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Rosa Fernandez

A Lua de Mel de Rosa

História bdsm lua de melBDSM11 min de leitura

Um conto de Rosa Fernandez

Rosa parte com Tomás para uma quinta no Alentejo e vive a semana como lua de mel. O protocolo não a larga. Ela tem de servir, ser amarrada na cama de casal e deixar de ser encantadora.

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A estrada de terra tremeu debaixo dos pneus e a quinta surgiu ao fundo, caiada, com um único candeeiro a arder no alpendre. Era noite fechada no Alentejo e o ar cheirava a erva cortada e a pedra que ainda largava o calor da tarde. Rosa saiu do carro antes de o motor se calar e ficou de pé no pátio de calçada irregular, o casaco aberto sobre o vestido escuro. Tinha vinte e quatro anos e o cabelo castanho-escuro solto sobre os ombros, e olhou para a casa como quem mede um quarto onde vai dormir sem testemunhas. Combinámos a semana no mesmo dia em que ela fechou a outra porta, a do gabinete e da gentileza, e chamámos-lhe lua de mel porque a palavra cabia na boca e não pedia contas a ninguém.

Pus-lhe a mala no chão e estendi a mão. Ela deu-me o telemóvel sem que o pedisse, o ecrã ainda quente contra a palma. Desliguei-o, meti-o na gaveta da entrada e guardei a chave no bolso. Do outro bolso tirei o colar de cabedal fino, a tira escura que ela já conhecia e que não podia fotografar. Cheguei-me pelas costas, afastei-lhe o cabelo com os dedos e só então apertei-lho ao pescoço, devagar, até a fivela assentar na pele. Rosa respirou fundo e o ombro desceu-lhe, como se aquele peso lhe tivesse estado a faltar.

«Está apertado», disse ela, a voz baixa, quase a brincar, com aquele calor lento que usa quando quer ver se se repara. «Ou está certo.»

Voltei-a contra mim e beijei-lhe a boca sem aviso. Ela abriu os lábios de imediato, o corpo magro a colar-se ao meu, e senti-lhe o peito a subir depressa debaixo do vestido. A mão desceu-lhe pelas costas até ao rabo e apertei, forte, até ela gemer contra os dentes. Não havia ninguém a dois quilómetros e mesmo assim ela virou a cara um segundo, o hábito antigo de se saber vista, e segurei-lhe o queixo.

«Aqui não há lente, Rosa. Olha para mim.»

Olhou, enfim, e os olhos cor de avelã estavam escuros, húmidos. O sorriso tentou nascer e morreu-lhe na boca quando apertei o cabedal com dois dedos. Ajoelhou-se no pátio sem que o mandasse, as pedras frias nos joelhos, e abriu-me os botões das calças com as mãos um pouco trémulas. Tirei o caralho da cueca. Ela lambeu-me a cabeça como quem tem fome antiga, a língua quente e lenta a dar a volta, e depois engoliu até ao fundo, o nariz contra a barriga, e ficou ali quieta a deixar-me usar-lhe a garganta. Segurei-lhe o cabelo e fodi-lhe a boca com paciência, sentindo a saliva escorrer-lhe pelo queixo até à fivela. Ela fechou os olhos e depois abriu-os outra vez, a olhar para cima, e o som que lhe saía da garganta era baixo e molhado e não pedia beleza nenhuma. Quando a puxei de pé, os lábios estavam vermelhos e brilhantes. Meti-lhe dois dedos na boca para ela os chupar, subi-lhe o vestido até à anca com a outra mão, e levei-a para dentro.


A cama de casal era larga, de ferro escuro, e as cordas já estavam passadas nas colunas quando ela acordou. A primavera entrava pela janela em faixas pálidas e o canto de um pássaro vinha do olival, tão perto que parecia pousado no parapeito. Rosa mexeu os pulsos e descobriu-os presos acima da cabeça, os tornozelos abertos e amarrados de cada lado, a camisa de dormir que eu lhe tinha vestido já subida até às costelas. Olhei-a do pé da cama durante um minuto inteiro: a cona à mostra, ainda húmida da noite, os peitos pequenos a subir com a respiração irregular.

«Bom dia», murmurou ela, e a voz saiu doce demais, ensaiada, como se alguém pudesse estar a gravar o quarto.

Não lhe respondi com a mesma moeda. Cheguei-me, ajoelhei entre as pernas dela e dei-lhe uma palmada seca na cona, o bastante para o corpo saltar contra as cordas. Ela gemeu e o sorriso partiu-se. Passei-lhe a língua de baixo até cima, devagar, e chupei-lhe o clitóris até as coxas tremerem e os pés puxarem as amarras. Quando a deixei, estava a pingar para o lençol e a respirar pela boca.

«Não me fales como se estivesses a vender isto», disse-lhe, a despir a camisa. «Serve.»

«Fode-me», pediu ela, já sem aquele açúcar, a garganta rouca. «Fode-me agora, Tomás, por favor.»

