
Ingrid na Estrada de Sintra
Sexo no carro quase pegoRisco Público11 min de leitura
Um conto de Ingrid Svensson
Depois da sessão fotográfica noturna em Sintra, Ingrid aceita a boleia do fotógrafo de volta a Lisboa. O carro pára numa estrada secundária sem que ela perceba bem o motivo. Os dois não esperam chegar ao hotel.
A sessão tinha-se fechado com o último clique contra as pedras húmidas do palácio, e o cheiro a musgo ainda vinha no cabelo da Ingrid quando aceitei levá-la a Lisboa. Ingrid Svensson tinha vinte e um anos e trazia o vestido da campanha fotográfica por baixo de um casaco fino demais para o ar de Sintra, mesmo no princípio do verão. Aos vinte e nove já tinha conduzido dezenas de mulheres para fora da serra, e mesmo assim a silhueta dela no banco do passageiro mexia-me com uma paciência que não pedia desculpa.
Conduzia a estrada abaixo, entre os muros baixos e os plátanos, com as luzes a varrer o asfalto irregular. Ela não falava, as pernas cruzadas e o telemóvel virado para baixo, como se a cidade pudesse esperar. O silêncio não era constrangido: era só o cansaço depois das poses, o vestido a marcar-lhe a coxa, o vidro entreaberto a trazer o cheiro da terra quente.
Depois a mão dela desceu, e não foi um acidente. Os dedos pousaram-me na coxa, acima do joelho, e ficaram. Esperei que se retirassem, mas a palma aqueceu o ganga e o polegar desenhou uma linha curta, quase distraída, como quem experimenta se o outro vai jogar.
Olhei de lado. Ingrid tinha a boca entreaberta e os olhos na estrada, e naquele perfil havia uma pergunta que não fazia em voz alta. Apertei o volante, o corpo já a responder, a piça a endurecer contra o fecho, e mesmo assim não disse nada nem expliquei o que ia fazer. Desviei para uma secundária estreita, apaguei os médios e deixei o carro morrer na berma, entre o caniço e uma parede de pinheiros. O motor estalou enquanto, lá fora, a noite de Sintra se fechava à volta dos faróis apagados.
Ela virou-se no banco sem tirar a mão do sítio, e a voz veio-lhe baixa, quente, e depois ficou à espera, a ver se eu jogava.
«Paraste.»
Não respondi. O silêncio durou o suficiente para ela perceber que também não ia haver uma desculpa.
Ingrid inclinou-se sobre a consola e o casaco escorregou-lhe de um ombro. Os dedos foram direitos ao fecho das calças e abriram-me o botão com uma calma que não pedia licença. Puxou o fecho a seguir, sem pressa, e só então meteu a mão por dentro das cuecas. A palma encontrou-me a piça já dura, quente, e ela fechou os dedos em volta com um aperto curto que me tirou o ar. Olhou-me uma vez, só uma, e depois baixou a cabeça para o colo como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.
A boca envolveu-me a cabeça da piça com os lábios húmidos, e a língua deu uma volta lenta antes de descer. Senti o calor, a saliva, o fundo da garganta a ceder um pouco quando ela puxou mais. A mão livre segurou-me a base, o polegar a esfregar o que a boca ainda não cobria, e a cabeça moveu-se com um ritmo paciente que me fez recostar no encosto e fechar os dentes. O volante ficou-me contra o ombro e o travão de mão picava-me a perna, mas nada daquilo importava.
Ingrid chupava-me com um som baixo, molhado, e de vez em quando levantava os olhos sem soltar a piça, como se quisesse ver a cara que eu fazia. Passei-lhe os dedos pelo cabelo e senti-a sorrir com a boca cheia. A língua apertou-me por baixo, a seguir a veia, e ela desceu até ao fundo, o nariz contra o pano das calças, e segurou-me ali até me faltar o fôlego. Quando subiu, um fio de saliva ligava-lhe o lábio à cabeça da piça, brilhante no escuro do habitáculo.
«Gostas disto», murmurou ela contra a pele, e esperou, a ver se eu admitia.
Gostava. Apertou-me a perna em resposta ao silêncio e voltou a meter-me a piça na boca, desta vez mais fundo, mais depressa, a mão a acompanhar o movimento até lhe sentir a garganta a contrair. O peito subia-me descompassado. Queria vir-me-lhe na boca e ao mesmo tempo não queria que aquilo acabasse naquele banco. Puxei-lhe o cabelo com cuidado, o suficiente para ela perceber.
«O de trás», disse eu, e a voz saiu-me rouca.
Ela soltou-me a piça com um estalo húmido, passou a língua pelos lábios, e já estava a abrir a porta.
