
Yumiko no Gabinete de Versailles
Romance erótico de cortesãHistórico13 min de leitura
Um conto de Yumiko Morita
Yumiko Morita é instalada num apartamento de Versailles como curiosidade da corte. O duque que lhe paga quer o contrário do espectáculo. Ela descobre que a fome que escondia cabe no ofício de cortesã.
A noite de primavera tinha descido sobre Versalhes com um cheiro a lilases molhados e a terra húmida dos jardins. No gabinete do apartamento que lhe pagava, o lume ainda crepitava baixo contra as tapeçarias, um rescaldo vermelho que mal aquecia o verniz da secretária. Mandei chamá-la pouco depois da ceia, quando os corredores já se tinham esvaziado e o palácio recuara para o silêncio dos aposentos. Yumiko Morita, com os seus vinte e dois anos, vivia naqueles quartos como uma curiosidade da corte, a mulher vinda de tão longe que vinham ver sorrir em sedas, como se o sorriso fosse o que a casa inteira tinha comprado. Eu tinha trinta e oito e o título de duque, e o dinheiro que punha naquela casa comprava o direito de a mandar vir a qualquer hora. O que queria naquela noite era o contrário do espectáculo.
Ela entrou com o pente de laca preso no cabelo negro, um ornamento estreito e brilhante que lhe prendia a cabeleira no alto da cabeça, e o sorriso já armado, aquele com que geria o olhar de quem a via. Fechou a porta sem pressa. O quimono escuro, a túnica de seda trazida do Japão, cingia-lhe a cintura, e os pés iam nus sobre o tapete. Demorou-se um instante a ler-me a cara, como quem tenta perceber se a atenção cai sobre o número ou sobre ela, e riu-se baixo antes de acabar o que ia dizer.
«Mandaste-me chamar a estas horas. Queres que dance, Louis-Armand?»
Fiquei de pé atrás da secretária e não lhe devolvi o sorriso. O papel do acordo estava aberto sobre a madeira polida, as cláusulas visíveis à luz do lume, e empurrei-o para o lado dela com dois dedos.
«Pago-te esta casa para parares o número. Quero-te sem isso. Sem o sorriso que pões para a corte e sem a mulher que finge que não sabe para que está aqui.»
O riso morreu-lhe na boca e o rosto ficou sério, mais novo e mais antigo ao mesmo tempo. Cruzou o gabinete com passos lentos, o quimono a roçar o tapete. Parou do outro lado da secretária, as mãos ao longo do corpo, e só então leu o papel sem o tocar, os olhos a descerem as linhas como quem reconhece um preço que já tinha feito as contas. Levantou depois os olhos pretos para os meus, e havia ali uma fome que a graça tinha coberto durante semanas. Em Roma recusara um preço; aqui a pergunta vinha-lhe da boca como quem já tinha escolhido.
«E se eu já não quiser fingir?» A voz saiu-lhe curta, depois um sopro, depois o resto, como se tivesse de atravessar a própria prudência. «Se o que tu pagas for exactamente o que eu quero deixar de esconder?»
Aproximei-me até ter o cheiro do cabelo dela, doce e estranho naquela sala francesa, um cheiro a óleo e a flor que o lume não conseguia vencer. Apanhei-lhe o queixo. A respiração vinha-lhe quente contra os dedos.
«Então ajoelhas. E tiras o pente.»
Yumiko ajoelhou-se no tapete sem desviar os olhos, e os dedos foram ao pente com uma lentidão que não era pudor. Tirou-o, pousou-o em cima da secretária ao lado do papel, e o cabelo caiu-lhe pelas costas num peso negro e solto. As mãos dela foram-me à cintura e abriram-me o calção com uma certeza que não pedia licença. Puxaram-me a piça para fora, já dura, e o ar da sala tocou-me um instante antes de a boca se abrir sobre a cabeça. A humidade quente tirou-me o ar. Chupou só a ponta primeiro, a língua lenta, a olhar-me de baixo como quem confirma que desta vez não há plateia. Depois desceu a boca até ao meio do pau e o som húmido encheu o gabinete, baixo e obsceno contra o crepitar do lume.
Pus-lhe a mão na nuca e não a forcei ainda. Ela é que avançou, a engolir mais, a saliva a escorrer-lhe pelo queixo, as unhas cravadas nas minhas coxas. Quando a cabeça da piça lhe bateu no fundo da garganta, ela não recuou. Os olhos marejaram e mesmo assim puxou-me pelos quadris, a pedir com o corpo o que a boca não podia dizer. Fodi-lhe a boca com um ritmo curto, a sentir-lhe a garganta a fechar-se e a abrir-se à volta do caralho, o ar a faltar-lhe em golpes irregulares. Cada vez que recuava, um fio de saliva unia-lhe os lábios à piça, e ela voltava a meter-me até ao fundo como se aquilo lhe fizesse falta.
