Ir para o conteúdo
1000girls logo
Mei Ling

Mei Ling Só com Luvas

Conto erótico fetiche de luvasFetiche12 min de leitura

Um conto de Mei Ling

Mei Ling pede para ver as luvas de ópera dum arquivo têxtil depois do horário. O conservador só lhe toca com as mãos cobertas. Ela pede-lhe que não as tire.

2,5 mil leituras774 curtidas

O corredor do arquivo de têxteis estava às escuras para além da porta de vidro, e a única luz acesa era a do laboratório de conservação, uma claridade branca demais para aquela hora da noite. Lisboa lambeu os vidros com uma chuva miúda de inverno enquanto fechava as gavetas forradas a papel neutro, o papel que se interpõe entre as peças para que o tempo não as acidifique. Tinha trinta e oito anos e o hábito de não tocar em nada precioso com a pele nua, o que naquela sala queria dizer quase tudo o que importava.

Mei Ling entrou sem bater. Trazia a mala premida contra o casaco molhado e, depois de um instante no limiar, pousou em cima da mesa de exame um par de luvas de mota ainda fechadas, o único rasto que trouxera de outra noite. Tinha vinte e três anos. O cabelo, pesado de chuva, colava-se-lhe à testa, e os olhos desceram logo para as minhas mãos, como se já soubesse o que vinha pedir.

«Queria ver as de ópera», disse ela, e cortou ali a frase, como se houvesse a obrigação de adivinhar o resto.

Abri a gaveta das luvas longas de cabedal, pretas, que tinham pertencido a uma cantora cujo nome já ninguém cantava na cidade. Calcei primeiro o algodão fino e só depois o cabedal por cima, e o gesto era o de sempre: proteger a peça, proteger a mão, não deixar rasto de gordura nem de calor. A mulher acompanhou cada dedo a desaparecer dentro do couro com uma atenção que não era de visita nem de estudo. Chegou-se à mesa e abriu o casaco. O vestido que trazia por baixo era fino demais para a noite lisboeta, um tecido que o frio atravessava sem esforço.

«Manuseias tudo assim», observou, e não era pergunta. Segurou-me o pulso enluvado e levou os dedos à boca sem mais licença do que aquela frase. «Quero o mesmo. No corpo. Não tires.»

A boca dela era quente e o cabedal ficou logo brilhante de saliva. Chupou o indicador e o médio como se o gosto do couro antigo fosse o que tinha vindo buscar, e os dentes roçaram a costura sem a romper. Senti-lhe a língua a trabalhar o espaço entre os dedos, a molhar o interior da luva pelo lado de fora, e o laboratório inteiro pareceu reduzir-se àquele ponto de pressão. Ela puxou-me a mão mais fundo, até o polegar lhe assentar no canto da boca, e olhou-me por cima da luva com um desafio quieto, quase brincalhão, que pedia para eu não recuar.


Deixei-a chupar enquanto a outra mão, também vestida de couro, lhe descia pelo pescoço e lhe abria o decote com o cuidado com que se desdobra um tecido frágil. Os peitos apareceram sem sutiã, os mamilos já duros do frio da sala, e passei-lhe a palma enluvada por cima, o cabedal a arrastar-se na pele com um som seco e baixo. Ela arqueou-se contra a mesa de exame e abriu mais a boca, a deixar-me meter os dois dedos até à garganta. Um fio de saliva escorreu-lhe pelo queixo até ao peito e ficou ali a brilhar sob a luz branca.

«Assim», murmurou quando a mão saiu da boca, a voz já irregular. «Trata-me como tratas as peças. Sou para ser manuseada, Nuno. Não me toques a descoberto.»

