
Ingrid nas Dunas do Guincho
Sexo na praia quase vistoRisco Público12 min de leitura
Um conto de Ingrid Svensson
Ingrid vai à Praia do Guincho para ficar sozinha com o que aconteceu na véspera. Um instrutor de surf fica ao pé dela o tempo suficiente. Nas dunas, a gente na rebentação não os faz parar.
A Praia do Guincho, ao fim da tarde dum início de verão, tinha o vento a varrer a areia em faixas baixas que se desfaziam contra os tornozelos. O mar partia-se branco contra os rochedos da ponta e o cheiro a sargaço misturava-se com o creme solar que as escolas de surf deixavam no ar ainda quente. Estava a empilhar as últimas pranchas junto à tenda quando a vi sentada acima da linha da maré, o fato de banho preto ainda húmido, os braços fechados à volta dos joelhos. Ingrid Svensson tinha vinte e um anos e o cabelo claro preso dum modo que o vento já tinha desfeito, e olhava o Atlântico com uma calma que não pedia companhia. Aos vinte e sete anos, já tinha aprendido a não interromper esse género de silêncio, mas os pés afundaram-se na areia na mesma, como se o corpo tivesse decidido antes da cabeça.
O vento trazia, da véspera, um quase que ninguém tinha nomeado, uma coisa suspensa entre o convite e a recusa.
«Se vieste dizer que a água está boa, já sei», disse ela, e o sorriso era curto, à espera de ver se jogava. Fiquei parado à frente dela com a toalha ao ombro, e o sol, a descer para o lado de Cascais, pintava-lhe a clavícula duma cor gasta, quase de cobre. Ela não acrescentou nada e esperou, o queixo pousado nos joelhos, o olhar ainda no horizonte.
«Não vim dizer nada disso», respondi. «Vim porque continuas aqui.»
Ingrid riu-se pelo nariz e deixou a areia escorrer-lhe pelos dedos até ao colo. A pele tinha sal seco e um vestígio de creme que o banho não levara. Quando se levantou, o tecido preto colou-lhe os peitos e o recorte das ancas, e o olhar atravessou-me sem pressa, a medir se ficava de verdade ou se desaparecia na berma da estrada com o vento por desculpa.
«Então ficas», murmurou. Não era pergunta, era a frase seguinte, prática, como quem nomeia o que vai acontecer.
Assenti, e o coração batia mais depressa do que o ofício de arrumar pranchas justificava. Ela passou por mim a caminho das dunas mais altas e não olhou para trás para confirmar. Segui-a porque ela tinha ficado, e porque o corpo, ao andar, fazia o fato entrar-lhe pelo rabo duma maneira que me apertou a garganta. A areia ainda aquecia nas costas das dunas, e o vento, ali no oco, baixava o tom e deixava a rebentação como um pano distante. Ingrid ajoelhou-se na toalha, virou o rosto e puxou-me pela t-shirt húmida até ter a boca à altura da minha.
«Agora», disse ela.
Beijei-a com a boca já aberta, e o lábio dela sabia a sal e a bálsamo barato. A língua entrou-me com uma decisão que não pedia licença. A mão desceu-me depois o peito, encontrou o cordão dos calções e abriu-o, e só então os dedos se fecharam em volta do pau, com uma lentidão que me tirou o ar. Gemi contra a boca dela, e ela sorriu no beijo antes de se deitar de costas, as pernas a abrir o suficiente para o convite ficar claro. Ajoelhei-me entre os joelhos dela e puxei o recorte do fato para o lado. A cona estava escura de humidade, os lábios inchados, e o cheiro misturava o mar com ela dum modo que me fez baixar a cabeça sem pensar em mais nada.
