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Yumiko Morita

Yumiko nas Termas do Aventino

Conto erótico de Roma antigaHistórico11 min de leitura

Um conto de Yumiko Morita

Yumiko Morita dança numa villa de Roma e repara no único homem que não aplaude. Nas termas privadas da casa ela deixa de sorrir e manda nele. O que pede não cabe num contrato.

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Yumiko Morita dançava no átrio da villa do Aventino com vinte e dois anos feitos e o kimono a abrir-se ao longo da coxa sempre que o vento de verão atravessava as colunas. Os hóspedes batiam palmas a cada volta e o sorriso dela não falhava, largo, treinado, o pente de laca preso no cabelo como se o número ainda não tivesse acabado. Aos trinta e cinco anos já conhecia aquele género de espectáculo e fiquei sentado no extremo do pátio, o copo a suar-me na palma, sem juntar as mãos uma única vez.

Ela reparou no meio de uma vénia. O olhar atravessou a pedra clara e parou em mim, a medir a falta de palmas com uma calma que me tirou o tédio dos ombros. Quando a música cessou, os outros pediram mais e ela riu para eles, um som curto, e depois atravessou o pátio com os pés descalços a quase não tocarem o chão.

«Não gostaste», disse, e a frase ficou no ar à espera do resto. Riu baixo. «Ou gostaste demais para bater palmas?»

Levantei o copo em vez de responder e ela leu-me a cara com uma precisão desconfortável. Pegou-me no pulso sem pedir licença e puxou-me para dentro da casa, para além das vozes, pelo corredor fresco que cheirava a pedra molhada e a limão. Os passos dela iam à frente dos meus e o kimono batia-lhe nos calcanhares com um som de pano caro. No extremo da villa as termas privadas esperavam com a porta entreaberta, a água a fumegar ao sol da tarde, e ela entrou sem olhar para trás, certa de que a seguia.


As termas eram um rectângulo de pedra branca com um tanque raso a fumegar e outro mais fundo onde a luz da tarde se partia em lâminas. Fechei a porta só a meio, o bastante para o som ainda poder sair pelo corredor, e ela viu o gesto e não o corrigiu. Os dois aceitámos aquele risco sem o nomear, o calor do vapor a colar-se-nos à pele, as vozes da casa ainda audíveis ao longe como um pano de fundo que ninguém se dava ao trabalho de calar.

Yumiko tirou o pente. O cabelo caiu-lhe pelos ombros num peso negro e o sorriso, pela primeira vez desde o átrio, falhou-lhe na boca. Desatou o kimono e deixou-o no chão quente, nua de um momento para o outro, a cona já brilhante entre as coxas, os peitos pequenos a subirem com a respiração. Empurrou-me para o banco de pedra à beira da água e abriu-me a camisa de linho com as duas mãos, rápida, até me ter a piça de fora, dura, a bater-me na barriga com o pulso do sangue.

«Deita-te», mandou, e sentei-me e depois deitei-me porque a voz dela não deixava espaço para o contrário. Subiu para cima de mim, um joelho de cada lado da cabeça, e sentou-se-me na cara com o peso todo, a cona quente a tapar-me a boca e o nariz, o cheiro dela a encher-me a garganta até me doer. Lambi-a porque ela o pediu com a anca, um movimento curto que me prendeu a língua no clitóris, e ela gemeu baixo, o som a ir contra a pedra e a poder chegar ao corredor onde alguém ainda falava. A humidade dela escorria-me pelo queixo e eu abri mais a boca, a língua dentro, a sugar-lhe a cona com uma fome que me vinha de mais abaixo, e ela segurou-me o cabelo com as duas mãos e fodeu-me a cara com um ritmo lento, deliberado, como se estivesse a ensinar-me o sítio exacto onde queria a pressão.

«Mais. Assim. Não tires a língua.» A ordem veio-lhe sem o enfeite do sorriso e o corpo dela tremeu-me em cima da boca quando apertei os lábios no clitóris e chupei. Fiquei ali o tempo que ela quis, a respirar-lhe a cona, a sentir-lhe as coxas a fecharem-se contra as orelhas, o rabo quente a premir-me o peito, e cada gemido seu ia mais alto do que o anterior, sem vergonha nenhuma da porta entreaberta.


Quando se levantou, a cara estava-me encharcada e a piça doía-me de tão dura, esquecida contra o ar quente. Yumiko desceu-me o corpo, passou-me a cona molhada pelo peito e pela barriga, e segurou-me a piça com a mão direita para a apontar contra si. Enfiou-me de um só movimento, até ao fundo, e o calor dela fechou-se-me em volta com uma pressão que me tirou o ar. Ficou sentada, as palmas no meu peito, a olhar-me de cima, e só então começou a foder-me, a subir e a descer com o rabo a bater-me nas ancas, a cona a engolir-me até aos colhões.

