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Christine Flores

Christine no Ateliê Depois de Fechar

Romance erótico para lerRomance12 min de leitura

Um conto de Christine Flores

Christine fecha o ateliê em Lisboa para um comprador que quer uma peça com memória, não o que ela publica. Ele acompanha a provocação dela. No banco de trabalho a encomenda deixa de ser só ofício.

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A porta do ateliê fechou-se com o ferrolho, e o ruído ficou preso entre as vitrines como se a rua tivesse sido deixada do lado de fora. Naquela rua estreita de Lisboa a primavera cheirava a pedra húmida, e a noite já tinha esvaziado os passeios até não restar passo nenhum. Christine apagara a montra e deixara aceso apenas o candeeiro da bancada, que deitava um círculo amarelo sobre o feltro verde onde as pérolas da minha família esperavam, cada uma retirada de um colar que já ninguém punha ao pescoço. Não vim ver o que ela publicava. Vim porque a peça tinha de carregar memória, e porque ela tinha concordado em ficar depois de fechar.

O telemóvel estava virado contra a madeira, e não olhei para o ecrã. Olhei para as mãos dela e para o trabalho que aquelas mãos já tinham começado a ordenar sobre o feltro.

«Não quero o que mostras nas redes», disse-lhe, e a frase saiu baixa, sem espaço para o elogio que outros talvez lhe pusessem em cima. «Quero saber como vais decidir cada escolha. O peso. O sítio onde toca a pele. O fecho.»

Christine Flores, com vinte e dois anos, não deixou o recado assentar como lisonja. Tinha a compostura quieta de quem se aguenta direita, os ombros alinhados, a boca já a sorrir de lado. Andou em volta da bancada, tocou uma pérola com o indicador e depois outra, e o rodeio da conversa ficou no ar para ser apanhado ou perdido.

«O que foi passado de mão em mão não se copia», disse ela. «Decide-se o que se recusa. Isso não cabe num ecrã, Vicente.»

Aproximei-me até o candeeiro nos apanhar a ambos. A camisa branca, aberta um botão além do ofício, mostrava a clavícula e o princípio dos peitos. Christine olhou-me por cima do ombro e não recuou. O ateliê cheirava a cera de polir e a metal quente, e o silêncio entre nós já tinha deixado de ser de encomenda.

«Como se decide o fecho», perguntei.

Ela riu baixo, um som que dava a volta ao sentido e esperava para ver se eu seguia.

«Depende de quem a vai usar. E de quanto tempo essa pessoa está disposta a esperar.»

Fiquei-lhe atrás. As palmas pousaram na madeira, uma de cada lado da cintura dela. O calor da nuca subiu-me à boca antes de haver tempo de fingir que ainda estávamos só a falar da peça. Christine inclinou a cabeça e ofereceu o pescoço como quem testa se o outro continua. Continuei, porque aquele convite não pedia outra resposta. Os lábios encontraram-lhe a pele abaixo da orelha. Ela soltou o ar sem fingir que não queria. Os dentes roçaram-lhe o ombro através do algodão da camisa, e as mãos dela, que tinham estado a ordenar pérolas, fecharam-se sobre o feltro.

«Ainda estamos a falar da peça», murmurou, e o riso por baixo da frase desmentia-a.

«Estamos», respondi contra a pele. «E estás à espera que eu não pare.»

Ela empurrou o rabo para trás, um movimento pequeno e certo, e o contacto fez-me endurecer contra ela de imediato. A saia de linho subiu quando as palmas desceram pelas ancas. Não havia ninguém na rua, e o estore cortava a cidade até a deixar do outro lado do vidro. Christine abriu as pernas o bastante, e senti o calor das coxas ainda antes de lhe tocar no pano. Quando os dedos lhe encontraram a cueca, já estava encharcada.


Levantei-a para a bancada como se o feltro tivesse sido talhado para aquele peso. As pérolas resvalaram para a margem, um clique miúdo de nácar contra a madeira, e Christine abriu as coxas sem que fosse preciso pedir. A saia ficou encostada à barriga. Puxei-lhe a cueca pelo tornozelo e fiquei entre os joelhos dela, a olhar para a cona já brilhante, os lábios escuros e o clitóris inchado à espera da boca.