«Olha para mim enquanto te fodo a garganta», disse-lhe, e ela olhou, as pestanas molhadas, o gesto antigo desaparecido da boca. Havia prazer naquela rendição, um prazer sujo que lhe tremia nos ombros. Aumentei a profundidade até lhe sentir o nariz contra o ventre e segurei-a ali uns segundos, a garganta a convulsionar à volta da piça, as mãos dela a apertar-me em vez de me empurrar. Quando a soltei, puxou o ar com um som rouco e passou a língua pela boca como quem não quer perder o gosto.
«Outra vez», pediu, a voz já estragada pelo uso. «Fode-me assim outra vez.»
Voltei a enfiar-lhe o caralho pela boca abaixo e usei-lhe o cabelo como rédea, fodendo-lhe a garganta até a saliva lhe pingar nos seios, até o quimono se lhe abrir sozinho sobre o peito. Ela gemeu com a boca cheia e o gemido vibrava-me no pau. Estava tão duro que doía, e a visão dela de joelhos, o rabo pousado nos calcanhares, a cona certamente já molhada debaixo da seda, fazia-me querer acabar-lhe na boca e ao mesmo tempo recusar-me a acabar tão cedo.
Puxei-a de pé pela axila e virei-a contra a secretária, o corpo dela a ceder sem resistência. O quimono abriu-se de vez e os seios apareceram pequenos, os mamilos duros com o fresco da sala. Ergui-lhe a seda até à cintura. Encontrei-a sem cuecas, a cona já brilhante à luz do lume, e passei-lhe dois dedos pelo meio da fenda, devagar, só para confirmar o que o cheiro já dizia. Ela arqueou-se contra a mão com um som baixo, quase um riso partido, e abriu as pernas sobre a madeira.
«Estás ensopada», disse-lhe ao ouvido. «Estavas assim desde que tiraste o pente, não estavas?»
Ela assentiu com a testa contra os papéis e empurrou o rabo para trás, a procurar-me os dedos. Enfiei-lhe dois de uma vez e a cona chupou-os com uma facilidade que me fez ranger os dentes. Fodi-a com a mão até ela tremer, o polegar a roçar-lhe o ponto mais à frente, inchado e escorregadio, e só então troquei os dedos pela piça. Entrei de um só fôlego, até ao fundo, e o calor dela fechou-se à minha volta com uma pressão que me arrancou um palavrão. Fodi-a contra a secretária com pancadas curtas e fundas, as ancas a bater-lhe no rabo, a madeira a ranger de cada vez que lhe dava. Cada embate fazia-lhe os seios tremerem sobre o contrato, e ela agarrava a beira da secretária com os nós brancos.
«Mais fundo», pediu, e a frase vinha-lhe entrecortada, partida pelo ritmo. «Usa-me como pagas. Não me trates como visita.»
Agarrei-lhe os quadris e dei-lhe o que pedia, fodendo-lhe a cona com uma força que lhe tirava o ar em gemidos abertos. A sala cheirava a lume, a sexo, a seda molhada. Sentia-lhe as paredes a pulsar cada vez que lhe dava até ao fundo do ventre, e ela molhava-me o pau até escorrer pelas bolas. Inclinei-me sobre as costas dela, mordi-lhe o ombro e meti-lhe a mão à frente para lhe esfregar o ponto inchado enquanto a trepava. Yumiko veio-se com a boca aberta contra a madeira, um tremor longo que lhe fechou as pernas à minha volta, a cona a apertar-me em golpes quentes. Continuei a foder-lhe a cona naquele aperto, mais lento agora, e sentia-a a escorrer-me pela raiz. Ela riu-se contra o tampo, um riso sem graça nenhuma, só corpo.
«Não pares», murmurou, a voz ainda presa no tampo. «Ainda não chega.»
Retirei-me o suficiente para lhe ver a cona a piscar, vermelha e aberta, e passei-lhe a saliva dos dedos pelo cu. Ela estremeceu e mesmo assim abriu mais as pernas, o rabo a oferecer-se com uma clareza que não pedia desculpa. Cuspi-lhe na racha, massajei-lhe o anel até ceder, e enfiei primeiro o polegar. Yumiko respirou fundo e empurrou-se contra o dedo, tomando-o até à base com uma deliberação que me apertou a garganta.