O banco de trás do carro era estreito e cheirava a calor fechado. Ingrid entrou primeiro, ajoelhou-se no estofo e puxou-me pela camisa até eu fechar a porta com o cotovelo. O vestido subiu-lhe pelas coxas quando se virou para mim, e ela própria empurrou o tecido até à cinta. Por baixo não trazia cuecas. A cona estava-lhe à vista, escura, já brilhante, e o cheiro dela encheu o espaço pequeno entre os nossos corpos.
Deitei-a de costas o melhor que o banco estreito permitia. As mãos abriram-lhe as pernas e ela deixou, sem resistência nenhuma. Os calcanhares prenderam-se-me nos ombros quando baixei a cara e lhe passei a língua de baixo para cima, devagar, a abrir-lhe os lábios com a boca. O gosto era salgado e quente. Ingrid arqueou as ancas contra a minha cara e soltou um som baixo, quase uma risada contida, e os dedos dela foram-me à cabeça para me manter ali.
Lambi-lhe a cona com a língua larga e depois mais estreita, à procura do clitóris, e apertei-o entre os lábios até ela tremer. Meti-lhe dois dedos enquanto a língua trabalhava, e a cona agarrou-mos logo, molhada até à palma. Fodia-a com os dedos no mesmo ritmo em que a chupava, e ela falava aos bocados, frases curtas que se perdiam contra o tejadilho.
«Assim. Mais. Tiago, assim.»
O meu nome na boca dela fez-me endurecer ainda mais contra o estofo. Continuei. A perna dela apertou-me a orelha, o vestido enrolado na cinta, os peitos a subir sob o tecido fino cada vez que eu lhe mordia de leve o clitóris e voltava a chupar. Os dedos saíam-lhe luzidios. Voltei a metê-los até ao fundo e curvei-os, e ela puxou-me o cabelo com uma força que já não era brincadeira. A cona latejava-me contra a boca. Senti-a a chegar perto, o ventre a endurecer, e tirei os lábios no preciso momento em que ela ia a vir-se, só para a ouvir resmungar.
Ingrid olhou para mim de baixo, a respiração desfeita, e puxou-me para cima pelo cinto das calças ainda abertas. A piça saiu-me pesada, batendo-lhe na coxa.
«Mete», disse ela, e não era um pedido.
Encaixei-me entre as pernas dela no banco estreito e empurrei a cabeça da piça contra a cona, a esfregar-lhe os lábios de cima a baixo antes de entrar. Ela estava tão molhada que o primeiro terço deslizou de uma vez só, quente, apertado. Ingrid prendeu a respiração. Empurrei o resto de um fôlego, até as ancas me baterem nas dela, e fiquei quieto um segundo a sentir a cona a adaptar-se, a pulsar à volta da piça.
Depois comecei a foder, e o carro abanava. O joelho dela espetava-se no encosto, o outro caía para o lado da porta, e cada estocada fazia-lhe os peitos saltar debaixo do vestido. Puxei-lhe o decote e apanhei um mamilo com a boca, a chupar enquanto lhe metia a piça até ao fundo. Ela segurou-me a nuca e empurrou o peito contra a minha cara, e a cona apertou-me quando lhe passei os dentes de leve no bico.
«Mais fundo», disse ela ao pé do meu ouvido, e as unhas cravaram-se-me nas costas por cima da camisa.
Afundei, e o estofo queixava-se. O som da piça a entrar na cona dela enchia o habitáculo, molhado, ritmado, e ela acompanhava com as ancas, a encontrar-me a meio, a querer tudo. Olhei-lhe para a cara. Tinha a boca aberta, os olhos em mim, e havia ali uma fome que já não tinha nada que ver com a sessão nem com a boleia. Fodia-a de frente até sentir os próprios ovos a bater-lhe no rabo, e ela gemeu alto pela primeira vez, um som que a noite lá fora podia ter ouvido se alguém passasse.
Parei só o tempo de lhe virar o corpo.
Ingrid percebeu sem que eu dissesse nada. Virou-se de quatro no banco, o rabo para mim, o vestido ainda na cinta, e baixou os ombros contra o estofo. A cona ficou-me à altura da boca outra vez, vermelha, aberta, a escorrer pelo sítio onde a piça tinha estado. Segurei-lhe as ancas e meti de um fôlego só, até ao fundo, e o gemido dela saiu abafado contra o tecido do banco. Comecei a foder com estocadas longas, fundas, a sair quase toda e a voltar a enterrar a piça duma vez, e o rabo dela tremia a cada encontro.
Foi então que os vi.
Um casal vinha a pé pela berma, do lado do capô, provavelmente a regressar de algum jantar na vila. A mulher segurou o braço do homem e os dois abrandaram junto ao vidro da frente. A luz amarela dum candeeiro distante chegava-lhes à cara. Vi os olhos dela a procurar o interior do carro, a demorar-se, a perceber o movimento. O homem disse qualquer coisa baixa. Não se afastaram.
