
Chloe Entre Andares
Conto erótico no elevadorTabu13 min de leitura
Um conto de Chloe Thompson
O elevador de um prédio de escritórios em Lisboa pára entre andares com Chloe Thompson e o diretor de arte que a acabou de contratar. Sem rede e sem saída, ele fala-lhe com uma calma que ela não pediu. O espelho e o calor fazem o resto.
O elevador do prédio de escritórios fechou as portas sobre o calor de Lisboa e sobre o cheiro a pedra quente que subia do átrio. Chloe Thompson entrou à minha frente. O vestido claro trazia ainda as marcas do ensaio no piso de cima, e ela carregou no rés-do-chão com o dedo indicador tinto da maquilhagem desse mesmo ensaio. Tinha vinte e três anos e uma maneira de se virar para o desconhecido como se o corredor fosse a rua onde cresceu. Aos quarenta e um, fiquei ao lado dela com a pasta do contrato debaixo do braço. O reflexo dos dois ocupava o espelho do fundo da cabina. O verão colava-me a camisa às costas.
A cabina desceu dois pisos e parou com um solavanco que nos atirou um contra o outro. As luzes tremeram. O ecrã por cima das portas perdeu os números e ficou numa linha morta, sem piso, sem seta, sem nada que dissesse onde estávamos. Tirei o telemóvel do bolso. Não havia rede, nem uma barra, nem o mínimo sinal de que o prédio ainda existisse lá fora. O silêncio do poço entrou-nos pelos ouvidos com uma lentidão quase física, como se o metal tivesse peso.
Chloe riu-se baixinho. O som era claro demais para aquele espaço de aço, e ela passou a mão pelo cabelo que o calor começava a soltar da arrumação. «Então é assim que se recebe gente nova em Lisboa.» O tom era brincalhão e deixava um vão à espera, como se a frase não ficasse completa sem a minha. Olhei para ela no espelho. A pele tinha o brilho fino da tarde. Quando se encostou à parede, o vestido subiu-lhe um pouco nas coxas.
«Costuma acontecer», disse-lhe, e a voz saiu mais calma do que o pulso. «Não dura muito, em geral.»
Ela virou a cabeça e mediu-me sem pressa. «O treinador da academia mandou-me voltar só quando conseguisse não sorrir.» A frase ficou ali, uma linha só. O sorriso que lhe era hábito abriu-se-lhe na mesma, traidor, como se o corpo recusasse a ordem. Encostei o ombro ao espelho e perguntei-lhe da Califórnia, de onde vinha ao certo, se o calor desta cidade se parecia com o dela. Falei baixo, sem pressa. A doçura saiu-me da boca sem plano nenhum, o suficiente para ela perceber que a pergunta não ia a jogo.
Ela ouviu-me como se aquela pergunta fosse um sítio onde se podia entrar. «De um bairro onde se cumprimenta quem passa. Gosto quando um homem pergunta a sério.» Chegou-se para mim e o vestido roçou-me os joelhos. «Tu perguntas a sério, Tomás?»
O meu nome na boca dela aconteceu assim, simples, sem aviso. O peito apertou-se-me. «Pergunto.»
Beijou-me. Não foi um beijo de agradecimento pelo contrato, nem o cumprimento apressado de quem quer sair da cabina. Foi a boca dela a abrir-se sobre a minha com uma fome que contrastava com a delicadeza das mãos no colarinho. O calor da cabina subiu-nos entre os corpos, preso, sem ter para onde ir. A língua dela era doce e atrevida. O som que me escapei para dentro da boca fez-lhe apertar os dedos na nuca. Empurrei-a contra o espelho. A palma abriu-se-lhe nas costas, firme, e a coxa encaixou-se-me entre as pernas. O vestido subiu-lhe com o movimento. Estava quente por baixo do algodão. Molhada já, a ponto de as cuecas se sentirem através do tecido quando a púbis se esfregou contra mim.
«Isto», murmurou contra a boca, «não é o que um diretor faz no primeiro dia.»
«Diz-me para parar.»
Não disse. Beijou-me outra vez, mais fundo, e a mão dela desceu-me para o cinto.
A fivela cedeu entre os dedos dela e o peso das calças puxou-me para baixo até o cinto me ficar a meio das coxas. Quis a boca outra vez, mas o que o corpo pediu foi o resto. Beijei-lhe o pescoço. Beijei-lhe o peito por cima do vestido, o tecido a marcar-lhe os mamilos com o calor da boca e da cabina. Depois ajoelhei-me no chão quente. As palmas subiram-lhe as pernas até às ancas. Levantei-lhe o vestido até à cintura. As cuecas eram uma tira clara, já escura no meio, colada à fenda. Puxei-lhas pelos joelhos abaixo. Ela abriu as pernas. Encostei a boca à cona.