«Podes», disse, a voz baixa e firme. «Quero-te também aí.»
Troquei o polegar pela cabeça da piça, ainda escorrida dela, e entrei-lhe no cu com paciência só na primeira polegada, a deixar o corpo habituar-se ao grosso. Depois, quando o anel me engoliu, fodi-a até ao fundo num movimento só. Ela soltou um som agudo e as unhas riscaram o verniz da secretária. Fiquei quieto um instante, metido nela até às bolas, a sentir-lhe as paredes a habituarem-se, e depois comecei a trepá-la com estocadas longas. O cu dela apertava-me de cada vez que saía quase por completo e voltava a engolir-me. Era mais estreito, mais honesto, e ela gemia a cada golpe como se o prazer lhe viesse misturado com a vergonha que tinha escolhido.
Agarrei-lhe o cabelo e puxei-lhe a cabeça para trás, fodendo-lhe o rabo à vista do lume. As nádegas batiam-me na bacia com um som húmido e obsceno. Inclinei-me e falei-lhe ao ouvido enquanto a usava, a respiração a bater-lhe na pele.
«Isto é o que compras quando paras de sorrir para os outros. Uma cona molhada e um cu aberto em cima da minha secretária.»
«Sim», ofegou ela, a palavra a sair-lhe inteira. «Sim. Fode-me o cu. Trata-me como a puta que tu pagas.»
A palavra saiu-lhe com gosto, não com ferida, e isso acendeu-me mais do que o aperto. Acelerei, as bolas a bater-lhe na cona, e ela veio-se outra vez só com o pau no cu, um orgasmo mais sujo, mais fundo, que lhe amoleceu os joelhos. Segurei-a pela barriga para não a deixar cair e continuei a foder-lhe o rabo até sentir o clímax a subir-me pelas costas. Retirei-me de relance, ainda a pulsar, o ar frio da sala a tocar-me de súbito.
«Rasteja», disse-lhe, e a ordem saiu-me mais baixa do que o lume. «Rasteja até aos meus pés e pede com a cara.»
Yumiko escorregou da secretária para o tapete, as pernas a tremer, o quimono preso só num ombro. Pôs-se de quatro e rastejou o vão que a separava de mim, o rabo no ar, a cara ainda limpa, a cona e o cu à mostra, brilhantes. Parou junto às minhas botas e levantou o rosto. Havia saliva no queixo e uma cor alta nas maçãs do rosto, e o olhar já não geria nada.
«Deita-me isso na cara», pediu, a voz rouca e clara. «Quero sentir-me paga. Quero que me vejas assim e que me tenhas assim.»
Acariciei-lhe a boca com a cabeça da piça, passei-lhe o gosto pelos lábios, e depois bombei o pau duas vezes sobre o rosto dela. Vim-me com um gemido que me veio do ventre, a porra a cair-lhe na testa, na boca aberta, numa pestana. Ela recebeu tudo sem fechar os olhos, a língua de fora, e quando o último fio lhe escorreu para o seio passou dois dedos pela cara e meteu-os na boca, e ficou a chupá-los.
Fiquei a olhar para ela daquela maneira, de joelhos, marcada, o cabelo solto, o pente esquecido na madeira. Yumiko engoliu, passou a língua pelo lábio e falou com a porra ainda a brilhar-lhe na pele, a frase a sair-lhe como uma pergunta que não largava o fio do prazer.
«Vais manter-me assim, Louis-Armand? Não como curiosidade. Como isto. Todos os dias que pagares esta casa, quero este ofício, não o outro.»
Inclinei-me, apanhei-lhe a cara com as duas mãos e beijei-lhe a boca suja, o gosto de mim misturado com o dela. O contrato que ela nomeava cabia no papel que ainda estava amarrotado sob o cotovelo.
«Aceito», disse-lhe contra os lábios. «Ficas. Nestes termos. Os que tu acabaste de dizer.»
Ela sorriu, e pela primeira vez o sorriso não servia para ninguém que estivesse fora daquela sala.
Havia uma porta estreita para os aposentos e havia o corredor comprido, o da cera e dos criados que ainda atravessavam o palácio a horas mortas. Abri a segunda. Yumiko olhou o vão iluminado, depois olhou para mim, e puxou o quimono apenas até metade do peito, sem limpar a cara. A porra secava-lhe na maçã e no queixo. Cruzámos o corredor lado a lado, os pés dela nus na pedra fria, o cabelo solto, o cheiro a sexo a ir connosco como uma terceira presença.
