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Carolina Jiménez

Carolina na Última Fila

Sexo no cinema escondidoRisco Público13 min de leitura

Um conto de Carolina Jiménez

Carolina Jiménez compra ingresso para uma sessão pouco cheia num cinema de Puerto Vallarta para não ir cedo ao trabalho. Um homem senta-se na última fila ao lado dela. No escuro do filme, os dois decidem o que a tela não mostra.

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A sessão das cinco no cinema do centro de Puerto Vallarta quase não tinha gente. O sol da estação seca ainda batia no asfalto quando a porta se fechou atrás de mim e o ar frio da sala chegou de imediato, carregado a alcatifa e a manteiga fria. Comprei o bilhete sem perguntar o título e subi as escadas até à última fila, onde a escuridão ainda não era completa e as lanternas de serviço faziam um fio amarelo no tapete.

Havia uma mulher no lugar do meio. Carolina Jiménez tinha trinta e um anos, o cabelo escuro solto sobre os ombros, e uma saia leve que lhe deixava os joelhos à mostra contra o tecido gasto da poltrona. Não virou a cara quando passei. A fila inteira estava livre e mesmo assim sentei-me ao lado dela, perto o bastante para lhe sentir o calor do braço. Aos trinta e três anos, já deveria ter escolhido outro sítio, e contudo fiquei onde estava.

Quando o ecrã acendeu os anúncios, ela cruzou as pernas e a saia subiu-lhe um palmo pela coxa. Olhei para a pele que o tecido descobria e ela permitiu o olhar, sem puxar a saia nem juntar os joelhos. O filme começou pouco depois, um thriller com tiros a mais e legendas que ninguém naquela sala precisava, e o som encheu o espaço o suficiente para esconder a respiração. Inclinei-me para o cabelo dela e falei baixo.

«Vim para o filme.»

Ela esperou um segundo e repetiu a palavra com uma doçura que eu não lhe tinha dado.

«O filme.»

A mão desceu-lhe do colo para a minha coxa, sem pressa. Os dedos apertaram o tecido das calças, subiram ao longo da perna e encontraram o pau já duro, traçando-lhe o contorno por cima do fecho. Continuei virado para o ecrã e não vi um plano sequer. Com o polegar e o indicador, ela abriu-me o cinto e puxou-me o fecho; a mão meteu-se-me dentro das cuecas e segurou-me a piça quente, pele contra pele, o polegar a passar-me pela cabeça já molhada e luzidia.

«O que vieste buscar?» perguntou, tão baixo que a banda sonora quase lhe comia a frase.

Não respondi com palavras. Levantei-lhe a saia com a esquerda e encontrei as cuecas já húmidas no centro. Passei os dedos por cima do algodão e depois por baixo, e a cona estava quente e escorregadia, os lábios inchados contra as minhas falanges. Ela abriu um pouco as pernas na poltrona e deixou-me meter dois dedos até ao fundo, devagar, enquanto a mão dela subia e descia no meu pau com aquela calma que doía mais do que qualquer pressa.

«Carolina», disse ela, como quem oferece uma coisa pequena. «E tu?»

«Rafael.»

Ela apertou-me a piça na palma, uma vez só, e sorriu para o ecrã.


O thriller avançava a tiros quando ela se deitou de lado na poltrona, o tronco a atravessar o braço da cadeira, e a boca encontrou-me o pau ainda engatado nas cuecas. Puxei o tecido para baixo até às coxas e a piça saltou-lhe contra o lábio. Ela olhou para cima uma vez, os olhos escuros no escuro da sala, e só depois abriu a boca e recebeu-me a cabeça, quente e húmida, a língua a girar-me no frénulo, naquela pele fina por baixo da glande, com uma lentidão que me tirou o ar.

A mão direita foi-lhe à nuca, não para a empurrar, só para sentir o movimento. Ela desceu até me ter metade do pau na garganta e subiu outra vez, um fio de saliva a ligar-lhe o lábio à pele, e o som molhado ficou escondido debaixo de uma explosão no ecrã. Chupou-me com a boca frouxa e depois apertada, alternando o ritmo, e a mão livre segurou-me os tomates e puxou com cuidado, o polegar a circular-me a pele. Senti o líquido a escorrer-lhe na língua e ela engoliu sem se queixar, como se aquilo fizesse parte do preço do bilhete.