O cheiro dela era a pele limpa e a um azedume doce de verão. Lambi-lhe a fenda devagar, de baixo para cima, e o clitóris inchou-me contra a língua à segunda passagem. Chloe prendeu-me a cabeça com as duas mãos e encostou o rabo ao espelho. A respiração partia-se-lhe no peito. «Assim. Não pares.» Chupei-lhe o clitóris com os lábios. Meti-lhe dois dedos dentro, curvados, à procura daquele ponto que a fez soltar um som que o poço engoliu. Estava tão molhada que os dedos lhe entraram sem esforço. As paredes fecharam-se-me em volta com uma lentidão gulosa.
Fodi-a com os dedos no ritmo da língua, o polegar a abrir-lhe os lábios. Vi-lhe a cara no espelho por cima do ventre: a boca aberta, o olhar a tentar ficar comigo e a falhar a cada passagem da língua. As coxas tremeram-lhe contra as orelhas. Apertou-se-me nos dedos, um espasmo fundo que lhe veio do meio das ancas, e veio-se-me na boca com um gemido baixo e comprido. O líquido escorreu-me pelo queixo enquanto continuava a lamber, a beber, a não lhe dar descanso. O sabor ficou-me na língua, grosso, vivo. Ela puxou-me o cabelo e mesmo assim não fechei a boca. Queria mais daquilo, mais do tremor, mais da mulher que se abria contra o vidro como se o prédio inteiro pudesse ouvir e ela tivesse escolhido não se importar.
Quando as pernas lhe falharam, segurei-lhe as ancas. Beijei-lhe a pele da coxa, do lado que o vestido ainda escondia, a boca molhada do que ela me tinha dado. Chloe olhou para baixo, o peito a subir-lhe depressa, e o sorriso voltou-lhe numa versão desfeita, quase descrente. «Tu ajoelhas mesmo», disse, e havia na voz uma bondade provocadora que me devolvia o gesto que acabara de fazer, obrigando-me a decidir se aquilo era carinho ou um empurrão. «A Califórnia não me avisou disto.»
Levantei-me. O joelho doía do chão e o pau estava tão duro que me doía o tecido da cueca, ainda puxada. Chloe puxou-ma abaixo comigo, o cinto a prender-me as calças nos joelhos, e passou-me a mão ao longo do comprimento. O polegar espalhou o que já me escorria da cabeça. Beijei-a com o gosto dela ainda na boca e ela lambeu-me os lábios como quem aceita o recado. «Mete-o», pediu, a voz baixa, sem teatro. «Quero-te agora.»
Agarrei-lhe as coxas. Levantei-a contra a parede ao lado do espelho. O rabo bateu-lhe no metal frio e o vestido amontoou-se entre nós. Encostei-lhe a cabeça do pau à cona, ainda escorregadia, e entrei duma só vez até ao fundo. O calor dela fechou-se-me em volta com uma pressão que me tirou o ar. Chloe prendeu-me o pescoço com os braços e gemeu contra a boca, um som aberto, sem vergonha. Comecei a fodê-la assim, fundo. As ancas batiam-lhe nas coxas. O cinto tinia-me nos joelhos a cada estocada. O pau saía-lhe brilhante e voltava a desaparecer, e ela olhava para baixo entre os corpos como se quisesse ver o que lhe estavam a fazer.
«Que cona tão boa, amor», disse-lhe ao ouvido, asneira em tom de quem fala na cama a uma namorada, a voz baixa e contínua. «Apertas-me assim porque gostas. Diz que gostas.» Ela acenou, a boca aberta, e voltei a meter-lho até ao púbis, lento de propósito, para ela sentir cada centímetro. «Foste feita para teres um pau dentro, Chloe. O meu. Assim, contra a parede, com as pernas à volta.» Ela riu-se no meio dum gemido, aquele riso curto que lhe era hábito, e mordeu-me o ombro por cima da camisa. Fodi-a mais depressa. O som da pele molhada encheu a cabina, obsceno, ritmado, e ela começou a mexer as ancas ao encontro das minhas, a decidir o ângulo, a usar-me tanto quanto a usava.
