Ir para o conteúdo
1000girls logo
Shan Song

Shan no Chalé da Serra

Conto erótico chalé na montanhaFérias12 min de leitura

Um conto de Shan Song

Shan aluga um chalé na Serra da Estrela para não ter de ser namorada de ninguém nem anfitriã. O caseiro sobe a montanha por causa da tempestade. Ela já não quer conforto nem conversa leve.

2,6 mil leituras842 curtidas

A última curva do vale já não dava para a carrinha, e subi a pé com a caixa das velas encostada à anca e a chave do gerador a bater no bolso do impermeável. A lama colava-se às solas e o vento vinha de lado, a empurrar a chuva para dentro do capuz, a molhar-me o pescoço. O outono tardio tinha descido sobre a Serra da Estrela com uma tempestade que tapava o fundo do caminho, e o chalé isolado precisava de alguém que tratasse da luz se a linha cedesse. Via-se a fumaceira da chaminé a perder-se no cinzento, um fio curto, e o alpendre já brilhava de água. Ela abriu ainda antes de eu bater. «Hélder», disse, e o nome saiu-lhe curto, como se quisesse cravar-me ali enquanto a chuva escorria do casaco para o alpendre. A mulher à entrada não passava dos vinte e um anos e olhava para os meus quarenta e dois como se a diferença fosse a única coisa sólida que a montanha ainda lhe dava. Tinha a pele pálida do frio e uma mancha de humidade na camisola, mesmo por baixo da clavícula, e os olhos escuros não se desviavam. Shan Song tinha o cabelo preso sem cuidado e um anel a fazer volume no bolso das calças, e o sorriso que me apareceu não era o de quem recebe visita.

«Vieste por causa do gerador?» perguntou, e puxou-me pelo peito do impermeável para dentro do vão. O calor da lareira bateu-me na cara. Cheirava a resina e a pão esquecido, a casa fechada há horas com o fogo a comer a lenha sem pressa. Ela fechou a porta com o rabo e ficou muito perto, o queixo erguido, as mãos ainda no meu casaco, a recusar a conversa que eu trazia ensaiada sobre o gelo e o depósito. Tinha vindo do mar, isso saiu numa frase só, e não queria público nenhum naquela encosta. A voz era baixa, quase sem sotaque de sítio nenhum, e os dedos já me conheciam o peito por cima do tecido molhado. Os dedos dela desceram até ao cinto e puxaram com uma pressa que não pedia licença. O soalho era de madeira fria. As botas ainda iam atadas quando os joelhos dela tocaram o chão e a boca se abriu contra o fecho das calças de trabalho.


O cheiro a gasóleo misturou-se com o da lareira quando ela me abriu as calças sem as tirar da anca. O caralho saiu-lhe pesado na mão, já duro do frio e da forma como me tinha puxado, e Shan passou a língua pela cabeça com uma lentidão que não combinava com a pressa dos dedos. A palma estava quente. Os lábios fechavam-se com um cuidado sujo, a saliva a brilhar no metal do fecho. Olhou para cima. «Não me trates como hóspede. Trata-me como no iate, sim?» A pergunta ficou-lhe na boca molhada, e a resposta foi meter-lho até ao fundo da garganta, uma mão no cabelo preso, a outra ainda com a luva de trabalho a apertar-lhe a nuca. Ela engolhou em volta, os olhos a marejar do reflexo, e não recuou. Um som húmido saiu-lhe do fundo da garganta cada vez que a cabeça descia, e as unhas cravaram-se-me na anca por cima do fato. O soalho rangia. As calças desciam-me só o suficiente para eu foder-lhe a boca com o casaco ainda vestido e o cinto a bater-lhe no queixo.

Tirei-lhe as calças até aos joelhos sem lhe tirar as botas a ela também, um emaranhado ridículo de tecido e pressa, e virei-a de quatro sobre o tapete gasto junto à lareira. A pele do rabo estava fria no ar da sala e quente onde a lareira a tocava. A cona estava tão molhada que os dois dedos soaram quando os enterrei até ao fundo, e ela empurrou o rabo para trás como quem deixa de ser dona da casa. «É assim que querias?» perguntei-lhe contra a orelha, e ela repetiu a minha frase com uma volta pequena, «Assim, e pior que assim?», a voz já rouca da garganta. Encostei a cabeça do caralho à fenda e meti de um só avanço, até aos tomates, o fato de trabalho ainda a roçar-lhe as coxas. O calor dela fechou-se de imediato, apertado, e um gemido curto ficou-lhe preso entre os dentes. Fodi-a com o peso do corpo e com a chuva a bater nos vidros, cada estocada a fazê-la escorregar para a frente nas mãos abertas. A cona apertava. O anel no bolso dela tinia contra o soalho cada vez que o corpo ia e vinha.

