
Shan na Neve da Estrela
Conto erótico de férias na neveFérias12 min de leitura
Um conto de Shan Song
Shan instala-se num hotel de ski quando a neve fecha as estradas. No bar está o homem que lhe pôs o anel da outra na mão. Desta vez nenhum dos dois tem noiva, contrato nem canal a cumprir.
O bar do hotel cheirava a lenha e a lã molhada quando a neve acabou de fechar as estradas da Serra da Estrela. Estava ali a gastar uma semana já paga, o copo de tinto entre os dedos, a pista iluminada do outro lado do vidro grande, e Shan Song entrou a sacudir o casaco como se o frio fosse um recado que ela recusava ouvir. Tinha vinte e um anos e o sorriso ainda quente, e reconhecemo-nos no mesmo instante, sem o alarido de quem precisa de explicar o que já se viu noutro sítio. O cabelo negro caía-lhe húmido sobre os ombros e as bochechas tinham ainda a cor do vento. Ela sentou-se dois bancos à esquerda, pediu um vinho e ficou em silêncio o tempo suficiente para o empregado se afastar. O copo chegou, ela envolveu-o com os dedos compridos e bebeu o primeiro gole sem olhar para o lado, como se o silêncio fosse a única língua que os dois ainda aceitavam.
«Ficaste na serra?» perguntou ela, a frase curta virada para mim como um convite a responder, e confirmei com um movimento de cabeça porque as palavras pesavam mais do que o copo. Falámos tão pouco que o silêncio entre os goles chegou a parecer um acordo. O fogo da lareira estalava atrás do balcão e o cheiro a resina misturava-se com o vinho. Ela bebeu, pousou o copo vazio e levantou-se primeiro, e subi atrás dela pelo corredor de alcatifa sem lhe tocar até a porta do quarto se fechar às nossas costas. O tapete abafava os passos e o corredor cheirava a madeira encerada. A janela dava para a pista. As luzes amarelas riscavam a neve lá em baixo e havia gente a atravessar o terreiro do hotel, vultos com cachecóis e botas, suficientemente perto para, se levantassem a cabeça, perceberem o que um quarto iluminado podia mostrar. O quarto estava demasiado claro e nenhum dos dois fez o gesto de apagar a luz de cabeceira.
Ela virou-se para mim e puxou-me pela camisola com as duas mãos. Beijei-a de boca aberta, a língua dela a responder depressa, o gosto a vinho ainda quente no beijo, e as mãos dela já me abriam o cinto com uma decisão que não pedia licença. A pele do pescoço estava fria quando a boca lhe desceu até à clavícula. Tirei-lhe o casaco, a camisola de lã, o soutien, e as mamas pesaram-me nas palmas, os mamilos duros de frio e de pressa. Aqueceu-se-lhe a pele debaixo das mãos e ela arqueou-se para a frente, a oferecer o peito. Ela empurrou as cuecas para baixo com os polegares e ficou nua à frente da janela de propósito, um segundo com as coxas juntas, depois abertas, a cona já brilhante sob a luz da pista. A humidade reluzia-lhe entre os lábios e o baixo-ventre tremia. Olhou para baixo, para o casal que parava junto aos candeeiros, e o corpo dela tremeu dum modo que não era recuo.
Encostei-a ao vidro pelo peito, as mamas esmagadas contra o frio do cristal, o rabo a premir-me a piça ainda dentro das calças. O contraste do gelo no peito e do calor nas costas fez-lhe soltar um suspiro curto. Abri o fecho, tirei o caralho e esfreguei-lho entre as nádegas até ela gemer e deixar um bafo opaco no vidro. Enfiei dois dedos na cona molhada e senti-a a fechar-se à volta deles, quente, pronta, a abrir as pernas ainda mais em vez de se esconder. Os dedos saíram reluzentes e ela empurrou as ancas para trás, a pedir o resto. Lá em baixo o casal não tinha andado. Ela viu-os e apertou-me os dedos por dentro.
«Vão perceber. Deixa-os perceber?» disse ela, a devolver-me as palavras com um torcer pequeno, e a resposta foi metê-la de um só golpe até ao fundo. A cona recebeu-me toda, escorregadia, e o gemido dela bateu no vidro e ficou ali. O vidro tremeu com o peso dos dois e as luzes da pista pintavam-lhe as costas de amarelo. Fodi-a de pé, as mãos-lhe nas ancas, cada embate a fazê-la bater de mamas no cristal, a cara virada para a pista como quem escolhe ser vista. A respiração embaciava o vidro em círculos e ela não desviava o olhar da neve. Um homem passou sob os candeeiros e levantou o rosto; Shan arqueou-se de propósito, o rabo a encontrar-me, a cona a puxar-me mais fundo, e ouvi-a sorrir contra o vidro. O quarto cheirava a sexo e a lã molhada. O caralho saía-lhe reluzente e voltava a entrar até aos ovos, a puta da cona a fazer um som húmido que o vidro não abafava. «Mais. Assim.» dizia ela contra o cristal, a voz partida pelo embate.