A piça ficou-me quieta dentro da Ingrid. O corpo pedia para sair, para puxar o vestido, para fingir. Ingrid olhou por cima do ombro, viu o casal através do vidro, e em vez de se encolher empurrou o rabo contra mim. A cona apertou-me toda, de propósito. A mão dela foi-me à anca e puxou-me para dentro outra vez, até eu lhe sentir o fundo.
«Não pares.» A voz saiu-lhe clara, sem vergonha. «Estão a ver. Continua.»
O casal não se mexia. A mulher do lado de fora tinha a boca entreaberta e o homem olhava para o sítio onde as nossas ancas se encontravam. Ingrid segurou o encosto e empurrou-se para trás, a foder-se na minha piça à frente daqueles dois, e o som molhado voltou, mais alto, como se ela quisesse que ouvissem. Voltei a meter. A hesitação durou o tempo de uma estocada. Depois agarrei-lhe a cinta do vestido e fodi-a a sério, fundo, o corpo a bater-lhe no rabo com uma força que fazia o carro mexer sobre as rodas.
Ingrid gemeu de propósito. Olhava para o casal enquanto eu lhe enchia a cona, e vi-lhe o prazer a mudar de sítio, a ficar maior, mais feio, mais verdadeiro. A mulher lá fora desviou os olhos e voltou a pô-los. O homem passou a mão pelas costas dela, distraído, e mesmo assim não andaram. Metia e Ingrid recebia. A piça saía-lhe luzidia e voltava a desaparecer, e ela dizia o meu nome contra o banco como se aquilo fosse uma coisa que os dois do lado de fora precisavam de ouvir.
A cona dela começou a tremer-me à volta da piça em ondas curtas, e Ingrid enterrou a cara no estofo para não gritar. Continuei a foder enquanto o corpo dela se sacudia, as ancas a bater, e senti-me a chegar sem conseguir travar. Segurei-lhe os ossos da bacia e enterrei-me até ao fim, uma, duas, três vezes fundas, e vim-me-lhe na cona com o corpo inteiro a despejar, quente, aos solavancos que me dobraram sobre as costas dela. Fiquei lá dentro a pulsar. Ela ainda não tinha acabado.
O casal deu um passo, depois outro, e finalmente seguiram pela berma, a mulher a dizer qualquer coisa ao homem que o fez rir baixo. Os passos afastaram-se na gravilha. Ingrid empurrou-me a mão para entre as pernas, ainda com a piça a amolecer-lhe dentro, e os meus dedos encontraram-lhe o clitóris inchado, escorregadio do que eu lhe tinha deixado. Esfreguei em círculos apertados. Ela abriu mais as pernas sobre o banco e veio-se contra a palma, o corpo a sacudir, a cona a apertar o que restava de mim, um som rouco preso na garganta até se desfazer.
Ficámos assim, a respiração dela a acalmar contra o estofo. Passei-lhe a mão pelas costas, por cima do vestido amarrotado, e ela riu-se baixinho, um riso cansado que não pedia que eu dissesse nada de jeito.
«O vestido vai ter de ir à limpeza», murmurou, já a puxar o tecido para baixo das ancas, e era a coisa prática, dita como quem trata do que vem a seguir em vez de falar do que tinha acabado de acontecer.
Saímos do banco de trás em silêncio. As calças custaram-me a fechar. Ela alisou o cabelo com os dedos no espelho da pala e não olhou para o sítio onde o casal tinha estado. Arranquei o carro. A secundária devolveu-nos à estrada de Sintra, e Lisboa lá em baixo era só uma mancha de luzes. Nem ela nem eu falámos da paragem. O cheiro dela ficou no habitáculo até ao aeroporto da cidade, misturado com o musgo que ainda lhe vinha no cabelo desde a sessão.
Deixei-a à porta do hotel, o motor ao ralenti contra o passeio. Ingrid abriu a porta, apeou-se com o saco da sessão a bater-lhe na perna, e fechou sem se inclinar para um beijo. Ficou um segundo no passeio, o casaco outra vez nos ombros, e olhou para dentro do carro com uma expressão que eu não soube ler até ao fim. Não explicou o gesto no ganga, nem o casal, nem o modo como me tinha puxado para continuar quando qualquer pessoa com juízo teria puxado o vestido.
«Amanhã tenho o dia livre», disse ela, e a frase veio quente e curta, à espera. «A costa.»
Não acrescentou o meu nome. Não perguntou se eu aparecia. Virou-se e entrou no hotel com o mesmo passo calmo com que tinha baixado a cabeça para o colo, e a porta de vidro devolveu-me o reflexo vazio da rua. Fiquei no carro a olhar para aquele reflexo mais tempo do que era preciso. Ainda me doía o sítio onde ela me tinha apertado por dentro, e no entanto o que me ficava na cabeça não era o fim, era o momento em que o casal parara junto ao capô e ela, em vez de se esconder, me tinha mandado continuar. Havia naquela mulher um desejo que ainda não tinha nome, e eu tinha-o visto à procura de quem ficasse quando houvesse gente à vista.