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Ingrid Svensson

Ingrid no Vestiário de Lisboa

Sexo no vestiário da academiaRisco Público10 min de leitura

Um conto de Ingrid Svensson

No ginásio de Lisboa o cartaz da campanha de Ingrid está na receção. Depois do treino ela deixa de esperar que o outro dê o primeiro passo. No vestiário a porta não fica trancada.

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O cartaz estava pregado atrás do vidro da receção, maior do que qualquer cara que entrasse naquele ginásio de Lisboa, e o sorriso da campanha de caridade acompanhava-me desde o primeiro peso. Ingrid Svensson, com vinte e um anos, olhava de lá para a rua com o cabelo claro preso e a camisola da fotografia ainda seca. Aos trinta e dois anos já tinha visto aquele tipo de cara em autocarros e em revistas; o que não tinha visto era a mulher a treinar de verdade no tapete em frente aos espelhos, a camisola colada às omoplatas com o suor do fim da manhã, o início de verão a entrar pelas janelas altas. Acabei a série e fui beber água. Ela passou por mim sem abrandar e o olhar que me deixou não pedia licença a ninguém. Na praia o romance tinha tentado tapá-la; aqui o chão cheirava a borracha e a lixívia e não havia mar para esconder nada.

Parou ao meu lado, ainda a respirar do exercício, e limpou a testa com o verso da mão.

«Reconheceste-me do cartaz», disse ela, a voz baixa e quente, e depois calou-se de propósito, a ver se eu jogava. O peito subia-lhe depressa. A luz do fim da manhã batia-lhe no cabelo molhado da raiz. Respondi que sim, que a cara dela estava mesmo ali atrás do balcão, e ela sorriu como se isso fosse o convite e não o obstáculo.

«Então vem», continuou, e segurou-me pelo pulso com os dedos húmidos. Não esperou que eu desse o primeiro passo. Atravessámos o corredor do treino, passámos a porta dos homens, e o vestiário estava quase vazio, os cacifos abertos, uma toalha caída no banco. Ela não trancou a porta. Empurrou-me contra a fila de metal, pôs a boca na minha, e o beijo veio com dentes e com o gosto a sal do treino. A mão dela desceu-me pela barriga, entrou-me pelos calções, e apertou-me a piça por cima dos boxers até eu endurecer contra a palma.


Ajoelhou-se entre os cacifos sem pedir e puxou-me os calções e os boxers até meio das coxas. A piça saltou-lhe contra o queixo, já dura, e ela olhou para cima uma vez só, a confirmar que eu estava a ver, antes de me meter a cabeça na boca. Os lábios fecharam-se quentes à volta da glande e a língua apertou-me por baixo, lenta, molhada, e eu tive de agarrar a borda do cacifo para não lhe cair em cima. Chupava com a boca inteira, a descer até sentir-lhe a garganta a ceder, e o som húmido ecoava no azulejo. O cabelo soltava-se-lhe da apanha e eu apanhei-lho com a mão esquerda, não para a guiar, só para sentir o movimento da cabeça. Ela puxou para trás, deixou um fio de saliva a ligar-lhe o lábio à minha piça, e riu baixinho.

«Estás duro há quanto tempo, Bruno?» perguntou, e o meu nome soou estranho naquele sítio, demasiado íntimo para um vestiário com a porta aberta. Voltou a meter-me na boca antes que eu respondesse, desta vez mais fundo, o nariz a bater-me na barriga, e chupou com a garganta a trabalhar, a mão a apertar-me os tomates. A outra mão desceu-lhe pelas cuecas, por baixo do elástico dos leggings, e vi-lhe os dedos a mexerem-se entre as pernas enquanto me mamava. Gemeu comigo ainda dentro, a vibração a subir-me pela piça, e a cona dela tinha de estar já a escorrer. Empurrei-lhe a cabeça um pouco, o suficiente para ela perceber que aguentava, e ela deixou, os olhos húmidos virados para cima, a saliva a escorrer-lhe pelo queixo até ao colo da camisola.

Tirei-lhe a camisola por cima da cabeça sem a fazer largar a boca. Os peitos saíram-lhe do sutiã desportivo quando puxei o elástico, mamas firmes, os bicos escuros e duros, e ela gemeu outra vez com a piça-me a bater na garganta. O vestiário cheirava a gel de duche barato e a ferro quente. Lá fora ouvia-se uma esteira a correr e uma voz na receção. Ela não abrandou. Chupava-me agora com pressa, a mão a acompanhar a boca, e eu sentia os tomates a apertarem-se, o tesão a subir-me pelas pernas. Puxei-a pelo cabelo, devagar, e ela largou-me com um som molhado, os lábios vermelhos, a respiração desfeita.