Lambi-lhe a fenda inteira, devagar, da entrada até ao clitóris, e o gosto era a quente e a salgado. Ingrid arqueou as ancas contra a boca e agarrou-me o cabelo com os dedos abertos. Chupei-lhe o clitóris entre os lábios e meti-lhe a língua dentro, a fundo, a ouvi-la cortar a respiração. Os gémeos tremeram-lhe contra os ombros. Continuei, mais devagar do que ela puxava, porque cada vez que a língua apertava aquele ponto ela soltava um som baixo que se perdia no vento e me deixava ainda mais duro dentro dos calções.
«Mais», pediu ela, e a voz saiu-lhe rouca. «Não pares aí.»
Meti-lhe dois dedos enquanto a chupava, e a cona apertou-mos logo, quente e escorregadia, a puxar-me até ao fundo. Fodi-a com os dedos no mesmo ritmo da boca, e ela começou a mexer-se contra a cara, o fato ainda preso dum lado, um peito quase a saltar do decote quando arqueava. A areia colava-me aos joelhos e o sal da pele misturava-se-me na língua com o sabor dela, mais espesso agora. Senti-lhe as coxas a fechar-se à volta da cabeça como se quisesse guardar-me ali. Continuei a lamber-lhe o clitóris com a ponta da língua, apertada e rápida, os dedos curvados a procurar-lhe por dentro aquele sítio que a fazia perder o fio da frase.
Ingrid veio-se com um gemido que engoliu a meio, as ancas a bater-me no queixo, a cona a pulsar à volta dos dedos duma forma tão nítida que me doeu o pau contra o pano. Não retirei a boca. Lambi-a enquanto ela ainda tremia, mais devagar, até os dedos dela afrouxarem no cabelo e o peito lhe descer num suspiro comprido. Olhou-me de cima, as pestanas húmidas de vento ou de outra coisa, e puxou-me para cima pelo ombro com uma força que não pedia desculpa.
«Quero-te dentro», disse. «Agora, Miguel.»
Deitei-me de costas sobre a toalha porque ela me empurrou. Ingrid passou-me a perna por cima da cinta com uma decisão limpa. Puxou-me os calções até meio das coxas e segurou-me o pau com a mão direita. Só depois desceu sobre ele duma só vez, a cona a engolir-me até ao fundo. O ar saiu-me todo. Ela ficou quieta um segundo, os olhos fechados, a habituar-se, e depois começou a mover-se com o rabo pesado, a subir quase até à cabeça e a cair de novo, molhada o suficiente para o som se ouvir entre nós, húmido e obsceno contra o vento.
Agarrei-lhe as ancas. Ela tirou-me uma das mãos e pô-la no peito, por baixo do tecido, a obrigar-me a sentir o mamilo duro contra a palma. Cavalgava-me com o tronco um pouco inclinado para a frente, o cabelo claro a cair-lhe sobre a boca, e cada descida era fundo demais para fingir que ainda mandava em alguma coisa. A cona apertava-me a cada subida, quente, a puxar-me a pele, e via-lhe o recorte enfiado para o lado, a deixar à mostra o sítio onde o pau desaparecia nela. O sol baixo dourava-lhe as coxas. Mais abaixo, na rebentação, havia vultos com pranchas, longe ainda, e o facto de estarmos ali, naquele oco de duna, fazia-me o sangue bater nos ouvidos.
«Estás a olhar o mar», disse ela, sem abrandar. «Olha para mim.»
Olhei. Ingrid tinha a boca entreaberta e um vermelho alto nas maçãs do rosto, e mexia-se com um ritmo que era dela, não meu. Quando se inclinava, os peitos escapavam-lhe um pouco do decote, e ergui-me sobre os cotovelos para lhe apanhar um mamilo com a boca. Chupei-o, e ela gemeu e acelerou, o rabo a bater-me no ventre, o pau a latejar-me dentro dela duma forma que me avisava que não ia aguentar muito se ela continuasse assim. Segurei-lhe o rabo com as duas mãos e ajudei-a a descer mais fundo, a foder-me com o peso todo, e o gemido que lhe saiu então não tinha nada de contido.
