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Shan Song

Shan no Camarote do Cruzeiro

Conto erótico de cruzeiro de fériasFérias12 min de leitura

Um conto de Shan Song

Shan embarca num cruzeiro em Lisboa com um anel que não é dela no bolso. Um passageiro reconhece-a dos vídeos e pede para viverem a viagem como um casal. Ela aceita na condição de a câmara ficar no cofre.

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A rampa do navio cheirava a tinta recente e a maré baixa quando Shan Song, que tinha vinte e um anos, passou por mim com a mala a bater-lhe na perna e aquele sorriso que eu já conhecia do ecrã. O casaco de seda acompanhava-lhe o passo, e no bolso os dedos fechavam-se em volta de um anel que a luz de outubro denunciou um instante, um brilho breve demais para quem não estivesse já à procura. Reconheci-a no mesmo segundo em que ela se afastou para deixar passar um casal, e cheguei-me à fila do cartão de embarque com a boca seca e o coração a bater-me no pescoço.

«Vi-te no canal», disse-lhe, baixo o bastante para o reconhecimento ficar entre nós. «Nuno Ferreira. Se te der jeito, podemos passar estes três dias como namorados. Jantares, o camarote, o convés. Queres?»

Ela mediu-me com uma atenção que primeiro perguntava se eu estava bem e só depois me dava uma vista, lenta, de alto a baixo, como quem decide se aceita o jogo.

«Namorados, então? E a câmara fica onde?»

«No cofre. Não filmo nada.»

«Aceito se for verdade. Tu ficas comigo à vista da tripulação e eu fico contigo longe de qualquer telemóvel. Está bem assim?»

Aceitei sem hesitar. Enquanto ela enfiava o anel outra vez no fundo do bolso, ao lado de um vídeo dos Açores que nunca publicara, o acordo ficou selado entre nós sem mais palavras. Entregámos os passaportes ao oficial de serviço e esperámos que o carimbo caísse sobre as páginas. O navio largou o Tejo com um tremor baixo no casco, Lisboa a recuar na amurada, e só então descemos ao camarote. Ela fechou a porta com o ombro e já ia a despir o casaco quando se virou para mim. Beijou-me com uma pressa alegre, a boca doce, as mãos no meu cinto como se o metal a fizesse rir.

«Tens mesmo tesão, Nuno? Ou é só porque me viste nua no ecrã?»

A provocação colou-se-me aos lábios antes que eu tivesse resposta pronta.

«É porque estás aqui. Sem ecrã.»

Ajoelhou-se na alcatifa clara. Abriu-me as calças com os dedos frios e tirou-me o pau, já pesado, quente na palma que o ar condicionado tinha arrefecido. Olhou para cima uma vez, a confirmar o que os dois sabíamos, e meteu-me na boca com uma lentidão que me tirou o fôlego. A língua deu a volta à cabeça, molhada e apertada, e ela desceu até o nariz lhe tocar no ventre, a garganta a fechar-se-me em volta enquanto um som baixo lhe subia do peito. Segurei-lhe o cabelo sem puxar, só para ver o movimento, e ela chupou-me com uma fome brincalhona. A saliva escorreu-lhe até ao pulso. Os olhos, húmidos de esforço e de gosto, não me largaram. Quando a tirei um segundo, um fio unia-nos ainda, e ela riu com a cara encostada à minha coxa, a mão a espalhar a humidade pela haste.

«Está bom assim, ou queres mais fundo?»

Empurrei de novo, devagar, e ela deixou-me usar-lhe a boca até as bolas me baterem no queixo. O camarote cheirava a ela e a mar. Quase me vim e tive de me conter, os músculos da barriga tensos contra o impulso. Ela puxou-me para fora com um estalo húmido, recusando-me o fim, e levantou-se para me beijar com o meu gosto ainda quente entre as línguas.