«Fode-me aqui», disse, já a puxar os leggings e as cuecas pelas coxas abaixo, e viu-me a hesitar um segundo por causa da porta. «Não trances. Quero isto assim.»


Levantei-a pelos quadris e virei-a contra os cacifos. O metal bateu-lhe nas omoplatas e ela abriu as pernas o que os leggings descidos deixavam. A cona estava-lhe aberta, rosada, a brilhar, e quando lhe passei a glande pelo meio ela empurrou o rabo para trás à procura. Entei de um só movimento, fundo, e o calor dela fechou-se-me à volta da piça com um aperto que me tirou o ar. Gemeu contra o cacifo, a testa no metal, e eu fodi-a de pé com as mãos-lhe nas ancas, cada estocada a fazer-lhe as mamas saltar. O som da pele contra a pele misturava-se com o tilintar das portas dos cacifos. Ela estava tão molhada que escorria-me pela raiz até aos tomates, e cada vez que saía quase até à ponta e voltava a meter até ao fundo ela soltava um gemido baixo, contido, como se ainda quisesse ouvir o corredor.

«Mais fundo», pediu, e eu agarrei-lhe uma coxa e levantei-lha, abrindo-a, e fodi-a assim, o ângulo a fazer-me bater-lhe em cheio. A cona chupava-me a piça a cada saída. Passei-lhe a mão à frente, encontrei-lhe o clitóris inchado e escorregadio, e esfreguei em círculos curtos enquanto a travava contra o cacifo. Ela veio-se primeiro, o corpo a tremer-lhe todo, a cona a pulsar à volta de mim num aperto tão forte que tive de parar um segundo para não me vir também. Continuou a tremer com a testa no metal, a respiração a sair-lhe em soluços curtos, e eu voltei a foder, mais lento agora, a sentir cada contração.

«Não pares», disse ela, a voz rouca, e empurrou o rabo contra mim outra vez. Fodi-a até as pernas lhe tremerem, até o cacifo ranger, e o tesão subia-me outra vez, pesado, a avisar. Tirei-me de dentro antes de me vir, a piça a latejar, brilhante da dela, e ela virou a cara, a perceber.

«Chuveiro», murmurou. «A água tapa o barulho.»


O bloco dos chuveiros ficava no fundo, separado por uma parede a meio e por boxes com cortinas claras. Abri a torneira do primeiro e a água veio morna, depois quente, a bater no azulejo. Ingrid entrou à minha frente, já nua, os leggings e o sutiã deixados no banco, e puxou-me para debaixo do jacto. Beijámo-nos com a água a escorrer-nos pela cara, a boca dela aberta, a língua a procurar a minha, e a piça ficou-me outra vez dura contra a barriga dela. Virei-a de frente para a parede, levantei-lhe uma perna e voltei a entrar-lhe. A cona recebeu-me fácil, ainda molhada, ainda aberta do que lhe tinha feito nos cacifos, e fodi-a ali com a água a bater-nos nas costas e a escorrer-lhe pelas mamas, pelos bicos, até ao sítio onde estávamos juntos.

Ela gemeu mais alto com a água a correr, a mão espalmada no azulejo, e eu metia-lhe a piça até aos tomates, o rabo dela a bater-me na barriga. Apertou-se outra vez, diferente, mais fundo, e eu soube que estava perto de se vir outra vez. Passei-lhe a mão à frente, desci pelos pêlos molhados, e esfreguei-lhe o clitóris com dois dedos enquanto a fodia. Veio-se com um grito abafado contra o braço, as pernas a falharem, e eu segurei-a pela cintura para não a deixar cair. Continuei dentro, as estocadas curtas, e ela riu de repente, um riso baixo e descrente, a cabeça caída para trás contra o meu ombro.

«A porta do vestiário continua aberta», disse, quase a brincar, e esperou para ver o que eu fazia com isso. Apertei-lhe os peitos com as duas mãos, os bicos entre os dedos, e fodi-a mais devagar, a deixar-lhe sentir o comprimento todo. A água batia-nos no encaixe e escorria-nos pelas pernas até ao ralo. O tesão tinha-me os tomates duros, a piça a latejar dentro dela, e eu ia dizer-lhe que me ia vir quando se ouviu a porta do vestiário a abrir e uma voz de homem a limpar a garganta, o arrastar de um saco no chão.


Ingrid congelou só um segundo. Depois puxou a cortina do box, empurrou-me para o canto molhado e segurou-me a piça ainda dentro da cona, os dedos fechados na minha anca para eu não sair. Pôs o outro indicador nos próprios lábios e olhou-me nos olhos, o cabelo colado à cara, a água a escorrer-lhe pelo peito.

«Fode», sussurrou. «Em silêncio.»

