
Mei Ling Não Tira as Meias
Conto erótico fetiche de meiasFetiche10 min de leitura
Um conto de Mei Ling
Mei Ling entra numa loja de meias de Lisboa ainda acesa depois do ensaio, à procura de um par para o palco. O dono mede-lhe as pernas e não lhe segue as piadas. Ela fica quando ele tranca a porta.
A campainha da porta soou quando já tinha as luzes da montra mais baixas e o caderno de encomendas aberto sobre o balcão. O Chiado, àquela hora de outono, esvaziava-se depressa e a humidade vinha da rua e colava-se ao vidro como uma segunda pele. Entrou uma mulher ainda quente do ensaio, o cabelo preso de qualquer maneira, a saia curta por cima das botas pretas, e o olhar já a procurar o fundo da loja como se o palco tivesse continuado ali dentro, entre as gavetas de seda.
Mei Ling tinha vinte e três anos e dançava o suficiente para se notar nas gémeas, no modo como pousou o peso num só pé enquanto fechava a porta com o calcanhar. Precisava de um par para o palco, disse, e o riso veio baixo, como se a frase já trouxesse a graça pronta e eu só tivesse de a apanhar a tempo.
«Tu ainda contas meias a esta hora, Duarte?»
Tinha trinta e seis anos e a paciência exacta para o nylon, não para o teatro de quem entra a brincar com o que está nas prateleiras. Continuei a passar o lápis sobre a lista, uma marca por cada par de collants pretos, e só depois levantei a cabeça. Ela já tinha os cotovelos no balcão, o queixo na palma, a esperar que eu lhe seguisse o tom. Não segui. Pedi-lhe o número do pé e o comprimento da perna até à virilha, com a mesma voz com que pedia o tamanho a qualquer cliente que chegasse atrasada. Mei Ling arqueou uma sobrancelha e deixou a frase a meio, como se eu tivesse falhado a deixa, e depois riu-se outra vez, mais curto.
«Então mede.»
A fita métrica estava no primeiro a gaveta, enrolada com o cuidado de quem não gosta de mentir nas medidas. Contornei o balcão e ela virou-se sem eu pedir, as mãos na madeira, as botas um pouco afastadas. A saia subiu quando lhe toquei por baixo da dobra, não por ousadia dela, mas porque lhe disse para a levantar até eu ter linha de vista até à virilha. O tecido da cueca era escuro e já um pouco marcado pelo calor do ensaio. Medi a gémea, o joelho, a coxa, e a fita apertou-se no sítio onde a perna se junta ao tronco. Ela segurou o ar e soltou uma graça sobre alfaiates e mãos frias. Não respondi. Anotei os números no verso de uma encomenda e fui à porta, virei a chave, e o estalo do ferrolho soou mais alto do que a chuva miúda na rua.
Mei Ling não se mexeu. Olhou para a fechadura e depois para mim, e a boca abriu-se numa coisa que ia ser piada e ficou só num sopro. Fiquei-lhe atrás, a fita ainda na mão, e puxei-lhe a cueca para o lado o bastante para ver a cona já luzidia, os lábios escuros contra a pele clara da virilha. O cheiro dela misturava-se com o das gavetas, seda e cartão e um resto de perfume barato de camarim. Passei o polegar pelo clítoris, devagar, só para confirmar a medida que a fita não dava, e ela empurrou o rabo para trás contra a palma como quem ainda dança e já não sabe para quem.
«Ficas.»
Não foi pergunta. Ela assentiu com a garganta e as pernas abriram-se outro pouco, o suficiente para eu lhe meter dois dedos até ao fundo e sentir o calor a fechar-se à volta. Mei Ling encostou a testa ao balcão e riu-se contra a madeira, um som partido, e eu fodi-a assim com a mão até os sucos lhe escorrerem pela parte de dentro da coxa e lhe mancharem a pala da bota.
Sentei-a no banco de provas, aquele retângulo baixo em frente ao espelho de corpo inteiro, e puxei-lhe as botas. Os pés vieram livres, o verniz dos dedos já um pouco estalado, e as cuecas desceram pelas pernas como uma coisa que tinha deixado de servir. Das gavetas do fundo tirei o par preto, transparente, o nylon tão fino que a pele se lia através dele como letra sob papel de cebola. Calcei-lhe o pé direito primeiro, o tecido a enrolar-se no arco, no tornozelo, na gémea, e fui puxando até a virilha, alisei a costura para que ficasse direita sobre o osso. O esquerdo veio a seguir. O cós assentou-lhe na cintura e a cona ficou coberta por uma película que já se colava, húmida, ao relevo dos lábios.
