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Lucia Vargas

Lucia Fora da Foto

Conto erótico de festa da empresaEscritório12 min de leitura

Um conto de Lucia Vargas

Na festa que fecha o contrato, Lucia Vargas, 21, deixa a pose da casa. O diretor está lá. Os dois saem da sala cheia e o que fazem noutro quarto da quinta não cabe na fotografia da empresa.

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A quinta nos arredores de Lisboa tinha as luzes baixas e as portas da sala grande abertas para o pátio, onde o outono já deixava o ar frio o bastante para se sentir nos pulsos descobertos. A festa de encerramento do contrato misturava copos, flashes oficiais e aquela conversa que as agências usam quando um trabalho chega ao fim. Vi a Lucia Vargas junto à mesa das fotografias, vinte e um anos, o vestido preto da campanha ainda justo na cintura, a sorrir para um homem da produção como se o sorriso lhe tivesse saído sozinho. Tomás falava-me do calendário e respondia-lhe sem ouvir, porque ela levantou os olhos e encontrou-me por cima dos ombros da sala.

Não veio ter comigo a direito. Deu a volta pelos copos, deteve-se a falar com duas mulheres da conta e riu-se de uma coisa que Diogo dissera junto à lareira. Só depois atravessou o espaço que restava e parou perto o bastante para que o calor do braço lhe chegasse até mim.

«Duarte.» O nome soou-me baixo na boca dela, quase perdido na música. «Já tiraste a fotografia da empresa?»

Perguntou-me isto a olhar para o copo e não para mim, e o tecido subia-lhe um pouco sempre que respirava. A sala estava cheia, com gente da agência em todas as portas, e o contrato acabava naquela noite, o que ela sabia tão bem como eu.

«Ainda não.» Aproximei-me o suficiente para a voz não atravessar a conversa ao lado. «Estás na lista das oficiais.»

Ela abanou a cabeça com aquela lentidão que usa quando não quer representar. Os cabelos escuros caíam-lhe sobre um ombro e cheirava a vinho tinto e a uma coisa quente, de pele.

«Não vou para essa lista.» Disse-o como quem decide uma mesa, não como quem pede licença. «Vem.»

Os dedos dela fecharam-se no pulso. Não esperou que se fechasse porta nenhuma. Puxou-me pelo meio da sala, entre Tomás, que nos viu, e um casal encostado à parede, e deixei-me ir porque a vontade dela ia à frente da minha e isso era novo. A festa ficou atrás, a rir alto, e o corredor da casa antiga cheirava a madeira e a frio.


O quarto ficava no fundo do corredor, com a fechadura gasta e uma cama que ninguém tinha feito para aquela noite. Lucia entrou à frente. Puxou-me para dentro e, já do lado de cá, virou a chave sem olhar para trás. Do outro lado da madeira a música continuava, e por cima dela ouviam-se copos e a voz de Diogo a pedir silêncio para um discurso que ninguém queria ouvir. Ela encostou-me à parede junto à ombreira e abriu-me o cinto com as duas mãos, a respiração já alterada, a boca entreaberta como se o que vinha a seguir lhe tivesse chegado pelo corpo e não pelo pensamento.

«Quero-te assim, com eles aí fora.» Os joelhos dela tocaram o soalho antes de haver tempo de responder, e o tecido subiu-lhe pelas coxas quando se ajeitou sobre os calcanhares. «A festa que oiça o que quiser.»

Tirou-me o pau para fora com uma demora que doeu. Estava já duro do corredor, do pulso dela, da maneira como tinha atravessado a sala sem pedir nada a ninguém. Lucia olhou para cima uma vez, os olhos escuros muito abertos, e meteu-me a cabeça na boca com um calor tão húmido que fechei os dentes para não fazer ruído. A língua passou-me por baixo, lenta, e os lábios apertaram-se na base como se quisesse levar-me inteiro de uma vez. Agarrei-lhe no cabelo sem puxar ainda, só para sentir o movimento, e ela fez um som na garganta que a madeira não chegou a esconder.