Não a tratei com jeito. Segurei-lhe os cabelos e fodi mais fundo, o casaco aberto a bater-lhe nas costas nuas, e ela gemeu para a madeira como se o conforto fosse exactamente o que tinha vindo recusar. A palma da luva marcou-lhe a anca. Ouvi-a dizer o meu nome outra vez, mais baixo, partido ao meio pelo impacto, e não respondi. Quando a cona começou a tremer à volta do caralho, abrandei só o bastante para ela sentir cada veia, e depois voltei a meter com força até ela se vir contra o tapete, a boca aberta, um fio de saliva a ligar-lhe o lábio ao chão. Continuei dentro enquanto ela se acabava, porque ela o tinha pedido sem o dizer por inteiro, e o corpo dela recebia tudo o que eu lhe dava.


Puxei-a de novo para os joelhos antes de me vir. O cabelo já lhe caía da apanha e a boca estava vermelha, e Shan abriu-a sem que eu precisasse de lhe explicar o que vinha. Os olhos brilhavam da lareira e de outra coisa, uma entrega sem nome. Meteram-se-lhe os lábios em volta da cabeça e depois desci-lhe a garganta outra vez, mais fundo, até o nariz lhe bater no pêlo. Segurei-lhe a cabeça com as duas mãos e fodi-lhe a boca como se a cona ainda estivesse ali, curta e funda, e as lágrimas que lhe nasceram não pediam que parasse. A garganta fechava e abria, húmida, e as mãos dela agarravam-me as coxas para se manter no sítio. Cuspi-lhe na língua quando saí. Ela engoliu. A saliva escorreu-lhe no queixo e voltou a abrir a boca, a pedir o resto com os olhos, e voltei a cuspir-lhe para dentro porque era isso que ela tinha posto em cima da mesa quando recusou ser hóspede.

«Na cara», disse ela, a frase curta, e a pergunta veio logo a seguir, «Deitas-me na cara?» A mão dela ia-me no caralho, rápida e molhada da boca, e a outra abria-lhe os peitos para fora da camisola. Os mamilos estavam duros do ar da sala, a pele marcada pelo tecido. Vim-me-lhe na cara com um gemido baixo que se perdeu no estalar da lareira. A porra caiu-lhe na testa, nas pestanas, na boca que ela manteve aberta, e escorreu-lhe pelo pescoço abaixo até ao sítio onde o pulso ainda lhe batia. Shan passou a língua pelo lábio e olhou para mim com aquela expressão quente que já não servia para receber ninguém, só para se deixar usar até ao osso. Limpei-lhe o queixo com o polegar e meti-lho na boca. Ela chupou. O impermeável ainda me ia pelos ombros, ridículo e sujo, e ela riu-se um pouco contra os meus dedos, um som pequeno que desfez o que restava da mulher que aluga chalés com um sorriso.

Deixei-a assim um instante, de joelhos, a cara feita uma desordem branca e as calças ainda pelas coxas, porque ela não se levantava e eu não a levantava. A tempestade batia. O gerador podia esperar mais uma hora.


Mais tarde houve pão na mesa e um copo de vinho que ela empurrou para o meu lado antes de retirar a mão, um resto de hábito que ela própria cortou a meio. Lavei a cara na casa de banho estreita e voltei com o casaco no gancho. A água estava gelada e o espelho embaciou-se só no sítio da respiração. Shan estava encostada ao balcão da cozinha com o anel agora em cima da madeira, a pedra virada para baixo, e o telemóvel ao lado com o ecrã apagado. O cabelo molhado da toalha caía-lhe pelos ombros. Tinha vestido outra vez a camisola, torta num ombro, e as cuecas visíveis por baixo da barra. Falámos do gelo na curva e do tempo que a linha podia levar a voltar, coisas inúteis, e ela ia puxando a conversa para mim com perguntas curtas que me obrigavam a responder, como se o silêncio a deixasse demasiado visível.

«Há quanto tempo fazes isto?» perguntou, a olhar para as mãos. «O gerador. A serra.» A resposta saiu curta. Anos. Ela acenou como se a conta lhe bastasse. «O gerador ficou bem?» perguntou, e quando disse que sim ela torceu-me as palavras com um sorriso pequeno, «Bem, e tu também?» Não contei nada da minha vida. Ela também não ofereceu a dela. O anel brilhava entre o pão e o copo, grande demais para o dedo que eu lhe tinha visto nu, e ela não o explicou. Houve um instante em que lhe limpei uma migalha do canto da boca e ela deixou a mão ficar contra o meu peito, quieta, quase terna, antes de a retirar como quem se lembra do que veio fazer à serra. A lareira estalava. Lá fora o vento tinha mudado de tom, mais fino, e o vidro da janela começava a embaciar-se de outra maneira.

Beijei-lhe a boca com outro ritmo, mais lento, e ela correspondeu como se o corpo ainda quisesse as duas coisas ao mesmo tempo. Sabia a vinho e a sal. As mãos dela desabotoaram-me a camisa de trabalho com um cuidado que não tinha tido no soalho, e os peitos quentes encostaram-se à pele fria do peito. Levei-a contra o balcão. As cuecas que ela tinha voltado a pôr saíram-lhe pelos tornozelos num puxão, e os dedos encontraram-lhe a cona outra vez molhada, aberta, a pulsar contra a palma. Shan abriu as pernas e segurou-me a cara. «Outra vez. Sem jeito.»


