
Rosa na Mesa do Chefe
Contos bdsm chefe e secretáriaBDSM11 min de leitura
Um conto de Rosa Fernandez
Rosa passa uma semana como secretária do director criativo de uma marca em Lisboa. Henrique fecha o gabinete e trata-a como a rapariga que serve. Ela ri como se fosse um jogo e percebe tarde que está a gostar de ser mandada a sério.
O inverno em Lisboa entra cedo pelos vidros do décimo andar e deixa o Tejo numa faixa apagada, quase sem cor. O aquecimento trabalhava baixo e o ar do gabinete cheirava a papel novo e a café frio no fundo da chávena. Lá fora o rio ia uma linha baça, sem barcos que se distinguissem, e o vidro suava um pouco no canto. Rosa Fernandez pousou a última pasta em cima da mesa com aquele jeito de quem ainda está a aprender o gabinete e já o trata como se fosse seu. Os dedos dela, pequenos e bem tratados, alinhavam as provas com uma precisão que não pedia aprovação a ninguém. Tinha vinte e quatro anos e uma boca que sorria antes de acabar a frase, e a semana temporária no departamento criativo tinha começado na segunda com um aperto de mão demasiado limpo para o que o corpo dela já prometia. A voz dela, quando lia um slogan em voz alta, trazia um acento que não era da cidade e que ainda não tinha colocado. Na cadeira de director, aos quarenta e dois, via-a mover-se entre as provas da campanha de Inverno como se o fato preto e a saia justa fossem um disfarce que ela própria tinha escolhido e de que se podia rir ao fim do dia. A saia marcava-lhe as ancas quando se inclinava sobre a mesa de luz e o pescoço, nu acima do colar, puxava o olhar mais do que a arte.
Ficou no segundo serão por vontade dela. Não pediu licença. Limitou-se a não ir embora quando os outros se foram. O piso já estava vazio, as luzes da avenida acesas no vidro, e ela descalçou os saltos ao lado da secretária como quem se instala. Os sapatos ficaram tombados um contra o outro e ela esticou os pés no chão frio, o verniz das unhas escuro contra a madeira. O colar de cabedal fino no pescoço dela não combinava com o crachá da marca e ela tocava-lhe às vezes com dois dedos, sem deixar o telemóvel apontar para ali. O aparelho estava virado, o ecrã apagado, como se tivesse feito um acordo consigo mesma. Perguntei-lhe se a arte da campanha ainda precisava de revisão e ela encostou a anca à beira da mesa, o cabelo castanho-escuro a cair-lhe sobre a blusa, e disse, com um calor demorado que encurtou no fim, «Fico, Henrique. Gosto de ver-te a mandar.» O riso dela acabou a frase por ela. Havia um convite nisso e também uma prova, e o silêncio que se seguiu pesou mais do que qualquer briefing. Fechei a porta do gabinete com o ferrolho baixo e o clique soou mais alto do que o trânsito lá em baixo. Ela não se virou. Continuou de anca na mesa, à espera, os pés descalços, o colar a subir-lhe um pouco quando engolia.
Mandei-a para debaixo da secretária antes de atender a chamada de Londres. O telefone já tocava e ela percebeu o recado sem que fosse preciso repetir. Ela obedeceu de joelhos, a saia a subir-lhe nas coxas, e as mãos dela abriram-me o cinto com uma calma que me deixou mais duro do que qualquer pressa. O metal do fecho soou baixo, quase educado. A boca quente fechou-se em volta do pau e ela puxou-me com a língua lenta, molhada, até eu lhe sentir o céu da boca. O calor dela era imediato, apertado, e a saliva já lhe brilhava no lábio quando recuou um pouco só para voltar a descer. Segurei-lhe o cabelo com uma mão e falei para o auscultador sobre prazos e fotógrafos enquanto ela me chupava fundo, o som húmido escondido sob a minha voz. Do outro lado liam-se números e respondia-se que sim, que a arte seguia na quinta, e a cada afirmação Rosa apertava os lábios e puxava mais. A língua dela girava na cabeça, depois descia até ao saco, e eu abri um pouco mais as pernas para ela chegar melhor. Sentia-lhe o nariz contra a pele e o ar quente quando ela respirava. Rosa meteu-me até à garganta e segurou ali, os olhos cor de avelã levantados para mim, a pedir com o olhar que eu continuasse a tratar o telefone como se ela não existisse. Uma humidade de esforço nasceu-lhe no canto do olho e não caiu. A cona dela, adivinhei-o pelo modo como se mexia sobre os próprios calcanhares, já estava a escorrer-lhe para as cuecas. O joelho dela rangia de leve na madeira. Quando a chamada acabou, puxei-a pelos cabelos para cima o suficiente para lhe ver a boca vermelha e brilhante e disse-lhe para ficar de joelhos até eu decidir o contrário. Ela ficou. Não perguntou porquê. A respiração dela batia-me no pau ainda molhado da saliva e ela esperou, quente e quieta, como se aquele chão de madeira fosse o sítio certo. Em baixo, limpou o canto da boca com o dorso da mão e voltou a pôr os lábios onde se quisesse, o cabelo preso nos dedos, o colar a bater-lhe na garganta a cada movimento.