Ela veio-se assim, de pé, as pernas a tremer contra as minhas, a boca aberta num gemido comprido que embaciou o cristal à altura da boca. O corpo dela sacudia-se em pequenos solavancos e as mamas deixavam marcas húmidas no vidro. A cona apertou-me em vagas lentas e eu continuei a foder através disso, sem abrandar, até ela soltar um som mais grave e cravar as unhas no peitoril. Vim-me dentro dela com os dentes no ombro, o esperma a encher-lhe a cona enquanto o homem lá em baixo já tinha seguido caminho e o casal se afastava na neve, talvez a fingir que o quarto iluminado era só mais uma janela. Ficámos contra o vidro até o caralho amolecer e escorrer dela pelo meio das coxas. O calor misturava-se com o frio que vinha do cristal e ela recostou a testa no vidro, a respirar fundo. Ela não fechou a cortina.
Mais tarde, quando o hotel recolheu o serviço da banheira exterior, descemos pela escada de serviço com toalhas e o frio a cortar a cara. A água fumegava no meio da neve, um rectângulo de calor no escuro, e Shan entrou primeiro, o corpo a desaparecer até aos ombros, o cabelo apanhado de qualquer maneira. Os mamilos endureceram outra vez ao contacto com o ar e ela riu-se, um som baixo que o vapor engoliu. Sentei-me na borda e ela abriu-me as pernas com as mãos molhadas, olhou para cima uma vez e meteu-me o caralho na boca sem preâmbulo. A água batia-lhe no peito. As gotas escorriam-lhe entre as mamas e desapareciam na água turva. A boca estava quente demais para o ar gelado, a língua a trabalhar a cabeça, a mão a fechar-se na base, e ela mamou com a calma de quem tem a noite inteira e nenhum relógio a contar. O vapor subia entre nós. De vez em quando ela tirava a boca, puxava um fio de saliva e voltava a descer até eu lhe bater no fundo da garganta, os olhos marejados, o nariz contra a barriga. Os dedos dela apertavam-me a coxa quando precisava de ar e voltavam a puxar-me para dentro assim que o fôlego regressava.
Levantei-a pela cintura e virei-a de costas para mim, os cotovelos na borda de pedra, o rabo fora de água. A pedra da borda estava gelada debaixo dos cotovelos dela e mesmo assim não se queixou. A cona ainda ia molhada do quarto. Espalhei essa humidade no cu com o polegar, apertei devagar, e ela empurrou-se contra o dedo até ele entrar. Pediu mais sem formular um pedido, só com o corpo. Encostei a cabeça do caralho ao cu e fui entrando com paciência má, um pouco de cada vez, até ela soltar o ar todo e a pila desaparecer até aos ovos. O cu dela estava apertado, quente, a pulsar à volta de mim, e fodi-lho com a água a bater-nos nas coxas e a neve a cair nos cabelos. Cada vez que recuava via o anel do músculo a agarrar-me e cada vez que avançava ela gemia para a noite vazia da estância. Ninguém nas janelas. Ninguém na pista. Mesmo assim ela olhou para o hotel como se quisesse testemunhas e eu fodi-lhe o cu com mais força, as mãos nas mamas, os dedos a apertar-lhe os mamilos. Ela disse o meu nome contra a pedra, um fio de voz, e o corpo cedeu-me por inteiro.
Vim-me lá dentro com um gemido que se perdeu no vapor, o esperma a bater-lhe fundo no cu enquanto ela se empurrava para trás a fim de receber tudo. Fiquei enterado até o pulso abrandar. Quando saí, um fio esbranquiçado escorreu-lhe pelo rabo abaixo até à água. Ela riu-se baixo, um som cansado e satisfeito, e puxou-me para a banheira até a água nos tapar os ombros. O frio da serra ficava do lado de fora daquele calor, e as pernas dela enlaçaram-me sem pressa, a boca no pescoço, o cu ainda a latejar contra a minha coxa.
Nos dias seguintes a neve não abriu as estradas e o quarto tornou-se o sítio onde o tempo se media pelas vezes em que ela se punha em cima. Uma tarde de luz branca, com a pista cheia de gente que já não olhava para as janelas, Shan empurrou-me para a cama, trepou-me nua e segurou-me o caralho para o enfiar na cona de um só movimento. Cavalga-me com as palmas no peito, as mamas a balançar, a cona a descer até me engolir inteiro e a subir até quase me perder, sempre a olhar-me nos olhos como se o quarto fosse um pacto. O colchão queixava-se. As coxas dela apertavam-me os flancos e o calor da cona subia e descia num ritmo que ela mandava sozinha. O suor corria-lhe entre as mamas e pingava-me no peito, quente, e ela não desviava os olhos. Eu agarrava-lhe o rabo e puxava-a para baixo em cada descida, a piça a bater-lhe fundo, e ela mordia o lábio e pedia mais sem baixar a voz. «Não pares.» pedia ela, as palmas a escorregar-me no peito suado. Veio-se assim, sentada, a cona a esmagar-me, o corpo a dobrar-se para a frente até o cabelo me tapar a cara, e continuei a foder para cima mesmo depois de ela ter vindo, até ela soltar um segundo gemido mais rouco e se desfazer outra vez contra mim.