Ficámos assim um bocado, o corpo dela a trabalhar o meu, a areia a entrar-nos pelos sítios onde a toalha tinha encolhido. Houve um instante em que ela abrandou, pousou as palmas no peito e riu-se dum riso curto porque um grão lhe tinha picado o joelho. Ajeitou-se, voltou a sentar-se até ao fundo, e o riso morreu-lhe na garganta quando lhe apertei o clitóris com o polegar. A cona tremeu-me em volta. Ela mordeu o lábio e continuou, mais lenta, a fazer o pau entrar e sair com uma precisão que me deixava a ver tudo, a humidade dela a brilhar na pele, o tecido a marcar-lhe a anca como uma tira inútil.
«Levanta-me», pediu. «Quero o rochedo.»
Levantei-me com ela ainda encaixada, os calções pelos joelhos, e caminhámos os três passos até à pedra quente. O pau escorregou-lhe para fora a meio do caminho. Ingrid virou-se de frente para o rochedo, apoiou as mãos na superfície gasta pelo sal e abriu as pernas. Puxei-lhe o recorte outra vez para o lado. Alinhei a cabeça do pau na cona encharcada e enterrei-me dum só impulso. Ela arqueou as costas e empurrou o rabo contra mim. Comecei a fodê-la de pé, com as mãos nas ancas dela, e cada estocada a fazia bater de leve na pedra, o som da pele molhada a misturar-se com o vento que vinha do mar.
O fato, puxado daquele modo, deixava-lhe o rabo quase nu dum lado e a cona completamente à mostra, e via-me a entrar e a sair dela com uma clareza que me tirava o juízo. Fodi-a mais fundo, e as coxas dela começaram a tremer contra a pedra. Inclinei-me sobre as costas nuas, beijei-lhe a nuca onde o cabelo estava preso e sujo de areia, e meti-lhe a mão à frente para lhe esfregar o clitóris enquanto continuava a meter-lhe o pau até ao fundo. Ingrid gemeu alto, sem baixar a voz, e o som ficou no oco da duna. O meu nome saiu-lhe a seguir, partido, como se o estivesse a usar para se aguentar na pedra.
«Mais forte», disse. «Não me tratas como se fosse partir.»
Apertei-lhe a anca com os dedos e fodi-a a sério, o corpo a bater-lhe no rabo, o pau a sair quase todo e a voltar a entrar duma vez. A cona fazia um barulho húmido a cada estocada. Ela encostou a testa ao rochedo e abriu mais as pernas, a oferecer-se, e senti-lhe o calor a escorrer-lhe pela raiz da coxa abaixo, misturado comigo. O sol já estava baixo o suficiente para a luz ficar comprida, e a rebentação, mais perto do que queria admitir, trazia vozes. Ignorei-as enquanto pude. O pau doía-me de tão duro, e ela apertava-me cada vez que lhe dava no fundo, um anel quente que me puxava para a vir.
Houve um momento de respiração, só o vento e o recuo das ancas dela contra mim, em que lhe beijei o ombro e senti o sal da pele. Ingrid virou o rosto o suficiente para me apanhar a boca de lado, num beijo desajeitado e molhado, e murmurou contra os lábios que não parasse. Não parei, e voltei a meter-lhe o pau até ela soltar o ar todo. Continuei, mais fundo, as mãos a marcar-lhe a pele sem a magoar, o tecido a servir só para a prender dum lado como se ainda houvesse uma regra a cumprir. Não havia. Havia a pedra, a areia, e o corpo dela a pedir-me que ficasse até ao fim.
Dois homens saíram de água com as pranchas debaixo do braço e subiram a areia na direcção das dunas, a poucos metros do oco onde estávamos. Vi-os primeiro, quando ainda iam a meio da subida. O corpo tentou tapá-la sem pensar, uma mão a puxar-lhe o fato para o sítio, o tronco a fechar-se sobre as costas dela como se o peito pudesse apagar o que se via. Ingrid tirou-me a mão, segurou-me a anca por trás e manteve-me dentro, o pau ainda fundo na cona, e virou o rosto o bastante para que a frase me acertasse na cara.