Chupava-me com a boca muito molhada, a saliva a escorrer-lhe pelo queixo até ao colo do vestido. Cada vez que recuava via o pau a sair-lhe brilhante dos lábios, e cada vez que avançava sentia o fundo da boca a ceder. Do outro lado alguém riu alto e um flash disparou, e o corpo dela tremeu como se o riso tivesse atravessado a madeira. Continuei a olhar para a fechadura enquanto ela me mamava, porque a ideia de alguém pousar a mão no ferro e abrir era tão forte como a boca quente. Lucia não abrandou. Pelo contrário, abriu mais a garganta e levou-me até onde o ar lhe faltou, os olhos a marejarem, as unhas cravadas na coxa.

«Mais fundo.» Pediu quando se afastou o bastante para falar, a voz rouca, um fio de saliva a unir-lhe o lábio inferior à cabeça do pau. «Fode-me a boca, Duarte. Quero sentir-te a usar-me.»


Agarrei-lhe a cabeça com as duas mãos e meti-lhe o pau outra vez, desta vez no ritmo que quis. Ela deixou. Abriu a boca e aceitou o comprimento até a narina lhe bater no púbis, e quando recuei para lhe dar ar ela seguiu-me com a língua, teimosa, como se o recuo fosse um desperdício. Fodi-lhe a boca ali, de pé, com a festa a um metro de madeira, e cada estocada húmida fazia um som obsceno que se misturava com a música. A cara dela ficou um desastre bonito, o rímel a correr, o queixo molhado, os lábios inchados à volta do meu pau. Não pediu para parar. Quando se engasgou, tossiu contra mim e voltou a abrir a boca, os olhos em mim com uma clareza que me tirou o chão.

O vestido tinha subido até à anca e vi que não trazia cuecas. A cona estava à mostra entre as coxas abertas sobre os calcanhares, brilhante, e ela meteu a mão lá enquanto me chupava, dois dedos a entrar-lhe com um som molhado que me fez apertar-lhe o cabelo. Fodia-lhe a boca e via-lhe os dedos desaparecerem, o pulso a trabalhar, o rabo a mexer-se sobre os sapatos. A porta tremeu com alguém que passou no corredor a rir, e Lucia gemeu à volta do meu pau como se o quase nos tivesse tornado mais duros a ambos.

«Estás a escorrer.» A voz saiu-me baixa, rouca, e ela assentiu com a boca ainda cheia, a saliva a cair-lhe no peito. Tirei-lho dos lábios porque se continuasse vinha-me ali, e ela ficou de joelhos a respirar, a língua a limpar o canto da boca, os dedos ainda dentro de si. «Levanta-te.»

Levantou-se devagar, as pernas instáveis, e puxou o tecido até à cintura com as duas mãos. Não tentou arranjar o cabelo. Os fios colavam-se-lhe à testa e à boca, e ela limpou o queixo com as costas da mão como quem limpa vinho, sem vergonha nenhuma. Chegou-se a mim e beijou-me com a boca que me tinha acabado de chupar, o sabor de mim na língua dela, os peitos a premirem-me o peito através do tecido fino.

«Agora eu.» Disse-me isto contra a boca, as sílabas quentes. «De pé. Contra essa parede. Quero que me fodes até não conseguir disfarçar na sala.»


Virei-a contra a parede junto à janela fechada, o estuque frio na cara dela, o vestido amontoado na cintura. Passei-lhe a mão entre as pernas e encontrei a cona tão molhada que os dedos lhe escorregaram de imediato para dentro. Lucia arqueou as costas e abriu mais as coxas, um pé a deslizar no soalho, e curvei-me para lhe morder o ombro por cima da alça. Os gemidos dela saíam baixos e contínuos, e tapava-lhos com a palma quando um silêncio maior atravessava a festa, porque o discurso de Diogo tinha mesmo começado e a casa inteira estava a ouvir.

«Mete-te.» Pediu com a boca contra o pulso, a cona a apertar-me os dedos. «Não quero mais mão. Quero o pau. Quero-te a fundo, Duarte.»