A frase caiu entre nós com o peso de uma regra. Aceitei-a sem discutir, porque o pedido vinha dela e porque as minhas mãos já não queriam outra coisa senão aquele couro entre a pele dela e a minha. Empurrei-lhe o vestido para a cintura. Por baixo, as cuecas estavam molhadas, o tecido colado à cona. Puxei-as ao longo das coxas com os dedos enluvados, sem lhe dar a pele. Ela ajudou, levantando um pé e depois o outro, e ficou sentada na borda da mesa, as pernas abertas para a luz fria, a cona à vista, brilhante, à espera.

Passei-lhe o dorso da luva pelos lábios, devagar, e ela tremeu. O cabedal escureceu logo com o molhado dela. «Estás a sujar uma peça de arquivo», disse-lhe, e a voz saiu mais baixa do que se pretendia. Ela riu-se, um riso curto, e empurrou a anca para a frente, a esfregar-se contra a palma como se quisesse deixar marca.

«Então conserva-me suja», respondeu, e abriu mais as pernas. «Mete. Quero senti-las lá dentro.»

Enfiei-lhe o indicador enluvado na cona de uma vez só, até ao fundo, e o couro entrou com um som húmido que encheu a sala. Ela fechou os olhos e segurou-se à borda da mesa, os nós dos dedos brancos de força, e o indicador curvou-se à procura daquele ponto que a fez soltar o ar todo de uma assentada. Acrescentei o médio, a esticá-la, e o cabedal ficou saturado dela, quente, a luzir. Fodi-a assim com a mão, devagar no princípio, depois com uma regularidade de quem conhece o ofício de insistir sem rasgar, e ela começou a mexer-se ao encontro dos dedos, a cona a apertar o couro a cada estocada.

«Olha para mim», pedi. Olhou, a boca entreaberta, a saliva ainda no queixo, e havia ali uma rendição que ela própria tinha escolhido, suja e lúcida. «Diz o que és enquanto te meto isto.»

«Uma coisa que se maneja de luvas», disse, e a frase tremeu-lhe no fim. «A tua puta de arquivo. Não pares.»


Aumentei o ritmo e o polegar enluvado encontrou-lhe o clitóris por cima, a esfregar em círculos curtos enquanto os dois dedos lhe saíam e lhe entravam na cona com um chapinhar baixo, obsceno naquela sala de silêncio profissional. O cheiro dela misturou-se com o da lã antiga e com o do cabedal molhado. Mei Ling deixou cair a cabeça para trás, o cabelo a bater-lhe nas omoplatas, e um gemido longo subiu-lhe da garganta quando os dedos se curvaram com mais força. A cona fechou-se à volta da luva numa contração que apertou os ossos da mão, e ela veio-se assim, nos dedos vestidos, o corpo a sacudir em silêncio primeiro e depois com um som rouco que não tentou esconder.

Mantive-lhe a mão lá dentro enquanto as ondas passavam, a sentir cada aperto através do couro, e só a retirei quando ela lhe pousou a própria mão por cima, a impedir a saída de todo. Os dedos saíram brilhantes, o cabedal escuro até ao pulso, e ela olhou para aquela evidência com uma fome que não era de palco.

«Outra vez», pediu, já a puxar-me a mão de volta para entre as pernas. «E o cu também. Quero as duas. Quero que me uses como se eu não tivesse pele que mereça a tua.»

Houve um instante em que o conservador em mim pensou no risco, na costura, no valor da peça que estava a destruir de propósito. Depois o olhar caiu sobre ela, nua da cintura para baixo na mesa de exame, a pedir para ser tratada pior, e o pensamento profissional desfez-se. Passei-lhe os dedos molhados da cona até ao cu, a untar o anel com o que ela própria tinha dado, e pressionei o indicador contra a resistência. Ela respirou fundo e empurrou-se contra a luva, a abrir-se, e o dedo entrou-lhe no cu até à junta, o cabedal a desaparecer ali com a mesma cerimónia lenta com que se introduz uma ferramenta numa prega difícil.

«Fala», disse-lhe, a mexer o dedo dentro do cu enquanto o polegar lhe voltava à cona. «Quero ouvir-te a pedir.»

