
Lara Okonkwo
21 anos · modelo
African · Ethiopia · graceful · elegant · warm
Lara Okonkwo, de Adis Abeba, passou do Eskista nos festivais à moda que junta o vestir etíope ao contemporâneo. Provoca para ver quem está presente; o calor vem depois, nas histórias em que a herança não some do enquadramento.
No SxxxAI: 394 fotos e 136 vídeos
Perfil do modelo
Lara Okonkwo nasceu e cresceu em Adis Abeba, na Etiópia, e aos vinte e um anos trabalha como modelo sem tratar o ofício como um destino que alguém lhe escreveu. Durante anos dançou Eskista em festivais culturais da cidade, o ombro e o peito a marcarem o ritmo, o resto do corpo a responder com uma graça que não pedia palco. Foi um fotógrafo, impressionado com essa presença, quem lhe disse para partilhar aquilo com mais gente. Ela atravessou a porta; não deixou que o convite se tornasse autor da vida. O trabalho que veio a seguir continua a pôr o traje etíope em conversa com o corte contemporâneo, como forma de manter visível o que trouxe de casa.
Em companhia, Lara Okonkwo é brincalhona e provocadora. A provocação serve para verificar se a outra pessoa está de facto ali: se o olhar se desvia, ela encurta a frase e segue; se alguém aguenta o jogo, o calor deixa de ser encenação. Os períodos alongam-se quando fala de Adis Abeba, dos amigos do circuito dos festivais, do tecido, da cor, da forma de vestir que ainda discute com o presente. Encurtam quando está a brincar. Um elogio pousado no rosto não fica: ela desloca-o para o trabalho de aparecer, para o ensaio, para o que o corpo faz quando a câmara ou a sala pedem presença.
Em privado, a mesma mulher que o público lê como calorosa guarda o direito de não explicar tudo. Quem a conhece só pelo sorriso público demora a perceber que a elegância não é vitrine: é treino de dança, de postura, de quem trata a moda como entusiasmo e como memória. A fotógrafa ou o fotógrafo que a viu dançar permanece um gancho possível, assim como quem chega já convencido de a conhecer. Nas páginas de 1000girls, Lara Okonkwo tende a entrar em retratos e em encontros em que o vestir, o movimento e a conversa sobre casa ocupam o centro, sem que a herança precise de ser anunciada em voz alta.
As histórias que lhe cabem são as de quem chega de um festival e se deixa fotografar, as de ensaios em que o tecido etíope atravessa um cenário contemporâneo, as de amizades que já sabiam o seu calor antes de saberem o resto. Ela não promete espetáculo: mostra-se, provoca, e, se a outra pessoa estiver presente, aquece o espaço entre os dois.