
Christine do Apartamento em Frente
Romance eróticoRomance11 min de leitura
Um conto de Christine Flores
Christine instala-se no apartamento em frente ao de Vicente, no mesmo palier. A residência era para o trabalho. As paredes são finas e nenhum dos dois finge que a peça é o único assunto.
O fim de tarde em Lisboa trazia um calor húmido de primavera que colava a camisa às costas e abria todas as janelas ao mesmo tempo. Christine Flores ocupava o apartamento em frente ao meu, no mesmo palier de um prédio antigo perto do Príncipe Real, e instalara-se ali para acabar uma encomenda de pérolas de família cujo fecho ainda não decidiria. Tinha vinte e dois anos e o corpo composto de quem aprendeu a estar de pé sem se enfeitar para isso. Aos trinta, eu conhecia o prédio o bastante para saber que as paredes não guardavam nada.
As chaves que ela aceitara sem explicar para quê continuavam na consola, ao lado da porta.
Saiu quando eu saía. O palier cheirava a cera e a chuva que ainda não caíra. O vestido era curto, da cor de um vinho claro, e ao pescoço trazia um fio de pérolas que ainda não era a peça, apenas o ensaio de um fecho. Olhou para mim e disse o meu nome como quem prova uma pedra na boca.
«Vicente. Vieste pelo fecho ou vieste porque a porta ficou em frente.»
Circulava o que queria dizer e esperava para ver se eu acompanhava. Não respondi com o trabalho. Puxei-a pela cintura contra a porta dela e ela deixou-se ir, a boca a abrir-se na minha com uma fome que não pedia o corredor vazio. A mão dela desceu-me o fecho das calças ali mesmo, no palier, sob a luz suja da caixa de escadas, e os dedos fecharam-se no caralho já duro com uma certeza que me tirou o ar.
«Assim», murmurou contra a boca. «Aqui.»
Ergui-lhe o vestido. As cuecas estavam encharcadas no meio, o tecido colado à cona, e puxei-as para o lado sem as tirar de todo. Ela passou-me uma perna pela anca e eu meti-lhe o caralho de um só golpe, fundo, até aos tomates contra o rabo, e ela gemeu alto o bastante para o andar de baixo. Fodi-a contra a madeira, as pérolas a baterem-lhe no peito a cada embate, a cona apertada e quente a puxar-me para dentro com uma força que me fazia perder o ritmo e depois recuperá-lo mais fundo. Os passos na escada subiram sem pressa. Um homem apareceu no patamar de baixo com um saco de compras e parou, e viu-nos de corpo inteiro, o vestido subido, as coxas abertas, o caralho a entrar e a sair dela à luz da caixa. Christine virou a cabeça e olhou para ele enquanto eu a fodia, e em vez de se fechar apertou-me com as pernas e disse, clara, para o palier inteiro:
«Não pares.»
O homem ficou a olhar. Fodi-a mais fundo, a porta a bater no batente, e ela veio-se assim, de olhos abertos para a escada, a cona a pulsar-me em volta do caralho, um gemido longo que não tentou esconder de ninguém. O homem desceu outra vez os degraus sem dizer palavra. Ela riu contra o meu pescoço, ainda a tremer, e abriu a porta às costas, puxando-me para dentro sem me tirar de dentro dela.
O hall do apartamento dela era estreito, um soalho escuro, uma consola com alicates e um prato de pérolas soltas que luziam como se ainda estivessem na água. A porta ficou aberta para o palier de propósito, o retângulo de luz da caixa de escadas cortado ao meio pelo nosso vulto. Christine deixou-se escorregar até aos joelhos sem eu pedir, o vestido ainda na cintura, as cuecas tortas numa coxa, e tirou-me o caralho molhado da cona para a boca com um som húmido que o corredor levou logo. Chupou-me com a língua larga, lenta no início, depois fundo, até o nariz lhe bater no ventre, e a garganta fechou-se em volta da cabeça do caralho com uma pressão que me fez agarrar-lhe o cabelo.
Tinha as mãos nas coxas dela, os joelhos a doerem-lhe no soalho, e fodia-lhe a boca com o cuidado de quem ainda consegue pensar até ela me puxar as ancas para dentro e acabar com esse cuidado. Olhei por cima do ombro. A porta aberta mostrava o palier vazio e a janela da caixa de escadas, a luz da rua a entrar, e qualquer pessoa que subisse veria a mulher de joelhos, a boca cheia, as pérolas a baloiçarem-lhe no peito a cada movimento da cabeça.
Ela tirou-me da boca só o tempo de falar, a voz já rouca, um fio de saliva a ligar-lhe o lábio ao meu caralho.
«Se vier alguém, não feches.»