«Fode-me o cu com a luva», pediu, e a voz já não tinha a brincadeira de à chegada, só a precisão de quem sabe o que quer. «Mete outro. Enche-me. Não me dês a mão nua, Nuno. Se tirares, acabo.»


Meti-lhe o segundo dedo no cu com paciência, a deixá-la acostumar-se ao volume do couro, e ela mordeu o lábio até ficar branco. A mesa rangeu de leve quando ela recuou as ancas e depois voltou, a foder-se sozinha nos dedos, a cona a pingar para o tampo de aço inoxidável. Houve ali uma ternura estranha, o cuidado de não a magoar misturado com a vontade de a ver desfeita, e limpei-lhe a testa com o dorso da outra luva, o único carinho que as regras dela permitiam.

«Porque é que isto», perguntei, e o gesto da mão enluvada bastou para nomear a sala, as luvas, o que estávamos a fazer ao silêncio do arquivo. Ela não contou origem nenhuma. Olhou para os pulsos vestidos e devolveu a pergunta ao que acabara de lhe meter no corpo.

«Porque tu calçaste isto para me tocares», disse, e sorriu de lado, curto. «O resto é conversa de quem não está a foder.»

Aceitei o recuo sem insistir. Tirei-lhe os dedos do cu com lentidão, o cabedal a sair brilhante, e abri o cinto com a mão que ainda estava relativamente limpa. O pau saiu duro, já a bater contra o tampo quando a distância entre nós se fechou, e alinhei a cabeça na cona molhada sem lhe pôr as palmas na pele. Segurei-lhe as ancas por cima do vestido encavalitado, o couro a marcar-lhe a carne através do tecido, e entrei nela de um só movimento até ao fundo. O calor da cona fechou-se à volta do pau com uma urgência que as luvas não conseguiam imitar, e mesmo assim foram as mãos vestidas que ela segurou, os pulsos, as costuras, como se o resto do corpo fosse acessório.

Fodi-a na mesa de exame com estocadas fundas, o tampo a tremer, as luvas a deixar marcas escuras na pele das ancas sempre que a apertava. Ela envolveu-me as coxas com as pernas e puxou-me mais para dentro, a cona a fazer um som molhado a cada vez que o pau saía quase todo e voltava. A luz branca do laboratório não perdoava nada: via-se o pau a desaparecer nela, via-se o cabedal a brilhar com os sucos, via-se a boca dela a procurar um dedo enluvado para chupar enquanto a fodia.

«Mais fundo», pediu contra a luva. «Usa-me. A mesa aguenta. Eu aguento. Trata-me como uma peça que não se pode tocar sem isto.»

Obedeci ao insulto que ela própria queria. Chamei-lhe puta baixinho, contra o cabelo, e ela veio-se outra vez com o pau lá dentro, a cona a ordenhar, um gemido partido que ela abafou na palma enluvada. Continuei, sem lhe dar trégua, a foder naquele aperto até o prazer dela passar a um excesso que a fez tentar fechar as pernas. Segurei-lhas abertas com as mãos cobertas, o cabedal a escorregar na parte de dentro das coxas, e não parei.


Tirei-lhe o pau da cona quando senti que não ia aguentar, e a cabeça veio à luz, vermelha, brilhante dela. Ela percebeu e puxou-me as mãos para a frente, as palmas viradas para cima, o cabedal das luvas de ópera estendido como uma oferenda. Vim-me assim, sobre o couro, o leite a cair às goladas quentes no preto das luvas, a escorrer-lhe entre os dedos que ela segurava abertos. A primeira porção bateu-lhe na palma, a segunda no pulso, e o cheiro do sémen misturou-se com o do cabedal molhado num odor denso que não pertencia a nenhum protocolo de conservação.

Mei Ling não esperou por nenhuma palavra. Baixou a cabeça e lambeu o leite de cima da luva com uma língua larga, devagar, a apanhar o que escorria para o punho, e os olhos dela não se desviaram dos meus enquanto o fazia. Chupou-me o indicador enluvado outra vez, agora com o gosto de nós os dois no couro, e um fio branco esticou-se-lhe do lábio quando se afastou.

