
Yumiko na Capela de Guimarães
Romance erótico medievalHistórico12 min de leitura
Um conto de Yumiko Morita
Yumiko Morita pede abrigo num castelo do norte quando a comitiva se atrasa. O cavaleiro que a recebe não a trata como maravilha de feira. Na capela vazia os dois escolhem não dormir.
A capela de pedra do castelo de Guimarães guardava o inverno como se as paredes tivessem aprendido a chuva de cor. Encontrei-a ali depois de os mercadores se recolherem nas alas baixas, quando o sino já tinha mandado recolher o lume e as sentinelas. Yumiko Morita pedira abrigo por uma noite, a comitiva atrasada nas estradas molhadas do Minho, e aos vinte e dois anos atravessava um país que não era o seu com um sorriso largo demais para a hora. Tinha vinte e nove e servia a casa como cavaleiro, fechava portas, apagava velas onde não deviam arder, e não esperava uma mulher sentada nos degraus do altar com o manto ainda a pingar sobre a laje.
O pente de laca, brilhante e estrangeiro, prendia-lhe o cabelo negro numa ordem demasiado perfeita para quem vinha de caminho. Levantou a cara ao som das botas e a festa chegou-lhe à boca primeiro que a voz, pronta, ensaiada, feita para quem a olhasse de fora.
«A esta hora a capela é obrigação minha, não um palco», disse-lhe, parado no limiar do cruzeiro. «Podes dormir no coro se o frio das arrecadações te acordar. Ninguém entra.»
Ela riu, um som breve, e perguntou se todos os homens da casa falavam assim, tão certos de que uma boca fechada era um favor. Os olhos, porém, continuaram a ler-me a cara com uma atenção que não pedia aplauso.
«Não quero que poses», continuei. «Nem que rias para me ficares na memória. Se tens frio, há lã na arca da sacristia.»
«Já me pediram isso para um retrato. Durou pouco.» A frase ficou entre nós como uma pedra pequena, sem eco e sem graça com que se disfarçasse. Depois aproximou o queixo, ainda com aquele hábito de quem se oferece ao olhar alheio, e perguntou se o cavaleiro fechava a porta ou se preferia vigiar-lhe os dentes. Desci o ferrolho e o ferro cantou na pedra, deixando o vento do pátio do lado de fora. Quando voltei, ela já não estava no degrau de cima; tinha-se posto de pé, o manto aberto sobre um quimono escuro, aquela túnica cruzada que o lume das velas tornava quase negro. Cheguei-me sem lhe pedir pose nenhuma. Cheirei-lhe a chuva no cabelo e, mais abaixo, a cera quente na pele do pescoço. Beijei-a como se a capela tivesse sido feita para aquilo e não para os mortos.
A boca dela abriu-se depressa, quente, e as mãos subiram-me à gola da cota com uma decisão que não pedia licença ao santo do retábulo. Apertei-a contra o peito e senti-lhe os peitos miúdos e duros de frio por baixo do tecido. A festa morreu-lhe contra a minha boca como uma vela a que se corta o ar. Beijei-lhe o queixo, depois a garganta, depois o sítio onde o quimono se cruzava, e ela segurou-me a cabeça com os dedos frios, puxando-me para baixo sem vergonha nenhuma de estar a fazê-lo no altar de uma casa que não era sua.
Ajoelhei-me nos degraus. A pedra entrou-me nos joelhos com um frio antigo, e as mãos subiram-lhe as coxas por baixo da saia do quimono até encontrarem a pele nua, já quente, já húmida no sítio onde as pernas se juntavam, pois não trazia cuecas. Abri-lhe as pernas sobre o degrau do meio e puxei o tecido para cima da cintura, deixando-lhe a cona à vista da cera amarela, escura, lisa, a brilhar. Ela olhou para baixo, viu-me a cara entre as coxas, e desta vez não riu. Segurou-se à aresta do altar com uma mão e à minha cabeleira com a outra.