«Mais fundo», pedi, e a voz saiu-me rouca.

Ela fez o que pedi. A boca desceu até ao osso, o nariz encostado à barriga, e ficou ali um segundo, a garganta a tremer-me em volta da piça, os olhos húmidos quando voltou a subir. Um casal duas filas mais abaixo riu de uma piada do filme e ela não parou. A saliva escorria-lhe do canto da boca para o meu pau e ela limpou-a com a língua, longa, suja, antes de voltar a meter-me até ao fundo. A poltrona rangia um pouco sob o joelho dela. A saia tinha-lhe subido até ao rabo e as cuecas, puxadas para o lado, deixavam ver a cona brilhante mesmo ao lado do meu joelho. Meti-lhe outra vez dois dedos enquanto ela me chupava, e o gemido que lhe saiu veio tapado pelo meu pau, um som abafado que me fez latejar-lhe contra o céu da boca.

«Vais-te vir se eu continuar», murmurou ela, a boca a roçar-me a cabeça, a frase curta, sem pressa.

«Continua na mesma.»

Ela riu baixo contra a pele e voltou a engolir-me, agora com ritmo, a cabeça a subir e a descer no escuro do fundo da sala, e a projecção inteira podia ter acabado que eu não dava por nada. A língua apertava-me, a mão torcia-me a base, e o cheiro dela, a cona molhada tão perto, misturava-se com o cheiro a pipocas e a alcatifa. A ponto de lhe despejar a porra pela garganta, puxei-lhe o cabelo com cuidado e tirei-lhe a boca de mim. Um fio de saliva caiu-lhe do lábio para o queixo. Ela limpou-o com o verso da mão e olhou-me, a respiração irregular, a boca vermelha.

«Ainda não», disse. «Quero-te dentro.»


Puxei-a para o meu colo de frente para o ecrã, as pernas dela a abrir-se sobre as minhas, a saia a fazer-lhe uma tenda inútil. Desviei-lhe as cuecas para o lado com dois dedos e a cona pousou-me na cabeça do pau, quente, a escorrer-me já pela pele. Ela desceu um pouco, só a glande a entrar, e parou, a respiração presa, a mão agarrada ao meu joelho. O filme deitou uma luz azulada no perfil dela. Desci-lhe a blusa pelos ombros o bastante para lhe apanhar um peito na palma, o mamilo duro contra os dedos, e apertei.

«Mete», pediu.

Desci-a eu. O pau entrou-lhe de um fôlego, até ao fundo, a cona a fechar-se à volta com um aperto molhado que me fez fechar os olhos. Ela pousou as costas no meu peito e ficou quieta um segundo, cheia, o rabo assente nas minhas coxas, e depois começou a mexer-se em círculos pequenos, o clitóris a esfregar-se na base cada vez que descia. A poltrona queixou-se. Ninguém se virou. Fodi-a assim, de baixo para cima, com estocadas curtas e fundas, as mãos a abrir-lhe as coxas para a sala, e o tecido da saia tapava pouco. Quem olhasse da frente via duas cabeças. Quem olhasse de lado via o meu pau a desaparecer-lhe na cona.

«Rafael», disse ela, e o nome saiu-lhe numa expiração. «Mais devagar. Quero sentir-te inteiro.»

Apertei-lhe a anca e obedeci. Cada estocada era longa, até ao fundo, e à saída a cabeça puxava-lhe os lábios para fora, brilhantes, antes de voltar a entrar. Ela estava tão molhada que o som se ouvia entre os tiros do filme, um chapinhar baixo e obsceno. Beijei-lhe o pescoço, o sal da pele, e ela inclinou a cabeça para me dar mais sítio. A mão esquerda dela desceu até ao sítio onde estávamos ligados e apalpou-me os tomates cada vez que eu saía, os dedos escorregadios dela.

«Vim para não ir ainda para a cantina», disse, uma frase só, como quem explica um bilhete. Não pedi mais.

Continuei a foder-lhe a cona naquela poltrona do fundo da sala, o pau a latejar-lhe dentro, e ela rebolava o rabo contra mim com uma doçura que não batia com o que estávamos a fazer. Um peito tinha-lhe saído da blusa. Apertei o mamilo entre o indicador e o polegar até ela morder o lábio. A luz do ecrã pintava-lhe a barriga a tremer. Senti-a a apertar-me em ondas, ainda não a vir-se, só a pedir com o corpo, e agarrei-lhe os dois lados da saia para a fazer descer mais fundo em cada estocada.