«Outra», pediu, e virou-me a outra mão. Lambeu essa também, o dorso, a palma, o espaço entre os dedos, até o cabedal ficar outra vez só escuro de saliva. Depois encostou a face à luva, a boca aberta contra o pulso, e ficou assim um momento, a respirar o cheiro, nua e quieta em cima da mesa.

Passei-lhe os dedos limpos pelo cabelo, ainda vestidos, e ela fechou os olhos. A degradação que ambos tínhamos pedido estava ali, visível, no leite que ela tinha engolido do couro, e não havia nisso vergonha que ela quisesse desfazer. Havia só o pedido seguinte, dito quase contra a costura da luva.

«Não descalces. Nem para dormir. Fica. Quero acordar e tu ainda teres isto nas mãos.»


Havia um catre estreito no cubículo ao lado do laboratório, o sítio onde às vezes se passava a noite quando uma peça exigia humidade estável até de madrugada. Levei-a para lá sem lhe dar o braço nu, só a palma enluvada nas costas, e ela deitou-se de lado, ainda com o vestido à cintura, e puxou-me a mão para lhe ficar entre as pernas, os dedos pousados na cona, o couro a arrefecer no molhado. Apaguei a luz grande e deixei só o candeeiro baixo do cubículo. A chuva continuava nos vidros altos.

«Dorme assim», murmurou ela, já com a voz de quem está a cair. «Se tirares, acordo. Se tirares, o palco volta vazio.»

Fiquei, como ela pedia, sem discutir o que aquilo fazia às mãos. A luva entre as coxas dela foi o último ponto de calor da noite. Ouvi-a adormecer pelo modo como a respiração alongou, e o corpo dela, de vez em quando, apertava os dedos enluvados como se quisesse confirmar que o couro ainda estava lá. Não descalcei. As mãos latejaram dentro do algodão e do cabedal, o leite seco a puxar a pele por baixo, e mesmo assim não tirei nada. Havia naquela obediência uma rendição minha que ela tinha pedido e que, contra todos os hábitos da sala, lhe foi dada inteira.

A madrugada entrou cinzenta pelo vidro. Ela acordou primeiro, ou talvez ao mesmo tempo, e a primeira coisa que fez foi tocar-me o pulso para sentir a luva. Sorriu de leve e não pediu a boca nua nem o peito descoberto. Pediu só que lhe metesse outra vez os dedos, devagar, só para lembrar ao corpo que a regra se tinha mantido. Fodi-a com a mão naquela luz feia da manhã, a cona já outra vez molhada, e ela veio-se em silêncio, a cara escondida no ombro vestido, um orgasmo curto e fundo que a deixou a tremer contra o cabedal.


Vestiu-se no laboratório com as mesmas mãos a passar-lhe o casaco pelos ombros, sempre o couro, nunca a pele. A mala ficou na mesa, as luvas de mota ainda lá dentro, e ela olhou para as palmas como se o resto da cidade não tivesse nada que as substituísse. Lá fora o inverno de Lisboa continuava, a rua molhada, o dia a começar tarde.

«Tenho ensaio», disse, a abotoar o casaco sem pressa. Olhou para as luvas de ópera, ainda postas, ainda escuras do que tínhamos feito, e a frase seguinte veio baixa, sem teatro. «Lá ninguém calça isto. A temporada continua. E eu já só danço se alguém me vestir as mãos.»

Ficámos os dois naquela frase, o arquivo ainda cheirava a nós, as luvas onde ela tinha pedido que ficassem. Ela saiu pela porta das traseiras com a mala contra o peito, e da mesa de exame viram-se-lhe as costas a desaparecer no corredor frio, à espera de um par de mãos cobertas que o teatro, percebia-se já pelo modo como falara, não lhe ia dar.