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Delfina García

O Pacto de Delfina

Pacto com demônio eróticoTerror Erótico12 min de leitura

Um conto de Delfina García

Delfina desce a uma gruta na costa alentejana para fazer um pacto com um demónio que se apresenta como homem. Ela já sabe o preço. Mesmo assim pede o contrato em cima do corpo dela.

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A gruta da Costa Alentejana recebia a noite de outono com um eco oco e molhado. O vento trazia sal. Esperava-a no interior, descalço na areia fria, o peito nu. Ela vinha pelo nome que o asilo lhe tinha dado, e esse nome era o meu.

Delfina García atravessou o vão estreito com o casaco colado ao corpo de vinte e dois anos, um corpo de músculo nítido, de treino sem folga, e parou quando a sombra lhe devolveu o contorno. Nesta carne de homem pesavam trinta e seis anos, as mãos grandes. Ela mediu-me em silêncio.

Aproximei-me até o calor dela atravessar o pano húmido. Ela não recuou um palmo. O cabelo escuro ainda trazia maresia e a boca já estava entreaberta, de impaciência antiga.

«André Vale. Sabes o preço. Mesmo assim quero o contrato em cima do meu corpo.»

Toquei-lhe o queixo com os dedos frios da gruta e senti-a avançar contra a palma, já a despir o casaco sem pedir licença ao sítio. Os ombros saíram do pano e o peito subia-lhe rápido, as mamas pesadas no sutiã molhado, os mamilos marcados contra o tecido.

«Igualo-te a fome para sempre se deixares de ser só humana», falei-lhe baixo, a boca quase na dela. «Assinas com a pele. Com a boca. Com o que me deres a encher. O pacto não desfaz.»

Ela riu um golpe curto.

«Então iguala. Se me olhares como quem poupa uma modelo no estúdio, fecho isto e levo a fome comigo, porque eu não treino para me tratarem como loiça fina.»

Abri-lhe o fecho das calças e meti a mão por baixo, contra a cona já molhada, e ela arqueou-se para a palma com um som que a gruta engoliu inteiro. Os dedos abriram-lhe os lábios e encontrei-a escorregadia, a pulsar. Ela própria empurrou as calças para baixo, as cuecas com elas, e ficou nua da cintura para baixo enquanto lhe enterrava dois dedos até ao fundo e lhe sentia as paredes a fecharem-se.

«É isto», murmurou ela contra a minha boca, a mão já no meu cinto. «Não comeces a ser amável agora.»

Beijei-a com dentes. O sabor a sal misturou-se-lhe ao da língua e ela chupou-me o lábio inferior até doer. A piça doía-me dentro das calças e ela sentiu-o quando a puxei contra o ventre. A mão dela desceu, abriu-me o cinto, tirou-me o caralho para o ar frio da gruta e cerrou os dedos à volta.


Tirou de uma algibeira interior uma lâmina curta e olhou-me nos olhos enquanto pousava o gume na palma esquerda. Não pediu que a detivesse. Cortou de um puxão limpo, fundo o bastante para o sangue nascer escuro e imediato, e o cheiro a ferro encheu o espaço entre as bocas. A primeira gota caiu na areia e ela fechou a mão ferida em volta do meu caralho, quente, escorregadia, a pintar-me a pele com o pacto.

O horror daquilo não a fez recuar. Fez-lhe dilatar os olhos de gosto. Ajoelhou-se na areia húmida com o sangue a escorrer-lhe pelo pulso e meteu-me a piça na boca de um só avanço, até o gosto a ferro e a sal lhe bater no fundo da garganta. A língua passou-me pela cabeça já molhada, e o som que ela fez ao engolir-me foi um som de fome verdadeira.

Enterrei-lhe as mãos no cabelo e fodi-lhe a boca com o ritmo que ela própria pedia, fundo. A garganta abriu-se-lhe à força da prática e da vontade, e cada vez que o nariz lhe batia contra a barriga ela gemia em volta do caralho, o ar a falhar-lhe pelo nariz, os olhos marejados sem que isso fosse recusa. O sangue da palma manchava-me os ovos, as coxas, o pau, e ela chupava como se a tinta do contrato tivesse de entrar por ali.