A língua pousou-lhe ali com fome e sem nenhuma vontade de parecer delicada. Lambei-lhe de baixo até ao clitóris, devagar, e senti-a a tremer nas palmas. As coxas tentaram fechar-se e renderam-se no instante seguinte. Christine cravou os dedos no cabelo e puxou, não para afastar, para prender. O gosto dela era pele e humidade quente. Chupei-lhe o clitóris com os lábios apertados até ela soltar um som que aquele ateliê não conhecia.

«Vicente.» O nome saiu-lhe cortado, a respiração já sem pose. «Não pares.»

Não parei. A língua entrou-lhe na cona, funda, e voltei ao clitóris num ritmo que a fazia erguer o rabo da madeira. Os peitos subiam debaixo da camisa. Abri-lhe os botões com uma mão, encontrei os mamilos duros e apertei um enquanto a boca trabalhava entre as pernas. Christine arqueou-se, a nuca quase a tocar o candeeiro, a luz a bater-lhe na garganta. Molhava-me o queixo. Os gemidos vinham baixos, contidos, como se ainda quisesse guardar o ofício intacto, e depois já não conseguiu. Veio-se contra a boca com as pernas a tremerem, a cona a apertar-se num calor que me encheu a língua, e continuei a lamber até ela puxar o cabelo com uma força que já não era elegante.

A respiração dela encheu o silêncio. Olhei-a de baixo, a boca ainda húmida dela, e vi que o sorriso de lado tinha falhado. Christine passou a língua pelos lábios e puxou-me para cima pelo cinto, as pernas ainda abertas sobre o feltro, a camisa caída dos ombros.

«Agora tu», disse ela, e a voz tinha recuperado o fio, embora as mãos já me estivessem a abrir o cinto.


Ajudei-a a descer da bancada o bastante para se ajoelhar no chão de madeira, e as pregas da saia marcaram-se no pó fino do ateliê. Christine abriu-me as calças com uma calma que era ela a decidir o tempo, puxou a roupa interior e tirou-me o caralho já duro, quente na palma. Olhou para cima, à espera de ver se aguentava o olhar, e depois meteu-me a cabeça na boca de um só movimento, fundo, até a garganta se fechar à volta.

O calor foi imediato e sujo. A língua dela trabalhava por baixo enquanto os lábios desciam até à raiz, o nariz encostado à pele, e um som húmido encheu o espaço entre nós. Peguei-lhe no cabelo sem puxar de verdade, só para sentir o movimento, e ela deixou, os olhos abertos, a saliva a escorrer-lhe para o queixo. Christine chupava como quem não tem pressa de ser elogiada, fundo, até as bolas lhe tocarem o lábio, e quando recuava era só para respirar e voltar a engolir-me até ao fundo.

«Assim», disse-lhe, e a voz saiu rouca. «Até ao fim.»

Ela fez exactamente isso. A garganta abriu-se, os olhos marejaram sem ela se queixar, e o caralho desapareceu-lhe na boca até eu sentir o aperto fundo, quente, quase intolerável. As mãos dela agarraram-me as coxas e puxaram, ela própria a mandar no ritmo, a cabeça a balançar, a saliva a brilhar-lhe no queixo e nos peitos descobertos. O ateliê, as pérolas, a encomenda, tudo recuou para a margem da luz. Havia só a boca dela, a disciplina dela a falhar de propósito, e o prazer a subir-me pelas costas com uma violência que não ia conseguir aguentar muito tempo.

Puxei-a pela nuca antes de me vir. Christine soltou-me os lábios com um fio de saliva ainda a ligar-nos, a boca vermelha, e levantou-se sozinha, as pernas já a tremerem outra vez. Empurrou-me o peito com a palma e sentou-se de novo na bancada, as coxas abertas, a cona à vista, molhada, à espera.

«Mete», disse ela. «De frente. Quero ver-te.»