Entrei de um só fôlego, até ao fundo, e ela arqueou-se o que as cordas deixavam. A cona apertou-me quente e molhada e fodi-a com o peso do corpo, as mãos nos quadris, o cabedal a bater-lhe na clavícula a cada estocada. Ela tentou fechar as pernas e não conseguiu, e o som da pele contra a pele encheu o quarto mais do que os gemidos. Cuspi-lhe entre os peitos e esfreguei a saliva com a palma. Ela olhou para o tecto um segundo, a procurar o reflexo de uma objectiva que não existia, e virei-lhe a cara com os dedos molhados.

«Estou aqui. Não arranjes essa cara.»

Continuei até ela se vir com um soluço feio, o ventre a tremer, a cona a puxar-me em vagas, e só então me deixei ir dentro dela, fundo, a encher-lhe o ventre enquanto os pulsos rangiam contra o ferro. Fiquei em cima dela até a respiração baixar, ainda dentro, e beijei-lhe a boca suja de saliva e de sono. Ela riu-se baixinho contra os lábios, um som curto que acabava o pensamento por ela, e não pediu para ser solta.


Ao segundo dia levei-a para o pátio quando o sol ainda não tinha ganhado força e a estrada, para lá dos sobreiros, não via nada daquela parede branca. Rosa foi nua, só com a tira ao pescoço, e ajoelhou-se no banco de pedra porque eu apontei para ele. A palma soou-lhe no rabo uma vez, duas, cinco, e a pele foi ficando corada, quente. Ela encostou a testa ao muro caiado e abriu as pernas sem que lho pedisse. Bati-lhe com a mão aberta até o gemido perder a pose e se tornar um som baixo, partido, e entre as palmadas meti-lhe os dedos na cona e senti como estava molhada, a escorrer-lhe pelas coxas.

«Conta», disse-lhe.

«Sete. Oito. Porra, Tomás, nove.» A voz quebrava-se-lhe e o rabo empurrava contra a palma, a pedir mais em vez de fugir. «Não pares. Quero que fique marcado.»

Marquei-lhe as nádegas até a palma arder e depois puxei-a de joelhos para a cozinha, o chão de tijoleira fria debaixo dela. Pus-me de pé contra o mármore da mesa. Ela abriu-me as calças com a boca, porque tinha as mãos atrás das costas, presas com a mesma corda da cama. Chupou-me fundo, a saliva a escorrer-lhe até aos peitos, e deixei-a trabalhar até o queixo lhe doer, até os olhos marejarem sem teatro. Quando a puxei pelo cabelo, os lábios vinham brilhantes e ela olhou para cima e falou sem enfeite.

«Quero-te no cu. Quero que me fodas aí até eu não conseguir fingir nada.»

Passei-lhe o polegar pelo lábio inferior e ela chupou-o, à espera. O almoço ficou por fazer em cima da mesa, o pão e os queijos esquecidos, e o único cheiro na cozinha passou a ser o dela e o meu.


Levei-a de novo à cama porque o chão da cozinha era mau para o que ela pedia, e deitei-a de bruços, os pulsos atados à cabeceira, um almofadão debaixo da anca. Untei-lhe o rabo com vagar, o polegar a abrir, e ela respirou contra o lençol e empurrou para trás, a pedir o que a boca já tinha pedido. Entrei devagar, a cabeça primeiro, e a carne fechou-se à volta com uma força que me tirou o ar. Rosa soltou um som grave, quase um choro, e parei até ela acenar, a testa pregada ao algodão.

«Continua. Quero-te todo.»

Fodi-lhe o cu com paciência primeira e depois com fome, as mãos a abrir-lhe as nádegas ainda vermelhas das palmadas, e cada estocada fazia-lhe a voz sair partida. A cona pingava-lhe no almofadão sem que a tocasse, e quando lhe passei os dedos no clitóris ela tremeu toda e tentou vir-se, e retirei a mão.

«Não. Só quando eu deixar.»

«Tomás.» O nome saiu-lhe rouco, quase zangado de tesão. «Por favor. Estou tão perto.»

«Então pede direito. Sem essa voz bonita.»

Ela engoliu um soluço e falou contra o lençol, ordinária, clara, a dizer-me para a foder mais fundo, para usar aquele rabo como quisesse, para a encher. Dei-lhe o ritmo que ela pedia e voltei-lhe os dedos à cona só quando o corpo dela já não sabia onde acabar. Deixei-a vir-se comigo ainda dentro do cu, o prazer a dobrar-lhe as costas em abanos feios, a boca aberta sem pose nenhuma, e senti-a apertar-me em vagas até me vir também, fundo, a encher-lhe o rabo enquanto ela chorava de alívio contra o pulso amarrado. Fiquei assim, colado às costas dela, a beijar-lhe o ombro suado, e o cabedal estava quente entre a minha boca e a pele.