Lá fora o homem abriu um cacifo, o metal a ranger, e atirou sapatos ao banco. Eu quis parar. O corpo dele estava a três metros, a cortina era um plástico fino, e a cara dela estava no cartaz da receção. Ela não me deixou sair. Apertou a cona à minha volta, um aperto deliberado, e empurrou o rabo contra mim, milímetro a milímetro, a mandar-me continuar. Voltei a foder, muito devagar, a piça a entrar e a sair num movimento curto que a água disfarçava. Ela mordia o lábio de baixo, os olhos fechados, e cada vez que eu lhe dava fundo um tremor passava-lhe pelas coxas. O homem fechou o cacifo. Ouvia-se o elástico de uma peça de roupa, o arrastar de um fecho. Ingrid abriu os olhos e segurou-me o olhar enquanto eu a fodia, o dedo ainda nos lábios, e o prazer dela estava ali, visível, sem vergonha nenhuma, como se o risco fosse exactamente o que tinha vindo buscar.

O homem andou para o lado dos lavatórios, a uns passos. A torneira abriu. Ingrid empurrou-se contra mim com mais força, a cona a chupar-me em silêncio, e eu senti-a a vir-se outra vez, um orgasmo contido que a fez tremer da nuca até aos pés, a boca aberta sem som. O aperto dela puxou-me a porra para cima de uma só vez. Vim-me dentro, fundo, a morder-lhe o ombro para não gemer, a piça a pulsar, a encher-lhe a cona enquanto o homem fechava a torneira e apanhava o saco. Os passos afastaram-se. A porta do vestiário bateu. Ele saiu sem nos ter visto de frente, só o vulto atrás do plástico e o barulho da água.

Ficámos parados, ainda encaixados, a respiração a voltar. A porra escorria-lhe já pela parte de dentro da coxa, misturada com a água. Ingrid largou-me os lábios e pousou a testa no azulejo.


Saí de dentro dela com cuidado e ela virou-se debaixo do jacto, a lavar a barriga e as coxas com as mãos, o gesto prático, sem teatro. Eu queria dizer alguma coisa sobre o homem, sobre o cartaz, sobre o que teria acontecido se ele tivesse puxado a cortina. Ela falou primeiro, a voz clara por cima da água.

«Queria a porta aberta», disse. «Não foi um acaso. Foi isso que vim fazer.»

Não narrava o que sentia. Nomeava a coisa seguinte como quem marca uma hora. Apanhou a toalha do gancho lá fora, envolveu-se, e foi ao banco buscar o telemóvel ainda com o cabelo a pingar. Encostou-se ao cacifo, os polegares no ecrã, e ouvi o som curto da confirmação de um voo. Olhou para mim por cima do telemóvel, os olhos claros, a boca ainda vermelha.

«Marquei o regresso para amanhã de manhã», continuou. «Embarço cedo.»

Perguntei-lhe se a agência sabia que ela andava assim, com a cara colada ao vidro da receção e a porta do vestiário destrancada. Ela encolheu um ombro, um gesto pequeno, e guardou o telemóvel na palma.

«Se souberem, sabem. Já não dá para fingir que isto foi um acidente de ginásio.» Passou a toalha pelo pescoço e acrescentou, mais baixo, quase a brincar outra vez: «Amanhã, no avião, se me sentar ao pé de alguém, não espero que o outro jogue primeiro.»

Ficou ali um momento, a ver se eu percebia, e eu percebi. O custo estava na frase, não no peito. Ela tinha dito o que queria, em voz alta, e o voo da manhã seguinte já não era só o regresso a casa.


Deixou-me vestir e foi sozinha para o chuveiro das mulheres, a toalha apertada sobre os peitos, os pés molhados no cimento. Fiquei no vestiário masculino a apanhar a camisola e os calções, a porta agora aberta para o corredor, e ouvi a torneira dela ao longe, um fio de água constante. Quando saí, o cartaz continuava atrás do vidro da receção, o mesmo sorriso de campanha, e a mulher que eu tinha acabado de foder contra os cacifos não estava na fotografia. Passei pelo balcão. Ingrid saiu minutos depois, o cabelo molhado solto, a mochila ao ombro, o telemóvel na mão com o cartão de embarque ainda no ecrã. Olhou para o cartaz como se ele pertencesse a outra pessoa e depois olhou para mim, um cumprimento curto, quase terno.

«Amanhã de manhã», repetiu, e era a coisa prática, o sítio seguinte, não um adeus. Saiu para a rua de Lisboa, o início de verão a bater-lhe na cara, e eu fiquei a vê-la atravessar a passadeira com o telemóvel ainda aberto, o voo marcado, a porta que ela tinha querido deixar destrancada a fechar-se sozinha atrás de mim.