O espelho devolvia-nos os dois: eu de calças pelos joelhos, ela de vestido na cintura, as coxas abertas, o pau a entrar-lhe com uma clareza que não deixava nada à imaginação. Chloe viu-se nisso e não desviou os olhos. Apertou-me com as pernas e pediu mais, pediu fundo, pediu para não parar, e cada pedido vinha dentro dum beijo ou contra o meu pescoço, a voz dela a tremer de prazer e de uma ousadia que crescia à medida que a cabina recusava mexer-se.
Foi ela quem olhou primeiro para o teto. O queixo ergueu-se-lhe enquanto a fodia, e o olhar prendeu-se num ponto pequeno, encastrado no painel, um olho de vidro que não piscava. «Tomás.» O nome saiu-lhe entrecortado pela estocada. «Há uma câmara.»
Não saí de dentro dela. Segurei-lhe o rabo, os dedos bem abertos na carne, e continuei o movimento, mais lento, para ela sentir que tinha ouvido e que mesmo assim não ia parar. «Está a ver-te com o pau dentro. A ver-te assim, molhada, a pedir.» Chloe respirou fundo e não tapou nada, nem o peito, nem o sítio onde os corpos se juntavam. Olhou para a câmara com os olhos muito abertos e depois olhou para mim. O que lhe passou pela cara não foi medo. Foi uma decisão, nítida, a mesma com que tinha carregado no botão do rés-do-chão.
«Deixa», disse. «Quero. Não tapes.»
Beijei-a por isso, a boca aberta sobre a dela, e voltei a fodê-la com força. As ancas batiam. O metal da parede respondia. Ela gemeu mais alto, como se a câmara lhe tivesse soltado a voz, e as unhas cravaram-se-me nas costas por cima da camisa. A cona dela apertava-me a cada entrada, escorrendo-me para as bolas, e o vestido tremia-lhe entre os corpos. Falei-lhe ao ouvido outra vez, baixo, sujo, carinhoso: que estava linda assim, que a câmara podia guardar aquilo, que queria que a vissem a tremer no meu pau. Ela veio-se outra vez comigo ainda a meter, um orgasmo curto e violento que lhe fechou as coxas à minha volta e lhe tirou um choro da garganta. Continuei. O pau deslizava-lhe agora com o excesso, fácil, fundo, e ela deixou a cabeça cair para trás contra a parede, a oferecer o pescoço, a oferecer tudo, a não esconder o peito nem a cara do teto.
O calor na cabina tinha-se tornado outra coisa, um ar parado e doce a sexo. O suor escorria-lhe nas clavículas. Beijei-lho, salgado, e perguntei-lhe, ainda dentro, ainda a mexer-me, o que fazia quando a câmara estava desligada, quando não havia lente nem contrato nem piso catorze. Chloe abriu a boca para responder e o que saiu foi só o começo dum som, um «fico» que se perdeu quando a voltei a beijar. Quase disse. Vi-lhe a frase na língua e vi-a engolir, a escolher o beijo em vez da confissão, as ancas ainda a pedirem movimento.
Não aguentei muito depois disso. O aperto dela, o olhar posto em mim e no teto ao mesmo tempo, a boca a procurar a minha como se o resto do prédio tivesse deixado de contar, tudo isso juntou-se-me na virilha com uma urgência que já não era limpa. Fodi-a até ao fundo, três vezes seguidas, e vim-me dentro dela com um gemido que lhe coloquei na boca. O pau pulsou-lhe lá dentro, encheu-a, e ficou. Segurei-lhe a cara com as duas mãos, as palmas na mandíbula, os polegares nos ossos das faces, e beijei-a com o pau ainda lá dentro, a latejar, a não sair. O beijo não tinha pressa. Tinha o gosto dela e o gosto de mim e o calor de tudo o que lhe tinha deixado entre as pernas.
Chloe beijou-me de volta com uma lentidão que me assustou mais do que a câmara. Os olhos estavam-lhe abertos, muito perto, e as pernas continuavam à minha volta, presas, a não me deixar recuar. Sentia-me a escorrer-lhe para fora, quente, e mesmo assim ela apertou-me com o interior, a guardar-me, a recusar o vazio. A pergunta sobre a câmara desligada ficou entre as bocas, sem resposta, e ela quase a retomou, os lábios a formarem outra vez aquele «fico», e outra vez o beijo ganhou. Afastei-lhe uma mecha de cabelo da testa com o polegar e ela fechou os olhos, não como quem foge, como quem aguenta demais.