Ao jantar o maître da sala tratou-a como a mulher da minha mesa, e deixei que a tratasse, a encher-lhe o copo, a puxar-lhe a cadeira, a ouvi-la rir de coisas pequenas enquanto o Atlântico batia no casco lá fora. Shan bebeu um branco fresco, as faces um pouco mais coradas a cada golo, e quando lhe toquei a mão por baixo da toalha ela virou a palma e entrelaçou-me os dedos como se aquilo fosse o combinado mais simples do mundo. Falámos de Lisboa, do outono, do Funchal que o navio prometia no horizonte, e ela perguntou-me se o camarote tinha mesmo varanda ou se eu tinha inventado o pormenor para a impressionar. Disse-lhe que não tinha inventado nada. Ela torceu-me as palavras com um sorriso e mandou-me prová-lo.

Na varanda o vento de outubro vinha frio e salgado, e as luzes de outros camarotes riscavam o escuro em rectângulos amarelos. Shan encostou-se ao corrimão, levantou o vestido até à cintura e olhou para trás por cima do ombro, a convidar-me sem esconder o risco. Lá em baixo, no convés descoberto, um homem atravessava a madeira com um copo na mão e podia, se levantasse a cabeça no ângulo certo, ver-lhe as coxas nuas e o meu corpo a cobri-la. Os dois escolhemos ficar. Puxei-lhe as cuecas para o lado, encontrei-a já molhada, e meti-lhe o pau de uma vez só, fundo, até o ventre me bater no rabo. Ela mordeu o interior do pulso para não gemer alto, e fodi-a ali, de pé, com o vestido amontoado nas costas e o ar frio a contrastar com o calor da cona a apertar-me.

Cada estocada fazia-lhe as mamas saltar contra o tecido. Ela empurrou o rabo para mim, a pedir mais, e de vez em quando deitava o olhar ao convés como quem gosta do perigo tanto quanto do pau. Um casal riu noutro sítio, longe, e o som chegou-nos misturado com o motor. Aumentei o ritmo, com as mãos na anca dela, e senti-a a tremer, a cona a puxar-me em ondas curtas, o vinho a soltar-lhe a voz num gemido que o vento levou.

«Vem-te dentro», pediu, virada para o mar, e a frase saiu-lhe inteira, sem vergonha.

Segurei-lhe os quadris, enterrei-me até ao fundo e vim-me-lhe dentro com um arfar que me dobrou sobre as costas dela, a porra a enchê-la enquanto ela se vinha à minha volta, as pernas a falharem-lhe contra o corrimão. Ficámos assim um instante, eu ainda a pulsar-lhe lá dentro, o vestido a cair-lhe aos poucos sobre as coxas, e quando me retirei um fio escorreu-lhe pela pele, quente no frio da noite. Ela limpou-o com os dedos, olhou para mim e riu, baixa, como se tivéssemos ganho uma aposta que ninguém tinha feito.


Dentro do camarote a luz ficou só o candeeiro de cabeceira. Shan empurrou-me para a cama com as palmas no peito, ainda a pingar de mim, e o vestido caiu no chão num sopro de seda. Beijou-me a boca, depois o queixo, depois o peito, e só então subiu, ajoelhada por cima da minha cara, as coxas a enquadrarem-me a visão. Cheirava a sexo e a mar e a vinho, e quando baixou a cona contra a minha boca segurei-lhe o rabo com as duas mãos e comi-a como se tivesse o resto da viagem para aquilo. A língua abriu-lhe os lábios, encontrou o clítoris inchado, e ela gemeu com a cabeça deitada para trás, os peitos livres, os mamilos apertados pelo ar do camarote.

«Mais devagar, ou queres que me venha já?»

A pergunta fez-me sorrir contra ela. Respondi-lhe com a boca, mais fundo, a chupar-lhe o clítoris com um ritmo que a fez agarrar a cabeceira. Shan sentou-se-me de verdade, o peso doce, a cona a esfregar-se-me no queixo e no nariz, e deixei-a usar-me a cara até a saliva e o que lhe escorria me descerem pelo pescoço. Os quadris dela rebolavam, pequenos, precisos, e de cada vez que a língua lhe acertava no sítio certo um tremor subia-lhe pelas coxas e morria-lhe na garganta. Ouvi-a dizer o meu nome, uma vez só, como quem confirma que estou ali e não no ecrã, e isso fodeu-me a cabeça mais do que o sabor. Apertei-lhe o rabo, puxei-a contra a boca, e ela veio-se-me em cima com um gemido longo, as coxas a fechar-se-me nas orelhas, a cona a pulsar contra a língua enquanto um calor lhe saía e me molhava os lábios até ao queixo. Desceu-me pelo peito, ainda a tremer, e beijou-me a boca suja dela mesma, a rir baixinho porque o gosto a fazia corar mesmo depois de tudo.