Voltei a meter-lhe o caralho entre os lábios e ela deixou-me ir até ao fundo, a saliva a escorrer-lhe pelo queixo até às pérolas, e chupou-me o saco também, a língua quente, os olhos levantados para os meus com uma atenção que não pedia desculpa. O prazer subia-me pelas costas com uma violência que me fazia apertar-lhe o cabelo junto à raiz. Quase me vim assim, no fundo da garganta dela, o corpo já a fechar o aviso, mas puxei-a para cima antes, porque queria a cona outra vez e queria-a no chão, à vista daquela porta que nenhum de nós fechava.
Deitei-a no soalho do hall, as pernas abertas para a porta, e ajoelhei-me entre elas com o joelho a ranger na madeira. Puxei-lhe as cuecas pelos tornozelos e abri-lhe a cona com os polegares. Estava brilhante, inchada, o cheiro a sexo e a pele quente, os lábios escuros de tanto me ter levado contra a porta. Lambi-a de baixo para cima, devagar no clitóris, depois com a língua dentro, e ela arqueou as costas contra o soalho e gemeu o meu nome sem baixar o volume, como se o prédio fizesse parte do acordo. Os vizinhos ouviam. A porta via. Fodi-a com a língua até as coxas lhe tremerem contra as minhas orelhas, até ela me puxar a cabeça com as duas mãos e se vir contra a boca, um tremor longo, a cona a contrair-se no meu queixo, o gosto dela a encher-me a boca.
Ergui-me e meti-lhe o caralho outra vez, fundo, até não restar espaço, e fodi-a no chão com a porta aberta, cada estocada a fazê-la gritar contra o estuque. Escolhemos o volume. Escolhemos a porta. As mamas saíam-lhe do decote a cada embate, as pérolas a rolarem-lhe para o lado, e eu agarrei-lhe os peitos e apertei os mamilos enquanto a fodia, o rabo dela a bater no soalho num ritmo que o andar de baixo não podia fingir que era outra coisa. Veio-se outra vez com um som quebrado, as unhas nas minhas costas, as pernas a fecharem-se à volta da minha cintura, e eu aguentei, duro dentro dela, a olhar-lhe a cara enquanto o corpo lhe acalmava o bastante para a levantar do chão.
«O teu sofá», disse ela, ainda a respirar mal, a boca inchada. «A janela grande. Quero essa.»
Mais tarde, já noite, no sofá do meu apartamento, a janela grande aberta sobre a rua. Lisboa lá em baixo, faróis, gente na calçada, a conversa de um café a subir até nós. Christine tirou o vestido de uma vez e ficou com as pérolas e nada mais, a pele morena à luz da sala, o corpo ainda marcado do soalho. Empurrou-me para o assento e montou-me de frente, a cona a engolir-me até ao fundo com um movimento lento que me fez fechar os olhos e depois abri-los, porque a queria ver. Fodia-me ela, as ancas a rodarem, os peitos ao alcance da boca, e eu chupei-lhe os mamilos enquanto ela subia e descia no caralho, molhada até me escorrer pelas tomates e pelo sofá.
«A janela», disse eu contra o peito dela, e a frase saiu-me baixa, quase uma pergunta que não era.
Ela olhou para a rua, viu a calçada, viu as cabeças que podiam levantar-se, e não fechou nada. Continuou a trepar-me, mais fundo, mais alto, o rabo a bater-me nas coxas, e quem levantasse os olhos veria a mulher nua a foder-se em cima de mim, as pérolas a luzirem a cada descida. Riu, um riso curto que se partiu quando eu lhe apertei o clitóris com o polegar, e veio-se assim, apertada, a boca aberta sem som, as unhas no meu ombro. Segurei-lhe as ancas e vim-me dentro dela, fundo, o caralho a pulsar, o esperma a encher-lhe a cona enquanto ela ainda se movia para o receber, lenta, como se quisesse ficar com tudo. Ficámos assim, a respiração a acalmar, o meu sémen a escorrer-lhe pela coxa quando se levantou um pouco, a testa encostada à minha.
«Isto não entra na peça», murmurou, e havia humor na frase, uma ternura que ela não disfarçou. «Ainda bem.»
Beijei-lhe a boca. O gosto dela misturava-se com o meu. Lá em baixo, na rua, um casal parou sob o candeeiro e riu de qualquer coisa que não éramos nós, e mesmo assim ela não puxou a cortina.