Ao terceiro dia ela tentou voltar. Veio para a mesa do pequeno-almoço com o cabelo penteado, a camisa entreaberta de propósito, e falou-me com aquela doçura levantada no fim da frase, a mesma com que enche um ecrã. Pediu-me o pão como se estivéssemos a gravar um domingo inventado e riu-se para um sítio vazio da parede. Senti o estômago fechar-se. Levantei-a da cadeira sem explicar e levei-a para o quarto, e amarrei-a outra vez à cama de casal, pulsos e tornozelos, o corpo nu debaixo da luz crua da manhã.

«Não», disse-lhe, e a palavra saiu baixa. «Essa cara não entra aqui.»

Rosa piscou os olhos e o sorriso aguentou-se mais um segundo, teimoso, e depois tremeu. Pediu-me, a voz já a rachar, que a batesse até ela parar de sorrir para uma lente que ninguém tinha trazido. Sentei-me ao lado dela e bati-lhe nas coxas, no rabo que conseguia alcançar, na carne da anca, com a palma aberta, sem a magoar de verdade e sem lhe dar o descanso da pose. Ela chorou depressa, o rímel que nem tinha posto a faltar-lhe no rosto, e as lágrimas correram-lhe para as orelhas e para a fivela. Continuei até o sorriso morrer de vez e a boca ficar só aberta, feia de choro, e então deitei-me em cima dela e enfiei-lhe o caralho na cona de uma vez só, ainda ela a soluçar.

Fodi-a assim, manchada, o rosto molhado contra o meu pescoço, e ela veio-se sem arranjar nada, com um gemido rouco que não pedia desculpa nem câmara, as pernas a puxar as cordas, a cona a apertar-me em espasmos desordenados. Continuei até me vir dentro dela outra vez, fundo, e fiquei a olhar-lhe a cara estragada e verdadeira enquanto o corpo lhe baixava. Passei-lhe o polegar pelo canto da boca e ela beijou-me o dedo, já sem teatro.

«Tenho medo», disse mais tarde, ainda atada, a voz pequena e direita. «Medo de que queiras só a mulher da internet. A que sabe sorrir.»

Desamarrei-lhe um pulso e pus-lhe a mão no peito, por cima do coração a bater demais. Não saí do quarto. Fiquei. Dormi ali, com ela contra o flanco, o colar entre nós, e de manhã ela acordou sem a máscara e pediu água com a mesma boca que tinha chorado.


No último dia a quinta cheirava a laranjeira e a pó de estrada. Rosa andou nua pela casa até ao meio da tarde, a servir o almoço de joelhos ao pé da cadeira, a abrir a boca quando eu apontava, e já não enfeitava o que pedia. Depois do café levei-a ao alpendre e tirei do bolso uma aliança pequena, de prata fosca, sem papel nenhum que a fizesse oficial. Passei-a na argola do colar de cabedal e o metal tocou-lhe a pele da garganta com um som mínimo. Ela levou a mão ao pescoço e sentiu o peso novo, e os olhos encheram-se sem o choro do terceiro dia, só água quieta.

«Não é um casamento», disse-lhe. «É para ficares a saber que isto não se tira quando a semana acaba.»

«Não quero que se tire.» A frase saiu simples, e ela ajoelhou-se no alpendre e abriu-me as calças com as duas mãos livres, pela primeira vez em dias, e chupou-me olhando para cima, a aliança a bater-lhe no queixo. Deixei-a ir até ao fundo e vim-lhe na boca, e ela engoliu o que pôde e deixou o resto escorrer-lhe para o peito, sem limpar, sem pedir um pano, sem virar o rosto para um ângulo mais belo. Puxei-a de pé e beijei-lhe a boca salgada, e o sol de primavera fazia brilhar o cabedal e a prata contra a garganta dela.


A mala foi para o porta-bagagens ao fim da tarde e o fresco já descia dos sobreiros. Rosa vestiu o casaco por cima do vestido e o colar ficou escondido, a aliança a marcar-lhe a pele por baixo do pano, invisível para qualquer bomba de gasolina na estrada de Évora. Entreguei-lhe o telemóvel no banco do passageiro, o ecrã ainda negro, e ela segurou-o um momento no colo como se pesasse mais do que pesava. O motor pegou e a quinta ficou para trás no espelho, branca e pequena, e durante léguas ela não ligou o aparelho.

Perto de Vendas Novas o ecrã acendeu-se sozinho, uma luz fria sobre o peito do casaco, e vi-lhe o polegar a hesitar em cima da notificação antes de virar o telemóvel contra o joelho. O nome de uma marca apareceu o tempo de um farol, uma linha de assunto demasiado comprida para um simples cumprimento, e ela bloqueou o ecrã com uma pressa que não tinha usado em sete dias. Não disse nada. Olhou para a estrada à frente, a boca fechada, a mão no cabedal por baixo do casaco como quem confirma que ainda está ali. A fome antiga, a de provar a estranhos que é desejada, já lhe puxava os dedos de volta ao vidro negro, e eu conduzia e via-lhe a garganta a mexer, a aliança escondida, a regra da semana ainda quente na pele e já a bater em tudo o que a esperava em Lisboa.