Mei Ling olhou para baixo e depois para o espelho, e a boca torta ia dizer qualquer coisa sobre palco e figurino. Ajoelhei-me entre os joelhos dela antes que a frase acabasse. A língua encontrou o clítoris através do nylon, o gosto a sal e a mulher filtrado pelo tecido, e lambi com a palma a segurar-lhe a coxa contra o banco. Ela enterrou os dedos no cabelo e puxou, não para me afastar, e a anca começou a oscilar com aquela precisão de quem sabe o tempo de uma frase musical. O nylon escureceu entre as pernas, um círculo brilhante, e eu puxei-o contra a boca até sentir os lábios dela se abrirem por baixo, a fenda a oferecer-se através da malha.
«Assim. Não tires isto.»
Ela gemeu e tentou uma resposta leve, qualquer coisa sobre clientes exigentes, e a frase morreu quando lhe meti a língua com mais força, o nariz esmagado contra a virilha, o nylon a entrar-lhe um pouco na cona com a pressão. Chupei-lhe o clítoris por cima da malha até as pernas lhe tremerem no meu ombro, e o primeiro orgasmo veio-lhe calado, os dentes no pulso, o rabo a levantar do banco sem ela decidir. Continuei a lamber enquanto ela se contraía, o tecido agora colado, transparente de verdade, a cona a pulsar-me contra a boca como um animal pequeno e zangado.
Levantei-a pelo cós das meias e virei-a contra o balcão, a saia ainda enrolada na cintura, o peito esmagado na madeira onde eu tinha o caderno. Abri o cinto e o pau saiu pesado, já molhado na ponta, e esfreguei a cabeça ao longo da fenda coberta, o nylon a fazer de pele extra, escorregadio e um pouco áspero. Ela abriu as pernas o que o banco de provas atrás de nós permitia e empurrou o rabo para trás, a pedir sem pedir. Puxei o cós para o lado da virilha, o bastante para lhe descobrir a entrada, e fodi-a de um só golpe até os ovos lhe baterem no nylon molhado.
O calor dela fechou-se à volta do pau com uma urgência que o riso de há pouco já não explicava. Segurei-lhe a nuca contra o balcão e meti até ao fundo, outra vez, e o som foi húmido e feio e honesto. Mei Ling tentou olhar para o lado, talvez para o espelho, talvez para a porta trancada, e eu puxei-lhe o cabelo até a boca lhe ficar aberta sobre o caderno de encomendas. Fodi-a assim, de pé, as meias esticadas nas pernas tensas, o cós a cortar-lhe a carne da anca a cada estocada. A cona fazia um barulho de sucção cada vez que eu saía até à cabeça e voltava a enterrar, e ela babava um pouco sobre os números que eu tinha escrito.
«Tu não estás no palco. Estás a ser vestida.»
A frase saiu-me baixa e ela tremeu de um extremo ao outro, o rabo a bater-me na barriga, e um gemido saiu-lhe sem graça nenhuma, só garganta. Apertei-lhe o cós com a mão esquerda até o nylon lhe marcar a pele e com a direita alcancei-lhe o clítoris por cima do tecido, a esfregar em círculos curtos enquanto o pau lhe ia fundo. Mei Ling veio-se outra vez de pé, as pernas a falharem, e tive de a segurar pela anca para não escorregar. Continuei a foder através do orgasmo dela, a cona a apertar em vagas, o nylon da virilha agora encharcado e brilhante entre nós dois.
Levei-a de novo ao banco, desta vez deitada de costas, as pernas abertas no ar, as meias pretas a brilhar sob a luz fria da loja. Ajoelhei-me no chão e puxei-lhe o rabo até à beira do assento, o pau ainda rígido, lustroso dela. Encostei a cabeça na fenda coberta e empurrei, o nylon a esticar-se até quase romper sobre a entrada, e entrei outra vez com o tecido a acompanhar um palmo, uma prega húmida a meter-se-lhe comigo. Mei Ling arqueou as costas e agarrou o bordo do banco, os pés em nylon a pairar de cada lado da minha cabeça, o cheiro a cona e a borracha doce a encher o espaço entre o espelho e as gavetas.