Deitei-a de barriga para cima em cima da mesa, por cima das provas da campanha, e levantei-lhe a saia até à cinta. Os cartazes de Inverno amachucaram-se debaixo das omoplatas dela e ela riu-se baixinho, um riso que não pedia desculpa aos papéis. As cuecas estavam escuras no meio e puxei-as para o lado em vez de lhas tirar. O tecido molhado marcou-me os dedos. Bati-lhe na cara com a mão aberta, uma vez só, o bastante para lhe virar a cabeça e lhe deixar a pele acesa, e ela gemeu baixo, um som que não pedia desculpa. A face ficou vermelha dum lado só e os olhos brilharam, acordados, sem recuo. Bati-lhe depois nas nádegas, duas, três vezes, a palma a encontrar o rabo firme, e a cona dela cerrou-se no ar como se quisesse o que ainda não lhe tinha dado. A pele do rabo aqueceu depressa e ela abriu mais as pernas, os calcanhares a procurar o bordo da mesa. Segurei-lhe os pulsos contra a madeira e fodi-lhe dois dedos dentro, fundo, até ela arquear as costas e molhar-me a mão até ao pulso. Estava quente, estreita, já pronta, e os dedos saíam-lhe brilhantes. «Olha para mim», disse-lhe, e ela olhou, a boca entreaberta, sem pose de estúdio, sem ângulo escolhido. «Não tires os olhos.» Ela obedeceu. Fodi-a assim, com o pau a entrar-lhe de um só impulso, a mesa a ranger, os papéis a escorregar para o chão. Um gemido alto escapou-lhe e ela mordeu o lábio para o cortar. A cona apertava-me quente e escorrida e cada estocada fazia-lhe as mamas saltar dentro da blusa. Os botões puxavam e o colar batia-lhe na garganta. Bati-lhe outra vez na cara, mais leve, e chamei-lhe puta baixinho, junto ao ouvido, para ver se ela recuava. Ela não recuou. «Outra vez», pediu, a voz colada à madeira. Cerrou as pernas nas minhas ancas e pediu mais com a voz já rouca, e eu dei-lhe mais, fundo, até ela se vir contra os meus dedos no clitóris, a tremer toda, a mesa a bater na parede. Ficou muda uns segundos, a cona a pulsar à volta do pau, e só depois o ar voltou-lhe à boca num soluço curto. O cabelo cobria-lhe metade do rosto e ela não o arranjou.
Levei-a de pé contra o vidro do piso vazio, a cidade lá em baixo a tremer nos faróis, e levantei-lhe uma perna. Ela ainda tremia da mesa e teve de se apoiar no ombro para não escorregar. A saia ficou-lhe enrolada na cinta e o pau entrou-lhe outra vez, desta vez de costas para Lisboa, o peito dela a embater no vidro frio. O vidro estava gelado e ela arqueou-se contra o frio, as mamas duras debaixo do tecido. Segurei-lhe os pulsos acima da cabeça com uma mão só e fodi-lhe a cona assim, dura, o corpo dela a bater no vidro a cada embate. As mamas achatavam-se contra a superfície e ela virava o rosto para o lado, a boca aberta no reflexo. Ela estava tão molhada que o som se ouvia no gabinete silencioso, um chapinhar curto e sujo, e o rabo dela encontrava-me a cada estocada. Disse-lhe ao ouvido que era a secretária do director e que ia levar o pau até eu me vir, e ela riu-se contra o vidro, um riso partido que se transformou em gemido. «Sou», disse ela, quase sem voz. «Sou a tua secretária.» A respiração dela embaciou o vidro numa mancha irregular. Lá em baixo um eléctrico passou na curva e as luzes varreram-lhe as pernas. Fodi-a até as pernas lhe tremerem e até o joelho dela escorregar no chão polido, e mesmo assim não a larguei. A cona pulsava-me em volta, apertada, e eu sentia-lhe o orgasmo a chegar outra vez no modo como ela deixava de conseguir fechar a boca. Quando ela se veio, veio calada, o corpo inteiro a sacudir contra o vidro, e eu segurei-a pelos pulsos para ela não cair. O cheiro dela ficou-me na mão e no fato. Um fio escorreu-lhe pela coxa e ficou-lhe quente até ao joelho.
