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Mei Ling

Mei Ling Fecha o Zíper

Conto erótico fetiche de latexFetiche11 min de leitura

Um conto de Mei Ling

Mei Ling aparece num estúdio de latex num armazém de Alcântara com as meias da véspera ainda por baixo da roupa. O criador trata o brilho como um convite, não como um número. A chuva fecha-os lá dentro.

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A chuva de outono chegou a Alcântara ainda de tarde e fechou o armazém contra o cais, um ruído miúdo e constante no zinco que fazia o resto da cidade parecer longe. Mei Ling atravessou a porta grande sem bater, o casaco a pingar-lhe nos ombros, e as meias sujas de Duarte ainda lhe cobriam as pernas por baixo da saia curta, escuras, um pouco torcidas no joelho esquerdo. Tinha vinte e três anos e entrou com o passo inteiro, como se o estúdio já tivesse combinado com ela o que se ia seguir. O segundo piso cheirava a talco e a borracha quente. Aos vinte e nove anos ainda preparava fatos para filmes de moda como se o brilho fosse só um número de guarda-roupa, e no entanto fiquei parado junto à prensa quando ela sacudiu a água do cabelo. Os candeeiros frios batiam no nylon e o nylon devolvia a luz com uma insistência que o guião não pedia.

«Estás molhada», disse-lhe, e ouvi a pobreza da frase cedo demais.

Ela olhou para as meias, depois para mim, e puxou a saia o suficiente para o elástico gasto aparecer por cima do joelho. O sorriso veio curto, a testar se eu ia ficar naquele tom ou se ia pedir uma explicação que ela não dava a ninguém.

«A chuva não pergunta. O filme também não.»

Fechei a porta interior do estúdio com o ombro e o ferrolho bateu no madeirame com um som seco. O corredor para a rua ficou do outro lado, e a chuva encarregou-se de nos deixar ali até a noite decidir. Na mesa, o fato negro esperava dobrado, o zíper a descer da garganta como uma linha tensa. Liguei o aquecedor de mão e passei-o devagar sobre o látex até a superfície ganhar aquele lustro de pele nova. Mei Ling já tinha os dedos no fecho da saia. Não perguntou se podia despir-se. Despiu-se porque o brilho na mesa lhe tinha falado primeiro.


A saia caiu junto ao casaco e ela ficou só com as meias e as cuecas pretas, o tecido colado à cona de um modo que já não era recato. Pedi-lhe que subisse para o banco baixo junto à prensa, e ela obedeceu com uma lentidão que me apertou a garganta. Rolei-lhe as meias até aos tornozelos, um palmo de cada vez, e a pele por baixo vinha marcada, quente, com o cheiro de quem não tinha ido a casa a meio. As cuecas saíram no mesmo gesto. Mei Ling abriu um pouco as coxas sobre o banco e eu vi-lhe a cona já brilhante, os lábios inchados, como se o caminho até Alcântara lhe tivesse servido de ensaio. Deitei talco nas palmas e passei as mãos-lhe pela barriga, depois pelos seios, sentindo os bicos endurecerem contra os dedos sem ela fingir surpresa. O talco pousou-lhe também na parte de dentro das coxas e ela segurou-me o pulso quando os dedos chegaram ao calor da virilha, não para me afastar, para me mandar ficar.

«Se é para o filme, vais com calma», murmurou, e a frase tinha o gosto de uma brincadeira que já não cobria nada.

Aqueçi outra vez o fato e ajudei-a a meter os pés nas pernas da borracha, puxando o material para cima até lhe cobrir o rabo e a barriga. O látex agarrou-lhe os seios com um estalo húmido e os bicos marcaram de imediato por baixo do brilho negro. Puxei o zíper desde a virilha até ao peito, devagar, e o fato fechou-a numa segunda pele que lhe roubava o ar a cada centímetro. Beijei-lhe o seio direito por cima da borracha, a boca a escorregar naquele frio que aquecia ao contacto, e senti-a arquear-se contra a mesa. A língua encontrou o bico através do látex e chupei até ela soltar um som baixo, quase uma risada engolida. Passei à boca dela. Beijei-lhe os lábios por cima do colarinho ainda aberto, depois a boca nua, e o gosto dela misturou-se com o cheiro doce da borracha quente. Mei Ling mordeu-me o lábio inferior e puxou-me pelo cabelo com uma mão ainda livre, como se quisesse decidir o ritmo e ao mesmo tempo entregá-lo.

O caralho doía-me dentro das calças. Ela notou. O joelho dela subiu e esfregou-me por cima do pano, lenta, enquanto eu lhe beijava o outro seio através do brilho e lhe deixava uma marca de saliva a escorrer para o zíper.


Havia dois fatos sobre o cavalete. Um fechava na virilha, feito para a câmara não ver nada. O outro trazia um zíper segundo, curto, exactamente sobre a cona, o metal a brilhar como uma ideia má. Mei Ling segurou o segundo pelo capuz e abanou-o no ar, o sorriso de quem já tinha escolhido e só agora deixava o outro perceber.

«Este. Se me veste, veste-me inteira.»