«Chloe.» O nome saiu-me contra a boca dela, baixo. Ela abriu os olhos e o que ali estava não era o sorriso de quem cumprimenta a vizinhança. Era outra coisa, mais nua, mais perigosa para os dois. Fiquei dentro, a beijá-la, o cinto ainda nos joelhos, as calças um farrapo a meio das pernas, o vestido dela um anel de tecido entre os nossos ventres. O espelho mostrava-lhe as costas, o rabo contra a minha barriga, a humidade a brilhar-lhe por dentro das coxas. Não tapámos. A câmara continuava no teto, inerte, e nós continuámos no beijo como se aquilo fosse o único sítio do edifício onde ainda havia ar.
A cabina tremeu. Um estalido veio do poço, metálico, e as luzes firmaram-se com uma estabilidade nova que anunciava movimento. Chloe beijou-me outra vez, depressa, como se o tempo tivesse voltado a existir e ela quisesse roubar-lhe mais um bocado. O beijo desta vez tinha medo à mistura, não de sermos vistos, de sermos tratados daquela maneira. Senti-lho na boca, na forma como as mãos me apertaram a camisa e depois afrouxaram, já a preparar a saída. Saí de dentro dela com cuidado e ela soltou um som pequeno, quase uma queixa, quando o vazio voltou. Abaixei-a até aos pés. As pernas tremiam-lhe. Puxei-lhe as cuecas do chão, ajudei-lhas a calçar, e o tecido claro ficou-lhe logo marcado no meio pelo que lhe tinha deixado.
Alisou o vestido das ancas até aos joelhos, o algodão a descer-lhe pelas coxas, e olhou para mim. Puxei as calças. O cinto fechou-se-me na cintura com um som demasiado civil. O pau ainda me doía, sensível, e o cheiro dos dois enchia o ar parado. Chloe passou os dedos pelos cantos da boca, a limpar um beijo que não se limpa, e o sorriso tentou voltar-lhe por hábito, curto, luminoso, o mesmo com que se entra numa sala cheia de gente. Desta vez não chegou a completar-se. Ficou a meio, preso.
«Quando as portas abrirem», disse-lhe, a palma ainda na anca dela, «janta comigo. Há um sítio perto, no Chiado. Não é o contrato. Sou eu a pedir.»
Ela olhou para a câmara, depois para a minha boca, depois para as portas que ainda não se tinham aberto. O ecrã por cima delas recuperara um número, um piso qualquer, e a cabina começou a descer com uma suavidade que já não nos pertencia. Chloe abanou a cabeça, um gesto pequeno, e o que lhe passou pelo olhar foi o custo daquilo: não o sexo, o beijo que tinha vindo depois, a calma com que lhe tinha falado da Califórnia, a forma como lhe tinha segurado a cara.
As portas abriram num andar vazio, um corredor de alcatifa clara e portas fechadas, sem uma alma, o ar condicionado a cheirar a escritório ao fim do dia. Chloe saiu primeiro, o vestido já no sítio, as cuecas a traí-la só no passo um pouco mais curto. Parei no limiar da cabina, a pasta outra vez debaixo do braço, o contrato a pesar agora outra coisa. Ela virou-se no corredor e o sorriso voltou-lhe inteiro, o de sempre, o de quem encontra um vizinho e não um homem que lhe acabara de comer a cona contra um espelho.
«Não janto contigo», disse, a frase clara, sem crueldade. «Há um casamento. Não é sítio para isto.» A pausa que se seguiu não pedia que se preenchesse nada. Pedia que se ouvisse o que ela não ia dizer. «Tu foste demasiado bom para o que eu vinha fazer a um elevador.»
Não a segurei. Ela desceu as escadas de serviço ao lado das portas, a recusar esperar por outra cabina, e ouvi-lhe os passos a afastarem-se na caixa da escada até se perderem no átrio. Desci no elevador a seguir, sozinho, o espelho a devolver-me a camisa amarrotada e a boca ainda marcada. No rés-do-chão ela já ia a meio do átrio, o cabelo solto na luz de verão que entrava da rua, a sorrir por hábito ao segurança que lhe abriu a porta, a sorrir como se nada daquilo tivesse acontecido entre andares. Vi-lhe as mãos a apertarem a alça da mala com uma força que o sorriso desmentia, e percebi, daquela distância, que o beijo lhe tinha feito mais mal do que a câmara. Tinha-lhe posto na boca a possibilidade de ser tratada bem, e ela saía para a rua de Lisboa como quem foge disso, já a escolher o próximo sítio onde pudesse ser só um segredo e não alguém a quem se pergunta da Califórnia.