«Não te vens», disse, e a voz saiu-lhe estável, quase divertida. «Ainda não. Olha para mim enquanto te fodo.»

Olhei. A mulher bounceava-me em cima com o cabelo colado às clavículas, os peitos a saltarem no ritmo que ela própria marcava, e cada vez que descia eu sentia-lhe o fundo da cona a bater-me na cabeça da piça. Quis agarrar-lhe as ancas e não pude, porque ela me prendeu os pulsos contra a pedra e continuou a trepar-me com aquela calma gulosa, a molhar-me a barriga, a apertar-me por dentro sempre que eu tentava empurrar para cima. O banco era estreito e a água lambeu-nos os calcanhares, quente, e algures na casa riu-se uma voz de homem, perto o bastante para ouvir o bater da pele se prestasse atenção.

Ela ouviu e não abrandou. Pelo contrário, rebolou as ancas com mais força, a cona a fazer um som húmido e obsceno cada vez que me engolia, e o prazer subiu-me pelos lombares com uma urgência que me fez ranger os dentes. Yumiko inclinou-se, mordeu-me o lábio inferior, e fodeu-me mais fundo ainda, a mandar no ângulo, a mandar na profundidade, a mandar no modo como o meu corpo existia debaixo do dela. Quando senti que ia vir-me, ela levantou-se de um salto e a piça saiu-lhe reluzente, a bater-me na barriga, a protestar contra o ar.


Virou-se de costas para mim, de quatro no bordo do tanque, o rabo alto, a cona inchada e o cu à mostra, pequeno, fechado, brilhante do que lhe escorria. Olhou por cima do ombro e o sorriso continuava ausente, substituído por uma atenção nua que me atravessou.

«Come-me o cu. Devagar. Quero sentir-te a língua lá dentro.»

Aproximei-me de joelhos na pedra quente e abri-lhe as nádegas com as duas mãos. Lambei-lhe primeiro a cona, de baixo para cima, a apanhar-lhe o gosto, e depois subi até ao cu e passei-lhe a língua em volta, molhando, insistindo, até o músculo ceder um pouco. Ela arqueou as costas e empurrou o rabo contra a minha cara, e enfiei-lhe a língua no cu com a ponta estreita, a foder aquele buraco curto enquanto ela gemia contra o tampo da água. O cheiro era outro, mais fechado, e eu comi-lha com a cara enterrada, o queixo a bater-lhe na cona, as mãos a manterem-na aberta, e ela mandava em sussurro, mais, assim, não pares, cada frase a ir contra a pedra e a perder-se no corredor.

Quando a teve bastante, puxou-me pela testa e fez-me deitar de lado, a meio da água rasa, as pernas abertas por ordem dela. Yumiko molhou os dedos na própria cona, dois, depois três, e levou-mos ao cu com uma calma que me fez tremer. Empurrou. O primeiro dedo entrou com um ardor seco que a saliva dela foi abrindo, e ela esperou, a olhar-me a cara, até me ver respirar, e então meteu o segundo. Fodeu-me o cu com os dedos à beira da água, o pulso firme, a outra mão a prender-me a piça sem me deixar vir, e o prazer saiu-me de um sítio que eu não costumava oferecer a ninguém. A água batia-nos nas coxas. Alguém passou no corredor e os passos abrandaram, talvez a escutar, e ela não baixou a voz quando me disse para abrir mais.

«Sentes-me? Sentes-me a foder-te o cu, Marco Élio?»

Senti. Três dedos, fundos, a abrir-me, a puxar, a voltar a meter, e ela esfregava o clitóris contra a minha anca ao mesmo tempo, a usar-me por dois lados, a dirigir o uso do meu corpo como se fosse o dela. O orgasmo veio-lhe sem aviso no rosto. A cona latejou-me contra a pele, os dedos cravaram-se-me no cu até doer do bom, e ela veio-se sem sorrir, a boca aberta, os olhos escuros, o corpo inteiro a tremer-me em cima com uma honestidade tão crua que me deixou sem sítio onde pôr as mãos. Depois riu. Riu a sério, um riso baixo e verdadeiro que lhe nasceu da barriga e lhe abriu a cara toda, e pela primeira vez desde o átrio aquilo não parecia número nenhum.


O riso ainda lhe tremia na boca quando nos deixámos escorregar para a água mais funda, o vapor a fechar-se-nos em volta, os peitos dela a boiarem contra o meu peito. Yumiko meteu a mão debaixo da superfície, agarrou-me a piça, e desceu pelo meu corpo até ficar de joelhos no degrau interior do tanque, a água até ao queixo. Abriu a boca e chupou-me com uma fome lenta, a língua a girar-me na cabeça, os lábios apertados, a olhar-me de baixo enquanto a piça lhe desaparecia na garganta. A água tornava o gesto mais pesado, mais sujo, e eu segurei-lhe o cabelo molhado para a ver trabalhar, a ver-lhe a saliva misturar-se com o vapor, a ver-lhe as pestanas molhadas cada vez que ia até ao fundo e recuava, a puxar-me o prazer pela raiz.