Tirei-lhe o primeiro fato até meio das coxas, o látex a soltar-se com um queixume húmido, e vesti-lhe o completo, o que pedia capuz e o zíper baixo. O material, ainda quente do aquecedor, subiu-lhe pelas ancas e prendeu-lhe os seios com mais força. Puxei o zíper das costas até à nuca e ela perdeu a folga dos ombros, os braços limitados pelo aperto, o corpo de repente mais meu do que dela. O capuz desceu-lhe sobre o cabelo e deixou-lhe só a boca e os olhos, um oval brilhante onde a respiração embaciava o interior. Mei Ling tentou a troça mesmo assim, a voz um pouco abafada pela borracha.

«Ficas muito formal quando pões as pessoas em caixas.»

Não lhe respondi na mesma moeda. Segurei-lhe o rosto pelos lados do capuz, os polegares no látex quente das maçãs, e disse-lhe o nome como se a mesa, o filme e a chuva tivessem saído da divisão.

«Mei Ling.»

Ela não atirou uma piada. Incline-se para o oval da boca e ela beijou-me por ali, a língua a procurar-me com uma fome que a brincadeira já não disfarçava, os dentes a prender-me o lábio enquanto o capuz me roçava o queixo. O beijo durou mais do que o recato pedia. Quando me separei, os olhos dela estavam escuros e muito abertos dentro da borracha, e as mãos, presas naquele aperto, fecharam-se contra as próprias coxas com um ruído de pele falsa.

«Fecha-me o resto», pediu, e a voz saiu-lhe mais baixa, quase séria, antes de acrescentar, mais leve, «o filme agradece.»

Puxei o zíper das costas até ao fim e o fato tomou-lhe o último centímetro de folga. Mei Ling ficou ali de pé, negra e luzidia, a respiração a erguer-lhe o peito contra o látex, incapaz de se despir sozinha, e vi-lhe o prazer dessa impossibilidade a passar-lhe pelo corpo como um arrepio longo.


Ajoelhei-me à frente dela. O zíper da virilha era uma linha prateada sobre o monte, tensa, e quando o abri o metal arreganhou a borracha para os dois lados e deixou-lhe a cona nua no meio daquele brilho, os lábios já inchados, a humidade a reluzir contra o negro. O contraste fez-me a boca secar. Beijei-lhe primeiro a borracha de um lado, depois do outro, e só então a carne, a língua a abrir-lhe a fenda com lentidão enquanto as mãos lhe seguravam as ancas vestidas. Mei Ling gemeu pelo oval do capuz e tentou abrir mais as pernas, mas o fato não deixava, o látex a puxá-la de volta para uma postura quase composta. Essa contenção molhou-a ainda mais. Provei-lhe o gosto, salgado e quente, e chupei-lhe o clitóris até os joelhos lhe tremerem contra os meus ombros.

«Rafael», disse ela, e o meu nome no capuz soou a coisa roubada.

Levantei-me. Abri as calças e a piça saiu pesada, já molhada na ponta, e esfreguei-a na fenda que o zíper lhe oferecia, o córion a bater-lhe no clitóris entre duas palmas de borracha fria. Ela empurrou a anca para a frente, a pedir, e entrei nela num só movimento fundo, a cona a fechar-se-me em volta com um calor que o látex lá fora tornava quase intolerável. O fato prendia-lhe a respiração e cada vez que eu a fodia o ar saía-lhe da boca num solavanco curto. Segurei-lhe os pulsos e puxei-os para trás, contra o zíper das costas, e ela deixou-se prender, o peito a arcar, os seios a esmagarem-se no brilho negro a cada embate. A borracha da virilha roçava-me a base do caralho, húmida da cona dela, e o som era obsceno, molhado, a encher o estúdio por baixo da chuva.

«Mais», pediu, e depois, como se a palavra tivesse sido demais, «o zíper aguenta.»

Aguentava. Fodi-a com força, as coxas a baterem no látex das nádegas, e via-lhe os olhos a humedecerem dentro do capuz sem ela desviar o olhar. A boca permanecia aberta naquele oval, vermelha, e eu beijava-a quando o ritmo me deixava, o gosto dela misturado com saliva e com o cheiro doce da borracha aquecida pelo corpo. Mei Ling apertava-me a piça por dentro cada vez que eu saía quase de todo, como se o fato lhe tivesse ensinado a não perder nada.


Virei-a contra a mesa de corte. O peito dela colou-se ao tampo e o látex fez um ruído de ventosa, os seios achatados, as mãos ainda presas nas minhas atrás das costas. Entrei nela outra vez pela janela do zíper, mais fundo, e o corpo dela tremeu todo dentro da segunda pele, incapaz de fugir nem de abrir, apenas de receber. A chuva batia mais forte no zinco. A divisão tinha ficado escura nas janelas e os candeeiros faziam do fato um animal negro, brilhante, que se movia sob mim. Passei uma mão à frente, por baixo dela, e encontrei-lhe o clitóris no vão do metal, inchado, escorregadio, e esfreguei-o no mesmo compasso com que a fodia. Mei Ling soltou um gemido longo, abafado pelo capuz, e a cona apertou-se-me num espasmo que me tirou o fôlego.

