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Carolina Jiménez

Carolina no Ônibus da Orla

Sexo no ônibus lotadoRisco Público11 min de leitura

Um conto de Carolina Jiménez

O ônibus da orla vai cheio ao anoitecer. Carolina Jiménez sobe de propósito e reconhece o homem que a observa há semanas da cantina. Não há lugar sentado. O encosto vira escolha, no meio de desconhecidos.

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O autocarro da orla ia tão cheio ao anoitecer que o calor da estação seca se misturava ao cheiro de pele e de sal. As janelas abertas traziam o mar de Puerto Vallarta para dentro da caixa de metal, sem o alívio de uma brisa que merecesse esse nome. Ia de pé no fundo, uma mão fechada na barra de ferro, quando ela subiu no último instante e o motorista fechou a porta atrás dela. Reconheci-a de imediato. Carolina Jiménez servia copos na cantina da praia, trinta e um anos, o cabelo castanho preso com um elástico, a saia clara a bater-lhe nas coxas. Era a mesma mulher do elevador, a que tinha recusado o táxi.

Não havia lugar sentado. A lotação empurrou-a pelo corredor até ao sítio onde estava, e o rabo dela encostou-se-me ao pau ainda antes de nos olharmos. Ficámos prensados entre o encosto de um banco e um homem de camisa molhada, o ombro dela contra o peito, a nuca a cheirar a sol. No vidro vi-lhe o reflexo, a boca entreaberta, como se ainda estivesse a decidir o que faria com o corpo tão perto do meu.

«Há semanas que me olhas dali, da cantina», disse ela, a voz baixa, sem pressa.

O autocarro arrancou e o solavanco pregou-a contra mim com mais força, a saia a subir-lhe um palmo nas coxas. A mão que não segurava a barra desceu-lhe para a anca e ela não a tirou. Recuou o rabo até me sentir duro através das calças, e o movimento foi tão pequeno que só nós o conhecíamos, ou assim quis acreditar naquele primeiro segundo. O homem da camisa molhada passou o peso de um pé para o outro e fingiu interessar-se pela orla que desfilava lá fora. Carolina segurou a barra por cima da minha mão e os dedos dela tocaram os meus.

«Vieste de propósito», murmurei-lhe contra o cabelo.

Ela demorou a responder. O autocarro tremeu num lombo da estrada e o peito dela subiu contra o meu braço, quente, miúdo o gesto e nítido demais para ser acaso.

«De propósito», repetiu, mais quente, como se a palavra tivesse outro gosto na boca dela.


A saia era fina o bastante para eu lhe sentir o calor da pele por baixo do tecido. Deslizei a palma pela coxa acima, devagar, e ela abriu um pouco as pernas no espaço que a lotação lhe deixava. Os passageiros iam tão juntos que o cotovelo de uma mulher nos raspava as costas, e ainda assim Carolina empurrou o rabo para trás, a convidar a mão a continuar. Encontrei a borda das cuecas, já húmidas, e meti os dedos por baixo do algodão. A cona estava quente e escorregadia, os lábios inchados, e ela prendeu a respiração quando o médio lhe tocou no clitóris.

Não tirou a mão da barra. Pelo contrário, baixou a outra e pousou-a por cima da minha, por cima da saia, e carregou até os meus dedos se enterrarem nela à vista de quem quisesse olhar. Um homem novo, encostado à janela, virou a cara e ficou a seguir o movimento sob o tecido. Carolina não desviou. Abriu mais as coxas e fez-me circular o clitóris com o polegar, lenta, como se estivesse a ensinar-me o ritmo que queria no meio daquela gente.

«Estás molhada», disse-lhe, a boca quase na orelha.

«Molhada», confirmou ela, e o quadril começou a acompanhar os dedos. O médio entrou-lhe até ao nó e a cona apertou-o com uma força que me doeu no pau. Continuei a foder-lhe a cona com dois dedos, o polegar no clitóris, a saia a disfarçar pouco e mal, e o homem da janela já não fingia. Uma mulher do banco da frente cruzou as pernas e olhou para o chão, mas o ombro dela estava tenso, a escuta. Carolina gemeu baixo, um som que se perdeu no motor, e ainda assim vi duas cabeças mexerem-se no corredor.

O autocarro travou numa paragem e mais gente subiu, o aperto a piorar de um instante para o outro. Fiquei colado às costas dela, o caralho a latejar contra o rabo, os dedos a sair-lhe da cona brilhantes. Ela agarrou-me o pulso e levou-me a mão outra vez para baixo, desta vez puxando as cuecas para o lado com os próprios dedos, a cona descoberta sob a saia no meio do corredor.

«Mete», disse. «Assim.»