«Olha para mim enquanto serves», mandei, e ela olhou, a boca esticada, um fio vermelho no canto dos lábios. «Tu pediste o corpo. Agora serves de tinteiro.»

Ela tirou-me a piça só o bastante para falar, a voz já rouca, a saliva e o ferro a misturarem-se-lhe no queixo.

«Então usa o tinteiro até ao fundo, André Vale. Enche-me a boca como se a letra não pudesse falhar e não me trates com educação de capela.»

Voltei a meter-lhe o caralho até ela engasgar e ficar com as narinas a trabalharem o pouco ar que lhe deixei. Apertei-lhe a nuca, ainda não a garganta, e fodi-lhe a boca até as lágrimas lhe desenharem riscos limpos na cara suja de sangue. Ela segurou-me as coxas, unhas cravadas no músculo, e puxou-me para dentro em vez de me afastar. O prazer subia-me demasiado cedo e retirei-me antes de lhe deixar a assinatura na língua.

Ela tossiu, riu, passou a palma ferida pelos lábios e lambeu-se.

«A cona a seguir. Não me faças esperar com poesia, porque eu não vim aqui para me encantares.»


Deitei-a sobre a laje baixa, as pernas abertas. A cona estava-lhe inchada, brilhante, a escorrer para o rabo, e cheirei-a antes de a foder. Passei a língua pelo clitóris até ela se levantar contra mim e chupei com a pressão certa até lhe ouvir o primeiro gemido partido, as mãos dela na minha cabeça a mandar mais do que a pedir.

Só então alinhei a cabeça do caralho entre os lábios molhados e empurrei de uma vez só, até os ovos lhe baterem no rabo. A mulher cerrou-se à volta de mim com uma força que me tirou o ar primeiro a mim, quente, apertada, já a puxar-me para o fundo. Fodi-a fundo, puxando-lhe as ancas ao encontro de cada estocada, e o som húmido encheu a gruta. Ela gemeu alto e pediu mais com as mãos nas minhas nádegas, as unhas a abrir-me a pele.

«O pescoço», disse ela, clara, a olhar-me mesmo comigo a fundo. «Aperta. Quero o ar a contar. Se eu te bater no pulso, soltas. Se não bater, continuas, e não inventes piedade a meio.»

O acordo ficou entre nós sem cerimónia. Cerrei os dedos à volta da garganta dela, o polegar sobre o lado onde o sangue corria mais perto da pele, e apertei o bastante para o ar se lhe tornar estreito e precioso. Os olhos escureceram-lhe de prazer, não de pânico, e a cona apertou-me numa câmara quente, rítmica, cada vez que lhe negava um gole de ar. Fodi-a assim, fundo, o púbis a esfregar-lhe o clitóris a cada encontro, a palma ferida dela agarrada ao meu pulso para sentir a pressão e, se quisesse, para a cortar.

O rosto ficou-lhe corado, a boca aberta num fio de som que a pedra engolia. Soltei um pouco, deixei-a beber ar num soluço guloso, e voltei a fechar quando ela acenou que sim, urgente, as pernas a cingirem-me a cintura. Tratei-a como recipiente, ancas nas mãos, garganta na palma, e meti-lhe o caralho com a violência combinada, até ela se tremer toda e vir-se com um grito partido, as paredes da cona a apertarem-me o pau, o molhado dela a escorrer-me para os ovos em pulsos quentes.

Não parei dentro daquele aperto. Ela ainda estava a descer do cume e continuei a foder-lhe o prazer até lhe nascer outro, mais fundo, e as unhas dela abriram-me os ombros. O sangue da palma pintou-me o peito quando ela me puxou para baixo, boca contra boca, o ar ainda contado entre os beijos.

«Não suavizes», pediu contra os dentes, a voz rouca de tanto ar medido. «Ainda não está assinado e eu noto quando um homem abranda para se sentir melhor consigo.»