Entrei nela de um só fôlego, o caralho a deslizar-lhe pela cona até ao fundo, e o gemido que ela soltou bateu-me no pescoço. Christine cruzou as pernas à volta da cintura e puxou-me para dentro ainda mais, os calcanhares nas costas. Comecei a foder-lhe com pancadas fundas. A bancada rangeu. As pérolas saltaram outra vez para o lado. Os peitos abanavam-lhe a cada embate. Segurei-lhe a anca com uma mão e o queixo com a outra, obrigando-a a olhar, e ela olhou, a boca aberta, a pose a desfazer-se à medida que eu lhe batia com o corpo.

«Mais», pediu ela, e a palavra não era um rodeio. «Fode-me a sério.»

Aumentei o ritmo. A cona dela apertava-me a cada saída, molhada ao ponto de se ouvir, e o cheiro a sexo misturou-se com a cera e o metal. Christine cravou as unhas nos ombros e veio-se outra vez, mais fundo, o corpo a fechar-se à volta do caralho num espasmo que me fez ranger os dentes para não a acompanhar. Não parei. Virei-a sobre o feltro, de quatro, a saia na cintura, o rabo alto, e voltei a entrar-lhe de trás com uma pancada que lhe fez baixar a cabeça contra a madeira.

Fodia-lhe o rabo contra as ancas, as mãos agarradas à cintura dela, a ver o caralho desaparecer-lhe na cona e sair brilhante. Christine gemia contra o feltro, os dedos brancos à força de se agarrarem à borda da bancada, e cada vez que eu lhe ia ao fundo ela empurrava para trás, a pedir mais, a recusar qualquer suavidade. O prazer subia-me já sem travão. Puxei-me para fora no último instante, agarrei o caralho e vim-me-lhe sobre o ventre, o esperma quente a cair-lhe na barriga e a escorrer-lhe para o linho da saia, marca branca sobre a pele ainda a tremer.

Ficámos assim um tempo, a respirar. Christine passou dois dedos pelo ventre, olhou para o que eu lhe tinha deixado, e riu aquele riso baixo que dava a volta às coisas. Não pediu desculpa. Não pediu um pano. Limpou-se com a própria camisa, devagar, e só depois desceu da bancada, as pernas ainda inseguras, e foi à casa de banho do fundo do ateliê sem fechar a porta de todo.


Voltou com a camisa abotoada ao contrário e o cabelo preso de qualquer maneira. Pôs água a aquecer num copo porque não havia chá, encostou a anca à bancada e olhou para as pérolas como se o resto da noite pudesse ainda ser ofício. O candeeiro fazia-lhe uma sombra comprida no chão. Sentei-me no banco alto do outro lado, as calças fechadas à pressa, e fiquei a vê-la escolher uma pérola, recusá-la, escolher outra.

«A filigrana da tua avó era mais fechada do que isto precisa de ser», disse ela, e a frase vinha limpa, técnica, como se o meu caralho não lhe tivesse estado dentro há minutos. «Se copiar o desenho antigo, a peça fica arquivo. Se abrir o fio, fica a memória sem ficar o museu. É isso que recuso copiar.»

«E o fecho», perguntei, porque o assunto não tinha saído do sítio.

Christine girou a pérola entre o polegar e o indicador, a luz a apanhá-la, e não respondeu com o que tinha sentido. Respondeu com o modo como a coisa ia ser decidida.

«O fecho tem de aguentar o peso sem se ver. Invisível, ou tão visível que passa a ser o centro. Ainda não sei. Isso decide-se com a peça na mão, não com a boca cheia de teorias.»

Sorri. Ela viu o sorriso e não o deixou crescer. Havia uma fissura na compostura, um calor ainda no pescoço, e quando passou por mim para alcançar o alicate pequeno, o quadril tocou-me de propósito. Fiquei-lhe com o pulso. Christine não retirou a mão. Olhámo-nos por cima das ferramentas, e o ateliê, que tinha recuperado a ordem das pérolas, voltou a ficar pequeno.

«Outra vez», disse ela, muito baixo. «Contra a bancada. E não sejas educado.»