De manhã o navio avançava em água cinzenta de outono e o duche do camarote era estreito, de vidro fosco, com água a mais quente do que o dia lá fora. Shan entrou à minha frente, o cabelo colado às costas, e puxou-me para debaixo do jacto com os dedos nos meus ombros. Lavámos o sono e o cheiro da noite. As mãos dela desceram-me até ao pau, que endureceu logo contra a barriga dela. Beijámo-nos com água pela cara, e ela virou-se, as palmas no azulejo, o rabo empurrado para mim, a cona ainda macia e fácil de abrir. Meti-lhe o pau assim, de pé, a água a bater-nos nos ombros, e fodi-a com estocadas curtas que faziam o vidro tremer na calha.

O vapor encheu o cubículo. O corpo dela reluzia, as costas lisas, a cintura estreita, o sítio onde o meu ventre batia no rabo dela a cada avanço. Segurei-lhe um peito, o mamilo entre os dedos, e ela gemeu contra o azulejo, a pedir-me para não parar, a cona a apertar-me de cada vez que eu saía quase todo e voltava até ao limite. O tesão subiu-me depressa demais, o calor da água e o aperto dela juntos, e avisei-a com a boca na orelha. Shan virou-se de súbito, ajoelhou-se na base do duche, agarrou-me o pau com as duas mãos e abriu a boca, os peitos oferecidos, a água a escorrer-lhe pelo queixo. Vim-me-lhe no peito e nos lábios, a porra branca a bater-lhe na pele molhada, a deslizar para os mamilos, e ela riu com os olhos fechados, a língua a apanhar o que lhe chegava à boca. Passei-lhe a mão pelo peito, misturei a porra com a água, e ela ergueu a cara, a perguntar-me se eu estava bem, se a água não estava demasiado quente, só depois a oferecer-me aquele sorriso sujo que me fez beijá-la de novo, de pé, os peitos dela colados ao meu peito, o gosto de mim ainda na boca dos dois.


No segundo serão o convés superior ficou quase deserto, o vento mais forte, e levámos para lá uma garrafa de espumante que o bar nos vendeu sem perguntas. Shan bebeu do meu copo, depois do gargalo, as faces quentes, os olhos mais lentos, e quando a puxei contra o peito ela veio sem resistência, a rir contra o meu casaco, a dizer que o mar à noite a deixava com tesão nenhum de fingir recato. O álcool subia-nos aos dois, leve, escolhido, e o convés cheirava a tinta nova e a frio. Um homem passou ao longe, viu-nos e desviou o olhar, e Shan segurou-me a mão por baixo do casaco dela, guiou-ma até entre as pernas, por baixo do vestido, até eu lhe sentir a cona nua, sem cuecas, já escorregadia.

«Aqui? Queres mesmo aqui?»

«Quero. Se aparecer alguém, pares. Se não aparecer, não pares.»

Virei-a contra a amurada. Levantei-lhe o vestido, abri o fecho das calças e meti-lhe o pau por trás num só movimento, fundo, até ela soltar um som que o vento comeu. Tomei-a ali, de pé, com as mãos na anca dela, o rabo a bater-me no ventre, o Atlântico negro a perder-se para lá do corrimão. A cona dela, ainda marcada da manhã, recebeu-me fácil e apertada, e cada estocada fazia-lhe as pernas baterem na madeira. O espumante tinha-lhe solto a voz, e ela já não mordia o pulso: gemia o meu nome, pedia mais, empurrava o rabo para mim como se o convés fosse o nosso quarto. O risco de alguém sair da escada mantinha-me duro de um modo quase doloroso, e ela deitava o olhar para trás, bêbeda de mim e da bolha, a sorrir quando eu lhe dava mais fundo.