Fodi-a assim, a olhar-lhe a cara, e ela já não oferecia a deixa. O peito subia-lhe descompassado, os mamilos duros debaixo da camisola fina de ensaio, e cada vez que eu lhe ia até ao fundo os pés contraíam-se no ar, os dedos enrugando o nylon. Cuspi-lhe na virilha, um fio grosso que escorreu pelo tecido preto e se juntou ao que ela já tinha feito, e esfreguei a saliva no clítoris com o polegar enquanto o pau saía e entrava. Ela gemeu o meu nome pela primeira vez sem o transformar em brincadeira, e o som ficou na loja como uma coisa que não pertencia às montras.
«Diz o que és aqui.»
Ela demorou, a boca aberta, e depois, muito baixo, disse que era um par de pernas para vestir. A voz tremeu-lhe no fim e o rabo mexeu-se contra mim, a cona a engolir-me até aos ovos, e soube que a frase lhe tinha custado e que a tinha querido na mesma. Apertei-lhe os tornozelos e dobrei-lhe as pernas contra o peito, as meias a esticar na gémea, e fodi mais fundo, o banco a ranger no soalho antigo do Chiado. A malha do cós já lhe tinha deixado um sulco vermelho na anca. Lambi-lhe o joelho por cima do nylon, um gosto a pele e a poeira de palco, e ela veio-se outra vez com um soluço, a cona a bater, os olhos húmidos sem lágrima verdadeira.
Saí dela quando já não aguentava o aperto e puxei o cós das meias para o sítio, a cona outra vez coberta, inchada, a desenhar-se sob o preto transparente. Passei o pau ao longo da virilha, a cabeça a abrir os lábios por cima da malha, e descarreguei ali, a porra branca a sair em puxões quentes sobre o nylon molhado, a escorrer-lhe para o cu e para o cós, a colar-se à pele através dos furos minúsculos. Ainda me restava o bastante para lhe pegar nos pés, um de cada vez, e esfregar a cabeça na planta e nos dedos, o resto do leite a ficar-lhe no arco, brilhante sobre o preto.
Mei Ling olhou para a virilha, para aquela mancha que já não era só dela, e a boca moveu-se numa coisa que ia ser leve, ia ser palco, ia ser uma graça sobre montras e saldos. Cortou a frase a meio. Os lábios fecharam-se e os olhos ficaram em mim, escuros, e o silêncio dela pediu o que a piada não podia pedir. Queria que eu repetisse sem ela ter de puxar o jogo. Limpei-lhe o clítoris com a cabeça do pau, a porra a misturar-se com o suco, e ela tremeu dum modo pequeno, quase zangado, e abriu mais as pernas no banco.
«Calça as botas por cima.»
Ela sentou-se devagar, o leite a puxar fios entre a virilha e o nylon quando mudou de peso, e enfiou o pé direito na bota sem limpar nada. O verniz engoliu o arco sujo. O esquerdo veio a seguir. Quando se levantou, as meias brilhavam-lhe nas gémeas sob a saia curta, e a virilha, se alguém olhasse de perto na rua, trairia o que a loja lhe tinha posto. Mei Ling alisou a saia com as palmas e não riu. O público daquela hora era só eu, e não tinha dado a deixa.
Abri a porta e o ar frio do Chiado entrou de golpe, cheirando a pedra molhada e a vinho das esplanadas já fechadas. Ela parou no limiar, uma mão na ombreira, e olhou para baixo, para as pernas. O cós já lhe tinha marcado a anca com uma linha vermelha nítida, visível quando a saia se levantou com o movimento, e o nylon das gémeas pregava-se-lhe à pele como se tivesse sido pintado. Mei Ling passou dois dedos por essa marca, sentiu o relevo, e o olhar foi às prateleiras do fundo, às peças mais cobertas, aos fatos justos que eu tinha pendurados para um cliente de teatro que nunca vinha a horas.
«Isto só me fecha da virilha para baixo.»
A voz saiu-lhe sem o restolho da troça, quase baixa demais para a rua. Não pediu o par seguinte e não fez da frase um convite que eu tivesse de apanhar. Ficou ali mais um segundo, as botas firmes no soalho, as meias sujas a trabalhar-lhe a pele por baixo do que o palco ia ver, e depois saiu para a calçada molhada com aquele passo de quem ainda conta os tempos no corpo. Fechei a porta e o ferrolho soou outra vez. No vidro da montra ainda se via, por um instante, a linha vermelha que o cós lhe tinha deixado na perna, e o modo como a mão dela, já na rua, desceu até à coxa como quem procura um fecho que ainda não está ali.