«Não me tapes», disse, e havia raiva quente por baixo da voz. «Fode até te vires. Quero que fiques.»
Os dois homens passaram tão perto que o plástico das pranchas rangeu. Um deles olhou, sem abrandar o passo. O olhar durou o tempo dum passo a mais na areia, o suficiente para ver as pernas dela abertas, o corpo colado ao rabo, o recorte puxado para o lado. Ingrid não fechou as coxas. Empurrou-se para trás contra o pau e mandou-me continuar com um movimento das ancas que não deixava dúvida. Fodi-a ali, à vista possível, cada estocada mais funda porque ela me pedia isso com o corpo, e o medo de sermos reconhecidos misturava-se-me com uma excitação tão suja que me tremeu a barriga. Ela quis aquilo. Quis o risco e quis que não fizesse dele um laço mais leve.
«Olha para mim, não para eles», murmurou, e riu-se baixo duma maneira que não era brincadeira. A cona apertou-me com força. Continuei a meter-lho, o som húmido agora impossível de esconder, e ela gemeu sem cuidado nenhum, a testa no rochedo, as mãos abertas na pedra. Os homens já iam mais acima, um a dizer qualquer coisa ao outro, mas o facto de terem visto ficou entre nós como calor. Ingrid recusou esconder-se. Eu é que tinha querido escondê-la, e ela leu isso no gesto da mão, e zangou-se com uma clareza que me fodia ainda mais fundo do que o pau.
Vim-me quase sem aviso. Retirei-me à última, porque o corpo já não obedecia, e a porra saiu-me quente sobre as coxas dela, branca contra a pele tostada, a escorrer-lhe para dentro da curva onde o tecido estava puxado. Ingrid ofegou e segurou-se à pedra. Passei-lhe os dedos no clitóris, rápido, molhados dela e de mim, e ela veio-se outra vez, mais curta, as pernas a tremer, um gemido preso nos dentes. Ficámos assim, o vento a secar-nos o suor, a mancha visível nas coxas dela como uma frase que nenhum dos dois sabia ainda ler.
Ela puxou o fato de banho para o sítio com as mãos ainda a tremer e não me olhou logo. Quando olhou, o sorriso tinha-se ido.
«Não precisas de me tratar como um segredo», disse. «Se ficas, ficas à vista.»
Vestimo-nos sem conversa. Sacudi-lhe areia das costas com a toalha e ela deixou, mas quando a mão desceu até ao cotovelo ela afastou-se o bastante para o gesto morrer. Os calções, a t-shirt húmida, o fato dela outra vez no sítio certo, tudo parecia agora um disfarce frágil. Caminhámos de volta pela areia, lado a lado, e nenhuma das mãos procurou a outra. O mar estava mais baixo, a escola já tinha recolhido as pranchas, e o parque, ao longe, começava a ter os primeiros faróis acesos.
Ingrid parou junto ao saco que tinha deixado perto da marca da maré. Agachou-se, tirou o elástico do cabelo, e um cartão promocional escorregou-lhe de entre a toalha e o telemóvel, virado para cima na areia. Abaixei-me para lho dar. No cartão havia o logótipo dum ginásio em Lisboa, a morada, um horário, e o rosto dela impresso dum lado com uma frase de marca que o vento quase levava. Ela pegou-lhe sem pressa, limpou o grão com o polegar e guardou-o na palma como quem guarda uma chave.
«Isto da areia não chega», disse, e a voz saiu-lhe baixa, prática. «Quero uma porta que possa ficar aberta.»
Não pediu que a acompanhasse nem pediu desculpa pelo que tinha recusado tapar. Ficámos os dois a olhar o cartão um segundo a mais, o ginásio de Lisboa ali entre o polegar e o indicador dela, e o vento a trazer de novo o cheiro a sargaço. Depois ela meteu o cartão no saco, passou por mim a caminho da berma, e o espaço entre os ombros ficou do tamanho exacto duma mão que ninguém segurou.