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Ingrid Svensson

Ingrid no Voo para Estocolmo

Sexo no avião escondidoRisco Público10 min de leitura

Um conto de Ingrid Svensson

No voo de Lisboa para Estocolmo, Ingrid partilha a fila com um homem que não lhe conhece o nome. Debaixo da manta, e depois na casa de banho da cabine, ela escolhe não esperar mais.

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O avião ainda estava parado no asfalto de Lisboa quando ela se sentou ao meu lado. A manhã de início de verão entrava pelas vigias numa luz já quente, e a cabine ia-se enchendo do arrastar das malas nos compartimentos de cima. Tinha vinte e um anos. Li-o no cartão de embarque que lhe escorregou um instante sobre o joelho, e os meus trinta fizeram-me sentir o voo como uma coisa mais comprida do que as horas marcadas no ecrã. Não me conhecia de lado nenhum. Também não lhe conhecia a cara, e isso pareceu assentar-lhe no corpo com uma quietude que não pedia conversa imediata.

Pediu desculpa em português lento, o sotaque do norte da Europa a deixar as vogais mais abertas, e perguntou se o lugar da vigia me fazia falta. Disse-lhe que não, que o corredor me chegava. Ela puxou o cinto com um gesto pequeno e sorriu para a frente, como quem já tinha decidido ficar. Falámos do mau café do aeroporto e do calor que Lisboa já largava na rua. O nome dela veio no meio disso, Ingrid, dito sem cerimónia. O meu saiu quando o assistente de bordo passou a pedir os cintos apertados. Ela repetiu «Diogo» baixinho, a provar o som, e depois calou-se a ver se correspondia ao jogo.

A descolagem empurrou-nos contra os encostos. O Tejo ficou uma fita estreita por baixo da asa. Alguém fechou as luzes da cabine pouco depois, aquela penumbra falsa com que as companhias tentam inventar noite num voo da manhã. Ingrid tirou a manta cinzenta do bolso do assento e abriu-a sobre os dois colos com um cuidado que não pedia testemunhas. A mão dela, por baixo do pano, pousou-me no joelho. Ficou ali o tempo suficiente para eu perceber que não era um acerto de postura. «Não ia esperar mais», disse ela, e não explicou porquê.


Os dedos subiram-me pela coxa por cima da ganga, devagar, e olhei para o corredor como se o ecrã à minha frente tivesse alguma coisa urgente. Ninguém estava a olhar. A mulher do outro lado do corredor já dormia com a cabeça tombada, e o assistente de bordo tinha desaparecido para a zona do serviço. Ingrid desabotoou-me os jeans com o polegar e o indicador, um movimento tão contido que a manta nem se mexeu. Só depois meteu-me a mão por dentro das cuecas.

A palma encontrou-me a piça já a endurecer e fechou-se em volta com uma segurança que me tirou o ar. Começou a masturbar-me ali, curta e justa, a pele dela quente contra a minha. Agarrei o braço do assento para não fazer um som. Ela inclinou o tronco como quem ia ver o ecrã, o cabelo a cair-lhe para a frente, e murmurou «Está bem assim?» com aquele calor curto de quem testa e depois espera. Respondi-lhe que sim, que continuasse. A mão apertou-me com mais força, o polegar a passar-me pela cabeça já molhada, o pulso a trabalhar por baixo da manta como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.

Senti-lhe a respiração mais perto do ombro. A cabine fazia o seu ruído surdo de ar condicionado e de motores, e por baixo disso o movimento dela era o único que importava. Continuei a olhar para a frente, o maxilar cerrado, e ela acelerou, a mão agora toda molhada da minha própria pele, a puxar-me da base até à ponta com uma regularidade que me fazia subir depressa demais. «Mais devagar», pedi-lhe quase sem boca. Ela riu baixinho contra o meu ombro e obedeceu, mas o riso não era recuo. Era o gosto de me ter ali, duro, à mercê daquela fila de assentos.

Os jeans tinham-me descido o suficiente para ela trabalhar à vontade, e as cuecas estavam já abaixo da piça, o tecido a marcar-me a pele. Cada passagem da mão fazia-me contrair o ventre. Tive de morder o interior da bochecha quando ela apertou mais fundo, o punho fechado, o ritmo agora sujo e certo. Olhei-lhe o perfil. Ingrid tinha os lábios entreabertos e os olhos no ecrã apagado, como se estivesse a seguir um filme. Imaginei-lhe a cona já quente no sítio, o rabo quieto no assento, o corpo inteiro a escolher aquilo sem pressa de o esconder a quem não soubesse ver.