Tirei os dedos, alinhei-me e enfiei-me nela num só impulso, até ao fundo, o corpo dela a ceder e a fechar-se ao mesmo tempo. A parede recebeu o peso de ambos. Lucia soltou um som que a palma não chegou a apagar, um gemido aberto, e fiquei quieto um segundo só para sentir como ela me milimetrava por dentro, quente, a tremer. Depois comecei a foder. As estocadas bateram-lhe o rabo contra mim com um ritmo seco, ela a fazer aquele barulho molhado que nenhuma música cobria de verdade, e agarrava-se ao peitoril da janela com os nós brancos.

Fodia-a de pé como ela tinha pedido, fundo, sem lhe dar tempo de fechar as pernas. Cada vez que recuava via o pau a sair-lhe reluzente e a cona a tentar ficar comigo, as bordas inchadas, uma linha clara a escorrer-lhe pela coxa. Voltava a meter-lho até os ossos se encontrarem e ela gemia o nome contra a madeira da janela, o vestido preso entre nós, um mamilo já de fora do decote. A alça tinha escorregado. Lambi-lhe o ombro, o colo, o peito que conseguia alcançar, e continuei a foder-lhe a cona com a festa do outro lado a bater palmas a qualquer coisa.

«Mais forte.» A voz dela saiu partida, sem pose nenhuma. «Quero sentir-te amanhã. Quero sair daqui a pingar.»

Apertei-lhe a anca com uma mão e com a outra fui-lhe ao clitóris, a esfregar no mesmo compasso das estocadas. O corpo dela fechou-se de repente, as coxas a tremerem contra as minhas, e ela veio-se com a testa no vidro, um gemido longo que Diogo lá fora talvez tivesse podido ouvir se a palma não lhe tapasse a boca a tempo. A cona puxou-me em vagas, apertada, molhada até ao absurdo, e não parei. Continuei a foder enquanto ela ainda se vinha, mais devagar só o bastante para não vir-me ainda, a sentir cada contração a pedir-me o resto.


Não a deixei descer. Mantive-a ali, espetada no meu pau, as pernas abertas, o vestido um trapo na cintura, e voltei ao ritmo fundo quando o orgasmo dela afrouxou. Lucia chorava um pouco, não de dor, o rímel em duas linhas até ao queixo, e ria-se ao mesmo tempo contra a janela, um riso baixo que me entrou no peito. Beijei-lhe a nuca, o cabelo colado de suor, e fodi-a com a certeza de que a porta podia abrir a qualquer segundo e de que ela o queria exactamente assim.

«Vou vir-me dentro.» Avisei-lhe ao ouvido, a voz já sem controlo. «Queres?»

«Quero.» A resposta veio inteira, sem hesitação, as unhas na mão que lhe tapava a boca. «Enche-me. Quero levar-te para a sala.»

As últimas estocadas foram fundas e desordenadas. A cona dela, ainda a pulsar do que tinha sido, recebeu-me até ao limite, e vim-me com um gemido contra o ombro dela, o pau a descarregar-lhe lá no fundo em impulsos longos que me dobraram os joelhos. Fiquei enterrado, a tremer, a sentir o calor a espalhar-se-lhe dentro, e Lucia apertou-me com as paredes como se quisesse guardar tudo. A testa dela encostou-se ao vidro embaciado. Do outro lado da porta alguém abriu champanhe e a casa inteira gritou, e ficámos quietos contra a parede, o meu pau ainda a dar-lhe o resto, a porra a escapar-se-lhe já pelo sítio onde estávamos ligados, quente, a descer-lhe pela coxa.

Não saí de dentro. Continuei lá, a pulsar, com as mãos na barriga e no peito dela, a respiração de ambos a acalmar aos solavancos. Lucia virou a cara o bastante para me encontrar com um olho só, o cabelo uma desordem que nenhuma campanha ia querer, e passou-me a língua pelo lábio inferior com uma ternura que não pedia desculpa pelo que tínhamos acabado de fazer.

«Olharam por ti esta noite, ou só pelas fotografias?» Perguntou baixinho, ainda cheia de mim, o humor a voltar-lhe à boca inchada. A pergunta era sobre mim e não sobre a casa, e isso doeu de uma maneira boa. «Estás aqui. Isso chega-me.»