Lambi-lhe o comprimento todo, devagar, desde o cu até ao botão inchado, e o gosto veio-me salgado e limpo, a mulher e a chuva misturadas. Voltei, mais fundo, enfiei a língua nas pregas e chupei-lhe a cona como quem bebe de uma taça, o nariz premido contra o pêlo fino, as mãos a abrir-lhe os lábios para chegar onde ela já latejava. Yumiko arqueou as ancas contra a boca e o gemido saiu-lhe baixo, preso nos dentes, um som que a capela devolveu mais grosso. A língua fez círculos no clitóris, depois desceu outra vez, entrou-lhe, saiu, tornou a chupar até ela tremer de coxas abertas sobre a pedra fria, o rabo a escorregar no degrau molhado da chuva que ainda lhe pingava do manto.
«Mais. Assim. Não pares.» A voz saiu-lhe partida, e os dedos apertaram-me o cabelo com uma força que doía bem. Enfiei dois dedos na cona enquanto a lamia, curvei-os, senti-lhe as paredes a agarrar-me, quentes, estreitas, e chupei-lhe o botão com a boca inteira até ela se fechar toda em volta da mão. Veio-se contra a língua, um espasmo longo que lhe bateu no ventre e lhe molhou o queixo, e ainda assim não a larguei. Continuei a lamber-lhe o que escorria, mais lento, até os gemidos baixarem a um fio e as coxas lhe tremerem sem rumo nos degraus do altar.
Yumiko puxou-me para cima pelo cabelo e beijou-me com a boca aberta, lambendo-se a si na minha língua, e a mão dela desceu-me ao cinto com a mesma decisão. Abriu-me as calças, tirou-me o caralho já rijo, e desceu os degraus de joelhos sem pedir que a pusesse em pose nenhuma. A luz das velas deu-lhe na cara e vi-lhe os lábios inchados do beijo, os olhos escuros levantados para mim, e a festa ainda não tinha voltado à boca. Envolveu-me a pila com a mão fria e meteu-me a cabeça na boca de um só avanço, quente, molhada, até eu lhe bater no fundo da garganta.
O ar saiu-me num motim. Segurei-lhe a cabeça com as duas mãos, sem a forçar ainda, e ela começou a chupar com um ritmo que ela própria escolheu, a língua a rodar por baixo, as faces fundas, a saliva a escorrer-lhe até ao pulso. Cada vez que recuava, os lábios arrastavam-se no corpo do caralho até à ponta, e cada vez que avançava engolia-me até ao osso, o nariz premido contra a barriga, um som molhado e fundo que a capela não estava feita para ouvir. Olhei para o retábulo e para ela, e a diferença doía de tão boa. Esta mulher de joelhos na pedra sagrada chupava-me o caralho como se o inverno tivesse sido inventado para isto, e deixei-a mandar enquanto pude.
Quando ela parou para respirar, um fio de saliva ligava-lhe a boca à ponta vermelha, e perguntou, a voz rouca, se o cavaleiro aguentava de pé ou se preferia o altar. Riu-se baixo da própria pergunta e voltou a meter-me na boca antes que houvesse resposta, mais fundo, a mão no que não cabia, a outra a apertar-me as colhões. Enfiei-lhe os dedos no cabelo junto ao pente e, desta vez, guiei-lhe o ritmo. Ela aceitou. Os olhos marejaram com o esforço e mesmo assim abriu mais a garganta, aceitando o empurrão até lhe bater no fundo outra e outra vez, o rabo assente nos calcanhares, o quimono aberto sobre os peitos pequenos, os mamilos duros de frio e de tesão. Tirei-me da boca dela pouco antes de me vir, o caralho luzidio, a ponta a bater-lhe no lábio, e ela olhou para cima à espera do que quisesse a seguir, a respiração descompassada, a cona ainda visível entre as coxas abertas sobre a laje.