Inclinei-me para lhe falar ao cabelo e ela antecipou-me. Baixou o tronco, escondeu a cabeça no recato do tecido e pousou-me a boca na ponta da piça como quem não precisava de mais convite. O calor húmido fechou-se-me à volta da cabeça e um som baixo escapou-me da garganta, abafado no ombro dela. Ingrid chupou-me ali, no lugar, a cabine em penumbra, a manta a cobrir-lhe a cabeça e o meu colo. A língua deu-me a volta com uma lentidão suja que me fez agarrar-lhe a nuca por baixo do pano. Não pediu licença. Enfiou-me mais fundo, as faces cavadas, e começou a mamar-me com um ritmo curto que o pano quase disfarçava.

Fiquei a olhar o corredor por cima da cabeça dela, o coração a bater-me nos dentes. Um homem duas filas à frente mexeu-se no assento e voltou a dormir. O gosto da minha própria pele, soube-o pelo modo como ela engoliu saliva, já lhe ia na boca, e os lábios apertavam-me a cada subida com um som húmido que o ruído dos motores ainda tapava. «Assim», murmurei. Ela fez que sim com a cabeça sem me tirar da língua, o cabelo a roçar-me a barriga, a mão a segurar-me a base para eu não ir longe demais.

O assistente de bordo apareceu no corredor com um saco do lixo nas mãos, a passar fila a fila, e o corpo inteiro ficou-me rígido. Ingrid não tirou a boca. Continuou a chupar-me, mais lenta, mais funda, como se a sombra daquele homem no corredor fosse parte do que ela tinha escolhido. Forcei os olhos no ecrã, um sorriso tenso de quem não quer café. Ele passou ao pé do meu joelho, tão perto que lhe senti o pano da calça. Ela meteu-me a piça até ao fundo da garganta, o nariz contra o meu ventre, e ficou assim até os passos se afastarem. Só então subiu um pouco, puxou ar, e voltou a lamber-me a cabeça com uma demora que me fez cravar as unhas no plástico do braço.

Deitei-lhe um olhar breve, o suficiente para a encontrar na sombra do pano. Ela ergueu os olhos para mim com a boca cheia, a saliva a brilhar-lhe no lábio, e não havia vergonha nenhuma naquele olhar. Havia fome e havia o gosto do risco, as duas coisas juntas. Quando o corredor voltou a ficar vazio, chupou-me ainda mais um pouco, sem pressa e sem pudor, até eu lhe dizer, com a voz partida, que se ela continuasse vinha-me ali mesmo contra a língua.


Endireitou-se com a mesma calma com que se tinha baixado. Limpou o canto da boca com o dedo e puxou-me os jeans para cima, sem os abotoar de todo. A manta ficou no colo como se nada se tivesse passado. Ingrid bebeu um gole de água, olhou o sinal das casas de banho no ecrã de cima e nomeou a coisa seguinte como quem marca uma hora. «Vou primeiro. Tu esperas dois minutos e vens. A da frente, do lado esquerdo.» Não perguntou se eu queria. Já sabia.

Levantou-se, passou-me à frente com um toque de joelhos que ninguém leria, e desapareceu pelo corredor estreito. Contei os minutos pelo relógio do ecrã, a piça ainda dura e molhada por dentro da ganga. Quando me levantei, o mundo da cabine pareceu-me alto demais, as cabeças inclinadas, um filme a correr dois lugares à frente. A luz vermelha da casa de banho já estava acesa. Empurrei a porta. Ela puxou-me para dentro de um só gesto e fechou o ferrolho. O espaço minúsculo cheirou a sabão e a ar forçado.

Ingrid já tinha as calças pelos joelhos, a camisola erguida até ao peito. Agarrou-me a cara com as duas mãos e beijou-me com a boca ainda a saber-me a mim. Virei-a contra a porta. A madeira fina tremeu no encaixe. Meti-lhe a mão entre as pernas. A cona estava encharcada, os lábios quentes, e ela abriu-se contra os meus dedos com um som preso na garganta. «Fode-me», disse, baixo, claro, e não havia nada ali que pedisse doçura. Libertei a piça. Esfreguei-lhe a cabeça de cima a baixo na fenda molhada. Só então enfiei-me nela de um só fôlego, até ao fundo, o rabo dela a bater-me na barriga, a porta a ranger contra os ombros.


Fodi-a assim, curta e funda, o espaço a obrigar-nos a um ritmo sujo, o peito dela contra a porta, uma mão a tapar-lhe a boca quando a voz ameaçava subir. A cona apertava-me a cada embate, quente, escorregadia, e ela empurrou o rabo para trás para me levar inteiro, as coxas a tremerem contra as minhas. O espelho minúsculo devolveu-me um recorte do pescoço dela e da minha cara cerrada. O ventilador fazia um barulho constante que ainda assim não tapava o som da pele. Alguém bateu na porta, três toques secos, e uma voz do corredor disse que a luz de ocupado já ia longa.