Abri o cinto com a mão esquerda, enquanto a direita se lhe mantinha entre as pernas. O botão das calças cedeu e puxei o caralho para fora, duro, a cabeça já molhada. Carolina segurou a barra com as duas mãos, o corpo flectido um pouco para a frente, a saia a cair-lhe pelas ancas como uma cortina incompleta. Encostei a cabeça do pau à cona e senti-lhe o calor antes de entrar. Ela recuou no mesmo instante e engoliu-me até meio, um único movimento, a respiração presa.

Meter até ao fundo no corredor de um autocarro cheio exigia que o corpo dela se fechasse à volta do meu e que a saia fizesse o resto. Empurrei e entrei-lhe por completo, os ovos contra a pele húmida, e ela soltou um som que não era um gemido e não era uma palavra. O homem da camisa molhada estava agora a um palmo, a olhar o ponto onde o meu pau desaparecia sob o tecido. Carolina viu-o no vidro. Não interrompeu o que fazíamos. Apertou a cona à volta do caralho e fez-me foder devagar, cada estocada curta por causa da lotação, cada retirada a deixar-me brilhante.

«Mais fundo», pediu, a voz quase normal, como se pedisse um copo.

Afundei até o púbis lhe bater no rabo e fiquei lá, a pulsar dentro dela, enquanto o autocarro ganhava velocidade ao longo da orla. A saia tapava o que podia. O que não tapava via-o quem estivesse no ângulo certo: as minhas calças abertas, a coxa dela a tremer, o brilho entre as pernas. Uma senhora de óculos desviou o olhar e depois voltou a ele, a boca apertada. Carolina segurou a barra com força e empurrou o rabo para trás no meu ritmo, a foder-se em mim tanto quanto a fodia a ela.

O suor escorria-lhe pela nuca. Beijei-lhe aquele ponto salgado e ela inclinou a cabeça, a oferecer-me mais pescoço, os olhos semicerrados no reflexo do vidro. O pau saía-lhe e entrava-lhe num movimento contínuo, a cona a fazer um ruído húmido que o motor quase cobria e quase não. Quase.


Os passageiros ao redor já tinham percebido o ritmo. Não era possível não perceber. O corpo dela ia e vinha contra o meu num compasso que nada tinha que ver com as curvas da estrada, e o homem da janela tinha a mão no bolso, os olhos baixos para o sítio onde a saia se erguia a cada estocada. Carolina viu-o. Vi-a a vê-lo. Em vez de fechar as pernas, abriu-as outro palmo e levou-me a mão à frente, por baixo da saia, até os dedos lhe encontrarem o clitóris outra vez enquanto o caralho a fodia por trás.

«Não pares», disse ela, e não era um pedido feito em privado.

Não parei. Fodi-a de pé, as estocadas agora mais longas porque a gente apertada se tinha habituado ao nosso espaço, como a água se habitua a uma pedra. A cona estava tão molhada que o pau lhe saía fácil e lhe entrava até ao fim num só empurrão. Ela gemia contra o braço, os dentes no próprio pulso para abafar, e ainda assim uma mulher atrás de nós respirou fundo de um modo que não era cansaço. O telemóvel de alguém iluminou o corredor durante um segundo e a luz apanhou-lhe a coxa nua, o meu pau a meio, a saia erguida. Carolina não baixou o tecido. Apertou a barra e empurrou-se para trás, a mandar-me mais fundo, a escolher que aquele segundo ficasse.

«Carolina», disse-lhe ao ouvido, o nome a sair-me sem eu ter planeado dizê-lo.

O corpo dela tremeu. Não de medo. De outra coisa, mais perigosa para os dois. Segurei-lhe a cintura com as duas mãos, os polegares nas covas das costas, e fodi-a com um cuidado que a lotação tornava obsceno. Cada vez que o pau lhe batia no fundo, os dedos apertavam-lhe a pele como se importasse o modo como ela recebia. Ela virou o rosto o bastante para me encontrar de lado, a boca aberta, os olhos húmidos, e disse o meu nome como quem o prova.

«Tomás.»

O meu nome na boca dela, no meio daquele autocarro, fez-me meter até doer. Ela sorriu um sorriso pequeno, suado, e voltou a olhar para a frente, a foder-se contra mim com uma calma que era a coisa mais suja que eu já tinha visto.


O clitóris dela estava duro debaixo do polegar. Circular, apertar, soltar, e a cona a fechar-se no caralho cada vez que o dedo acertava. Carolina deixou cair a cabeça para a frente, a testa quase na barra, e o rabo mexia-se agora sozinho, à procura. Os gemidos já não cabiam no pulso. Uma estocada mais fundo e ela veio-se no meio da lotação, a cona a puxar-me em espasmos, as pernas a falhar, um som rouco que o motor não cobriu.