«Vem-te assim», disse-lhe ao ouvido, a boca no látex da nuca. «Com isto tudo a prender-te.»

Ela veio-se com um soluço, as pernas a falharem, a borracha das coxas a tremer contra as minhas, e a humidade escorreu-lhe pelo zíper aberto abaixo, quente, até ao látex do ventre. Continuei a foder-lhe através desse aperto, mais devagar, sentindo cada onda, e só quando ela recuou o rabo contra mim, a pedir o resto, deixei o orgasmo subir. Saí-lhe da cona no último instante e vim-me sobre o látex da barriga e sobre os lábios ainda abertos do zíper, o sémen branco a cair na borracha negra em fios quentes que escorregavam para a fenda. O contraste cegou-me por um segundo. Apoiei-me na mesa, a respirar contra o capuz dela, e vi o meu gosto a reluzir-lhe em cima do fato como um verniz ainda mais sujo.

Mei Ling olhou para baixo pelo oval, viu o que eu lhe tinha deixado em cima, e riu um riso baixo que não era troça suficiente para tapar o que a boca já fazia. A língua saiu-lhe do capuz e lambeu o sémen mais próximo, aquele que escorria junto ao metal, lenta, a olhar-me enquanto o fazia. Ajoelhei-me outra vez e lambi com ela, a língua a encontrar a dela no brilho da borracha, o gosto salgado misturado com o doce químico do látex quente. Chupámos os dois o que tinha caído sobre o zíper, e quando a boca dela encontrou a ponta da minha piça ainda a latejar, limpou-me com a mesma calma, o capuz a roçar-me a barriga, os olhos muito abertos.


Ficámos assim um tempo, a respiração a acalmar, o fato ainda a prendê-la de pé contra a mesa. Passei-lhe os polegares pelos seios por cima da borracha e senti-lhe os bicos duros, os pequenos arcos do corpo a pedirem contacto mesmo depois. Ela encostou a testa ao meu ombro, o capuz a fazer daquele gesto uma coisa estranha e íntima, e por um instante a boca abriu-se como se fosse dizer que queria ficar, que o filme podia esperar, que a chuva tinha feito o trabalho todo.

«Queria…», começou, e a frase morreu-lhe no capuz. Endireitou-se. O tom voltou-lhe ao corpo como uma peça de roupa. «Despe-me. Antes que cole.»

Puxei o zíper das costas com cuidado e o ar entrou-lhe nos ombros num suspiro. O capuz saiu e o cabelo apareceu colado à testa, as faces marcadas pelo rebordo. Despelámos o fato juntos, palmo a palmo, o látex a soltar-se com um som húmido, e a pele por baixo vinha vermelha, brilhante, desenhada pelo zíper desde a garganta até ao rabo. Os seios tinham a marca dos copos da borracha. A virilha, quando o segundo zíper acabou de abrir, estava inchada, luzidia, com vestígios de sémen a secar-lhe nos lábios. Mei Ling passou a mão por essa pele nova como quem reconhece um país, e eu beijei-lhe o ombro nu, exatamente sobre a linha que o fato lhe tinha deixado.

«Fica-te bem esta cor», disse-lhe, e ela deixou a mão no meu cabelo um segundo a mais do que a brincadeira pedia.

O fato vazio ficou na mesa, ainda quente, ainda com o nosso cheiro. Lá fora a chuva não tinha abrandado e o armazém continuava fechado sobre nós, as janelas negras, a noite sentada no cais. Mei Ling vestiu só a camisa que eu tinha deitado numa cadeira, os botões mal apertados, as marcas do látex visíveis a cada movimento, e andou descalça até ao fundo do estúdio como se procurasse água. Parou diante do cavalete onde eu guardava as peles mais pesadas, os rolos escuros, as tiras, um colete inacabado a cheirar a tanino.


Voltei a ligar um candeeiro baixo e a luz alcançou-lhe as pernas nuas, ainda vermelhas na parte de dentro, e o rebordo da camisa a tapar-lhe quase a cona. Ela passou os dedos por um rolo de couro negro, grosso, e o material fez aquele som mate que o látex nunca faz. Olhou para mim por cima do ombro, o sorriso já no sítio, a frase a sair-lhe como se fosse só mais uma deixa para eu apanhar.

«O couro. Esse é que me segura a sério.»

Riu, curta, e a risa devia ter encerrado o assunto. Não encerrou. Os dedos ficaram no rolo, depois passaram à tira seguinte, depois ao colete, a palma aberta, a aprender o peso, e vi-a inclinar-se para o cheiro como se o corpo tivesse decidido sem ela. A camisa abriu-se-lhe ao debruçar-se e a marca do zíper atravessava-lhe o peito, viva, uma linha que o fato lhe tinha cobrado em silêncio. Continuou a procurar entre as peles escuras, de um rolo para o outro, sem conseguir deixar o couro onde o tinha encontrado, a chuva a bater no zinco, o estúdio inteiro a cheirar a borracha e a tanino misturados.