Levantei-a de mim. O pau saiu-lhe com um som molhado e ela gemeu alto, pela primeira vez alto de verdade, um som que atravessou a música e foi morrer nas filas da frente. Virei-a de frente para a poltrona, as mãos dela no encosto, o rabo para mim, e levantei-lhe a saia até à cintura. As cuecas desci-lhas até aos joelhos. A cona ficou à vista, aberta, a pingar-lhe para dentro das coxas, e o cu contraído por cima, à espera de nada. Encostei-lhe a cabeça do pau aos lábios e entrei de um só golpe, até ao osso, e o gemido que ela soltou não teve filme que o tapasse.

Fodi-a inclinada sobre a poltrona, as estocadas largas, o som da pele contra a pele a misturar-se com os tiros. Ela empurrou o rabo para trás a cada embate, a pedir mais fundo sem usar a boca, e as mamas balançavam-lhe dentro da blusa aberta. A cona chupava-me à saída, faminta, e o molhado dela escorria-me pelos tomates e caía no tapete do fundo da sala. Agarrei-lhe o cabelo e puxei a cabeça para trás, não com raiva, com vontade, e ela arqueou as costas e deixou-se foder assim, a boca aberta virada para o ecrã, os olhos semicerrados.

«Alto», disse eu contra a orelha. «Quero que a sala ouça.»

Ela riu, um riso partido, e no embate seguinte gemeu de propósito, grosso, sujo, o nome nenhum, só o som de quem está a ser comida. Uma cabeça mexeu-se duas filas à frente. Continuei. O pau ia-lhe até ao fundo e o encosto da poltrona batia-lhe nos ossos das mãos. A saia estava um farrapo à volta da cintura. O cheiro a cona e a sexo subiu naquela fila como se o ar condicionado tivesse desistido. Ela olhou por cima do ombro, a boca vermelha, um fio de saliva no queixo, e pediu-me a coisa toda numa frase curta.

«Não pares, Rafael. Fode-me direito.»

Apertei-lhe o rabo com as duas mãos e abri-lho, a ver o meu pau a entrar e a sair daquele buraco inchado, brilhante, e meti o polegar no cu dela só até à unha, a pressionar. Ela tremeu toda e o gemido seguinte foi um grito curto, cortado, o bastante para a sala inteira saber o que se passava ali atrás.


O homem duas filas à frente virou-se. Vi-lhe a cara no clarão de uma explosão no ecrã, a boca entreaberta, os olhos presos no sítio onde o meu pau desaparecia na cona da Carolina. Ele não disse nada. Não se levantou. Ficou virado de lado no lugar, a ver. Carolina viu-o também. O corpo dela não recuou. Pelo contrário, abriu mais as pernas, o rabo mais alto, e olhou para mim por cima do ombro com uma calma nova, suja, como se aquele par de olhos fizesse parte do que ela tinha vindo buscar.

«Está a ver», murmurou.

«Está.»

«Então mostra-lhe.»

Fodi-a mais fundo, mais lento, para o homem ter tempo de ver cada centímetro a entrar. A cona dela fazia um som obsceno a cada estocada, molhada demais para esconder, e ela gemeu de propósito outra vez, virada para a frente, para ele, para quem mais quisesse. O homem passou a mão pelas calças, uma vez, e ficou a olhar. O coração batia-me nos ouvidos. A Carolina apertava-me por dentro em espasmos, a ordenhar-me o pau com o músculo, ainda sem se vir, e eu sentia-lhe o cu a contrair contra o meu polegar.

Inclinei-me sobre as costas dela, o peito no tecido da blusa, e falei-lhe ao cabelo enquanto a comia à vista daquele desconhecido.

«Queres que ele veja quando te vieres.»