Quase me vim outra vez e segurei. Mudei o ângulo para lhe acertar no sítio que a fazia tremer, e ela veio-se primeiro, a cona a mil pulsações à volta do meu pau, as pernas a cederem, as mãos brancas no corrimão. Segurei-a pela cintura, continuei enquanto ela ainda se vinha, e vim-me-lhe dentro outra vez, a arfar-lhe no cabelo, a porra a juntar-se ao que ainda lá restava da varanda. Ficámos colados, o vestido a cair-lhe de novo, o pau a amolecer-lhe entre as coxas, e ela virou a cara para me beijar com a boca a saber a espumante e a sal. O convés continuava vazio. O vento secou-nos o suor. Shan riu contra a minha boca, baixa, e perguntou-me se eu a levava para a cama ou se a deixava ali a olhar o escuro até o copo acabar. Levei-a. Na cama, já sem a pressa, limpei-lhe as coxas com uma toalha do camarote, beijei-lhe o ombro, e ela adormeceu com a mão no meu peito, o anel outra vez escondido na mala, o navio a embalar-nos os dois como se aquilo pudesse durar mais do que a viagem.


No último dia o Funchal ficou para trás numa faixa de névoa e o navio apontou outra vez a Lisboa, o outono mais cinzento nas amuradas. Shan vestiu um casaco leve, o cabelo ainda húmido, e deixou-me pedir o pequeno-almoço para os dois como se fôssemos de facto o casal que a tripulação já cumprimentava pelo nome. Comemos na varanda, as mãos quase a tocarem-se na mesa, e o silêncio entre nós tinha a forma de uma pergunta que eu ainda não tinha feito. Quando ela pousou a chávena, falei.

«Quando chegarmos, podia aparecer no canal. Como namorado. Um jantar, o camarote, tu e eu. A audiência já te conhece. Ficava real.»

Shan olhou para o mar um tempo longo demais para ser só paisagem.

«Filmar o quê, Nuno? Isto?»

«Nós. O que fomos estes dias.»

Ela abanou a cabeça, devagar, sem raiva e sem espaço para negociação.

«Não. A câmara ficou no cofre. Foi essa a condição. Não vou transformar isto em conteúdo.»

A frase sentou-se-me no estômago como uma pedra.

«Se não vai para o canal, não foi real. Foi só mais um passageiro a foder a mulher dos vídeos e a fingir que era outra coisa.»

Ela não ecoou as minhas palavras. Levantou-se, arrumou a chávena com um cuidado que doía mais do que um portar, e foi para dentro dobrar a seda e o casaco. Vi-lhe as mãos. Vi o anel a ir outra vez para o bolso interior da mala, de quarto para quarto, de viagem para viagem, uma aliança que não lhe pertencia e que ela não explicava. O telemóvel ficou pousado na cama, o ecrã aceso, e antes que ela o bloqueasse li a reserva: um chalé na serra, entrada nessa noite, o campo do nome dos hóspedes em branco, uma nota curta a pedir silêncio e ausência de visitas. Shan guardou o telemóvel, fechou o fecho da mala e olhou-me de pé, já na porta do camarote, o sorriso quente reduzido a uma cortesia de quem se despede de um sítio e não de uma pessoa.

«Desço sozinha em Lisboa», disse. «Tu ficas com a tua versão. Eu fico com a minha, sem câmara e sem namorado.»

Não a segui até à rampa. Da varanda vi-a atravessar o cais com a mala pequena, o casaco de seda a bater-lhe na perna, e o navio, de repente, pareceu enorme e vazio. O cofre do camarote ficou aberto. A câmara, lá dentro, nunca tinha saído do sítio.


No cais de Santa Apolónia a fila dos que desembarcavam misturou-se com os táxis e com o cheiro a gasóleo, e Shan já ia à frente, o cartão de embarque a ser-lhe tirado da mão por um homem da tripulação que lhe desejava boa viagem como se ela fosse só mais uma passageira. Parei no portaló e vi-lhe as costas, o cabelo preso, a mala a rodar no cimento irregular. Ela não se virou. O telemóvel, que eu tinha visto aceso na cama, ia no bolso do casaco, e com ele ia a reserva daquele chalé na serra onde ninguém a ia tratar por namorada nem lhe pedir que servisse de anfitriã a ninguém. O anel ia com ela, escondido, e eu fiquei com o gosto do espumante e da boca dela e com a certeza, fria como o vento de outubro sobre o Tejo, de que o romance que eu tinha querido só existia se alguém, algures, estivesse a ver.