Um homem surgiu da curva com um candelabro e parou. A luz apanhou-lhe o rosto dela, a boca vermelha, o seio que o quimono não cobria, a mancha clara na pele. Yumiko não baixou os olhos. Continuou a andar, e o passo dela era firme, quase lento, como quem deixa que vejam. Mais adiante, uma mulher do serviço encostou-se à parede com um cesto de roupa e o olhar caiu-lhe no rabo nu que a seda não disfarçava. Ninguém falou. O corredor devolveu só os nossos passos e o farfalhar curto do quimono.
«Podíamos ter ido pela outra porta», disse ela, sem baixar a voz, e havia um fio de humor na frase, um humor cansado e acordado.
«Podíamos», respondi.
Ela passou a mão pela cara, não para limpar, só para sentir o que ainda lá estava, e o dedo veio húmido.
«Então é isto. Ser vista. Não só por ti.»
Apertou-me os dedos quando chegámos à porta do gabinete, um gesto pequeno, quase terno, no meio daquela exposição. Entrámos outra vez. O lume tinha baixado a um braseiro quieto. Fechei a porta e ela não foi buscar o pente. Sentou-se no tapete, as costas à secretária, e puxou-me pela perna até eu me sentar na cadeira. A cabeça dela pousou-me no joelho e ficámos assim um longo bocado, a respiração a acalmar, a noite a andar sozinha lá fora. Falei-lhe do jardim, da primavera que chegava tarde àquelas sebes, e ela respondeu com frases curtas, a voz ainda rouca, a rir quando lhe disse que o duque também se sentava no chão se ela puxasse. Havia pessoas naquela sala, não só fome. Depois o silêncio voltou e o corpo dela, encostado às minhas pernas, começou outra vez a aquecer.
A luz veio cinzenta por entre as cortinas quando voltei a tirá-la do chão. Os jardins ainda não tinham voz. Yumiko deixou-se pousar de costas em cima da secretária, as pernas abertas para mim, o quimono debaixo dela como um pano inútil. Entrei-lhe na cona devagar, até ao fundo, e fiquei quieto a sentir-lhe o pulso lá dentro. Fodi-a com um ritmo sujo e lento, quase preguiçoso, o pau a sair-lhe brilhante e a voltar a desaparecer. Cada estocada soava húmida na sala fria. Ela olhava-me sem gerir o olhar, as mãos nos meus antebraços, e a boca abria-se porque queria o ofício, não porque tivesse de o vestir.
«Mais devagar ainda», pediu. «Quero sentir-te inteiro. Quero acordar já assim.»
Dei-lhe isso. Enfiei-lhe os polegares nas ancas e trepei-a com uma profundidade que lhe abria a boca, sem pressa de acabar. A cona dela, usada a noite toda, recebia-me com uma folga quente e mesmo assim apertava quando eu lhe roçava aquele ponto de dentro. Inclinei-me e chupei-lhe um seio, depois o outro, e a mão desceu-lhe ao meio para lhe esfregar o clitóris com o mesmo vagar. Yumiko veio-se num tremor comprido, os olhos molhados, um som baixo que lhe nasceu no peito, e a cona latejou-me em volta até me arrastar com ela. Vim-lhe dentro, fundo, as ancas coladas às dela, e fiquei a deitar-lhe a porra enquanto ela me apertava com as pernas, a respiração da mulher misturada com a minha.
Ficámos assim, ainda ligados, a luz a subir de cinzenta a pálida. Retirei-me tarde, e o sémen escorreu-lhe pela racha até ao tapete. Ela não se fechou. Ficou deitada na secretária, o cabelo espalhado entre os papéis, e o que tinha na boca já não era o da entrada: era outro, mais quieto e mais verdadeiro, e por isso mais difícil de olhar.
Pus-me de pé. O pente de laca continuava pousado ao lado do contrato, onde ela o deixara no princípio da noite, e não o tocou quando se sentou. Arranjou o quimono só o suficiente para atravessar a porta, a cara ainda marcada, as pernas nuas. Foi até ao umbral do gabinete e voltou o rosto para mim, e o que vi não foi a curiosidade que a corte lhe tinha comprado. Vi a fome que ela própria tinha nomeado, ainda acesa, ainda colada à pele, como se sair daquela sala não lha tivesse tirado do corpo. O que ia com ela para o corredor já não parecia uma armadura.