Ingrid não parou. Encostou a testa à porta. Mordeu-me a mão que lhe tapava a boca. Veio-se assim, calada, a cona a pulsar-me em volta da piça numa sequência apertada que me fez perder o ritmo. O corpo dela endureceu e depois desfez-se, um tremor comprido. Mesmo com a pessoa à espera do lado de fora, levou aquele orgasmo até ao último fio, os olhos fechados, um resto de voz a escapar-se-lhe entre os meus dedos. Continuei a fodê-la enquanto ela ainda se sacudia, mais lento, mais fundo, e os toques na porta repetiram-se, já com impaciência.

Tirei-me de dentro dela quando senti que não aguentava. Ingrid virou-se de imediato. Baixou-se o pouco que o chão permitia e meteu-me a piça na boca ainda molhada dela. Vim-me-lhe assim, contra a língua, o gosto salgado a encher-lhe a boca em pulsos curtos. Ela engoliu o que pôde e deixou o resto escorrer-lhe pelo lábio até ao queixo. Segurei-lhe o cabelo, o corpo a desfazer-se-me contra aquela garganta estreita, e ela não recuou. Ficou a chupar-me até eu não ter mais nada, a porta a tremer com outro murro do lado de fora. Quando me tirei da boca dela, passou a língua pelos lábios e olhou-me de baixo, a respiração desencontrada, e não havia nada naquela cara que pedisse desculpa.


Puxámos a roupa com as mãos ainda a tremer. Ela as calças, eu os jeans. Limpámos no espelho, com papel áspero, o que se via. Ingrid passou-me os dedos pelos cabelos para os desfazer do aperto, um gesto prático, quase terno, e sussurrou «Sais primeiro tu. Eu conto até trinta.» Abri o ferrolho. No corredor havia um homem de meia-idade com cara de quem já tinha perdido a paciência. Atravessei-lhe o olhar com um aceno curto de desculpa, o gosto dela ainda nas mãos, e voltei ao lugar como se tivesse ido só à casa de banho.

Ela apareceu pouco depois, passou-me à frente, sentou-se e puxou de novo a manta para o colo. Não fingiu que tinha sido pouco. Olhou-me de lado, a boca ainda escura, e disse, baixo, «Ainda te sinto aqui.» Tocou-se nos lábios com o indicador, como quem não ia transformar aquilo numa brincadeira. O assistente de bordo passou outra vez, já com o carrinho, e ela pediu água com uma voz perfeitamente lisa. Quando ficámos sozinhos na penumbra, encostou a cabeça no meu ombro e ficou, o corpo quente, as pernas encostadas às minhas, a cabine inteira a ignorar-nos com aquela cegueira educada dos voos longos.

Falou-me do frio que a esperava mesmo no início do verão, e da luz longa das noites de Uppsala. Ouvi-a com a palma aberta no joelho dela, escondida no tecido cinzento, sem voltar a pedir mais do corpo. Não era recuo. Era o resto do voo a caber entre nós sem que ela precisasse de aligeirar o que tínhamos feito naquela casa de banho, com uma porta a ser batida e a boca dela cheia. Ingrid entrelaçou-me os dedos e apertou, uma vez só, e o aperto valia por uma frase inteira.


A aterragem em Estocolmo foi limpa, a cidade baixa e clara por baixo das asas, e o cinto apertou-nos de novo contra os assentos. Ingrid não se afastou. Quando os motores recuaram e as luzes acenderam, passou a língua pelo canto da boca como quem ainda tinha ali um gosto que não queria apagar, e soube, sem ela o dizer, que o meu corpo ia com ela para fora daquele avião. Saímos na fila lenta, as malas de cabine a bater-nos nos joelhos, e no corredor da manga ela caminhava ao meu lado sem disfarçar o ombro contra o meu.

No controlo de passaportes fiquei atrás dela o tempo suficiente para lhe ver a cara na fotografia e a cara verdadeira, a mesma boca, o mesmo sossego, e o funcionário devolveu-lhe o documento sem um segundo olhar. Do outro lado, na zona dos tapetes das bagagens, ela parou, ajeitou a alça do saco e olhou-me de frente, sem sorriso de encerramento. «Tenho uma campanha à espera em Uppsala», disse, a voz baixa no meio do arrastar das malas. «Os meus amigos vão querer saber como foi Portugal.» Não riu. Não fez da frase uma coisa leve. Ficou ali, a mulher que se tinha vindo na minha piça com alguém à porta, e o que ia levar para casa já lhe ia na boca e no modo como não pedia que fingisse o contrário.