Retirei-me o bastante para a deixar respirar de verdade, o caralho a luzir entre nós, a ponta a pingar-lhe no ventre o fio claro misturado com o vermelho da palma. Deitei-me ao lado dela na laje e a mulher virou a cara para mim, a respiração ainda desencontrada, um sorriso pequeno a nascer-lhe no canto da boca suja. Passei-lhe a mão pelos cabelos colados à testa.

«Igualaste o ritmo», murmurou, os olhos ainda escuros de prazer. «A maior parte não iguala. Ficam a meio e chamam-lhe cuidado, como se eu tivesse pedido para me guardarem numa prateleira.»

Passei-lhe o polegar pelo lábio inferior e ela chupou-o, lenta. O pescoço trazia a marca da minha mão, já rosada, e ela tocou-a com os dedos da mão boa como quem verifica um trabalho bem feito. Houve um momento em que a gruta foi só água lá fora e o calor dos dois corpos, a testa dela a encostar-se-me ao ombro, a risa verdadeira a nascer-lhe baixa no peito.

«A fome não fecha com um orgasmo», disse. «Fecha com a letra. Quero-te no cu agora. Quero a assinatura a entrar por todo o lado que eu tiver para dar, e quero que me uses como recipiente até não restar dúvida.»

Levantei-a, virei-a de joelhos contra a pedra, o rabo alto, a cona ainda a piscar. Abri-lhe as nádegas com as duas mãos e cuspi-lhe no buraco do cu, o polegar a circular o anel até ele ceder um pouco. O polegar entrou primeiro, devagar só até ela empurrar para trás e mandar-me, com a voz já firme outra vez, que parasse de fingir paciência de altar.

«Mete. Eu pedi o contrato em cima do corpo. O corpo inclui isto, e eu não recuo a meio de um treino.»


Alinhei a cabeça do caralho, ainda molhada da cona dela, contra o anel apertado, e empurrei até a resistência ceder num calor estreito que me puxou para dentro palmo a palmo. Ela gemeu contra o antebraço e senti-lhe o corpo a aceitar, a respiração a contar-se sozinha em soluços controlados. Quando os ovos lhe bateram nas nádegas, fiquei, a deixar que o cu aprendesse o tamanho, e ela respirou contra a pedra, o rabo a empurrar para trás um milímetro de cada vez até me ter todo.

«Recipiente», disse-lhe ao ouvido, a cobri-la com o peito. «Estás aqui para te encherem. Para a tinta pegar. Pediste que não suavizasse e não vou suavizar, porque o pacto não se escreve com medo de te magoar no sítio onde tu queres a letra.»

«Então não suavizes», respondeu, a voz partida de gosto, já a empurrar o rabo contra a virilha. «Fode-me o cu como se a letra tivesse de ficar queimada e trata-me como o sítio onde assinas, não como uma visita.»

Comecei a mover-me. As estocadas foram fundo, regulares, cada uma a abrir-lhe o rabo um pouco mais, e o som tornou-se obsceno, molhado, batido contra a laje e contra a rebentação lá fora. A palma ferida escorregava na pedra e deixava riscos escuros, e agarrei-lhe os cabelos para lhe levantar a cara, a boca aberta, os olhos vidrados. A outra mão voltou-lhe ao pescoço, desta vez por baixo, a sentir-lhe a garganta a trabalhar o ar que lhe media com o polegar. Ela não bateu no pulso. Apertou-me a mão contra a pele, a pedir a contagem, a cona a pingar-lhe para a pedra.

Cada vez que lhe fechava um pouco mais o ar, o anel apertava-me o pau, e ela babava para a laje. Meter-lhe dois dedos na cona ao mesmo tempo fez com que ela gritasse, cheia nos dois buracos, o clitóris a bater-me na palma quando a palpei por baixo, inchado, escorregadio.

«Diz as palavras», mandei, fundo nela, a garganta dela na mão, o caralho a abrir-lhe o cu até ao fundo. «Agora. Comigo aqui dentro. Quero a letra dita com o corpo cheio.»