Ela assentiu, a testa encostada ao encosto da poltrona, a respiração desfeita. O filme corria, os actores gritavam numa ponte, e no fundo da sala o único argumento era o pau a bater-lhe no fundo da cona e o homem da frente a não piscar. Continuei. As coxas dela tremiam. A saia caíra-lhe para a frente, inútil. O meu saco batia-lhe no clitóris a cada embate e ela já não conseguia calar o som, gemidos seguidos, altos, o tipo de som que uma cantina nunca lhe ouviria. O homem mudou de posição para ver melhor. Carolina viu o movimento e empurrou o rabo para mim com mais força, a oferecer-se aos dois ao mesmo tempo, a mim por dentro e a ele pelos olhos.


Quando o orgasmo lhe chegou, largou a provocação. A voz saiu-lhe outra, sem brincadeira, sem aquela calma com que repetia as palavras dos outros.

«Fode-me até ao fim do filme, Rafael. Não tires. Quero que ele veja tudo.»

Agarrei-lhe as ancas e dei-lhe o que pediu. As estocadas ficaram duras, fundas, o pau a abrir-lhe a cona sem descanso, e ela veio-se com um grito que não teve banda sonora que o salvasse, o corpo inteiro a tremer sobre a poltrona, a cona a mil pulsações à volta de mim, tão apertada que me doeu o prazer. O homem da frente não desviou o olhar. Ela veio-se outra vez em cima da primeira, um soluço, as pernas a falharem, e eu segurei-a pela barriga para não a deixar cair. Continuei dentro, como ela tinha mandado, a foder-lhe enquanto o orgasmo se lhe desfazia em espasmos pequenos, o molhado dela a escorrer-me pelas coxas e a pingar no tapete.

Vim-me assim, fundo, a encher-lhe a cona à vista daquele gajo, a porra a sair-me em pancadas quentes que ela recebeu com a boca aberta contra o encosto. Não saí. Fiquei-lhe dentro, a latejar, a última porra a escapar-me já sem força, e ela chorou um pouco, calada, as lágrimas a caírem-lhe no tecido da poltrona, de alívio, o rabo ainda encostado a mim, a cona a tremer em volta do pau mole que lhe ia ficando. Passei-lhe a mão pelos cabelos, da nuca até à testa, e ela deixou. O filme ainda ia a meio. O homem da frente virou-se por fim para o ecrã, devagar, como quem acorda.

«Não é só o risco», disse ela, a voz pequena, ainda cheia de mim. «É seres desmontada. Fico assim. Não volto intacta para o turno.»

Fiquei-lhe dentro mais um minuto, a sentir o choro a passar-lhe pelo corpo, a porra a escorrer-nos a ambos para as cuecas dela, presas nos tornozelos. Beijei-lhe o ombro. Ela respirou fundo e o choro parou, mas a tranquilidade não voltou. Quando saí dela, devagar, um fio branco ligou-me a piça à cona aberta, e ela puxou as cuecas para o sítio com a mão a tremer, a saia a cair-lhe pelas coxas como se pudesse tapar o que a sala já tinha ouvido.


Saímos antes das luzes. O corredor ainda estava às escuras, a alcatifa a abafar os passos, e a porta de serviço deixou entrar um retângulo de sol da estação seca, o fim de tarde de Puerto Vallarta colado ao asfalto. Carolina ia à minha frente, o cabelo desfeito, a blusa mal abotoada, as pernas um pouco abertas demais para quem só tinha visto um filme. Na rua o calor bateu-nos na cara. Ela parou junto a uma coluna e passou os dedos pelos lábios, como quem verifica se a boca ainda é a mesma.

Não estava tranquila. Via-se-lhe no modo como não encontrava sítio para as mãos, no modo como olhava a avenida sem a atravessar. A porra ainda lhe ia escorrer para as cuecas a cada passo até ao turno. Olhou para mim uma última vez, os olhos húmidos sem o choro, e a frase saiu-lhe curta, sem aquela doçura com que no escuro repetia as minhas palavras.

«Ainda tenho o turno. Depois não vou para casa. Vou ao parque da orla ao anoitecer.»

O telemóvel vibrou-lhe na mala e ela não atendeu. A rua cheirava a mar e a gasolina. Fiquei a vê-la atravessar o passeio em direcção à cantina, a saia a bater-lhe nas pernas, o corpo ainda a lembrar-se do que o fundo da sala lhe tinha feito, e o parque, mais abaixo, já se adivinhava na luz que baixava sobre a orla, aberto, sem porta e sem ecrã que tapasse ninguém.