Puxei-a de joelhos outra vez, no meio do gabinete, e meti-lhe o pau na boca ainda escorrido dela. Ela abriu sem hesitação, o joelho já vermelho da madeira. Segurei-lhe a cabeça e fodi-lhe a boca com o mesmo ritmo com que lhe tinha fodido a cona, e ela deixou, as mãos nas minhas coxas, a aceitar o fundo da garganta. A garganta dela cerrava-se e abria-se, e a saliva escorria-lhe pelo queixo até ao colar. Chamei-lhe secretária e chamei-lhe puta, as duas palavras no mesmo fôlego, e vi-lhe os olhos marejados de esforço e de gosto. Ela não recuou nem dessa vez. Vim-me-lhe na boca, espesso, e ela engoliu o que pôde e deixou o resto escorrer-lhe no lábio e no queixo. Cerrou os olhos um instante, a garganta a trabalhar, e depois abriu-os outra vez, húmidos, quietos. Passei-lhe o polegar pela boca e ela limpou-me, lenta, e depois encostou a face à minha coxa como se o chão ainda fosse o sítio dela. O cabelo estava-lhe colado à testa. Perguntei-lhe se queria continuar a semana daquela maneira e ela assentiu sem se levantar, a voz baixa a dizer «Quero. Mandas tu.» Ficámos assim mais um bocado, o aquecimento a ranger nos canos, a cidade lá fora alheia, e eu senti-lhe o pulso no pescoço, debaixo do colar. O pulso ia rápido e depois foi abrandando. Ela escolheu voltar na manhã seguinte com a mesma saia e o mesmo silêncio cúmplice, e nos dias que se seguiram o gabinete fechou-se mais cedo do que o calendário pedia. Fodi-a na cadeira, contra a estante, outra vez debaixo da mesa enquanto o correio electrónico se acumulava no ecrã. À quarta, meti-lhe a mão por baixo da saia no corredor vazio e ela mordeu-me o ombro para não fazer barulho. Ela ria depois, a arranjar o cabelo no reflexo do vidro, como se aquilo pudesse ficar no fato e sair com ele às seis.
Na sexta, depois da última reunião, sentei-a no meu colo na cadeira do chefe e tratei-lhe a boca com uma lentidão que não tinha usado em nenhum dos serão anteriores. A reunião tinha sido longa e ela tinha tomado notas com a mesma cara de quem não estava a pensar na cadeira. Beijei-lhe os cantos dos lábios, o pescoço por cima do cabedal, a clavícula, e ela deixou-se, mais quieta do que quando a mandava. O colar cheirava a pele quente. A cona dela ainda estava sensível e entrei-lhe devagar, sentado, as mãos-lhe na cintura, e movi-a sobre o pau como se tivéssemos tempo. Ela estava inchada, doce, e cada movimento arrancava-lhe um som pequeno, quase de queixa. Ela encostou a testa à minha e respirou comigo, e por um momento o gabinete pareceu outra sala. Os olhos dela, tão perto, tinham um cansaço que não era só do corpo. Quando ela se veio foi num tremor longo, os braços à volta do meu pescoço, e eu vim-me dentro dela logo a seguir, fundo, sem a tirar do colo. Ficámos assim, o fato dela amarrotado, a minha camisa aberta, e pedi-lhe o jantar como se ela não tivesse estado de joelhos um minuto antes. Queria vê-la à noite, sem briefing, e o fim de semana inteiro se ela ficasse. A mão dela desenhou-me o peito por cima da camisa aberta e depois parou. Rosa passou os dedos no colar e olhou para o telemóvel virado para baixo em cima da mesa, e disse, com uma doçura que não nomeava o que sentia, «Em Buenos Aires o inverno também chega cedo aos pátios. Ficas ali e já estás a ouvir o vizinho a arrastar a cadeira.» Depois encurtou o tom, a brincar, e acrescentou que o emprego acabava às seis e que o fato saía com o emprego. Eu queria sexta à noite sem papel. Ela já tinha o casaco ao colo. O tecido era escuro e pesado, de quem vem de um inverno diferente, e ela abotoou-o sem pressa, como se o gesto já tivesse sido ensaiado.
Levou a mala para casa na mesma noite e deixou o lugar na segunda seguinte com uma carta curta e um sorriso que me magoou mais do que uma porta batida. A carta não pedia desculpa e não dava número novo. Dormi com ela ainda assim, no sofá da sala, uma última vez, a cidade molhada lá fora, e fodi-a devagar, de frente, a vê-la toda, sem a mandar para o chão. A luz da rua entrava pela persiana e riscava-lhe o ventre. Ela veio-se contra mim com um som pequeno e depois recusou o fim de semana com a mesma boca que me tinha chupado debaixo da secretária. «Não fico, Henrique», disse-me, a vestir a saia outra vez, «isto ainda parece um cenário. Já tive um homem a tirar-me o telemóvel. Não ponho nada disto no ar.» Abotoou a blusa com os dedos firmes e procurou os saltos debaixo do sofá. O colar ficou-lhe no pescoço, invisível para qualquer câmara, e ela beijou-me no canto da boca com uma ternura que me deixou na cadeira como um homem a quem se diz adeus com educação. Desceu sozinha. Não se virou no patamar. Da janela vi o táxi parar na chuva fina e vi-lhe o telemóvel aceso na mão quando fechou a porta, o ecrã a iluminar-lhe o queixo, e não soube o que ela ia escrever, só que o lugar de secretária ficava ali, no décimo andar, e que ela levava o colar e a mala para outro sítio. A chuva desfez-lhe o cabelo no instante em que a porta se fechou e o táxi entrou na avenida com as luzes baixas e levou-a para um sítio que o gabinete não alcançava.