Beijei-lhe o canto da boca. O pau foi amolecendo dentro dela sem o tirar, e sentia o que lhe tinha deixado a escorrer-nos a ambos, quente, inevitável. No corredor passaram passos. Pararam um segundo demais junto à nossa porta e seguiram. Lucia não se mexeu para se tapar. Ficou ali, o vestido na cintura, o peito de fora, a cona a reter-me o que podia, e senti-lhe o coração nas costas, rápido, vivo.


Saí dela com lentidão, e o que lhe escorreu pela coxa até ao joelho fez-nos a ambos um silêncio curto, quase uma risada. Ela baixou o vestido por cima daquela desordem sem limpar nada, o tecido escuro a colar-se-lhe onde estava molhada, e passou os dedos pelo cabelo só para o tirar da boca, não para o arranjar. Olhou para o espelho velho da cómoda e não se reconheceu de propósito. O rímel estava feito. Os lábios estavam vermelhos e abertos. Havia uma marca minha no ombro, a escurecer.

«Não me corrijas.» Disse-o quando levantei a mão para lhe alisar um fio. «Quero que vejam o que viram quando saímos. E o que vêem agora.»

Fechou-me o cinto que ainda não tinha fechado, um gesto pequeno, quase doméstico, e beijou-me no peito por cima da camisa. Depois virou a chave. A música bateu-nos na cara como calor. No corredor havia um homem da produção com um copo, e ele olhou para nós o tempo inteiro que demorámos a passar, da cara dela ao cinto, e não disse palavra. Lucia atravessou o olhar dele sem baixar a cabeça. Ia atrás, a sentir-lhe ainda o cheiro nos dedos, a saber que ela ia molhada por baixo daquele vestido e que a casa ia saber, mesmo sem o dizer.

Na ombreira da sala Tomás viu-nos voltar. Diogo também, no meio de um grupo junto à lareira, e uma mulher da conta interrompeu o que estava a dizer para seguir a Lucia com os olhos até ao meio da sala. Ninguém veio ter connosco de imediato. O espaço fez-se à nossa volta de uma maneira que não tinha existido quando saímos. Lucia foi até à mesa das fotografias com o cabelo naquele estado e o vestido marcado na anca, e quando o homem da produção levantou a câmara ela não se pôs. Não sorriu. Não endireitou o ombro. Ficou ali, a mulher que tinha saído comigo e tinha voltado assim, a beber de um copo que não era o dela.


Puseram-me um copo na mão e alguém falou do contrato como quem fala de uma coisa já arrumada. A campanha estava fechada. Os flashes continuavam para os que ainda posavam junto à lareira, e Lucia não se chegou. Ficou encostada a uma consola, o telemóvel aceso na palma, o polegar a escrever uma linha que não alcançava ler. Apagava, escrevia outra, apagava outra vez. O ecrã iluminava-lhe a boca inchada e o rímel corrido, e ela não virava o aparelho para nenhuma câmara da sala.

Um homem perguntou-lhe se não vinha para a fotografia da empresa e ela respondeu sem levantar os olhos do ecrã, a frase curta o bastante para ele recuar. Tomás atravessou o olhar comigo por cima das cabeças e desviou-se para o pátio. Diogo riu-se de uma coisa que não tinha graça e não nos veio cumprimentar. A casa inteira tinha-nos visto sair e tinha-nos visto voltar, e o tratamento já era outro, mais baixo, mais de lado, como se o vestido dela contasse o quarto sem ela abrir a boca.

Cheguei-me e pus-lhe a mão na cintura, no sítio onde o tecido ainda ia húmido. Lucia encostou a têmpora no ombro um segundo, só um, e o telemóvel continuou na outra mão, o texto apagado outra vez, a câmara da frente virada para baixo. Não a ligou. Não posou. O contrato acabava naquela noite à nossa volta, nos copos e nas conversas que já não nos incluíam da mesma maneira, e ela olhava para o ecrã apagado como se a pergunta que tinha ali não fosse para publicar.