Levantei-a para o tampo. A madeira bateu-lhe no rabo e os calcanhares prenderam-me a cintura, e meti o caralho de um fôlego só, fundo, até ela soltar um som que não era manso. Fodi-a ali com as mãos nas coxas, a abri-las, a cona a fazer um barulho molhado cada vez que eu saía quase todo e voltava até ao fundo. Ela olhava-me nos olhos. Não havia sorriso de anfitriã nenhum. A testa encostava-se à minha de quando em quando, o hálito curto, e as unhas deixavam-me marcas nas costas por baixo da camisa aberta. Quando lhe passei o polegar molhado da cona pelo cu, ela assentiu com a cabeça antes de eu perguntar, e o primeiro dedo entrou-lhe devagar, o anel do cu a ceder, o segundo a seguir quando ela empurrou o rabo contra a minha mão. Fodi-lhe a cona com os dois dedos a trabalhar-lhe o cu, o ritmo partido, e Shan começou a desfazer-se por dentro de uma forma que não era só prazer.

As lágrimas vieram-lhe sem soluço. Corriam-lhe pelas tempes enquanto a fodia mais fundo, os dedos no cu a abrir-lhe um sítio que ela dava, e o choro não pedia que parasse. Era um despejo. O corpo ia-se-lhe esvaziando de frase, de jeito, da mulher que ajeita o conforto dos outros para não ter de se mostrar. Segurei-lhe a cara com a mão livre e continuei, o caralho a bater-lhe no sítio mais fundo, e ela chorava e apertava e puxava-me pelas ancas para dentro. «Não pares.» A voz saiu-lhe partida. Vim quase, retive, fodi-a através dessa borda até ela se vir outra vez com um choro aberto, a cona a mil, os dedos no cu a sentirem cada contração, e só então a deixei cair para a frente contra o meu ombro, a molhar-me a camisa.

Fiquei dentro. Os dedos saíram-lhe devagar. Ela tremia. A respiração dela vinha aos solavancos contra o meu pescoço, e a madeira do tampo rangia quando se mexia. Beijei-lhe o cabelo e o sal da cara, e ela deixou-se ficar contra mim no tampo da cozinha como se o chalé inteiro tivesse deixado de ser dela. A porra escorria-lhe pela coxa abaixo até à madeira. Lá fora o vento afiava-se.


Já era madrugada quando ela falou da universidade. Estávamos no sofá estreito, uma manta pelos ombros, a lareira quase em cinza, e Shan tinha a cabeça encostada ao meu peito de um modo que não pedia conversa e ao mesmo tempo a exigia. O pulso dela batia-me contra as costelas, lento. «Saí da universidade», disse, a frase solta no meio de nada, e depois acrescentou que o anel não era dela, que o ia de quarto em quarto como quem não sabe onde pousar uma coisa que não lhe pertence. Não pedi o resto. Não quis o canal, nem a pasta de rascunhos que ela nunca publica, nem a história da mulher que ajeita iates e sorrisos. Disse-lhe isso com a boca no cabelo dela, sem dureza, e ela calou-se como se eu lhe tivesse tirado a última defesa e, ao mesmo tempo, lhe tivesse feito um favor.

O anel voltou-lhe para o colo da mão, não para o dedo. Olhámos os dois para a janela. A chuva tinha cessado e no seu lugar caía uma neve miúda, seca, a primeira da encosta, a tapar a pedra do caminho com uma pressa que eu conhecia. Shan passou o polegar pela pedra do anel e não contou mais nada. Beijei-lhe a boca uma última vez naquele sofá, um beijo que já não pedia foda, e ela correspondeu com os lábios inchados e os olhos ainda vermelhos do que lhe tinha acontecido no balcão. O corpo dela cheirava a sexo e a fumo. O meu fato de trabalho estava num monte junto à porta, sujo do soalho e dela.


Desci quando a luz chegou, enquanto o rasto ainda dava para um homem a pé. A neve fechava a estrada por baixo, fiapo a fiapo, e o vale ia ficar preso até alguém abrir com máquina. O frio do alpendre cortava depois do calor da casa. Shan ficou no vão da porta com o casaco dela sobre os ombros nus e o anel outra vez no dedo, a pedra para fora, como se a máscara que tinha recusado a noite inteira lhe tivesse voltado às mãos sem o sorriso. Não ia para o mar. Disse-o olhando a encosta, a voz pequena, e falou dum hotel de ski mais abaixo na serra, um sítio com gente e ecrãs, um sítio onde podia ficar se o chalé deixasse de chegar. O telemóvel ia-lhe na outra mão, o ecrã aceso apesar do frio, o polegar a correr uma pesquisa que não me leu em voz alta. Vi um nome de homem a meio da linha, uma villa, e ela não baixou o telefone quando me viu a olhar. O vento trazia a neve para dentro do alpendre. Apertei-lhe o ombro por cima do casaco e meti-me no caminho. Atrás de mim o vão ficou aberto só o tempo de ela se decidir entre fechar e continuar a procurar.