«Vais foder-me de pé», disse ela quando se afastou, a voz rouca, um fio de saliva a unir-lhe o lábio à cabeça da piça. «Contra o bordo. Quero que me ouçam se quiserem ouvir.»

Levantei-a pela cintura e virei-a contra a pedra do tanque, a água pela cintura de ambos, e meti-lhe a piça na cona de um empurrão que a fez soltar um gemido alto, claro, sem o tapar com a mão. Fodi-a de pé, fundo, o peito colado às costas dela, uma mão no peito e a outra a abrir-lhe a cona para lhe tocar no clitóris a cada estocada. A água rebentava entre nós num chapinhar rítmico que qualquer pessoa no corredor reconheceria, e ela empurrou o rabo para trás a pedir mais, a cona apertada, quente mesmo debaixo da água, a chupar-me a piça como se quisesse guardar-me lá dentro. Beijei-lhe a nuca, mordeu-me o pulso quando a mão lhe passou junto à boca, e continuei a foder a mulher com a porta a meio, com o verão a entrar pela clarabóia, com o risco escolhido por nós os dois a arder-me nos rins.

Yumiko veio-se outra vez com um som que não tentou esconder, o corpo a fechar-se-me em volta, as unhas na pedra, e eu tirei-me de dentro dela antes de me perder, virei-a, e ela já descia para o degrau, a boca aberta, a língua de fora, a pedir-me o resto com os olhos. Vim-me-lhe na boca com um gemido que me saiu da garganta toda, a porra quente a encher-lhe a língua, e ela engoliu, engoliu outra vez, e passou-me os lábios pela cabeça da piça para não perder nada, o queixo molhado, a respiração descompassada. Ficámos assim um momento, ela de joelhos na água, eu a tremer-lhe nas mãos, e o tanque devolveu-nos o eco do que tínhamos acabado de fazer.


Sentei-me no bordo com a água ainda a bater-me nos joelhos e ela ficou entre as minhas pernas, a boca inchada, o cabelo colado às faces, aquele riso verdadeiro a voltar-lhe aos olhos como se tivesse encontrado um sítio onde não precisava de fingir. Passei-lhe o polegar pelo lábio inferior e ela deixou, quieta, a olhar-me com uma atenção que já não era palco. O vapor fazia-lhe cílios molhados e a garganta subia e descia enquanto engolia o último gosto de mim, e naquela calma depois do pico senti, pela primeira vez na tarde, vontade de a guardar.

«Deixa-me comprar-te o contrato», disse, e a frase saiu-me mais nua do que pretendia. «Ficas. Pago o que pedirem. Deixas de dançar para aquela gente no átrio.»

O riso caiu-lhe da cara como um objecto. Yumiko afastou-se um palmo, ainda na água, e olhou-me com uma leitura tão precisa como a do pátio, a medir se a atenção era para ela ou para o espectáculo que eu queria agora possuir em exclusivo. Havia já quem lhe tivesse pedido para ficar, e ela não ficara.

«Queres-me a mim ou queres o número, Marco Élio?» A pergunta veio-lhe sem aresta à mostra, e não completou a frase com nenhuma lição. Esperou.

Não soube responder-lhe de um modo que não soasse a preço. Ela percebeu. Sacudiu a cabeça um único vez, molhada, e saiu do tanque com o corpo ainda a pingar, foi buscar o kimono e o pente, e não voltou a prender o cabelo. A mulher vestiu-se com a mesma calma com que me tinha fodido, o pente fechado na mão e não no cabelo, e o alívio que lhe vira no riso custou-lhe aquele gesto, visível na forma como os ombros perderam a folga.


Fiquei na água a vê-la atar o kimono. Yumiko não voltou a sorrir para mim, e também não fingiu raiva. Passou junto à porta entreaberta, o pente visível entre os dedos, o cabelo solto a marcar a diferença entre o átrio e aquilo que tinha feito comigo à beira da água. Parou um instante no limiar, o suficiente para eu perceber que a fome que lhe tinha visto na cara quando se veio sem sorriso não estava à venda, e também não queria ser guardada atrás de um contrato que a devolveria a um palco com outro nome.

«Não», disse só, e a palavra chegou-me por cima do vapor, clara. Depois saiu para o corredor onde os outros ainda falavam, o pente na mão, e fiquei a olhar o sítio vazio com a porta a meio, sem saber se a quisera a ela ou ao que ela deixava de fingir quando mandava, e sem saber o que aconteceria se alguém lhe pagasse precisamente para não voltar a sorrir a horário.