Sentei-a no degrau mais alto, de frente, as pernas abertas à minha cintura, o rabo nu na pedra que lhe deve ter queimado de frio. Beijei-lhe a boca outra vez e enfiei o caralho na cona de um só golpe, até ao fundo, e o calor dela fechou-se em volta com uma força que me tirou o juízo. Yumiko cravou as unhas nos meus ombros e soltou um som que não era festa nenhuma. Fodi-a assim, de frente, olhando-lhe a cara a cada estocada, as tetas a saltar-lhe fora do quimono, o pente ainda no sítio como se uma parte dela se recusasse a desmanchar. A cona estava tão molhada que o som nos enchia a capela, carnudo, vergonhoso, e metia-lho até lhe bater no fundo e ela arqueava, pedindo sem palavras que não abrandasse.
«Olha para mim», disse-lhe, e ela olhou, os olhos húmidos, a boca aberta. «Sem isso. Sem a festa na cara.»
A cabeça dela abanou, não em recusa, e as pernas fecharam-se-me nas costas com uma força que me enterrou ainda mais. Fodi-a contra a pedra do altar, as ancas a bater-lhe nas coxas, o caralho a sair reluzente e a voltar a desaparecer nela até ao pêlo. Cada vez que lhe dava fundo, um gemido curto saía-lhe do peito, e as mãos dela desceram-me ao rabo para me puxar para dentro como se a profundidade ainda não chegasse. O suor começou a vencer o frio e a cera pingava das velas com um estalo miúdo. O santo de pau no retábulo tinha a cara virada para um lado, e agradeci-lhe em silêncio essa cegueira enquanto comia a cona da mulher que me tinha pedido uma hora sem plateia.
Ela veio-se outra vez assim, de frente, as paredes a pulsar-me em volta do caralho, a testa premida contra a minha, e no meio do espasmo segurou-me a cara com as duas mãos como se precisasse de um sítio onde pousar o olhar. Continuei dentro, mais lento enquanto ela passava o pico, depois outra vez fundo, porque ela mesma o pediu contra a boca, um «não pares» húmido que me soube a vinho e a sal.
Virei-a. Pus-lhe as mãos no altar, o peito contra a pedra lavrada, o quimono subido até às omoplatas, e entrei-lhe por trás de um jacto só, mais fundo neste ângulo, e ela gritou contra o mármore um som que a nave engoliu. Agarre-lhe os quadris e fodi-a com outra força, as coxas a bater-lhe nas coxas, as colhões a tocar-lhe a cona molhada a cada embate. O rabo dela era redondo e frio por fora, quente no sítio onde desaparecia, e via-me o caralho a sair-lhe e a entrar, grosso, luzidio, a abrir-lhe os lábios escuros. Yumiko empurrou para trás no mesmo ritmo, aceitando a dureza, pedindo-a com o corpo quando a voz já não dava para frases.
«Mais fundo», conseguiu dizer, a cara de lado sobre o altar, o cabelo a desfazer-se junto ao pente. «Usa-me assim. Aqui.»
Usei-a da maneira que pedia. A capela inteira era o nosso quarto e o nosso segredo, e fodi-lhe a cona com a violência que o inverno pedia, sem lhe magoar a carne, só a enchendo e a esvaziar até ela tremer outra vez, um orgasmo que lhe veio dos joelhos e lhe fechou a garganta. As paredes apertaram-me, quentes, molhadas, e deixei-me vir dentro dela com um gemido que me rasgou o peito, o caralho a pulsar, a porra a sair-me aos golpes fundos, a enchê-la enquanto ainda se contraía. Fiquei assim, cravado, a ver o sémen a escapar-lhe pelo sítio onde estávamos juntos, branco contra a pele escura da cona, a escorrer-lhe pela coxa abaixo até ao degrau. Ela respirou contra a pedra durante muito tempo, e a mão dela procurou a minha sem se virar, os dedos a entrelaçarem-se nos meus sobre o altar frio.