Deitei-a de costas quando as pernas lhe falharam e lambi-lhe a cona até ao clitóris, o sabor dela e o meu misturados, as coxas a fechar-se-me contra as orelhas. Ela puxava-me pelo cabelo e abria-se ao mesmo tempo, a contradizer-se com o corpo, e eu chupei-lhe o clitóris com a língua larga, dois dedos dentro, curvados, até ela se vir contra a boca com as ancas a tremer e um som que não tentou calar. As ancas levantavam-se da cama e as mãos apertavam-me a cabeça contra ela. O quarto cheirava só a nós. Os lençóis tinham escorregado para o chão. A janela continuava sem cortina. Lá fora a serra fazia o seu inverno indiferente, e dentro eu tinha a cara molhada dela e as mãos dela ainda no meu cabelo, a afastar-me só quando o corpo já não aguentava o contacto.
De manhã, com a luz fria a entrar sem vergonha, ela ajoelhou-se ao lado da cama antes do pequeno-almoço. Tinha a boca quente de sono e chupou-me o caralho com uma lentidão que era quase cruel, a língua a rodar a cabeça, a mão nos ovos, os olhos abertos a ver-me ver. Não teve pressa. Os lábios fechavam-se húmidos à volta da pila e soltavam-se com um som baixo, e ela repetia o gesto como se a manhã não tivesse fim. Quando vim, segurou-me na boca e engoliu tudo, a garganta a trabalhar, um fio no canto dos lábios que ela limpou com o polegar e chupou depois, a olhar para mim como quem acaba um prato. Deitou a cabeça na minha coxa e ficou ali, a respirar, os dedos a desenhar nada em particular na pele.
Foi nesse silêncio que ela falou. A voz saiu-lhe baixa, quase colada à pele. Pediu-me que a tratasse como a mulher dela durante a semana que a neve nos dava, sem câmara, sem ecrã, sem a obrigação de transformar o quarto em prova. Aceitei. Não foi um discurso. Foi um sim dito contra o cabelo dela, a mão nas costas nuas, o telemóvel dela virado para baixo em cima da cómoda. Ela levantou-se, foi à mala e tirou o anel que tinha guardado desde o chalé, aquele anel que não era dela e que tinha viajado de quarto em quarto como um objecto sem dono certo. Enfiou-o no dedo da mão esquerda, olhou para a pedra e depois para mim, e a escolha estava no gesto, não numa frase. Beijei-lhe a mão por causa do anel e fodi-a devagar nessa manhã, de frente, as pernas dela à volta da cintura, o metal a tocar-me na cara quando ela me segurou a nuca. O ritmo era lento de propósito, cada entrada completa, cada saída a fazê-la prender a respiração. Os olhos dela não se fechavam. Veio-se com o anel à vista e eu vim-me outra vez dentro da cona, a olhar para aquele dedo como se o ouro pudesse explicar o que os dois recusávamos explicar.
A semana gastou-se em neve, em refeições atrasadas e no corpo dela a aprender o quarto de cor. Tratei-a como a mulher que me tinha pedido para ser: a mão nas costas no corredor, o lugar ao meu lado na mesa, a boca no pescoço quando ninguém pedia contas. Pediam-nos o mesmo vinho todas as noites e o empregado já não perguntava. Ela ria-se baixo, pedia vinho, puxava-me para a cama a meio da tarde e nunca ligava a câmara. À noite o quarto aquecia depressa e ela dormia virada para o vidro, o anel frio contra o peito quando se encostava. O canal ficou do outro lado dum ecrã que ela nem destapava. Na última manhã a estrada reabriu e a luz entrou mais limpa, quase ofensiva. Não pedi que ficasse para sempre. A frase nem chegou a formar-se. Ela percebeu pelo que não veio, e vestiu-se com a mesma calma com que se tinha despido no primeiro dia.
Vi-a sentar-se na beira da cama com o telemóvel, o anel a brilhar quando os dedos se mexiam no ecrã. Cancelou o charter seguinte com poucas palavras ditas para o aparelho, a voz estável, e depois abriu uma pasta de rascunhos cheia de imagens que nunca tinham saído dali. Olhou para o conjunto como se olhasse para uma versão de si que já não ia usar naquela semana, e fechou a pasta sem publicar nada. O ecrã apagou-se. Ela meteu o telemóvel no bolso do casaco, passou o polegar pelo anel uma vez, e quando se levantou para a mala o quarto ficou só com o cheiro a sexo e a lã e a madeira fria. O contrato tinha ficado para trás naquele gesto. O canal, calado. O anel continuava a não ser um casamento, e ela partiu com ele no dedo, a mulher que tinha querido uma semana inteira sem testemunhas digitais, e eu fiquei à janela a vê-la atravessar a neve até ao carro, a pista já aberta, a serra a devolver o movimento a toda a gente menos àquilo que os dois tínhamos sido entre aquelas quatro paredes.