Virei-a contra a madeira antes que o alicate tocasse o feltro. A saia subiu outra vez, a cueca que ela tinha voltado a vestir desceu até aos joelhos, e entrei-lhe de um jacto seco, fundo, o corpo a pregá-la à bancada. Christine arqueou as costas e segurou a pose, os cotovelos firmes, a cabeça direita, como se ainda pudesse ser a mulher que fecha o ateliê e discute fechos. Fodi-a mais bruto do que da primeira vez, as ancas a baterem-lhe no rabo com um som claro, uma mão na nuca a mantê-la contra a madeira, a outra a apertar-lhe o peito por baixo da camisa.

Ela aguentou. Os gemidos saíam-lhe entre os dentes, contidos, a pose a tremer mas ainda de pé. Fodia-lhe a cona com pancadas longas e duras, o caralho a ir ao fundo, e a cada embate sentia-a molhada até escorrer pelas coxas. A bancada deslocou-se um palmo. Uma pérola caiu no chão e rolou contra o rodapé. Não parei.

«Como é que o fecho vai ser decidido», perguntei-lhe ao ouvido, a foder-lhe sem abrandar, a boca contra o cabelo. «Diz-me agora.»

Christine abriu a boca e o que veio primeiro não foi técnico. Veio um som, quase uma frase sobre o que estava a sentir, o corpo a abrir-se, a pose a falhar no meio. Cortou. Engoliu o resto e agarrou-se à borda da madeira com os nós brancos.

«Decide-se pelo peso da última pérola», disse, a voz partida, a tentar o ofício. «Se puxar demais, o fecho tem de ser...»

Não acabou. Veio-se com um grito baixo, as pernas a cederem, a pose a ir abaixo de uma vez, o corpo todo a tremer contra a bancada enquanto eu continuava a foder-lhe através daquilo, fundo, sem lhe dar tempo de recuperar a compostura. A cona apertou-me numa sequência de espasmos que me puxaram com ela. Vim-me dentro, desta vez, o calor a bater-lhe no fundo, as ancas coladas ao rabo dela, a respiração a falhar-me contra a nuca. Christine ficou dobrada sobre a madeira, a testa no feltro, a boca aberta, e só muito depois as mãos dela afrouxaram.

Descolei-me dela com lentidão. Ela não se endireitou logo. Quando se endireitou, puxou a cueca, alisou a saia com as palmas, e o gesto tinha a mesma disciplina de sempre, só que as pernas ainda não lhe obedeciam de todo.


Christine alinhou as pérolas outra vez, uma a uma, como se o feltro pudesse apagar o que tinha acontecido em cima dele. A camisa continuava abotoada ao contrário. Falou só da peça. O ouro tinha de ser mais claro do que o da filigrana antiga, o fio mais aberto na curva que ia tocar a pele, e o fecho, esse, só o decidiria quando tivesse a última pérola pesada na mão. Não falou do que tinha sentido. Não falou da boca, nem da bancada, nem do que eu lhe tinha deixado no ventre e depois dentro.

Ouvi-a até ao fim. Depois tirei do bolso o molho pequeno que tinha trazido sem saber se o ia oferecer.

«Há um apartamento no prédio onde vivo», disse-lhe. «Vazio. Luz de norte, mesa larga, sossego para o trabalho. Ficas com as chaves enquanto a peça não fechar. Para as pérolas. Para não estares aqui a estas horas com a montra apagada.»

Christine olhou para as chaves na palma, não para mim. Fechou os dedos sobre o metal, pesou-o como pesava uma pérola, e acenou. O aceno era de ofício. Guardou as chaves no bolso da saia, ao lado do telemóvel, e voltou a falar do ouro claro e do fio aberto, a voz já outra vez limpa, a compostura no sítio. Não disse porquê tinha aceitado. Não perguntou em que andar eu dormia, nem se a porta do prédio dava para o mesmo patamar. Ficou ali, de pé no ateliê dela, com as chaves de um sítio meu, a falar da encomenda como se o banco de trabalho tivesse servido só para isso, e o ferrolho da porta, por detrás de nós, continuava corrido sobre Lisboa.