Mais tarde, quando as velas já iam a meio e o frio tinha voltado a ganhar a pele, pus-lhe o manto pelos ombros e beijei-lhe a testa com uma lentidão que não tinha usado em baixo. Conversámos baixo, quase a rir do santo que nos tinha aturado, e ela confessou que o coro seria uma cama má e que mesmo assim não queria descer às arrecadações. Aproximei-a da porta da capela, a mesma que fechara, e beijei-a outra vez, devagar, até o beijo aquecer e o caralho me voltar à vida contra a barriga dela. Yumiko abriu-me as calças com as duas mãos e guiou-me para dentro de pé, uma perna erguida contra o meu quadril, as costas na madeira velha do batente. Entrei-lhe devagar desta vez, sentindo cada centímetro da cona ainda escorregadia da porra, e fodi-a assim, contra a porta, com um ritmo que pedia para durar.
Foi então que ela levantou os braços e tirou o pente. O cabelo negro caiu-lhe pelos ombros de um só movimento, desordenado, verdadeiro, e nada veio ocupar o lugar vazio na boca. Olhei para a mulher que restava, sem a ordem do pente, sem a festa na cara, e fodi-a mais fundo, mais lento, a boca no pescoço, uma mão no rabo a segurá-la contra mim. Ela veio-se assim, quieta, um tremor longo que lhe fechou os olhos, e vim-me outra vez dentro, menos feroz, a encher-lhe a cona enquanto a beijava no cabelo solto. Ficámos colados à porta até a respiração baixar, o sémen a escorrer-lhe outra vez pela coxa, o manto a cair-lhe de um ombro.
«Não sorrias», pedi-lhe, a boca no cabelo. «E fica. Há quarto na torre. Há lume. A comitiva que se arranje.»
Yumiko pôs a cara contra o meu peito e chorou sem som, um choro curto que não soube ler, se era alívio ou medo, e os ombros tremeram-me nas mãos. Depois afastou-se o suficiente para me ver a cara, limpou os olhos com o verso da mão, e voltou a apanhar o cabelo. O pente de laca entrou outra vez no sítio, um clique pequeno na capela vazia, e a ordem regressou-lhe à cabeça como uma porta que se fecha.
«Gonçalo.» O meu nome saiu-lhe baixo, quase um pedido para que não insistisse. «Se ficar, esta casa também tem quem olhe. O abrigo vira palco. Tu não vês isso porque mandas nas portas.»
Não respondi logo. Beijei-lhe a testa outra vez, no sítio onde o pente agora voltava a luzir, e senti-lhe o corpo ainda aberto contra o meu, ainda molhado de nós os dois, já a vestir-se por dentro para o dia.
Ao primeiro cinzento do inverno abri o ferrolho. A comitiva já atrelava no pátio, os mercadores a bater as mãos uma na outra por causa da geada, os animais a fumegar. Yumiko saiu da capela com o manto fechado até ao queixo e o pente no sítio, e o sorriso veio-lhe à boca no exacto instante em que as primeiras caras se viraram para ela, largo, pronto, o mesmo que lhe tinha pedido que largasse. Ofereci-lhe o quarto da torre outra vez, ali no limiar, baixo para que os outros não ouvissem, o lume, a lã, o direito de não partir com quem a tinha deixado para trás na chuva.
«Não», disse ela, e a palavra ficou limpa, sem riso a amaciá-la. «Obrigada pelo abrigo. Pela noite. Não fico.»
Desceu os degraus do adro sem se virar logo. Lá em baixo um homem da comitiva chamou-a pelo nome como se chamasse uma coisa que se carrega, e ela levantou a mão, a festa outra vez no sítio, o cabelo outra vez perfeito. Vi-lhe o pente luzir na geada e percebi, pelo modo como endireitou os ombros antes de chegar junto dos outros, que ser guardada lhe tinha sabido a um palco com outras paredes. Queria ser usada onde ninguém a conhecesse por aquela boca aberta para o mundo. Fiquei no limiar da capela até os carros saírem pela porta da vila, o frio a entrar-me outra vez nos ossos, o gosto dela ainda na língua, e o ferrolho na mão como uma pergunta que ela me tinha deixado sem resposta.