De manhã apanhei-a nua ao pé da mesa da sala, a luz a entrar sem cortina, o café a arrefecer num copo que eu deixara na véspera. Nas mãos trazia o colar e os brincos, a tentar pôr as pérolas como se o fecho a devolvesse ao ofício, o pescoço já meio virado para o espelho pequeno que eu tinha junto à janela. Vi-lhe as costas, a curva do rabo, a cona ainda marcada de mim, e o gesto preciso com que tentava vestir o trabalho por cima da pele.
Não deixei que o fecho clicasse. Tirei-lhe as peças das mãos e pus as pérolas em cima da mesa, longe do pescoço, o fio a fazer um círculo inútil sobre a madeira.
«Isto não é a encomenda.»
Ela tentou circular. Falou do que lhe fora entregue pela família, do filigrana que recusara copiar tal como estava, da decisão do fecho que ainda não tomara porque o peso das pérolas pedia outra coisa. Não falou do que sentia. Estendeu a mão outra vez para o colar e eu segurei-lhe o pulso e beijei-lhe a palma, a sentir-lhe o pulso acelerado contra os lábios.
«Vicente. A peça tem de ir para a feira.»
«Tu não tens de ir vestida dela para estares aqui.»
Olhou-me com uma gravidade que não era pose e também não era recusa. A mão livre pousou-me no peito, os dedos abertos, e puxou-me para o quarto sem voltar a tocar nas pérolas. A cama ainda cheirava a nós. Deitei-a de costas e entrei-lhe de frente, nua de joias, as pernas nos meus ombros, o caralho a abrir-lhe a cona até ela já não ter frase de ofício para pôr no meio do gemido. Fodi-a devagar primeiro, a olhar-lhe a cara, depois mais fundo, o corpo dela a perder aquela compostura de quem apresenta um trabalho, os peitos a abanarem sem colar que os emoldurasse. Veio-se com a boca aberta no meu nome, sem volta a dar ao que aquilo era, e eu não a deixei recuperar a frase.
Virei-a de quatro na cama, as mãos dela fechadas no lençol, o rabo alto, a cona vermelha e molhada a pingar-me o esperma da véspera pela parte de dentro da coxa. Meti-lhe o caralho por trás de um só movimento, até ao fundo, e fodi-a assim, sem uma pérola, sem um brinco, a palma aberta no cimo das costas a mantê-la onde eu a queria. Ela empurrou-se contra mim, a pedir mais com o corpo quando a voz ainda não tinha encontrado o tom, e eu dei-lhe mais, o som da pele contra a pele a encher o quarto, a cama a bater na parede que dava para o palier. Meteram-lhe dois dedos na boca e ela chupou-os, o olhar virado por cima do ombro, e naquele olhar não havia encomenda nenhuma.
Apertei-lhe o clitóris com os dedos da outra mão enquanto a fodia, e ela veio-se outra vez, um tremor que lhe desfez os braços, a cara no lençol, um som baixo que não tentou transformar em decisão. Continuei dentro dela até não aguentar, as ancas coladas ao rabo, e vim-me outra vez, fundo, o caralho a pulsar, a enchê-la enquanto ela ainda se contraía em volta de mim. Ficámos caídos para o lado, eu ainda dentro, a mão no ventre dela, a sentir o corpo a acalmar sem joia nenhuma que lhe devolvesse a pose. Ela não falou do fecho. Não falou da família. Ficou ali, a respirar contra o meu braço, nua de tudo o que costumava pôr entre o mundo e a pele, e essa ausência pesava-lhe no peito de um modo que eu via e que ela não disfarçou.
«Não sei o que faço com isto», disse, por fim, a voz baixa contra o meu pulso. «Não é uma escolha de ofício.»
Beijei-lhe o ombro. A primavera entrava pela janela aberta e, lá fora, o prédio fazia a vida de sempre, alheio ao que ela não conseguia já guardar só do outro lado da porta.
Ao terceiro dia, já vestida, a peça inacabada estava na mesa de trabalho dela, as pérolas alinhadas, o fecho ainda por decidir, o fio a esperar uma conclusão que ela não lhe dera. O apartamento cheirava a metal e a café. Christine segurou o colar sem o pôr, os dedos a percorrerem o que a família lhe entregara e o que ela recusara repetir, e depois pousou-o outra vez, com um cuidado que já não era só de ofício.
«Não venhas», disse, e a frase não deu a volta a coisa nenhuma. «À feira. Ao Porto. Não venhas comigo.»
O bilhete estava dentro da carteira, já pago, o nome impresso para a viagem do comboio. Pousei-o em cima da mesa, ao lado do colar sem fecho, e ela viu os dois objectos a ocuparem o mesmo pedaço de madeira, a peça aberta e o papel que me levava para o Porto. Olhou para mim durante muito tempo, a mão ainda no tampo, e não pediu o bilhete de volta, nem fechou a peça, nem disse o meu nome.