Delfina engoliu o pouco ar que lhe deixei e falou comigo enterrado no cu, cada palavra empurrada contra o prazer e contra a falta de fôlego, nítida o bastante para a pedra guardar, os olhos abertos.

«Igualas a minha fome para sempre. Deixo de ser só humana. Assino-te o corpo. A letra fica.» Respirou, um fio apenas, e ainda teve força para o resto, a voz rouca, teimosa. «Não sejas gentil, André Vale. Se fores gentil, o pacto não pega, e eu não desci esta falésia para um homem me poupar no momento da tinta.»

Apertei-lhe o pescoço o bastante para o mundo dela ficar só isto, o caralho no cu, os dedos na cona, o ar contado, e senti-a vir-se outra vez, violenta, o corpo a sacudir-se debaixo do meu com um silêncio forçado que depois rebentou em gemido quando lhe soltei a garganta. O cu apertou-me o pau em vagas fundas, e continuei a foder-lhe o rabo enquanto ela ainda vinha, sem abrandar, até o calor me subir dos ovos e me partir ao meio.

Vim-me dentro dela como se a porra fosse tinta e a assinatura tivesse de ir fundo, pulso após pulso, sem lhe tirar um milímetro. Enchi-lhe o cu em pulsos longos, e a anca esquerda queimou-lhe debaixo da minha mão com uma marca que não era de dente nem de unha. Uma mancha escura nasceu-lhe na pele, nítida, a pulsar ao ritmo do que ainda lhe deitava lá dentro, e ela olhou por cima do ombro com os olhos muito abertos, a sentir o ferro a ficar, a boca a sorrir contra a pedra suja.

A marca era permanente. Soube-o no mesmo instante em que ela o soube, no calor que não passou, numa brasa pequena debaixo da pele. Continuei dentro dela até o último fio, a fronte encostada entre as omoplatas, a ouvir-lhe o coração a aceitar o preço, o cu ainda a apertar-me em espasmos lentos, a palma ferida aberta ao lado da cara como um selo.

Ela riu, rouca.

«Pegou. Sinto o ferro. Já não volta atrás, e não quero que volte.»


Saí de dentro dela devagar e a porra escorreu-lhe do cu para a cona, clara e espessa, a misturar-se ao sangue seco da palma quando ela se virou e sentou na laje com as pernas ainda a tremer. A marca na anca pulsava-lhe num negro vivo, e ela tocou-a com os dedos da mão boa, curiosa, sem nojo. A rebentação lá fora continuava igual, e o outono metia o vento pelo vão estreito.

Ajudei-a a pôr o casaco e ela deixou, os ombros a cederem ao pano com um cansaço satisfeito. Houve um instante em que a testa dela se encostou à minha, suada. Beijei-lhe a boca com menos dentes. Ela devolveu o beijo com uma ternura breve, depois puxou-me o lábio e sorriu, já a vestir as cuecas, já a puxar as calças por cima da marca que o pano não apagava, o fecho a subir com a mesma decisão da entrada.

«A carreira continua. O resto vem por baixo. A fome não ficou aqui dentro da pedra.»

Vi-o no modo como ela olhou a saída da gruta. O corpo estava saciado na superfície, as pernas ainda inseguras, a boca inchada, o pescoço rosado da minha mão. Por baixo, porém, a mesma fome andava-lhe no olhar, maior agora, igualada, sem tecto. Ela atravessou a areia em direcção ao vão estreito e o outono meteu-lhe o vento no cabelo molhado. Parou um segundo, a palma ferida fechada contra o casaco, e o perfil dela varreu a noite da falésia como quem procura um corpo que ainda não tem nome.

Não o encontrou naquela escuridão. O telemóvel acendeu-lhe o ecrã na mão boa, a vida pública a puxá-la de volta nas mensagens acumuladas, nos treinos, nas caras que a esperavam como se ela ainda fosse só a mulher das fotografias. A marca pulsava-lhe sob o pano, e a fome ia com ela para o caminho de cima, permanente, aberta, ainda sem o próximo nome para a fechar.