentindo o calor que ainda não tinha baixado, e ela não se afastou. A peça privada ia no corpo, fora das redes, e o ofício dela já não sabia se fazer sem isso, e nenhum de nós fingiu que aquela conta estava fechada. O que ela é quando deixa de se publicar ficou no banco de trás, inacabado como as pérolas, vivo como o que eu tinha deixado dentro dela, e a noite de verão acompanhou a gente descendo a serra sem oferecer resposta.