Segurei-lhe a cintura para ela não cair. Veio-se ali, o corpo a tremer-lhe em ondas que se viam, o rabo a estremecer contra as calças abertas, a saia colada à pele molhada. Continuei a foder-lhe a cona enquanto ela se vinha, devagar agora, a prolongar-lhe cada aperto, e o homem da janela veio-se também, a julgar pela cara, a mão ainda no bolso. Carolina abriu os olhos no vidro e viu-o. Respirou fundo, ainda a pulsar à volta do meu pau, e não desviou o olhar até o outro baixar a cabeça.

«Estás a ver», sussurrei-lhe.

Ela riu, um riso curto, sem fôlego, e o riso tremeu-lhe na cona.

«A ver», disse, e empurrou-se outra vez para trás, ainda sensível, ainda a querer. O pau entrou-lhe até aos ovos e ela soltou um gemido que já não tentava esconder. A mulher dos óculos tinha o ecrã do telemóvel virado para baixo e os olhos em nós. Carolina encontrou-lhe o olhar no reflexo e manteve-o enquanto eu a fodia, as estocadas húmidas, o corpo dela ainda a contrair-se nos restos do prazer.

Segurei-lhe a cintura como se o sítio onde as minhas mãos pousavam importasse mais do que o facto de estarmos a foder à vista de vinte pessoas. Beijei-lhe o ombro, a pele quente, e ela inclinou a cabeça para o beijo, um gesto terno no meio daquela porcaria toda. O contraste doeu-me no peito. Doeu-lhe também, porque o corpo endureceu um segundo, como quem se defende, e depois cedeu outra vez, a cona aberta, a receber.


A paragem dela vinha a seguir. Sabia-o pelo modo como ela olhou o mar e depois a rua, a contar as luzes. O pau estava-me tão duro dentro dela que cada metro de asfalto era um atraso. Carolina baixou uma mão, passou-a por baixo da saia e segurou-me os ovos, húmidos do que já lhe escorria pelas coxas. Apertou com os dedos e puxou-me contra si, a mandar-me até ao fundo, e virou a cara o bastante para falar-me à boca.

«Dentro», disse. «Antes de parar.»

A mão dela no meu sexo, à vista de quem quisesse olhar, fez o que a lotação não tinha conseguido. O polegar dela encontrou a base do caralho, onde ele saía dela e voltava a entrar, e acariciou aquele ponto molhado com uma calma de quem serve um copo. O homem da camisa já nem disfarçava. Carolina não lhe deu as costas. Pôs-me a mão ainda mais à frente, os dedos dela e os meus juntos na cona, e fodeu-se em mim com três estocadas longas, profundas, escolhidas.

Vim-me assim. O caralho pulsou-lhe dentro, a enchê-la, e ela segurou-me a cintura por trás para eu não recuar, a cona a ordenhar cada contração. O sémen saiu em impulsos que me dobraram contra as costas dela, e ela recebeu tudo, a respiração irregular, os olhos fechados um instante só. Quando os abriu, o autocarro já travava. Continuei lá dentro enquanto o corpo me esvaziava, a testa na nuca dela, as mãos ainda na cintura como se aquilo importasse.

Ela esperou que o último impulso passasse. Depois tirou-me de dentro com um movimento lento, o pau a sair-lhe brilhante, um fio a escorrer-lhe para a coxa. Puxou as cuecas para o sítio. Ajeitou a saia. O tecido colou-se-lhe entre as pernas, escuro de nós os dois.

«Carolina», disse-lhe, e a voz saiu-me mais baixa do que o motor.

Ela olhou-me de lado, o cabelo solto do elástico, a boca vermelha. Não pediu um número. Não deu um. O carinho na cintura tinha-lhe feito uma coisa que a lotação não tinha feito, e vi isso nos olhos dela antes de ela o esconder.

«O que vieste buscar, Tomás?»

Não esperei uma resposta que ela quisesse ouvir. O autocarro parou. A porta abriu-se com o sopro quente da orla.


Ela desceu sozinha. A saia mexia-se contra as coxas molhadas e ninguém no passeio, àquela hora, podia saber o que lhe escorria por baixo. Fiquei de pé no mesmo sítio, as calças fechadas à pressa, a barra ainda quente da mão dela. Pela janela vi-a atravessar a rua sem se virar para a cantina da praia, cujo néon já se acendia ao fundo, o sítio onde a tinha olhado semanas a fio e onde ela me serviria o copo se eu lá entrasse.

Não foi para lá. Caminhou na direcção contrária, o passo firme, e parou debaixo das luzes de um cinema cuja sessão da noite começava a ser anunciada no ecrã da fachada. Comprou o bilhete sem olhar para trás. Entrou. A porta de vidro devolveu-me o reflexo da rua e depois ficou opaca, o escuro lá dentro a engoli-la por completo.

O autocarro arrancou. A orla passou no vidro, igual a si mesma, e o lugar dela no corredor já tinha sido ocupado por um desconhecido. Ainda lhe sentia o cheiro nos dedos. Ainda sabia, com uma certeza que não pedia confirmação, em que cantina ela trabalhava quando quisesse ser encontrada.